Incontado
1 A descoberta
Notas iniciais
Ela olhava para aquele maldito bracelete com ódio. Como tinha sido tão tola? Estava agora ali indefesa naquela mesa. Talvez se mais alguém tivesse confiado nela ela não precisasse ter confiado naquele pirata idiota. A dor continuava percorrendo seu corpo mesmo quando o dispositivo de Greg não estava ligado, mas a cada corpo a sensação era mais terrível. Ele ia dar mais uma descarga, Regina se preparava para receber toda aquela dor, mas ao invés de senti-la ouviu alguém batendo na janela.
_Nos encontraram (A rainha ouviu a voz da mulher.)
_Quem? Emma e Neal? (Greg perguntou confuso.) Pensei que tinha cuidado deles.
Ao ouvir o nome Emma a rainha se encheu de algo parecido com esperança. Lembrava de quantas vezes a loira já tinha a salvado. No incêndio, quando foi marcada por Gold, quando Whale liderou metade da cidade que queria a sua cabeça... Ela podia odiar o fato de ter precisado da ajuda dela por tantas vezes, mas, de alguma forma, saber que ela estava vindo ao seu resgate a reconfortava. Lembrava agora que nunca tinha agradecido por nada. Talvez não fosse mesmo do seu feitio agradecer mas queria poder o fazê-lo de alguma forma.
_Sim eu também (A mulher disse em resposta.) Nós precisamos ir.
_Não, não e não. Eu preciso de mais tempo com ela.
_Greg , se formos pegos essa coisa toda já era.
_Nós nem saberíamos dessa cidade se não fosse meu pai, não sairei daqui sem encontrar ele.
_Tudo bem, me encontre onde combinamos quando terminar. (Ela disse saindo dali.)
_Estou mudando a intensidade. (Ele avisou à Regina. ) Vou te dar uma ultima chance. Diga-me onde meu pai esta!
Regina queria ganhar tempo. Queria ter a sorte da loira a encontrar logo. Mas de certa forma ela queria desistir. Tamara estava com Greg, quando todos soubessem disso provavelmente Neal romperia com ela, Emma e eles ficariam juntos, se já não o estavam e Henry teria o que tanto queria, uma família feliz. A rainha sabia que nunca poderia dar aquilo a Henry.
Estava cansada de não ter ninguém, cansada de estar sendo torturada por aquele que um dia quis que fosse seu filho e cansada de ser rejeitada por aquele que criou como filho. Talvez morrer fosse melhor do que viver com toda aquela dor. Não queria sair dali sabendo que veria Henry sendo feliz com sua nova família sem que ela pudesse participar daquilo. Talvez morrer fosse o melhor que ela poderia fazer por ele. Talvez se entregar à morte fosse a melhor forma de agradecer à loira por tudo e também de se desculpar.
Ela merecia aquilo. Greg perdeu o pai por conta dela, Emma perdeu toda uma vida que poderia ter sido feliz. Henry perdia a cada dia a sua inocência de criança e cada vez via que ela era uma pessoa horrível, que merecia sofrer. Sim ela era horrível. Ela mesma não tinha compaixão de si própria naquele momento.
_Seu tempo acabou. (Ele disse indo em direção aos aparelhos.)
_Espere.
Ela disse encarando aquele homem e lembrando-se do seu rosto de menino. Ela tinha o transformado naquilo. Pensou em talvez pedir desculpas. Mas do que adiantaria? Ele jamais aceitaria, ele a mataria de qualquer forma. Ela se sentia frágil naquele momento, tudo o que queria era implorar, mas ela não o faria. Apesar de toda a dor que sentia ela não seria fraca. Sentiu-se fraca durante toda a sua vida, mas naquele momento, o seu ultimo momento, não seria de súplica.
_Onde ele está? (Ele perguntou com angústia.)
Regina sorriu. Mesmo amarrada em uma maca sendo torturada ela conseguia ser mais intimidadora para ele do que ele para ela. Ela era forte. Iria morrer, mas não seria fraca. Ela o faria acabar de uma vez com aquilo. Ela estava no comando mesmo quando não poderia estar.
_Morto. (Ela falou melodicamente.) Eu o matei no minuto em que você fugiu.
