Indecisões

4 04 - Punição


Magali se encontrava no porão da padaria, amarrada em uma cadeira. Estava chorando silenciosamente, mas isso não pareceu comover Quim, que parecia se divertir com o sofrimento da própria namorada.

Quim: Vejamos o que eu farei com você — disse andando em volta da magricela — Será que eu te queimo com cigarro ou deixou você aqui morrendo de fome?

Magali: Faz o que você quiser — disse apática — eu não me importo mais. Só quero morrer.

Quim: Ainda é muito cedo pra isso minha princesa — sorriu sádico — eu ainda preciso de você viva.

Magali: Por que? — olhou pra ele com lágrimas nos olhos — Por que você tá fazendo isso comigo Quim? Você não é assim.

Quim: Cala a boca! — exclamou dando um tapa na face da namorada — Eu sou assim por sua causa Magali. Porque você... você disse que sentia amor de irmão por mim quando disse que queria terminar comigo.

Magali: Eu não podia mais mentir pra você — falou desesperada — Quim, o que a gente viveu foi lindo, mas a magia acabou. O sentimento bom acabou.

Outro tabefe foi desferido no rosto da Magali, que apenas chorava sem poder fazer nada.

Quim: Eu nunca vou aceitar uma coisa dessas Magá — falou sério — você é minha. Só minha. Sempre foi e sempre vai ser.

Magali: Nesse momento — disse ela o olhando agora friamente — eu preferia estar morta do que estar aqui com você.

Aquilo foi uma afronta pra Quim, que sem pensar duas vezes esbofeteou Magali mais duas vezes e a jogou no chão, dando chutes na barriga dela.

Quim: Desgraçada! — gritou furioso — Nunca mais diga uma coisa dessas pra mim! Escutou?! Nunca mais!

Magali pedia pra ele parar, mas ele não parou. Ele deu mais alguns chutes nela até que percebeu que havia passado do limite, então a pegou pelo braço e levou pra saída dos fundos da padaria.

Quim: Essa foi a sua punição de hoje — olhou seriamente pra ela — faça isso outra e vai ser ainda pior.

Ele entrou na padaria, deixando uma Magali aos prantos no meio da rua. A garota não sabia o que fazer. Se voltasse pra casa, seus pais iam se desesperar ao ver o estado dela e iriam querer saber o que fizeram com ela, e se ela contasse, seus pais e seus amigos sofreriam por causa dela. Não, ela não podia deixar que isso acontecesse. Então ela correu, correu até cansar. Correu até estar longe o suficiente de Quim.

Dona Lili já estava arrancando os cabelos de tanta preocupação. Magali havia saído às 7:10 de casa e ainda não havia voltado. Por um momento ela pensou que a filha estivesse conversando com as amigas na saída. Doce engano. Fazia mais ou menos dois meses que Magali não falava com as meninas. Pra despistar a mãe, a magricela inventou que elas tiveram uma briga feia e decidiram romper a amizade. Mal sabia Lili que a verdade viria à tona naquele momento. Ao escutar a campainha tocar, Lili abriu a porta e se deparou com Mônica e as outras meninas.

Lili: Meninas? — perguntou surpresa.

Mônica: Oi dona Lili — cumprimentou — viemos ver a Magali. Ela está?

Lili: Ela ainda não chegou — disse — pensei que estivessem com ela na saída do colégio. Ela disse que estava brigada com vocês.

As meninas se entreolharam e Lili percebeu que havia alguma coisa errada ali.

Ana: Brigadas? — estranhou — Não, nós não brigamos.

Cascuda: Foi a Magali que se afastou da gente do nada — esclareceu.

Lili: Ai meu Deus — exclamou nervosa — O que está acontecendo com a minha filha?

Mônica: Calma dona Lili — tentou tranquilizar a mãe da amiga — ela deve estar passando por algum momento difícil. A senhora já falou com ela?

