Incoming Messages
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Regina pegou um pacote de pão branco, colocando-o dentro do carrinho de compras, enquanto ela andava pelo supermercado com Kathryn. Emma tinha se mudado para a casa dela no fim de semana anterior, e entre ela e o crescente apetite de Henry, os dois iriam levá-la a falência de tanto que comiam:
— Então, como estão as coisas? — Kathryn perguntou, pegando um pacote também. — Se não fosse por esses encontros, eu nunca mais veria você.
— Estão indo bem — a morena riu com isso. — Eu pedi para Emma vir morar comigo e com Henry. Nós conseguimos não nos matar nessa semana.
A loira franziu o cenho, confusa com a admissão da amiga:
— Ela já não estava morando com você?
— Não. — A morena respondeu confusa. Kathryn riu.
— Bem, é claro que vocês não mataram uma a outra, — ela continuou quando Regina levantou uma sobrancelha, questionando-a — vocês têm praticamente vivido juntas por quase dois meses.
— O que você quer dizer com isso? — A Prefeita perguntou na defensiva.
— Nada, Regina — elas continuaram a andar pelo mercado. — Não é segredo para ninguém que o carro de Emma sempre esteve estacionado na sua garagem desde que você começaram a sair juntas.
Regina apertou os lábios, percebendo que o que Kathryn tinha dito era verdade.
— Mas você pediu para ela? — A loira questionou. A Prefeita acenou.
— Sim, eu pedi. — Kathryn deu um sorriso largo, mostrando com aquele sorriso o quanto Regina tinha mudado.
— Você está feliz? — Regina hesitou rapidamente com a pergunta antes de responder num tom baixo como se não quisesse que outras pessoas soubessem que ela tinha finalmente encontrado a felicidade.
— Sim. — A amiga sorriu, agarrando o braço dela.
— Você merece.
_________________________________________________________
Emma estava sentada no sofá com as pernas de Regina sobre o colo. A mais velha estava encostada no braço do sofá entretida com um romance, enquanto Emma estava com o notebook sobre as pernas de Regina, checando os e-mails. Ela fez um careta para a tela do aparelho:
— Hum.
— Hum?
— É um e-mail do Singlebrook — ela virou a tela em direção à morena. — Eles querem que o CavaleiroEmArmaduraEnferrujada e MadameRegal deem uma entrevista para falar da história de sucesso deles.
Regina soltou um riso curto:
— Como eles sabem que somos nós?
— Eu preenchi um formulário — Emma respondeu. Ela encolheu os ombros com o olhar divertido de Regina. — Eu estava entediada no trabalho.
"Então? — Emma fechou a tampa do notebook e se virou para olhar a morena. — Quer ir?"
_________________________________________________________
— Venham! Já está começando! — Henry gritou do sofá, enquanto suas mães entravam na sala de estar com um balde de pipoca para o garoto.
— É só uma entrevista, garoto. — Emma o lembrou, sentando-se ao lado esquerdo dele.
— Mas você e a mamãe estão nele.
— Eu sabia que não deveríamos ter ido. — Regina murmurou e tomou o lugar livre do lado do filho.
— Você tinha que ter visto a cara de todo mundo quando viram a Prefeita entrar.
— Emma sorriu, cutucando Henry que sorriu para a mãe morena.
O menino estava rindo quando apertou o controle remoto, dando play no DVD que o site de encontros tinha mandado para o casal
Uma música animada tocava, enquanto a câmera dava zoom num homem careca, vestido numa camisa xadrez que só fazia sorrir:
— Olá! Eu sou Hart Archer, fundador e CEO do Singlebrook, Serviço de Encontros. Você ainda está cético quanto ao namoro online? Bem, seus problemas acabaram. Dê uma olhada em algumas de nossas histórias de sucesso que encontraram algo encantado que trouxe a magia de volta em suas vidas. — Hart piscou para a câmera e, então, a imagem cortou para Emma num espaço luxuoso. No canto da tela, lia-se: Emma Swan, ou CavaleiroEmArmaduraEnferrujada, agente da lei, namorando MadameRegal.
Emma estava desconfortável, sentada e se mexendo na cadeira:
— Na verdade, eu não me cadastrei. Uma amiga que me cadastrou e eu já a agradeci. E ela recebeu mais tempo de férias.
A imagem cortou, então, para Regina e se lia na legenda: Regina Mills, ou MadameRegal, política, status de relacionamento: tomada:
— Eu não esperava encontrar alguém tão rápido. E, certamente, não esperava que fosse Emma. — Emma apareceu de novo na tela.