Ele a encarou perdido negando a verdade com a cabeça. Ela falava com rancor, nitidamente dizia que se ele tivesse ficado poderia ser diferente, ela parecia querer fazer com que ele sentisse culpa. Mas o que ela queria é que ele sentisse raiva o suficiente para acabar com a culpa que ela mesma estava sentindo.
_Não você esta mentindo! (Ele falou fraquejando.)
Parecia que ela via novamente aquele garotinho. Teve medo de que ele não fosse ter coragem. Então o atiçou mais uma vez:
_Não! Acredite em mim. Vá ver por você mesmo. Eu o enterrei no local onde vocês acamparam. Duvido que receba muitas visitas por lá. Agora vá em frente e me mate. Eu só queria ver a sua cara quando eu...
“...esmaguei o coração dele”
Não terminou a frase por conta da forte descarga elétrica que tomou seu corpo. Achou que morreria ao sentir a primeira descarga devido a dor enlouquecedora, mas na segunda teve certeza. Será que Henry sabia o quanto ela o amava? Ela estava arrependida de não ter tentado ganhar tempo, queria ter certeza que Henry lembraria de si com algum carinho.
_Esta sentindo isso? Esse é o seu fim! (Ele falou com ódio na voz.)
Não poderia ser. Henry precisava saber, precisava de alguém que pudesse lembrá-lo daquilo. Precisava que Emma entrasse ali nem que fosse para ouvir suas ultimas palavras, para que prometesse cuidar do Henry. Para que ela fosse em paz sabendo que ele não se esqueceria dela e que ficaria bem. Sentiu mais uma descarga intensa em seu corpo.
_Isso é assustador não é? (Ele perguntou parando mais uma vez os choques.) Agora você não machucara ninguém... Nunca mais.
Aquele maldito! Porque ele tinha que lembrar que ela já havia machucado tantas pessoas? Porque ele tinha que lembrar que ela tinha ferido tantas pessoas inocentes? Aquele vilarejo, Snow... Emma. Ela precisava pedir desculpas pelo menos para a loira.“Swan apareça” Nunca desejou tanto alguma coisa quanto isso.
Já estava praticamente inconsciente quando ouviu um barulho de disparos bem ao longe e uma voz irreconhecível dizer algo indecifrável. Então tudo ficou preto.
Em seu subconsciente esta certa de que estava já morta. Chorava por dentro por não ter conseguido sobreviver mais alguns minutos. Tinha certeza que Emma havia a encontrado. Queria ter tido a chance de falar com ela. Queria ter tido a chance de fazê-la ver que ela realmente tinha amor em si, de que realmente amava o Henry.
“_Você ama ele?
_Como?
_Henry, você o ama?”
Ela precisava saber. Ela precisava lembrá-lo.
Depois de algum tempo em devaneios, começou a ouvir vozes desconexas em sua mente. Tentava decifrar de quem eram, mas não conseguia. A morte era daquele jeito? Será que tinha virado um fantasma ou algo do tipo? Pensava que a morte tudo se apagava até s pensamentos, sentimentos e vozes. Talvez estivesse no inferno.
“_Ele se foi.”
Foi a primeira frase que Regina conseguiu entender desde que Greg tinha disparado sua ultima descarga de choques. Ela reconheceu aquela voz de imediato. Era Emma. Seu coração acelerou e ela sentiu. Talvez ainda não tivesse morrido. Precisava acordar, precisava falar com ela.
“Ela o matou.”
Ouviu a segunda frase e só agora atentou para entender o que aquilo significava. A desilusão na voz de Emma já era suficiente para Regina entender. Tamara havia matado Neal.
“_Emma eu sinto muito (Ela reconheceu a voz do Charming.)
_Eu.. Tenho que contar ao Henry”
Regina podia ouvir tudo, mas não conseguia acordar. Estava agoniada sem saber se estava viva ou morta, mas tinha que conseguir um jeito de voltar! Henry não teria mais aquela família perfeita que a prefeita imaginou que teria, precisava voltar.
Não conseguia mais acreditar muito na possibilidade de estar viva, visto que se Emma estava com Neal e Tamara o tinha matado provavelmente ela não tinha a encontrado. Teria dado tempo de Tamara matar Neal, Emma conseguir escapar dela e chegar em seu resgate?
Já estava desistindo de entender o que estava acontecendo quando sentiu algo quente em sua cabeça. Conseguiu enfim abrir os olhos vagarosamente e encontrou em sua frente Snow colocando um pano quente em sua testa. Estava na casa dela. Repentinamente tudo fez sentido. Emma não tinha tido tempo de salvá-la, mas Snow sim.
