Incondicional

3 Capítulo 3 — Sensações Químicas


Notas iniciais
Boa leitura! O capitulo ta corrido porque ficarei sem internet amanha e querida deixar um presente para vocês :3 (Mas logo volto

Finalmente! Depois de quase duas semanas completas preso em casa, debaixo da neve e em um frio de — 10º, o verão aparecia com sua força total e logo em seu primeiro dia o calor já reinava supremo — saudades: frio -. Era hora de por meu plano mirabolante em prática, quer dizer, isso eu já tinha feito — começou quando mandei a mensagem para Alex -, restava agora descobrir se meus atos resultaram em algum efeito e hoje seria o dia PERFEITO para isso. O porque de ser tão perfeito? Era segunda feira! Dia de química, ou seja, a matéria em que meu amado era terrivelmente ruim e eu excelentemente bom. O jeito era chegar na frente daqueles amigos brutamontes dele e pegar o lugar a seu lado e ficar ouvindo as lamurias de um jovem que acabava de descobrir que estava servindo de inspiração para alguma pessoa no mundo.

Seria fácil, meu único problema de verdade eram meus amigos: Chris — que ia querer fazer dupla comigo e ficar falando de garotas -, Lia — que não tem nenhum amigo na turma — e Claire — minha melhor amiga -, mas isso era de menos, só precisava usar meus talentos matemáticos e minha agilidade para passar despercebido por eles na escola, no pátio e até na sala. A primeira fase seria levantar cinco horas da manhã e seguir para o colégio em seguida, afinal, Chris sempre ia comigo, mas hoje não dava.

Quatro horas e cinquenta e nove segundos, não precisei esperar o despertador tocar: Já estava acordado como um ninja, olhando para um lado e para o outro, procurando não sei oque, esse plano aumentou bastante meu ego, estava me sentindo o verdadeiro 007.

— E o plano começa… — dizia comigo mesmo, enquanto saltava da cama, colocava o uniforme — horroroso, por sinal — por cima do pijama, calçava meus sapatos e descia para a cozinha, encontrando com minha mãe, ainda fazendo o café.

— Bom dia. — disse minha mãe, Kate, ainda de pijamas e com cara de sono. — Madrugou hoje… Tem alguém te esperando na escola? — perguntou ela, sendo irônica.

— O que?! — disse assustado. — É claro que não… — respondi, em um tom receoso. — É que hoje tem aula de química e queria um tempo para estudar antes dela começar…

— Ué… — disse ela desconfiada. — Mas você anda tão bem em química… Inclusive um colega seu ligou e perguntou se você podia ser a dupla dele na aula… Pelo que a mãe dele disse, ele anda muito mal na matéria!

— Droga… — pensei. — Mãe eu preciso ir, se não chego atrasado! — digo enquanto corro para fora de casa, tentando fugir da conversa. — Tchau!

— Espera! — gritou. — Esse rapaz… Alex, esta precisando muito meu filho!

Quando ouço o nome dito por minha mãe, dou meia volta com um sorriso no rosto e fico com o pensamento nas nuvens.

— Você disse, Alex? — pergunto, ainda desconfiado.

— É! Esse mesmo... — responde ela. — Hum… Se interessou de uma hora para outra… Posso saber o motivo?

— É coisa minha! Agora eu vou! — digo enquanto volto a correr para fora. — Beijo!

— Fica com Deus… — diz ela em um tom piano. — Garoto maluco… Puxou para o pai! — e em seguida, volto para a cozinha.

Só na rua me dou conta que estava correndo atoa, afinal, não precisava mais do plano. Então, continuei a caminhar só que dessa vez mais vagarosamente, enquanto pensava na vida. Infelizmente meu sossego acabou alguns minutos depois, ao dar de cara com Chris e Lia, ambos com expressões nada amigáveis e odiando a idéia de voltar para a escola.

Lia, com seu cabelo colorido e roupas extravagantes, exalava o ar de roqueira dentro de si, enquanto Chris usava roupas simples, uniforme do time da escola — do qual o mesmo era goleiro -.

