Indecisões

5 Capítulo 4


A semana passou rápido e já era sexta feira. Tudo aconteceu normalmente. Convenci Jacob a deixar de lado a idéia de matar Brian, mas ele avisou previamente, que se algo acontecesse fora do planejado, a única saída seria matá-lo. Por vez, Brian não deu sinal de sua presença durante esse pequeno período. Não o encontrei nas aulas de outras matérias, nem no corredor, estacionamento ou até mesmo, no refeitório. Aquilo me pareceu estranho. Ele não poderia ter sumido inesperadamente. Talvez estivesse sendo apenas discreto –demais- ou não quisesse ser observado, e sim, ser o observador. O que não nos transmitia certa paz, mas ainda havia a chance de vê-lo hoje na aula de história geral.

Tia Alice havia passado toda semana planejando a festa desse sábado, que seria aqui em casa e teria a mim, como anfitriã. Não me agradava a idéia de levar todo crédito, já que ela que havia se esforçado para deixar tudo tão perfeito. Além do mais, apesar da maioria dos convidados serem meus amigos, o que eu menos queria era atenção e ela, é claro, queria exatamente o contrário.

‘’Entenda Nessie, eles são seus amigos, não os meus. É seu último ano na escola e o correto é iniciá-lo com uma festa e terminar com outra melhor ainda. Por favor, por mim.’’ –foi o que ela disse com os olhos suplicantes naquela tarde de terça-feira enquanto discutíamos sobre a festa.

Sinceramente, não sei como vovô permitiu essa festa. Papai tentou impedir, mas não adiantou. Tia Rosalie não gostava muito de humanos e tio Jasper fazia o que podia para se controlar, mas nada afetou a decisão de minha tia. O certo a fazer seria nos conformar e tentar, no mínimo, nos divertir.

-Bom dia mocinha. Acordada tão cedo? –papai apareceu na porta. Ele ainda estava de jaleco e com sua pasta de documentos. Acabara de voltar do hospital. Mamãe havia ficado.

Era madrugada, talvez duas da manhã. Eu estava sem sono e acabei saindo do meu quarto e vim parar aqui, na varanda, enrolada em meu edredom enquanto Jake dormia tranquilamente e os outros faziam o de costume.

-Bom dia papai. Estava sem sono. –dei de ombros.

-Isso é raro, mas é bom. –ele sorriu e veio sentar-se ao meu lado, envolvendo seus braços em meus ombros e me acolhendo em seu peito. Uma brisa passou e eu tremi com o frio. Ele ajeitou o edredom, de forma que eu não tocasse em seu corpo. -Estava precisando falar com você. –me olhou um pouco sério, mas tentava ser descontraído, para não mostrar sua preocupação.

-Algum problema?

-Pensei, talvez, em ir para escola hoje. Por precaução. Para prevenir se algo der errado, caso encontre Brian.

-Pai, mesmo que eu o encontre, é impossível que ele me coloque em perigo. Ele pode matar uma sala inteira, mas não pode disseminar toda escola sem que ninguém perceba. –ele ficou tenso. –Desculpe, não era esse exemplo que eu queria lhe dar. Estou tentando dizer, que não há motivos para tanta precaução. Jacob vai estar no prédio ao lado e eu posso pedir ajuda se me sentir ameaçada. Tudo bem?

-Tudo, mas se algo acontecer, avise. Se conversarem, seja restrita. Não diga a ele muito de nossas vidas, nem dos nossos dons. Alice, quer dizer, você, o convidará para festa. É bem provável que ele venha.

-E vovô aceitou isso? Com a maior facilidade do mundo, sem criticar, mesmo com a vinda de Brian? –perguntei pasma e ele sorriu. Vovô sempre mostrava um pouco de resistência quando o assunto era humanos em nossa casa, mas parece que dessa vez, não foi preciso muita insistência.

-Sabe como Carlisle é em relação à nossa segurança, discrição. Mas quando o assunto trata-se da pequena Alice Cullen, é uma batalha perdida. Ela sempre vence e dessa vez não foi diferente.