_Você me salvou? (Ela perguntou triste.)
_Sim (Snow confirmou.)
estar viva, mas ter sido salva pela Snow a incomodava. Ela tinha imaginado que Emma a salvaria. Só de pensar que se tivesse que falar suas últimas palavras para Snow já se imaginava falando atrocidades.
_Acha mesmo que deixaríamos você morrer? (Charming falou.) Apesar de nossas diferenças somos uma família.
Família. Aquela palavra ecoou na cabeça de Regina de forma pesada. Uma família era o que mais poderia desejar, mas não conseguia se ver sendo parte daquela família. Respirou fundo e pesarosamente. Só agra lembrou que eles estavam com o gatilho. Tinha que proteger Henry. Ele era sua família.
_Onde eles estão? (Perguntou quase se entregando ao choro.) Onde estão Greg e Tamara?
Eles iam explodir o gatilho, Regina estava certa disso, aqueles loucos detestavam magia, iam mandar Storybrooke pelos ares.
_Eles escaparam.
David disse o que Regina já presumia, mas não queria ouvir. Ela explicou sobre o que o gatilho fazia. Mary Margaret e David decidiram então ir buscar Henry e deixaram-na descansando.
Achou que estava sozinha até ouvir uma voz conhecida dizer:
_Você realmente ia matar a mim e a todos os outros e acha que Henry aceitaria isso assim?
Ela estava ouvindo a conversa pelo visto. Regina mal conseguia a encarar. Sentia-se envergonhada.
_Você teria coragem de me matar Regina e encarar o Henry e dizer que o ama?
Aquilo doía. Regina já tinha tentado isso uma vez.
_Teria. (Ela respondeu honestamente.) Mas não era esse o meu plano.
Emma franziu o cenho sem entender bem.
_Eu tinha três feijões Emma. Um para mim e pra Henry bastaria.
_O que quer dizer com isso?
_Quero dizer que caso eu conseguisse por meu plano em pratica você poderia sair da cidade. Você não foi amaldiçoada Emma. eu tinha guardado os dois feijões para voltarmos e te buscarmos. Eu realmente sou indiferente ao outros, mas não a você.
_Como assim? Poque você iria querer me buscar?
_Henry não me perdoaria se você morresse. E eu definitivamente não tenho nada contra você Swan. eu odeio essas pessoas dessa cidade, todos me odeiam também. Eu só não gosto quando você tenta tirar meu filho de mim.
_Quem afasta o Henry de você é você mesma! Que tipo de criança quer uma mãe assassina? você ia matar a cidade inteira.
_Pelo menos eu não iria te abandonar aqui! (Regina respondeu magoada.)
_Abandonar? (A loira se aproximou enquanto negava com a cabeça.)
_Sim, você estava pronta para arrancar ele de mim ir para Fairy Tale Land e ia me deixar aqui!
_Não. Esses eram meus pais, não eu. Eu sequer sabia se eu queria ir para lá!
Regina baixou a cabeça ao ouvir aquilo.
_Me desculpe. Eu não queria que isso acontecesse... Eu tive medo de perdê-lo
_Porque você não acabou com os feijões e deixou isso pra lá?
_Eu não sei ok? Não pensei nisso, fiquei desesperada! Emma ele é a única pessoa que eu tenho! Pensar em perder ele me faz enlouquecer! Eu vivi dezoito anos nessa cidade sem ninguém! Não há nada pior do que isso.
_Você tinha o Graham.
_É diferente. (Regina disse não querendo falar do assunto.)
_Porque?
_Porque não era real
Ao ouvir isso Emma então se lembrou. “Ela tirou meu coração” Graham a beijando e tendo aquele ataque cardíaco. Como ela não havia relacionado isso?
_O coração dele... (Ela estava boquiaberta.) Você o matou! Você nunca o amou!
_Sim. (Regina disse sem emoção.) Eu nunca o amei.
Emma a encarou incrédula e então disse:
_Eu passei vinte oito anos da minha vida sem ninguém, nem por isso sou como você! Você é pior do que um verme! Você não tem alma!