— Não diga NADA! — gritou Lia, totalmente mau humorada.

— O que aconteceu? — pergunto ironicamente.

— Aconteceu que o verão chegou… — disse ela. — Esse calor… Me da nos nervos!

— Ela ta assim porque no calor não pode usar roupas pretas… — diz Chris, rindo da garota.

— Exatamente! — gritou Lia. — Vocês não tem idéia do quão difícil é ser gótica no calor… Saudades frio! — disse Lia, que começava a caminhar.

— Que exagero, Lia… Existem tantas cores… Porque usar só o preto? — pergunto, enquanto caminho ao lado da garota.

— Dãã! Porque preto é a cor da morte, da dor, da tristeza, da morte, dos góticos, da solidão, da morte! — diz ela, em um tom irônico. — Você já se perguntou porque os médicos vestem apenas branco? — indagou.

— Acho… Que não! — respondo confuso. — Porque?

— Por que o branco significa esperança, alegria, luz e todo esse mi mi mi sem graça… — diz ela em um tom de nojo. — É para ver se os pacientes que não tem nenhuma chance de sobreviver ficam com alguma esperança…

— Nossa… — diz Chris confuso. — Isso é tão triste e tão melancólico…

— Você sabe que “Triste” e “Melancólico”, são a mesma coisa, não é? — digo, enquanto acompanho os dois.

— São… O que? — pergunta Chris. — Olha cara, não entendo NADA que você fala… Melhor falarmos de algo que me agrada! — diz o rapaz, sorrindo maleficamente.

— La vem… — penso. — E o que seria?

— E oque mais? — diz ele. — MULHERES! — grita o rapaz. — Você ainda não me respondeu sobre as irmãs gemeas… Elas ainda estão esperando minha ligação!

— Chris, você tem que parar de arrumar pretendente para o Kevin… — diz Lia. — Eu mesma já tentei muitas vezes e nunca deu certo!

— Também, você só apresentava para ele aquelas suas amigas estranhas que você nunca sabe se é homem, mulher ou travesti… — diz Chris, com uma expressão de raiva.

— Você ainda não superou o caso da Wanessa, né? — pergunta Lia.

— E você quer que eu esqueça como? — responde Chris, assustado. — Você me fez beijar um travesti!

— Eu já te pedi desculpas! — responde ela.

Vendo que a discussão dos dois — que dariam um bom casal, a propósito — duraria algumas pequenas horas, decido ir na frente e deixa -los para trás, aproveitaria meu tempo sozinho para pensar em idéias para minhas futuras histórias postadas em meu blog, o Incondicional.

Meia hora de caminhada depois, finalmente chegava ao colégio e logo na entrada via Alex, rodeado de seus amigos e conversando sabe se lá oque. Fiquei parado, a distancia, observando os sorrisos verdadeiros e o doce som de sua risada, estava tão concentrado que nem percebi a aproximação de Claire, que chegava nas pontas dos pés pelas minhas costas, doida para dar -me um susto.

— Como uma pessoa pode ser tão linda… — penso.

Como não percebi Claire, a mesma chegou e gritou em meus ouvidos, suas palavras ressoaram por toda minha cabeça como os sinos de uma igreja. Dei um salto para a frente e me virei para trás, com uma expressão desesperada e bufando de medo.

— Claire?! — exclamo, assustado. — Já disse para não fazer isso!

— Desculpa, não resisti! — ela olha desconfiada. — Estava fazendo o que aqui parado?

— Eu… — respondo, receoso. — Esperando a Lia e o Chris! — digo, confiante.

— Hum… — diz a garota desconfiada. — Mas então, já tem par para a aula de química?

— Eu? — digo, concentrado em Alex. — Não… — respondo automaticamente, sem perceber do que se tratava.

— Ótimo! Então vai ser o meu par! — diz a garota.

— Não, espera! — digo quando percebo meu erro. — Na verdade eu tenho sim um par… Desculpa!