-Pai, e quanto a Jacob? Estou com medo. Brian sabe que ele é diferente, não podemos deixá-lo descobrir que ele é um lobo. Além do mais, ele já sentiu o cheiro de Jake, uma hora ou outra perguntará o motivo. O que responderei?E se ele tentar algo contra Jake? –tremi com o pensamento. Eu teria que manter os dois bem distantes um do outro. Não seria fácil. Papai apertou seu abraço em minha volta e pus meus braços ao redor de seu pescoço, escondendo meu rosto o máximo possível.

-Ignore a pergunta. Depois que souber que existem dez vampiros nessa casa, ele certamente irá pensar antes de atacar algum de nós. –suspirei pesado. Ele percebeu que aquela era minha fraqueza. O medo de que acontecesse algo com Jacob. Eu sabia que os outros poderiam se cuidar muito bem, –caso houvesse uma luta- não só pelos dons, mas pela experiência. Jake não era tão experiente como eles e bastaria uma mordida para que ele morresse. Lágrimas acumularam-se em meus olhos. –Não precisa ter medo. Não deixaremos nada acontecer. É a minha família, nela estão as mulheres que eu mais amo nessa vida, não vou deixar que nada as aflijas.

-Eu te amo pai. –o abracei com força e beijei sua bochecha.

-Eu ainda mais, minha pequena Nessie. –ele beijou minha cabeça e foi para o quarto.

Fui para o quarto de Alec e ficamos conversando. Tio Emmett ficou na sala com tia Rose. Tio Jasper estava no quarto com tia Alice, que continuava concentrada nos preparativos ‘’finais’’ da festa. Papai foi tocar seu piano e Jane estava no quarto.

-Nessie. –acordei com Alec me chamando. Eu estava no seu quarto. Devo ter dormido sem perceber.

-Por que não me levou para o quarto? –levantei, tentando me equilibrar. Ele me segurou pelo cotovelo e depois passou o braço por minha cintura, seguindo para meu quarto.

-Estou levando agora. –ele seguia me arrastando pelo corredor. Eu estava com tanto sono, que mal conseguia ficar em pé. –Pelo visto, não é bom quando você acorda no meio da noite.

-Não. Definitivamente, não. –concordei bocejando.

-Tome um banho e o sono passará. Estamos lá em baixo te esperando. –apenas balancei a cabeça e assim que ele saiu, me joguei na cama, voltando a dormir.

No sonho em que eu estava, água quente envolvia meu corpo, fazendo meus músculos relaxarem. Aos poucos meu subconsciente parava seu trabalho de me manter no mundo dos sonhos. A atenção e a consciência voltaram, me fazendo perceber que a água quente não fazia parte de sonho algum, mas sim da realidade. Ouvi risos e abri meus olhos assustada devido à minha conclusão.

-O que é isso? –gritei ao ver o que Jacob e Alec haviam feito comigo. Eu estava na banheira, que enchia mais a cada segundo, de roupa. Completamente encharcada. Os dois sorriam descontroladamente. Nas mãos, Alec tinha uma pequena filmadora, que agora era alvo da minha destruição. Me levantei.–Jacob! – o encarei e no mesmo instante ele se calou vendo a raiva em meus olhos.

-Você não acordava. Então pensamos que um pouco de água resolveria. –ele disse. Eles tinham conseguido o que queriam. Eu estava completamente sem sono e furiosa.

-Desliga essa filmadora. –ordenei a Alec.

-Nem pensar. Você está muito engraçada. –ele riu mais uma vez.

-Eu vou te matar Alec! –pulei para fora da banheira correndo atrás dele até a sala, no térreo, onde vovó nos esperava, pronta para dar uma bronca pela confusão. Papai apareceu da cozinha e jogou um olhar de reprovação para Jacob que agora estava ao meu lado. No sofá, tio Emmett gargalhava.

-Desculpe. –Alec e Jake disseram em uníssono.

-Depois que vocês aprontam querem desculpas? –perguntei com sarcasmo.

-Renesmee, vá tomar um banho e se arrumar. Eu resolvo o problema. –vovó disse. Concordei e subi para meu quarto.