Ela viu a loira correr ate a porta e deixou-a ir. Sentia-se péssima. Por algum tempo pensou em como seria bom se conseguisse simplesmente esquecer tudo e realmente formar uma família. Mesmo que não fosse alguém como Daniel, alguém que pudesse ao menos confortá-la. Isso naquele momento parecia tão distante de si que por alguns segundos desejou não ter acordado.
Tinha algo naquilo que não conseguia entender muito bem. De todas as pessoas do mundo se importava com Henry e com o resto era indiferente. Se qualquer um tivesse lhe despejado tudo aquilo ela teria ignorado, mas Emma lhe causava algo. Era como se de todas as pessoas ela quisesse que Emma acreditasse nela. Talvez fosse só por conta da ligação que ambas tinham com Henry, mas ela realmente não suportava saber que a loira a enxergasse daquele jeito.
Depois de um tempo deitada pensando naquilo lembrou-se do gatilho. Se ele fosse ativado o pior aconteceria e ela teria de estar preparada. Levantou-se ainda em devaneios sentindo uma intensa dor de cabeça. Nesse momento viu Henry e os Charmings entrando na casa.
_Henry!
_Mãe! (Ele disse indo correndo abraçá-la.)
Aquele abraço parecia um mundo. Era tudo o que ela precisava depois de tudo o que passou. Não teve muito tempo para aproveitar aquela sensação, pois, logo começaram a sentir a terra tremer. Regina encarou Emma assustada.
_Regina isso foi...
_Sim... (Ela falou de forma pesarosa.) O diamante foi ativado.
_Então todos morreremos. (Henry falou.)
_Você nasceu aqui, então você viverá. (Regina disse, sentindo um alívio mínimo.)
_Mas eu ficarei sozinho. (Ele disse de forma triste.)
Regina queria chorar, tudo aquilo era sua culpa.
_Eu sinto muito Henry... (Ela começou mas foi interrompida por Emma.)
_Não deixarei isso acontecer você fez isso faça parar! (Emma falou exasperada.)
_Não posso. Não há como! (A prefeita respondeu mais áspera.)
_Da um jeito, a culpa é sua! (Emma disse o que Regina já sabia.)
_Parem! (Henry interviu.) Eu já perdi meu pai não quero perder mais ninguém! Temos que trabalhar juntos!
Ao ouvir aquilo Regina sentiu seu coração partir. Ela já sabia o que faria. Henry iria sofrer, mas era a única forma dele perder menos. Iria ter a oportunidade de se despedir de seu filho ao menos. Ela se entregaria para dar tempo deles fugirem, mas poderia morrer em paz e deixar Henry a salvo.
Hook chega e diz que mudou de lado porque não quer morrer e concorda em ajudar eles à chegarem em Greg e Tamara.
_Não há como deter isso (Regina disse com a voz pesarosa.) O que eu posso fazer é desacelerá-lo, mas isso só adiará o inevitável.
_Isso dará o tempo que precisamos. (David disse esperançoso) Roubaremos os feijões de volta e os usaremos para todos irem para a floresta encantada antes que Storybrooke exploda.
_Irei com Regina para desacelerar o diamante, Mary e Henry reúnem o povo de Storybrooke e David e Hook vão atrás dos feijões.
Regina escuta tudo em silêncio e de cabeça baixa. Mary vai em direção a porta e Henry também, mas Regina o para no caminho.
_Henry antes de você ir. Sinto muito pelo que esta acontecendo. Tentei ser a pessoa que você queria e falhei. Mas nunca o deixarei sozinho.
Nesse momento Regina percebe o olhar de Emma sobre si. Tinha vergonha de falar aquilo na frente dela, ainda mais depois da conversa anterior, mas talvez fosse realmente bom ela escutar aquilo.
_Saiba que eu te amo.
_Eu amo você também (Henry disse abraçando-a.)
Enquanto prendia seu filho em seus braços olhava para Emma. Esperava que ela pudesse ver que estava sendo sincera. Após soltar-se do abraço baixou os olhos de forma triste e voltou a encarar a loira, queria poder dizer algo especial para ela, mas como não tinha o que dizer voltou a baixar o rosto e a andar. As duas estavam em silêncio no início do caminho até que Emma resolveu falar:
_Você devia ser menos precipitada. (Emma falou enquanto Regina dirigia até a mina.)
_O que quer dizer com isso? (A morena perguntou a olhando de rabo de olho.)
