Incondicional
4 Capítulo 4 — Mentiras e Calúnias
Notas iniciais

Depois de uma aula com o “Senhor Maluco Gostosão”, todos da sala ficaram apreensivos e durante toda aula ficaram em tom piano, ainda não engolindo nosso novo professor — eu particularmente não me importava com a maluquice dele, afinal, o que ele tem de maluco tem de SENSUAL -. Além do excelente porte físico e o excelente gosto para roupas, algo a mais me chamou atenção em Mark, sentia que já havia visto aquele rosto em algum lugar… Mas onde? Essa dúvida me desconcentrou durante toda a manhã e até esqueci daquele assunto sobre o Alex — mas as vezes é bom variar, essa história não é sobre meu relacionamento inexistente e conturbado com o cara mais gato do mundo -, mas percebi que meu plano havia dado certo, quando o mesmo me perguntou por algum “Ângelo”, no final da aula fiz a egípcia e voltei correndo para casa, algo me dizia que a chave para desvendar o mistério sobre o professor estava no meu computador…
No caminho de volta para casa — pela floresta, por ser um excelente atalho e o melhor lugar para me esconder de meus amigos -, dou de cara com Mark, caminhando calmamente e observando as paisagens, a primeira coisa que pensei era que ele se tratava de uma espécie de serial killer — oh my god -, afinal, quase enfiou uma faca no olho de um aluno e caminhava pela floresta na luz do dia, devia ter visto o rosto dele em alguma matéria policial ou algo do tipo: O Químico da Morte, já pensou? Ser espetado pela faca dele? — desculpa não resisti -.
Se essa era a verdade eu não tinha certeza, mas isso me deu um medo TREMENDO, tanto que comecei a caminhar nas pontas dos pés, torcendo para que Mark não me visse. Achei que uma hora ou outra ele ia mudar a direção, mas não, continuou em frente, no mesmo caminho que eu tomava. Uma meia hora de caminhada ninja depois, percebo uma certa preocupação em Mark, já que o mesmo parou e se sentou em uma pedra e ficou a espreitar por todos os lados, o mesmo não me percebeu, pois usei meu conhecimento em pique esconde e me escondi atrás de uma árvore, observando aos poucos o que o professor estava fazendo.
Sei que não era certo, mas a curiosidade me cercou e tomou conta de mim, não ia descansar enquanto não descobrisse o que aquele professor realmente era e parecia que não ia demorar muito, afinal, alguns segundos depois do mesmo se sentar, passos eram ouvidos e alguém se aproximava de Mark: Um rapaz, bonito, jovem e aparentemente irmão do mesmo, já que eram tão.... Ta legal, corta isso que acabei de dizer! Foi a cena mais bizarra — e ao mesmo tempo absurdamente excitante — que já havia visto: Ao se encontrarem, beijaram -se intensamente como se não houvesse amanha, não beijo “nojinho”, boca a boca, lingua a lingua, cara a cara! Por que fiquei tão surpreso? Para falar a verdade nem eu sei… É estranho… Eu sou gay, mas mesmo assim não me sinto confortável, diria “normal”, vendo dois caras se beijando… Parece que a qualquer momento iam aparecer dois babacas com porretes e começariam a espanca los até a morte… Sabe, eu tinha medo por eles! Era como se fosse eu ali: Beijando apaixonadamente e ao mesmo tempo morrendo de medo de ser flagrado. Mas mesmo com aquele friozinho na barriga, ainda me sentia feliz por perceber que não era o único por aqui e também decepcionado por ver que eles também tinham de se esconder.
Bom, depois de alguns segundos observando — e invejando -, decido ir embora e os deixar em seu momento intimo, sem que ninguém os incomode. Assim, dou alguns passos para trás e decido voltar para casa, mas meus planos acabam, quando sem querer, tropeço em uma pedra e caio por cima de um tronco oco e para variar, o mesmo faz um barulho atordoante, me revelando para o casal. Mark e o ficante — seja la o que ele for -, se surpreendem e correm para ver o que estava acontecendo, logo os mesmos me encontram com a cara enfiada na grama e murmurando de dor.