Depois do banho pus uma blusa branca com casaco azul claro por cima, saia de cintura alta com algumas pregas e um scarpin beje. Para dá um toque feminino, coloquei uma tiara de laçinho também azul. Olhei o relógio próximo à minha cama que marcava seis e vinte da manhã. Ao lado dele, havia uma pequena caixinha preta, que parecia um pouco antiga. Nela havia um belo anel parecido com a aliança da mamãe, só que ao invés dos brilhantes, havia o brasão dos Cullens, perfeitamente esculpido. O leão, os trevos e a mão. Sorri involuntariamente.

-Gostou? –tia Alice perguntou aparecendo de repente ao meu lado.

-É lindo. –sussurrei e coloquei no dedo.

-Eu sabia que iria adorar. Dei à Jane a gargantilha e a Alec o bracelete. Desculpe por ter demorado para te dar. Eu estava esperando o momento certo. –ela pareceu distante ao dizer isso, como se estivesse tendo uma visão.

-Tudo bem? –perguntei. Ela, por um minuto pareceu confusa.

-Sim. Foi apenas uma rápida visão. Não entendi nada. –ela deu de ombros.

Jacob e eu seguíamos para o refeitório durante nosso horário de almoço. Trocamos poucas palavras durante a manhã. Não sentia a necessidade de conversar com ele. Não estava zangada pela brincadeira de cedo. Foi por um lado, até divertida toda aquela situação embaraçosa pela qual passei. Ele parecia mergulhado em seus pensamentos e não mostrava descontentamento por estarmos nesse silêncio. O refeitório estava apático, diferente do habitual. A única novidade era a festa que eu daria e é claro, que apenas alguns foram convidados. Rapidamente vasculhei com olhos o local, à procura de Brian. Ele não apareceu na primeira aula de historia geral e não estava aqui.

Suspirei pesado, sentando junto a meus amigos, que diferente dos outros, estavam totalmente animados e conversando sem parar. Como se algo influenciasse o estado emocional dos estudantes, menos dos meus amigos. Meus dedos tamborilavam sem parar na mesa de madeira. As vozes pareciam distantes aos meus ouvidos. Ou talvez, eu estivesse distante. Algo queria minha atenção, mas eu não encontrava o que deveria ser meu foco. Fiquei olhando furtivamente a floresta mais a frente, bem adiante das paredes de vidro da escola. Aquilo estava me dando nos nervos. O pequeno ponteiro do relógio de pulso de Josh se arrastava, tentando impedir que o tempo passasse.

-Nessie! –tio Jasper balançou meu braço. –Está tudo bem? –ele perguntou quando meus olhos se voltaram para seu rosto, que parecia ainda mais pálido que o normal. O refeitório estava vazio. Jacob encontrava-se na mesma posição, ao meu lado e tia Alice estava à minha frente. Pisquei atônita.

-O sinal já tocou? –perguntei

-Há dez minutos. –ele respondeu. –O que aconteceu com você?

-Não aconteceu nada. É claro que estou bem. –franzi as sobrancelhas. –Por que está perguntando isso?

-Você ficou distante durante todo o horário de almoço. Estava estranha. –Jacob me abraçou.

-Estava até difícil de sentir seus sentimentos. –tio Jasper disse.

-Era como se alguém estivesse te controlando ou a ponto de fazer isso. –tia Alice completou.

-Algum problema? –a voz do coordenador, Sr. George, ecoou.

-Não senhor. –titio respondeu.

-O que estão fazendo fora de sala?

-Nos desculpe. –falei rapidamente. –Não estava me sentindo bem.

-Quer que eu chame seu pai?

-Não é necessário. Ela está melhor. Talvez pudéssemos ir para nossas aulas. –tia Alice falou e ele concordou vagamente.

Por sorte, o professor Barner, se atrasou também. O cumprimentei rapidamente, passando pela porta, segundos depois dele, e segui para meu lugar, ao lado de Brian. Sim, Brian encontrava-se perfeitamente acomodado em seu lugar, me recepcionando com um sorriso caloroso.