— Tem é? — pergunta a garota desconfiada. — E quem é?

— O Alex… — respondo em um tom apaixonado, mas logo percebo meu erro e tento corrigir. — Ele anda muito mal na matéria… Sabe…

— Sei… — ela me olha cima a baixo e faz uma expressão de descontentada. — Então vamos entrar porque o sinal já vai bater! — e em seguida a garota avança em frente, corro atrás da mesma, observando discretamente Alex e seus amigos, em um minuto acabamos cruzando olhares, assustado me escondo atrás de Claire e aperto meus passos. Em seguida o sinal bate e todos seguimos para a aula.

Ao chegar na sala percebo uma certa mudança, os enormes livros de química que sempre ficavam sobre a mesa do professor, para que usássemos na aula já não estavam lá e a lousa — que quase sempre estava lotada -, estava limpa, sem nem pó de giz. Achei que o professor tinha faltado e cheguei a quase pular de alegria, mas percebi que pagaria um king kong, então apenas me sentei e aguardei calmamente enquanto meus colegas iam entrando.

Alex chega por ultimo — ou quase, já que o professor ainda não aparecera — e se senta na carteira a meu lado, batendo em minhas costas como uma especie de cumprimento — que doeu um pouco -, meus colegas já estavam estranhando e prontos para sair de sala e ir entender oque se passava, até que entrou em sala um rapaz — muito bonito e esbelto, por sinal -, parecia ser mais um aluno, mas assim que entrou se escorou na mesa do professor. As alunas ficaram boquiabertas — e eu também -.

— Olá pessoal! — disse o rapaz, com um sorriso de orelha a orelha. — Me chamo Mark e serei seu novo professor de química! — ele se levanta e escreve o nome na lousa, as garotas começam a cochichar entre si, adorando a idéia de ter um professor como ele. Fiquei na minha — pois tenho classe -, a única coisa que fiz foi secar a bunda de Mark como se não houvesse amanha.

— Kevin? — disse Alex, estralando os dedos e tentando me trazer de volta para a terra.

— Oh! Alex… — percebo a gafe que estava cometendo e volto para a terra em disparada. — Estava distraído, desculpa…

— Tudo bem… Você ouviu minha pergunta?

— Ah, não… Desculpa — respondo.

— Eu perguntei se você conhece algum ‘Angelo’. — ao ouvir as palavas de Alex, meus olhos se arregalaram e fiquei sem palavras novamente, sem saber o que dizer. Logo volto a meu juízo e tento responder a pergunta sem não dar muita bandeira.

— Eeeu? — pergunto, dando enfase no ‘e’. — De Angelo é só você… Seu sobrenome! — respondo aliviado.

— Você sabe meu sobrenome? — pergunta o rapaz, surpreso. Olho para os lados e faço uma expressão confusa. — Bom, tudo bem! Você ainda vai me ajudar em química? — pergunta Alex, com um sorriso no rosto.

Mark, já nos observando a alguns segundos, se aproxima de minha mesa por trás enquanto estava distraído, ele fica lá parado, passando despercebido por mim, que continuo a conversa com Alex, mesmo sem ele dar atenção.

— Claro… É só dizer o dia que você pode estudar! — exclamo. Alex tenta de todo modo me mostrar que Mark estava atrás de mim, apontando para a direção do professor e até mexendo os olhos com medo. Acabo ficando mais confuso ainda. — O que foi? — sussurro.

— Ele quer dizer que eu estou aqui. — sussurrou Mark, em meu ouvido. Acabo ficando surpreso e salto da cadeira, o rapaz volta a caminhar em direção a mesa, dando gargalhadas. — Desculpa, não resisti. — disse ele. — E como eu dizia, antes de nosso colega interromper, o Professor Ed foi transferido para outra cidade e eu vim substituir. Respondo todas as perguntas que NÃO forem sobre minha vida. — ele se senta na carteira e encara toda a turma. — Alguma dúvida?

