Notas iniciais
Boa leitura. :3

Eu estava olhando pra aqueles olhos azuis de novo. Era simplesmente inevitável admirá-los, assim como o motivo de termos nos encontrado. Sim, aquela bruxa esteve certa desde o começo; tudo aquilo era obra do \"Hitsuzen\"... Por mais que minha mente — talvez bruta demais — se recusasse a admitir.

- Qual o problema? — ele pediu, sorrindo mais uma vez.

- Nada. — respondi, abraçando-o. — Só estava pensando que temos que levantar antes do pirralho, se não ele vai desconfiar.

Ele se aproximou mais um pouco, selando meus lábios inesperadamente. — Eu queria que a manhã não chegasse.

O prendi com mais força entre meus braços, mesmo notando que ele tinha estremecido ao contato com o metal de um deles. Ele não sabia como eu desejava aquilo, provavelmente muito mais do que o loiro. Seria bom ficar assim pra sempre, sem ter que fazer aquele teatro inútil no dia-a-dia.

Mas nem sempre foi assim. Aquilo que nos liga hoje um dia chegou bem longe de ser \'amor\'.

Desde o começo, eu sabia a verdade por trás daqueles sorrisos; não havia verdade alguma. Desde o começo, me irritava o simples fato de que, independente da situação, o idiota sempre sorria. Aquilo me incomodava muito mais do que os inúmeros apelidos que recebia dele. Eu odiava pessoas fracas, mas, além disso, eu odiava ainda mais pessoas falsas.

Um dia, eu decidi dar um basta naquilo. E pela primeira vez, vi o sorriso de Fay sumir, dando lugar às lágrimas que escorriam por sua face. Percebi, então, que aquela era a única verdade que o mago carregava consigo. Foi ali que eu percebi o quanto ele precisava de mim, e o quanto eu queria que ele precisasse.

Hoje eu entendo o porque de tudo. Naquele primeiro momento na loja da bruxa, quando nossos olhares se cruzaram rapidamente... Agora eu sei o que lhe passou pela mente.

Odiá-lo, talvez? Implicarei com ele desde o primeiro momento. Assim tem que ser. Se eu for odiado, não terei mais problemas.

Mas me chamar por apelidos, agir normalmente e manter-se distante, não havia surtido efeito algum. Pelo contrário, havia ocorrido um resultado adverso. Contra todas as suas expectativas e objetivos. Às vezes, não podemos mudar o que já é predestinado, e Fay talvez não houvesse mudado nada, mas sim, feito com que à linha que nos unia ficasse cada vez mais entrelaçada. Seu desespero estava apenas começando, e quando ele percebesse que, a direção que havia seguido havia sido a que o levara a estar cada vez mais próximo de mim, seria tarde demais.

Tarde demais. Essas palavras se passaram inúmeras vezes pela minha mente. Eu sentia algo por aquele mago, mas simplesmente tentava fingir que era inexistente.

Aquela frase se passou de novo pelos meus pensamentos quando ele pediu para ficar ali, e morrer. Eu tentei ignorar, mas foi impossivel. Eu, tanto quanto Fay, já estava perdido e enrolado pelos fios do destino. Destino que fora traçado para nós dois. O qual eu estava proibido de prosseguir sozinho.

Foi então que eu percebi que daria qualquer coisa para o levar comigo, cortando meu braço para salvar aquela vida tão importante pra mim — talvez muito mais que a minha. Sim; eu sempre julguei minha vida dispensável. O que me fez mudar foi a desesperada nescessidade de ficar com ele. Se eu morresse, não o poderia ter mais uma vez entre meus braços, como em todas as noites que seguiram o dia em que ele perdeu seu olho. Foi a primeira vez que senti seus lábios tocarem os meus, com o gosto de sangue ainda fresco.

Sinta seu gosto.

Ele me disse, com uma lágrima fugindo do olho que ainda possuia. Ele já tinha perdido o controle há muito tempo de seus poderes, mas aquela transformação fez com que tudo o que mantinha escondido viesse à tona.

Não sei se o fazia por que sentia o mesmo que eu ou porque queria agradecer. Alguém que queria morrer como ele, não poderia ser grato por algo do gênero. Porém, ele me permitiu ser seu salvador. Pois assim, com a minha ajuda, quem sabe conseguisse salvar-se de si mesmo. Algo complexo, mas ao mesmo tempo extremamente simples. Se baseava em uma escolha; viver ou se perder nas mágoas. Nossa escolha trouxe muita dor a nós mesmos, mas sabiamos disso desde o inicio.

As coisas deixadas pra trás talvez nunca serão recuperadas. Os pedaços ficariam pelo chão. As feridas nunca se apagarão com o tempo. Essa é uma das únicas certezas que podemos ter. O que foi perdido, deve ser esquecido. Ou, apenas visto como o preço por nossas escolhas. As escolhas mais verdadeiras e os desejos mais profundos que possuímos.

A parcela a ser paga por cada pedido concedido, vai muito além do que se podia contar ou ver. Está muito mais no que se sentia. Está no que a alma sente, muito mais do que as marcas presentes no corpo. Pedaços invisíveis ao olho nu, mas sentidos no mais profundo dos corações. Corações aos pedaços. Porque talvez nós nunca mais voltaremos a realmente ser inteiros novamente. Mas, nós sabemos que em um algum modo nos completamos; Somos duas almas incompletamente inteiras. Desculpe meu egoísmo, mas isso... é o que me faz chegar até o fundo a cada respiro meu; O fato que aqueles olhos azuis sempre estarão ali para me completar.

Notas finais
Eu sempre tive MUITO receio de escrever uma fic KuroFay, porque eles são dois personagens realmente muito complexos, e sinceramente esperei o mangá terminar antes de escrever, porque sempre tive um pouco de esperança que o CLAMP fizesse um yaoi básico. Mas elas nunca colocam nem beijo entre os dois principais, né? Imagina yaoi. XD
Isso ai. Muito orbigada a quem ler, e estou à espera de reviews!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!