Lili: Não — falou desolada — Eu tento conversar com ela, mas ela não deixa eu me aproximar dela. Eu queria saber o que está acontecendo. Ela disse algo pra vocês?

Ana: Hã — disse hesitante — dona Lili, a gente não sabe como dizer isso mas...

Lili: Mas o quê? — questionou desesperada.

Mônica: A Magali não foi pra aula hoje — soltou a bomba receosa de como Lili ia reagir.

Lili: Impossível — balbuciou — eu vi ela saindo de casa hoje cedo.

Mônica: Dona Lili — hesitou — talvez ela tenha ido no colégio mas não tenhamos visto ela. Eu como melhor amiga dela, sei que ela nunca mataria aula. Ela é muito estudiosa.

Lili: Hoje de manhã — respirou fundo — a Magali disse que não queria ir pro colégio e nem estudar mais. Então talvez ela tenha mesmo matado aula.

Cascuda: Mas pra onde ela foi? — questionou confusa — Ela não deixou alguma mensagem nem nada?

Lili: Não — lamentou — ela deixou o celular em casa. Acho que ela não queria ou quer ser encontrada.

Mônica: Ah, mas ela vai ser encontrada — bateu com o punho na mão — e quando a gente encontrar ela, ela não vai escapar do esporro que eu vou dar nela.

Aninha: Gente — disse chamando a atenção das amigas e da dona Lili — acho melhor ligarmos pra polícia. Dona Lili, não acha melhor ligar pro seu marido?

Lili: Tem razão — se levantou — eu vou ligar pra ele agora.

Enquanto Lili foi ligar pro marido, as meninas foram pro quarto da Magali pra ver se encontravam alguma pista sobre o desaparecimento da amiga.

Cascuda: Gente — falou abrindo o armário da comilona — olhem isso. O que será que aconteceu com as roupas da Magá?

Aninha: Nossa — fez uma careta — nunca que a nossa Magá ia usar roupas desse jeito. São tão... sem vidas.

Mônica: Tem algo de errado acontecendo com ela — falou pensativa — Eu devia ter notado isso antes. Eu fui tão burra! Eu nem notei que ela tava se afastando da gente.

Cascuda: Mô — colocou a mão no ombro da dentuça — você não tinha como saber. Aliás, ninguém tinha como saber. A Magali se afastou de todo mundo.

Aninha: De todos, menos do Quim — soltou pensativa — Vocês não notaram que agora ela só fica com ele o tempo inteiro?

Mônica: É verdade Aninha — parou pra pensar um pouco — A Magá tem andado afastada da gente desde que voltou com o Quim.

Cascuda: Será que — hesitou — ele não tá por trás da mudança de comportamento da Magá?

Mônica: Só pode ser isso! — estalou os dedos — Vocês se lembram daquela vez em que demos uma festa surpresa na minha casa e ele ficou todo furioso porque a Magá deixou de se encontrar com ele pra ficar com a gente?

Aninha: Sim — lembrou — e no dia seguinte os dois tiveram uma briga feia. Mas depois fizeram as pazes.

Cascuda: Mônica — pensou por alguns minutos — você tá achando que o Quim tá sendo abusivo com a Magá?

Mônica: Eu não acho — disse séria — eu tenho certeza que sim Cascuda. Pensa: quando que a Magali ia deixar de fazer o que ela gosta, de vestir o que ela gosta por causa dela mesma? Tá na cara que o Quim tá por trás disso.

Aninha: Mas Mô — hesitante — não temos como provar isso.

Mônica: Por enquanto não temos — respondeu — mas quando a Magali aparecer a gente vai obrigar ela a falar tudo.

Cascuda: E se ela não quiser falar? — perguntou duvidosa.

Mônica: Ela vai falar — disse convicta — ou eu não me chamo Mônica Souza.

Mônica estava determinada a encontrar Magali e fazer a amiga abrir a boca sobre o relacionamento dela com Quim. Se as suspeitas dela estivessem mesmo certas, Quim iria se ver com ela.