-Bom dia, senhorita Renesmee. –ele puxou a cadeira para que eu pudesse sentar.

-Obrigada.- retribui o sorriso. –Bom dia. –joguei a mochila por cima da mesa e busquei por meu livro.

-Não é de seu feitio chegar atrasada. –ele comentou enquanto o professor escrevia na lousa.

-Ando desleixada ultimamente. –respondi. –E você não estava aqui na primeira aula. Posso saber porque?

-Surgiu um assunto de ultima hora para resolver.

–Darei uma festa amanhã. Espero você. Minha família vai está lá, vão poder se conhecer. -peguei seu convite, colocando-o em cima de seu livro aberto.

-Tem certeza? –ele pareceu inseguro.

-É claro. É apenas uma festa. E se você tiver... –procurei a palavra certa. –Companheiros, pode levá-los. Será um prazer. –sorri gentilmente.

-Já que insiste. Então, vocês moram aqui há muito tempo?

-Não. Nos mudamos ano passado. O que fez você ou vocês virem para cá?

-Em primeiro lugar, vocês. Estou aqui com meu irmão e nosso criador. Estamos aqui pela caça farta.

-No Alasca também há uma grande área de caça. –comentei.

-Não fomos muito bem recebidos por lá. Os vampiros não são muito sociáveis.

-Discordo de você. Minha família os conhece e pelo que sei, eles são bastante receptivos com visitantes. –tentei descobrir algo.

-A boa receptividade não valeu conosco, mas não vamos conversar sobre isso. Vamos falar de você. –ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. Recuei um pouco, mas não impedi. –Que como sempre, está muito bonita. –Era impressão minha ou ele estava me paquerando em plena aula?

-Por que não me diz onde estava durante a semana? –ignorei seu elogio.

-Não é fácil morar em uma Metrópole. –ele comentou.

-Por onde tem andado durante todo esse tempo? –mudei de assunto, curiosa por sua história de vida.

-Por todos os lugares que você imaginar. Inclusive Itália.

-Itália? –engasguei

-Eu sou famoso em Volterra. –ele me olhou brincalhão. –Meu criador conhece os Volturi. Passamos alguns anos lá. Engraçado, -ele pareceu refletir – Aro nunca me contou de um clã tão incrível como vocês.

-Mal nos conhece e nos chama de incríveis. Deveria ser mais precavido.

-Com certeza não. Com uma garota tão incrível como você, já posso julgar o clã. –ele tentou acariciar meu rosto. Recuei.

-Tenho namorado. –disse sem pensar.

-É claro, o grandalhão. –ele comentou. –Não quero confusão com ele. –disse com ironia. Revirei os olhos. –Fico pensando que tipo de ser ele é.

-Ele é um ser humano. –bufei.

-Não é o que parece. – o ignorei, como papai me instruiu. –Há quantos de vocês aqui?

-Dez. Fora Jacob e eu.

-Caramba! –ele me olhou surpreso. –Como conseguem viver todos juntos?

-Somos civilizados, uma família. Não um monte de vampiros sedentos de sangue. –disse carrancuda. Ele sorriu. Nossa conversa se estendeu durante toda a aula. Falamos sobre assuntos variados. Até que foi divertido.

As outras aulas passaram rapidamente. Refleti um pouco sobre o que aconteceu comigo durante o almoço. Eu realmente me senti estranha. O que podia ter acontecido? Eu fiquei tão desconectada do mundo, avulsa, ansiosa, mas ao mesmo tempo , concentrada em algo, atenta em algo que meus olhos não enxergavam. Apenas sabiam que estava ali, dentre aquelas árvores. Um arrepio percorreu meu corpo. Eu estava encostada no carro de Jacob, esperando ele e os outros. O professor havia nos liberado alguns minutos mais cedo.

-Liberada mais cedo ou aprontou alguma Nessie? –Rhuan perguntou ao se aproximar. Rolei os olhos.

-Por que insiste no fato de que não sou uma pessoa responsável? –sorri travessa.

-Porque eu conheço você e sei que sua capacidade de não se meter em confusão é mínima.

-Não me chamo Rhuan Will.

