Incógnita
10 9. Família?
Notas iniciais
Um chêro e boa leitura!
– Então, onde você mora? – perguntei a Anne enquanto ela pagava os dois sorvetes de chocolate.
Nós estávamos na praça próxima a biblioteca, o que era bom, pois assim só precisaria atravessar a rua para chegar ao restaurante. Algumas crianças brincavam no parquinho enquanto os pais às observavam ou conversavam entre si. Fazia sol e ventava bastante e por toda a parte folhas secas estavam caídas ao chão.
– Moro em outra cidade. Cresci aqui, e sinceramente, se você tem ambições, tem que sonhar além de Greenwood. – disse ela. – Moro com meu marido e tenho dois filhos. E de vez em quando viajo para encontrar a minha mãe. Desde a morte de meu pai ela ficou meio deprimida. Eu tentei fazê-la ir morar comigo, mas ninguém consegue mudar os planos daquela cabeça dura. E agora que você está vivendo com ela, ela parece estar mais alegre. Então, eu só tenho a lhe agradecer. – falou sorrindo para mim.
– Eu é que tenho que agradecer a você e à Irina por me oferecer tanta ajuda.
– Minha mãe sempre foi muito bondosa. Mas é claro que eu me surpreendi por ela ter aceitado uma desconhecida, mas eu sei que ela sabe o que está fazendo. – explicou – Mudando de assunto um pouco: e a sua família? Seus pais?
Aquela pergunta foi como uma pontada no meu peito. Era algo o qual eu não esperava, mas sabia que seria possível de acontecer, contudo, é claro, eu não queria.
– Bem, eles... eles... Eu não sei como dizer. – Anne aguardava a resposta com olhos arregalados e curiosos – Eles foram assassinados. – aquela verdade me machucou e surpreendeu Anne.
– Ava, que pena. Eu não sabia. Desculpe-me.
– Não, está tudo bem.
– É claro que não. Desculpe-me por não ter compreendido antes.
– Você não teria como saber. – ver os olhos cheios de pena de Anne só faziam lembranças desagradáveis voltar a minha memória – Eu preciso ir. – disse enquanto pegava a minha bolsa e jogava no lixo o sorvete derretido – Você estará em casa no jantar?
– Sim. Sim, estarei. – Anne parecia estar preocupada com a minha decisão imediata.
– Até lá então. – falei rapidamente enquanto dava as costas a ela.
***
– Nós precisamos conversar – disse Irina com uma feição preocupada, assim que Anne saiu da cozinha.
Eu me sentia satisfeita com o jantar que nós tivemos, e não sentia vontade alguma de me levantar.
– Sim – concordei – Mas quanto ao ocorrido de hoje de manhã você não precisa se preocupar, porque Anne e eu nos entendemos. Eu compreendo a opinião dela e ela foi solidária com a minha condição.
– Mas, nós precisamos nos compreender. – enfatizou – Primeiro: você deve ter a certeza de que eu irei lhe ajudar, e eu vou.
– Eu sei que você vai. – disse sinceramente – Eu acredito em você.
– Certo. Segundo: – continuou – Anne não pode saber de maneira alguma sobre os anjos. Nenhum humano deveria. – revelou.
– Mas eu sei.
– É. Seu caso é diferente. Você precisava saber, uma vez que sua vida foi interferida e eles provaram ser uma ameaça a você.
Concordei com um aceno da cabeça.
– Mudando de assunto. Quero saber como você está na escola.
– Está tudo bem. As minhas amigas são legais. Mas só querem saber de romance...
– E você não quer?
– Elas acham que um garoto gosta de mim. Mas duvido muito. Além disso, ele é um chato. – Irina estava com um sorriso muito irônico, e percebi o quanto o meu comentário fora ridículo. Tive vontade de retirar rapidamente o que eu havia dito.
Ela murmurou alguma coisa que parecia com “Não é isso que parece que você acha” e começou a tirar os pratos da mesa para lavar. Enquanto ela lavava, eu enxugava. Assim que terminamos e guardamos todos os pratos e talheres eu me virei para sair, mas antes de passar pela porta, falei:
– Obrigada, Irina.
– Obrigada pelo quê? – perguntou surpresa.
– Por tudo. – pausei – Por ter cuidado de mim, por ter sido uma amiga, por ajudar-me nesses tempos difíceis e por ter sido uma mãe para mim quando perdi a minha. – pensei ter visto algo brilhar no canto do olho dela.
– De nada – respondeu simplesmente.
Fale com o autor