— Eu trapaceei. Eu já sabia que era Regina e sondei ela. Ainda conta como uma história de sucesso?
— Nós conversamos por e-mail e pelo chat por um mês antes de decidirmos nos encontrar. — Regina explicou.
— Eu amarelei na primeira vez que marcamos de sair, mas, para minha sorte, ela não consegue resistir meu charme. — Emma sorriu para a câmera. Regina apareceu mais uma vez.
— Ela disse isso? Eu resisti. Eu só estou indo na onda dela.
— Ela disse isso? — Emma sorriu e olhou diretamente para a câmera. — Ela falou o "eu te amo" primeiro.
Regina encarou além da câmera, diretamente para Hart, que recontava as palavras de Emma. Ela, então, se levantou:
— Aonde você está indo, srta. Mills? — Hart perguntou, enquanto Regina se levantava e tirava o microfone da lapela.
— Emma!
A imagem cortou para as duas mulheres que apareceram sentadas lado a lado num sofá de dois lugares:
— Nós estamos juntas faz três meses. — Regina disse, sorrindo para Emma.
— Cinco. — A loira corrigiu. A morena se virou para ela, esquecendo que deveriam parecer bem diante da câmera.
— São três meses.
— Você está totalmente excluindo a troca de e-mails.
— Sim, porque aquilo não conta — a Prefeita afirmou com veemência. — Eu não falei com você por um mês.
— Não diretamente. Eu te mandei aqueles recados.
— Ah, sua fase perseguidora. Como pude esquecer?
— Os e-mails contam totalmente. Foi onde começou tudo. — Emma continuou pressionando. Regina bufou.
— Bem, se formos pela sua lógica, então, nós estamos juntas há sete meses. — Emma sorriu largamente, encarando Regina nos olhos.
— O acidente na mina? — A morena revirou os olhos antes de se virar para a câmera.
— Nós estamos juntas entre três e seis meses.
Henry riu com a legenda que apareceu na tela, enquanto as mulheres discutiam: Elas estão sempre assim.
Regina olhou para Emma por causa da legenda e foi agraciada com um sorriso e uma dar de ombros, antes de se virar para a TV.
— O quão sério é nosso relacionamento? — Emma perguntou de volta para o entrevistador oculto. Ela olhou para Regina, que deu de ombros levemente. — Eu me mudei para a casa dela faz duas semanas.
— Eu acho que foi a parte mais fácil do nosso relacionamento. — A morena admitiu. Emma riu.
— É verdade.
— Como vocês descreveriam o relacionamento de vocês agora? — Hart perguntou atrás das câmeras. As mulheres se olharam nos olhos, e julgando pelo modo como seus ombros se moveram, estava claro que elas estavam segurando a mão uma da outra.
— Eu diria que está sério. — Emma sussurrou para a morena. Regina sorriu com os olhos e acenou, concordando.
— Muito sério.
— Um sério muito bom. — O jingle voltou a tocar e a imagem cortou de volta para Hart que estava no escritório.
— Bem, aí está. O amor está no ar em Storybrook, então, não hesite em procurar seu amor verdadeiro.
Emma riu quando a tela escureceu:
— Vamos guardar isso. — Henry franziu o cenho.
— Eles acham que vão conseguir mais pessoas para se cadastrarem no site deles, mostrando vocês duas brigando? — A risada das duas não pôde ser contida. A família se levantou, limpando a sala da pipoca que Henry conseguiu derrubar naquele período. Regina tomou a mão de Emma, enquanto levavam os lanches de volta para a cozinha.
— É daquele jeito que parece quando nós brigamos?
— Aparentemente — Emma disse com um sorriso. — Agora entendo o que Ruby quer dizer.
— E o que a srta. Lucas quer dizer?
— Você me encara e se aproxima de mim, "me despindo mentalmente" como ela diria.
— Humm, assim? — Regina deu um passo para frente, pressionando o corpo contra o da loira. As mão de Emma automaticamente encontraram um lugar no cóccix de Regina, enquanto puxava ela para mais perto.
— Um pouco mais próxima e menos despimento mental.
— Só fisicamente? — Os lábios de Regina se contorceram sorrateiramente. Emma terminou com a distância entre as bocas delas, tomando o lábio inferior de Regina na boca dela.
— Que nojo — Henry disse, enquanto retornava com o balde de pipoca. As mulheres se separaram, corando com força, apesar de Emma ainda ter mantido o braço em volta da cintura da morena.