-Isso é uma indireta? Se for, é melhor a senhorita pensar antes de falar. Sou uma pessoa altamente responsável e consciente das minhas atitudes.

-Rá! Vou fingir que acredito.

-Senti sua falta durante as férias. –ele se posicionou ao meu lado.

-Eu também, mas elas foram muito bem aproveitadas por nós dois. Você com Ever e eu com Jake.

-Estou realmente feliz por vocês. No começo eu não queria aceitar, porque eu gostava de você, mas tinha a Ever, que mesmo sabendo dos meus sentimentos, não desistiu de mim e me fez amá-la como nunca amei alguém.

-Foi a melhor escolha que tomou. Seria impossível nós dois porque o único garoto que eu penso amar por toda minha vida é Jacob.

-Você o ama muito, não é?

-Demais. Eu preciso dele como quem precisa do ar para respirar. –disse com um sorriso nos rosto.

-Mas, mudando de assunto. Soube que você convidou o novato da sua sala de história geral.

-Brian. Convidei sim.

-Ele parece bem estranho e anti-social. –ele disse.

-E ao contrário do que muitos pensam, ele é legal e comunicativo.

-Falando nele...-sussurrou.

-Olá Renesmee. –Brian aproximou-se. Fiquei um pouco tensa com sua aproximação. O estacionamento não era o lugar mais adequado para conversarmos.

-Eu já vou. Amanhã nos vemos. -Rhuan afastou-se ao ouvir o sinal tocar.

-Oi de novo. –disse.

-Pelo visto, não causo boa impressão em humanos. –Brian riu.

-Nenhum vampiro causa boa impressão.

-Os vampiros da sua família. –ele discordou pacificamente.

-Nem sempre. –ficamos em silêncio por alguns segundos. –Algum motivo especial o trouxe a mim? –perguntei. O fato de Brian me procurar após as aulas era estranho. Isso não parecia algo que ele fazia com naturalidade. Ou ele estava tentando ser meu amigo o máximo possível ou desejava algo.

-Será que eu não poderia vir cumprimentá-la? Ou seu namorado não deixa? Ele é do tipo controlador? –ele apoiou-se com a mão no carro, tomando cuidado para não amassá-lo e me olhou nos olhos, curvando-se levemente sobre mim. Me afastei, não querendo contato físico entre nós.

-Jacob não é controlador. –respondi sem querer estender nossa conversa. Realmente esse não era o lugar mais seguro para ficarmos a sós, tão perto um do outro, que de certa forma, me causava medo. Às vezes, ao me olhar, ele passava a sensação de me desejar. Talvez fosse apenas meu lado humano querendo se proteger.

-Então não há problema se eu ficar. — ele disse posicionando-se no mesmo lugar que Rhuan estava a momentos atrás. O silêncio se prolongou. –Que fedor é esse? –ele perguntou exasperado.

-Sou eu. Algum problema? –Jacob respondeu aparecendo de repente ao meu lado e me puxando para si.

-Todos os problemas possíveis. –Brian disse. –Por que não ficou na sua sala com aquelas meninas babando por você?

-Por acaso você controla minha vida?

-Jacob. –murmurei. –Por que não vai embora Brian? Não quer confusão,quer?

-Foi um prazer compartilhar minutos maravilhosos com você. Tenho certeza que acha o mesmo. Nos vemos depois. –ele piscou e correu para mata. Jacob me olhou carrancudo.

-Jacob. –tia Alice disse ao se aproximar. –Quero que vá pegar umas encomendas. O endereço está em baixo. Poderia fazer isso por mim? –ela pediu com sua voz doce sem perceber o que se passara ali. Ele apenas concordou e pôs o cartão que ela havia estendido no bolso da calça.

-Vou com você se não se importar. –murmurei antes de entrar no carro. Caso ele não concordasse, eu iria com meus tios, mas ele não respondeu. Apenas abriu a porta para mim e eu entrei sem questionar, é claro.

Jacob seguiu o caminho normal, indo para casa. Estranhei, mas não perguntei o porquê. Ele parou o carro na rodovia, sem entrar na pequena estrada de terra que seguia até nossa casa e então me olhou com os olhos profundos e amargurados.

