Independence Day
1 Porque, América?
Notas iniciais
Desculpe Inglaterra, mas eu escolho a liberdade. Declaro a minha independência.
Em um pulo, acordei no meio da noite, assustado. Meu coração estava disparado, sai da cama sem pensar e fui até o quarto do jovem americano. Soltei um leve suspiro de alívio ao ver a criança deitada na cama, dormindo como um anjo, e sorri.
Foi apenas um pesadelo.
•○•
A noite estava fria e eu estava sozinho. Via Alfred diante de mim, me apontando uma arma, em quanto pronunciava novamente as palavras, como se quisesse enfatizar que queria aquilo. Eram as mesmas palavras daquele pesadelo de tantos anos atrás.
Não sou criança! Não sou mais seu irmãozinho!
Eu sentia a chuva em minhas roupas, em meu cabelo, e tentava segurar a chuva que se abria dentro de mim. Como ele podia fazer isso? Como podia dizer aquelas palavras depois de tudo que passamos? Como podia... Como podia dizer que não é meu irmão?
Eu não permito!
Não. Eu não iria deixar que tudo aquilo fosse jogado fora. Investi furioso, e consegui desarmá-lo. Apontei a arma para sua cabeça, se esse era o único jeito, então que assim seja.
Você não tem forças para viver sozinho, America.
Eu venci. Ou melhor, estava apenas a um passo de vencer. Meu coração batia rápido, batia e batia, e a chuva estava pior. Tanto a chuva que nos molhava, quanto a que parecia querer mais e mais sair de dentro de mim. Minhas mãos tremiam, era só apertar o gatilho, só isso, mas... Por quê? Porque eu não conseguia acabar com aquilo? A expressão de Alfred... Ele sabia o que eu podia fazer. Mas eu simplesmente não conseguia. Durante um tempo eu fiquei ali, ofegante, tremendo. Não podia deixar que meus sentimentos tomassem conta, apenas tinha que impedir que minha colônia se tornasse independente. Apenas isso...
Seu idiota! Eu... Não consigo...
Minhas palavras sumiam no final, abafadas pelo choro, e eu joguei minha arma no chão. Sem perceber, as gotas escorreram pelo meu rosto e eu já não podia distinguir o que era chuva e o que era lágrima. Eu havia perdido Alfred. A vitória era dele.
Por quê? Droga...
Eu só não entendia, ou não queria entender, as coisas não tinham que ser assim. Alfred, será que eu fui um irmão tão ruim? As lembranças de um passado, que ainda parecia tão recente, estavam na minha cabeça e se misturavam com o presente. Você parecia tão pequeno. Você cresceu tão rápido. E eu acho que fui o único tolo que não percebia que este dia estava chegando. Que não queria perceber.
Espero que esteja feliz, você conseguiu sua independência, Estados Unidos da América
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