— Você?! — exclamou o professor, a ver meu rosto.
— Dick? — perguntou o outro rapaz. — Você convidou mais alguém para…
— Dick? — me levanto. — Quem é ‘Dick’? — ambos me olham com raiva.
— Olha garoto, eu sou seu professor e você não tem direito de ficar me seguindo por ai! — exclama Mark.
— Eu não estava te seguindo! — responto. — Minha casa fica nessa direção… — olho para o outro rapaz. — E por que ele te chamou de ‘Dick’?
— Dick Mondé! — exclamou o rapaz, confuso. — Olha garoto, se você marcou um horário com ele vai ter que esperar! Não paguei para ficar na seca… — o rapaz coloca a mão no ombro de Mark.
— Pagar?! — respondo confuso. — Alguém podia me dizer o que esta acontecendo?
— Olha é uma história muito longa… — responde Mark. — É que eu…
— Espera… Dick Mondé? — respondo, curioso. — Sabia que te conhecia de algum lugar! Você é aquele prostituto que usa a frase ‘O seu prazer também é meu’! Vi você naquele site de anunciantes… — ficou surpreso e começo a me afastar. — Meu deus… Como você conseguiu um emprego de professor tendo esse trabalho na ficha??
— Já vi que essa história vai demorar… — o rapaz começa a caminhar. — Marcamos outro dia… DE GRAÇA! — exclama e vai embora.
— Olha Kevin… — responde Mark, receoso. — Essa é uma mancha do meu passado e que atinge o meu futuro… Eu preciso muito de dinheiro e salário de professor não ajuda em nada… — ele olha para mim, curioso. — Espera… Você estava em um site de garotos de programa? — ele faz uma expressão confusa. — Por que?
Eita… FEDEU! Essa pergunta destruiu meu dia. Todas as saídas para isso estavam bloqueadas e dessa vez o sinal não ia me salvar.
— Eu… — responto. — Isso não importa agora! — exclamo.
— Sei… — ele olha ao redor. — Bom, acho que esse segredo pode ficar entre nós, não acha? — ele pergunta.
— Claro… — respondo, com um sorriso maléfico no rosto.
— Ótimo! — diz o professor, que em seguida caminha em frente.
Olha… Esse segredo pode me beneficiar muito… Sei que é errado ficar ameaçando alguém, mas acho que a chave para meus problemas estava ali: naquela bundinha.
Vou desabafar, posso ter dito que não me importava por ainda ser virgem, mas na verdade eu ficava muito mal por dentro… Não por culpa da pressão que sofria, mas sim pela inveja que sentia. Inveja dos casais da Tv, séries… Eles eram tão perfeitos… Neles até o mais feio dos feios encontra seu par e eu não… Sentia que estava pronto, mas ao mesmo tempo mal preparado. Era tanta confusão na minha mente, parecia um furacão de tantos sentimentos e pensamentos contraditórios e para piorar tudo, tinha o Chris, que ficava empurrando garotas em mim… Não queria perder a virgindade com algo que não me dê prazer de verdade e o que melhor para fazer isso do que um professor, que leva a vida secreta de prostituto e depende da ficha limpa para sobreviver? Quer clichê melhor do que esse? Só espero não ferir os sentimentos de ninguém, afinal, só quero deixar de ser mais um cara gay enrustido, que perde a virgindade com uma garota feia, pensando em caras… Tinha que ser diferente. Tinha de ser mágico. Tinha de ser tentador.
Só espero que o Alex não fique com ciumes… Sera que isso vai me trazer algum problema? Isso eu não sei… Resta agora ler e descobrir…
— Quantas mentiras… E segredos… — sussurro, enquanto caminho de volta para casa com um sorriso devasso no rosto. Mark já havia desaparecido, acho que ao me ver ficara tão surpreso que apertou o passo e se escondeu, não querendo dar mais desculpas ou explicações, nesse momento já não me importava mais com isso, aliás, não me importava mais com nada. Estava me sentindo um monstro por dentro, mas nem isso tirava minha alegria.