Todos da sala abaixam a cabeça com medo, o jeito másculo de Mark encantou e assustou a todos ao mesmo tempo, ninguém tinha coragem de ‘piar’. Alguma coisa naquele professor me era familiar, ele parecia esconder um grande segredo.

— Estranho… Eu já vi esse cara… — penso.

— Bom, nessa aula daremos introdução a minha matéria favorita e que hoje é meu motivo de sustendo: Química teórica, ou como gosto de chamar, Sensações Químicas. — Mark se levanta e pega uma maça e uma faca de sua mochila, mostrando para os alunos. — Podem ficar calmos, não vou matar ninguém! — ele ri e encara Chris. — O rapaz ali… — ele aponta para o mesmo.

— E...Eu? — diz Chris, gaguejando.

— Sim você! — exclama. — Me responda, você gosta de adrenalina? — ele pergunta.

— Si… Sim! Eu sou jogador de futebol… — responde o rapaz, receoso.

— Desconfiei… — Mark se aproxima de Chris e o retira da cadeira, o levando para a frente da sala e ponto a maçã em sua cabeça. — A sensação que vamos trabalhar hoje é a ADRENALINA. Adrenalina é um hormônio produzido pelas glândulas supra renais, cuja secreção é aumentada em situações de estresse, ansiedade, perigo ou qualquer outra que deixe o corpo em estado de alerta e pronto para reagir. — ele olha para a classe e mostra a faca para todos. — Vamos ver como nosso colega reage… — diz o professor.

Mark se afasta alguns passos de Chris, como em uma batalha de faroeste, quando já esta no outro lado da sala, vira -se para o mesmo — que tremia como uma garotinha -, sorri maleficamente e lança contra o mesmo a faca, Chris grita insanamente e soava frio de tanto medo, a sala fica estupefata sem nenhuma reação. O rapaz fecha os olhos esperando pelo pior, mas percebendo que não sentia nada diferente, os abre e vê que a faca acertou na maçã em cheio, ele fica aliviado e se senta por cima da mesa do professor.

— E então, rapaz? — pergunta Mark. — Sentiu alguma coisa diferente?

— Senti sim… — diz Chris, atordoado. — A morte me beijando… Olha, nunca mais faça isso! — diz o mesmo com a mão no coração.

— Pode ficar tranquilo, sua cota de ajudante já deu por um ano… — ele ri. — Aqui, fique com a maçã de lembrança! — diz o professor, enquanto entrega a fruta cortada ao mesmo, Chris a pega e volta para a carteira, cambaleando de medo. Ainda estava pasmo com tudo aquilo, decidi ficar em silencio antes que sobrasse para mim.

— Esse cara é maluco… — penso. — Mas onde foi que eu vi ele… — pergunto para mim mesmo. Ao olhar para Mark mais uma vez, percebo que o mesmo já me encarava com uma expressão devassa, assustado, desvio o olhar para Alex e fico a admirar meu amado — tinha até esquecido do meu plano, até então -.

O sinal toca e Mark sai da sala, me encarando. Fico sem entender, mas não tomo nenhuma atitude, apenas observo a sala e tento não cruzar olhares com o professor — quase me caguei de medo -. Quando o mesmo já estava longe, me levanto começo a caminhar pela turma, vendo as mais diversas expressões, variando de paixão até espanto. Resta saber como essa historia vai acabar.

Notas do Kevin

Gente… Que cara maluco! Mais maluco até que a Lia — e olha que ela é fora dos padrões -, mas oque ele não tem em sanidade ele tem em dobro no quesito beleza. Se não fosse meu Alex, acho que estaria apaixonado novamente. Sera que esse negócio de professor e aluno dá certo? Sei não em… Acho que só em fanfic mesmo…

Beijos!

Notas finais
- O que acharam? Esse professor vai trazer grandes - e deliciosos - problemas! - Atenção! TALVEZ, os capítulos adiante serão mais "Quentes", então vou marcar como +16 ^^