_Que se tivesse vindo conversar comigo saberia que eu não te deixaria aqui.
_Você teve a oportunidade de me dizer algo, mas ficou calada Swan...
_Sinto muito por isso. Eu realmente coagitei te deixar Regina, mas o Henry jamais seria feliz se estivesse em um mundo sem você.
_Eu também coagitei te deixar. (Ela disse dando um meio sorriso.) Ele poderia ser feliz sem você. Mas eu não.
Emma a encarou franzindo o cenho.
_Eu pensei em apagar as memórias dele, mas eu seria infeliz sabendo que ele só me amaria por conta de uma mentira. Nos 18 anos que passei aqui sozinha sem ele, todos nessa cidade me tratavam bem, mas todos só faziam isso porque eu queria. Era irreal entende? Eu me sentia rodeada de fantoches. Não suportaria se o Henry fosse um fantoche meu.
Emma a encarou incrédula, mas ainda assim de forma mais leve. Regina as vezes não a entendia. ela parecia tão brava quando estavam na casa da Snow e agora estava sendo bem mais compreensiva.
_Porque você sempre pensa nas piores maneiras de se conseguir as coisas Regina?
_Digamos que não aprendi a conseguir as coisas de outro modo.
Saíram do carro. Só agora Emma conseguia entender o que Regina queria. Segurou no ombro da morena delicadamente.
_Você não lançou a maldição simplesmente para acabar com os finais felizes. Você queria o seu.
Regina sentiu as lagrimas invadindo seus olhos, mas se conteve. Entrou na mina cabisbaixa sem responder. Emma percebeu o recuo da morena e decidiu que não falaria mais naquilo. Enquanto andavam mais para dentro mais o ar ficava rarefeito.
_É como se oxigênio tivesse sido drenado! (A xerife reclama.)
_Não é o oxigênio... É a magia.
_Lá esta. (Regina disse apontando para o diamante que cintilava suspenso no ar.) Quando parar de brilhar a destruição estará concretizada então veremos o que realmente acontecerá.
Regina recebeu o olhar da loira e então continuou:
_Tentarei conter a energia o máximo que eu conseguir.
_Não será muito logo teremos os feijões e sairemos daqui. (Emma disse confiante.)
Regina balançou a cabeça levemente em negação.
_Atrasando o dispositivo precisará de toda a força que eu tenho...
Elas se encararam. Aquilo não era bem um pedido de desculpas, mas era o suficiente. A morena teve que controlar os seus pensamentos. Era o ultimo momento em que estaria com alguém. Dessa vez era Emma que estava ali com ela, de certa forma foi o primeiro momento em todos aqueles dias que não se sentiu sozinha. Emma não precisava dizer nada, aquele olhar já lhe suplicava para não partir, mas ainda assim ela o fez:
_Você não irá conosco não é?
Ela se importava. A morena viu isso em seu olhar.
_Quando você disse adeus ao Henry, você estava se despedindo.
Seus olhos ficaram conectados por alguns momentos, até que a morena abaixou a cabeça tristemente. Pela primeira vez entendeu o porquê se importava com a loira. Finalmente havia entendido seus sentimentos.
_Ele sabe que eu o amo não sabe? (Fez essa pergunta quando queria fazer outra.)
_Regina, não. Tem que haver outro jeito!
_Você estava certa sabia? Tudo o que está acontecendo é minha culpa! Eu criei esse dispositivo. Só será justo tirar a minha vida.
Não poderia dar brecha para ela querer tentar salvá-la. Tinha que fazê-la concentrar-s em Henry. Não poderia ser egoísta e falar o que tanto queria dizer pois senão tudo estaria perdido. Emma era cabeça dura e coração mole. Se Regina a revelasse ela ia querer ficar lá com ela mesmo que não correspondesse aos seus sentimentos. Ela tinha que ser firme para convencer a loira a não olhar pra trás.
_E o que eu vou dizer ao Henry? (A loira perguntou ainda não querendo aceitar a decisão da outra..)
_Diga que no final não foi tão tarde para eu fazer a coisa certa.
_Regina por favor...
_Todos me veem como a rainha má. Incluindo meu filho. Deixe-me morrer como Regina.
Agora que ela sabia que Emma havia percebido que ela queria deixar de ser a Evil Queen desde que criou Storybrooke, sabia que a loira não a negaria aquele pedido, mesmo que os outros tentassem a convencê-la do contrário.