-O que quer que eu faça? Que desça e não vá com você? Se não quisesse minha companhia, bastava dizer que eu vinha com tio Jasper. –perguntei fria.

-O que ele queria? –suas mãos continuavam firmes no volante.

-Apenas conversar.

-Não me faça de idiota. Acha mesmo que eu acreditaria que ele foi lá para conversar? Não sabe o quanto eu queria quebrar a cara dele por ousar falar com você, por ousar está na mesma sala, respirando o mesmo ar. Ainda mais, sentando ao seu lado!

-Acha que estou mentindo?

-Não sei. Você está tão afastada de mim, tão distante, que não duvido de nada.

-O que deu em você, Jacob? –perguntei abismada. –Não estou me afastando.

-Não. –ele disse irônico. –Fui eu quem não trocou uma palavra com você durante as aulas, durante o almoço.

-Foi você sim! –retruquei. – Se quer conversar, é só dizer. Só não vem jogar a culpa em mim.

-Pensando bem, a culpa não é sua. É do Brian.

-Não. A culpa é sua, toda sua! Porque não sabe controlar seu ciúme e aceitar o fato que eu e Brian somos amigos. O que te incomoda? O medo de ser trocado por ele ou a vontade de me controlar? –cuspi farta de seu comportamento.

-Nossa! Faz apenas duas semanas que o conhece e já o chama de amigo. –ele rebateu. –Isso significa que confia nele. Porque amigo é isso, é uma pessoa que a gente confia. Talvez confie mais nele do que em mim, já que ele também é um vampiro. E... –ele suspirou pesado. – Eu não cogitava a idéia de ser trocado por ele, mas já que falou, é melhor eu começar a temer esse acontecimento. Porque um dia, quando eu não for mais suficiente para você, isso vai acontecer. –seus olhos estavam cheios de dor assim como sua voz.

Me senti a pessoa mais idiota do mundo por ter lhe falado aquilo e lhe causado sofrimento. Eu tinha sorte de tê-lo me amando, tê-lo como namorado, mas eu sempre encontrava uma forma de acabar com toda aquela alegria entre nós. As coisas não estavam mais as mesmas desde a chegada de Brian. Tudo virando um caos e o que eu mais desejava era ficar com Jacob sem brigas e ter Brian como amigo, mas estava parecendo impossível ter as duas coisas simultaneamente. Seus olhos miravam a estrada diante de nós, enquanto eu me xingava mentalmente.

-Sabe que não quis dizer isso. –falei com calma.

-Então o que quis dizer? –sua voz saiu num sussurro, como se lhe faltasse força para falar.

-Estou me esforçando para não ser amiga dele, como me pediu, mas não posso negar que quero isso. Não desejo viver meus dias ao seu lado, brigando contigo por causa dele. Sabe que confio em ti cegamente, mais do que em qualquer pessoa. Sabe que eu moveria céu e terra por você. Eu nunca, meu amor, nunca te trocaria. –tentei tocar seu rosto, mas ele recuou.

-Já que diz isso, talvez fosse melhor medir suas palavras antes de dizê-las. A idéia que me passou foi que quando enjoasse de mim, iria para os braços dele.

-Sabe que isso não aconteceria.

-Não, eu não sei. –ele disse cabisbaixo.

-Se minhas palavras não servem como prova disso, talvez meu amor por você não seja mais suficiente. Apenas saiba que eu preferia morrer... –me engasguei em meio ao soluço que se formava em minha garganta, enquanto as lágrimas ameaçavam deliberadamente a cair. –Preferia morrer a ter que viver sem você. –Desci do carro rapidamente, puxando a mochila comigo.

A raiva se misturava com o sofrimento que me causara a conversa. Não havia mais nada de concreto em meu relacionamento com Jacob. Estava tudo tão diferente como imaginei. No meu pensamento, nós seríamos felizes, como os casais da minha família, sem nenhum desentendimento ou briga, mas estava enganada.

Notas finais
Espero que estejam gostando.
Beijos.
#LizCullen
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.