Incontinência reflexiva
1 Incontinência reflexiva
Incontinência reflexiva
Eu tava ali mijando
Me percebi pensando
Nos litros de resíduo que caem fora da privada
Se passando por água potável
E no tanto de pessoas
Que lambem toda a beirada
Achando que é coisa admirável
Me espanta o tanto de idiotice
Assinada por: Lispector, Clarice
Assassinada por tanta burrice
De um povinho que não se importa
Em manchar o nome de quem não conhece
Esse povinho pior que porta
Pra quem você explica, significa e verifica
E “eles vira”, já esquece
Não estou falando de gramática
Não torne a leitura dramática
Sei que já fizeram essa associação
Mas eu gosto e repeti
Sei que não tenho maestria na ação
Mas quero ver o texto fluir
Voltando aos tolos...
Quem dera eles fossem mais como no Tarô
Ou como nos livros lidos pelo meu avô
Eu quero ser um tolo daqueles!
Mas se fingir de retardado pode machucar
Ter seu entusiasmo esmagado até o choro arrancar
Porque ninguém defende o tolo
Do rei
Lembrei:
Amanhã tem compromisso
Continuo submisso
A essa contagem falsa do tempo
Lutei
Para continuar dormindo
Para continuar sorrindo
Naquele sonho de domingo
Mas o cachorro continua latindo
E perfurando meu ouvido!
O que eu ganho criticando?
Me aproveito do contrabando
Eu to sendo contra o bando?
Não
Eu não tomo contraste
Me põe longe desse traste
E trate de descontrair o ambiente
E me deixar ciente
De que posso descontrair meus esfíncteres anais
Eu não tomo refrigerante
Me tira dessa festa entediante
E levante, para eu nem perceber aquele camarada
Que tá olhando minha namorada
Não é porque ela mostra as pernas que tem que ser secada
De novo no banheiro
Algo tão corriqueiro
Aí olho no espelho
Devia cortar o cabelo...
Devia?
Só que não tá me incomodando
Eu não to trabalhando
Não tem ninguém me pressionando
E não tem ninguém me impressionando
Sabe, eu devia era usar uma peruca
Fazer cosplay de Urushibara Ruka
E ser feliz no meio dos que sabem de quem to falando
Mas o que eu procuro? Um posto seguro?
Em Porto Seguro, será que é seguro o que eu procuro?
Mas o que é seguro?
Eu nem tenho seguro...
Nem procuro ter
Se eu morrer,
Vão ter que se segurar
Pra não ir lá, abrir o caixão e me matar
Você me pergunta do foco
Te respondo com um “fuck you”
Eu não pretendia ter
Quer objetivos? É meu TCC que você tem que ler
Mas, espera... esse eu ainda nem comecei a fazer...
E eu termino assim
Tudo aqui é baboseira, sim
Mas é um pouco de mim
Meu pensamento vira seu
E eu reafirmo meu eu
A minha existência na sua compreensão
Aquela imagem dadaísta passa pela cabeça
Vem a vontade
Lembro agora de Kant
Não obstante
Que obsta... leio: “que bosta”
E aperto o pause nessa imensidão
Eu preciso mijar, de novo
E vou...
E como tudo começou
Acaba (por hoje)
Porque bebo muita água
Fale com o autor