A loira se virou para sair e a morena abaixou a cabeça pensando em como seria triste nunca poder dizer aquelas palavras para ela. “Eu te amo” era o que ela desejava que Emma soubesse, mas que não podia revelar. Encarou o dispositivo receando começar o processo.
Emma parou no meio do caminho e se virou para ela.
_Regina eu...
Quando viu que a loira estava prestes a fraquejar ela começou a drenar o diamante dando o assunto como encerrado. Emma a encarou de forma triste, mas continuou o planejado e saiu correndo da mina depois de dar uma ultima olhada para a morena. Quando viu que ela estava fora de vista deixou as lágrimas rolarem com um riso triste. Apesar de estar caminhando para a morte levando consigo seu maios segredo, no fundo de seu peito se sentia feliz. Tudo porque agora ela sabia que Emma se importava.
Estava concentrada no diamante quando não pode acreditar no que estava vendo. Henry, os Charmings e Emma tinham ido até a mina. Seus olhos se arregalaram. Emma não podia fazer isso! Não podia deixar Henry sozinho, não podia morrer por sua culpa. Seu peito agora estava apertado. De certa forma estava feliz por não estar sozinha, mas sabia que não tinha muito mais energia, eles estavam se matando.
_O que estão fazendo aqui?
_Estava disposta a morrer para nos salvar isso faz de você uma heroína. E agora nós seremos os heróis.
_Não! (Regina sussurrou odiando o fato de imaginar Henry sozinho e Emma morta.)
_Vamos abrir um portal e jogar essa coisa no vazio. (David disse.)
_Não! Vocês não sabem se vai funcionar!
_Temos que tentar (Snow disse.)
Eles se afastaram, então Emma pegou a bolsinha onde estaria o feijão mas parou de repente.
_Emma? (David questionou a demora.)
_Esta vazio... Hook!
Emma e Regina se entreolharam
_Eu não conseguirei conter isso por mais tempo. Pegue o Henry e saia da cidade! (Regina disse sentindo a dor de ver Emma e Henry em sua frente e saber que ela morreria e ele ficaria sozinho por sua causa.)
_Não dará tempo Regina. Você sabe disso. (Ela disse em lágrimas)
Emma a encarou e ela fechou os olhos de tristeza. depois a loira desviou o olhar e foi até David e Mary que estavam com Henry.
_Mãe , Pai... (Ela disse os abraçando e caindo no choro.)
Regina queria abraçar Henry e Emma agora também. Henry viu seu olhar perdido e logo que ela reparou abaixo a cabeça. Mas Henry veio até ela. Ela não pode mais se conter. Começou a chorar.
_Eu amo você Henry. Eu queria ser mais forte e conseguir impedir tudo isso... Mas eu não sou. (Ela concluiu recebendo um abraço intenso dele.)
Nesse momento Emma caminhou para perto da morena. Regina por alguns segundo pensou em soltar de uma só vez aquele grito preso na garganta, mas Emma foi mais rápida.
_Você pode não ser forte o suficiente, mas talvez nós sejamos!
Elas se encararam e sorriram. Havia uma esperança! Emma posicionou suas mão sobre o dispositivo e começou a drená-lo também. Estava dando certo. Regina sentia a energia de Emma se mesclando com a sua de uma forma diferente. A morena reparou que a energia das duas se mesclava de um jeito que pareciam desenhar um coração. “O amor é a mágica mais poderosa de todo o mundo.” Ao lembrar dessa frase sentiu seu corpo ser arremessado metros de distancia pra trás. O diamante caiu no chão completamente sem brilho e arremessou todos que ali estavam metros de distancia.
_Estamos vivos! (David disse indo até Emma e a levantando.)
_Sim! Todos vocês estão! (Henry disse sorrindo.)
_Nós conseguimos! (Emma disse)
_Sim conseguimos. (Regina disse pegando o gatilho que estava no chão.)
A morena se aproximou da loira e num impulso a abraçou. Emma arregalou os olhos sem entender. Assim que percebeu o que tinha feito a morena se desvencilhou do corpo da outra e foi ao encontro de Henry. Emma foi até eles dois e abraçou Henry em conjunto com a outra.
_Obrigada. (Regina disse baixo o suficiente para só a loira e Henry escutarem.)
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