Algum tempo de caminhada depois, finalmente chegava a rua de casa e encontrava com Lia, ainda com o uniforme da escola e com a cabeça na lua. Ela caminhava na minha frente, então caminhei um pouco mais rápido e encontrei com a mesma, ela com uma expressão surpresa no rosto que não mudava por nada.
— Lia? Tudo bem com você? — pergunto, confuso.
— Não. — ela responde, fria.
— O que houve? — pergunto, curioso e assustado.
— Nada. — ela responde receosa. — Só um professor maluco que me fez encher uma bexiga até estourar… — diz a garota, com os olhos arregalados.
— Nossa, Lia… Até sei de quem se trata… — respondo, triste. — Por que você não disse para dele da sua Globofobia? — digo, receoso.
Lia me encara com uma expressão de ódio.
— Você sabe que eu nunca conto isso para ninguém… É ridículo e eles podem zombar de mim… — diz a garota, triste.
— Lia mas isso não é brincadeira… É uma doença! Podia acontecer com qualquer um!
— Uma doença que me faz ter medo de balões… — ela se joga no chão e fica deitada. — Eu sou uma decepção.
— Lia vamos embora… Você sabe que tem gente com medos piores que esse e afinal, você não tem fobia do balão em si, mas sim do som que eles fazem! — pego na mão de Lia e tento levantar a mesma, porém ela permanece no chão, imóvel.
— Me deixa… — ela responde, com uma voz cansada. — Queria estar morta. — ela murmura alguns palavras, não consegui ouvir.
— Lia, se você não levantar agora sabe que eu vou ligar para sua mãe, né? — ameaço.
Lia se levanta e começa a caminhar vagarosamente.
— Você só sabe jogar sujo… — diz ela, enquanto se arrastava pelas ruas.
— Desculpa, mas era necessário! — respondo, gargalhando. — E o Chris? Por que ele não veio com você?
— Ele ficou irritado quando toquei no assunto da Wanessa de novo… — ela ri. — Aquele foi o melhor dia da minha vida… Mesmo sendo gótica, nunca ri tanto! — exclama a garota, agora melhor.
— Tem razão… — rio, acompanhando a garota. — E pensar que você tinha arrumado ela para mim… Ainda bem que desisti! — respondo.
— Pois é… — ela para e me olha confusa. — Nunca entendi o porque de você nunca ficar com as garotas que Chris e eu arrumamos para você… Você tem alguma namorada foragida? — pergunta ela.
— O que?! — respondo confuso. — É claro que não! Eu só não quero ficar só por ficar…
— Esse bla bla bla eu conheço… Você só quer ficar quando amar de verdade e até lá vai ficar virgem que nem a Maria Madalena… — diz a garota, confusa.
— Maria Madalena? — olho para a garota, confuso.
— Sim ué...
— Mas Maria Madalena era uma meretriz! — respondo, confuso.
— Mere… O que? — pergunta a garota.
— Ignore… — respondo, irritado. — Bom, vou indo! Até depois! — me despeço de Lia e entro em minha casa. Indo direto para o quarto. A garota continua a caminhar para sua casa — que era ao lado da minha -.
Ao chegar no quarto, atiro minha mochila por cima da cama, tiro a camisa do uniforme e ligo o computador. Ele abre direto na página do Google, onde pesquiso ‘Dick Mondé’, na aba de imagens e fico aguardando. Alguns segundos depois — internet lenta -, imagens de Mark vão aparecendo e mostrando seus ‘Dotes’ físicos — pensou em outra coisa né -. Fico observando por um tempo, com um sorriso estranho no rosto, o que estaria passando por essa cabecinha? Resta ler e descobrir.
Notas do Kevin
E então? O que estão achando de minha jornada? Vocês devem ter pensando que essa fanfic era só sobre mim e o Alex — se bem que a historia dele é a central -, mas aqui falarei sobre toda minha vida, conflitos psicológicos, pensamentos, atos e todo tipo de coisa que afetam a cabeça de um jovem em ascensão… Espero que gostem de tudo! Beijo
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