"Eles deveriam ter mostrado isso no vídeo — Henry pensou em voz alta. — Isso que é Amor Verdadeiro."
Regina soltou um riso antes de tomar o balde do filho, virando a cabeça para pegar o olhar significativo que Emma estava dando.
"Amor Verdadeiro, hum?" Emma pensou, enquanto olhava a mulher mais velha cuidar do filho. Ela se viu sorrir que nem uma boba, olhando Henry ajudar Regina a pôr a louca no lava-louças. Ela podia acreditar nisso.
_________________________________________________________
— Ei, sumida — Mary Margaret cumprimentou Emma quando ela entrou na sala de aula durante o almoço da morena. — Então, ela vive.
Emma sorriu e pegou uma cadeira de um aluno.
— Agora, eu consigo me acostumar a ver isso no seu rosto. — A professora indicou o sorriso de Emma, fazendo a loira corar.
— Para com isso — a loira desconversou envergonhada. — Como está a procura por um colega de quarto?
— Está indo — a morena deu de ombros. — Como você está?
Emma sorriu, pensando no quão longe ela e Regina tinham chegado. Elas estavam para fazer aniversário de seis meses (ou quatro ou oito, dependendo que escala elas estivessem usando), e para ambas aquilo significava muita coisa. Não apenas elas duraram bastante tempo num relacionamento moderadamente saudável, não tinha como acabar com as constantes discussões, mas elas se ajudaram a crescer como mulheres. Emma nunca se sentira daquele jeito antes, tão firmemente ligada a alguém, de maneira que tudo fizesse sentido só de ficar com ela, mas ela tinha isso com Regina e ela tinha certeza que Regina se sentia do mesmo jeito:
— Eu estou bem — ela se inclinou para frente e entregou uma pasta para a amiga. — Estou muito bem.
Mary Margaret pegou e abriu a pasta, arregalando os olhos:
— Isso é o...? — Emma acenou.
— Você pode comprovar?
— Você tem certeza? — A amiga se inclinou para frente e sussurrou num tom baixo e animado. Emma sorriu e acenou sua resposta com confiança.
— Sim.
_________________________________________________________
Regina estava sentada à mesa, fazendo relatórios e checando os e-mails dela. Ela recebeu um SMS de Emma, avisando que iria ou não conseguir chegar para almoçar com ela aquele dia. A imprecisão a fez semicerrar os olhos, mas como a montanha de pastas só aumentava, a Prefeita não teve tempo de tentar entender. Ao invés, a secretária a avisou de que o compromisso das 11 horas tinha chegado. Regina terminou rapidamente o relatório, antes de avisar para a secretária mandar entrar quem estivesse lá. Ela arrumou as pastas sobre a mesa e olhou para cima quando Emma entrou, estranhamente bem arrumada, vestindo uma calça social preta e uma camisa. Ela parecia absolutamente séria, segurando uma pasta debaixo do braço. Ela estava vestida desse jeito aquela manhã? Balançando a cabeça para espantar aquelas perguntas, Regina sorriu para ela:
— Isso significa que você conseguiu chegar para almoçar comigo? Você terá que esperar. Eu tenho um compromisso a minha espera. — Emma levantou a pasta e se sentou de frente para Regina.
— Sou eu. — A morena inclinou a cabeça para a esquerda, confusa.
— Você é a minha reunião das 11 horas? — Emma acenou de novo, a garganta dela subindo e descendo, enquanto ela engolia em seco.
— Você não precisa marcar um horário para me ver. — Emma riu com isso, aliviando um pouco da tensão sobre os ombros.
— Isso é meio que importante.
— O que é? — A expressão no rosto de Regina era uma mistura de preocupação e medo. Sem dizer mais nada, Emma entregou a pasta e se inclinou, encostando-se na cadeira, olhando as expressões da Prefeita sob os cílios.
Regina abriu a pasta, ficando boquiaberta em choque.
RES: Minha promoção.
Objetivos: Ter a oportunidade de ser sua esposa para poder utilizar minhas habilidades para fazer você feliz, te levantar quando você se sentir para baixo e te fazer se abrir quando você se sentir encurralada consigo mesma.
Qualificações:
— Ainda tenho um ombro para você chorar;
— Ainda sou uma boa ouvinte;
— Ainda tenho uma mão para high-fives;
— Tenho lábios para te beijar;
— Braços para te segurar;
— Um coração que bate mais forte sempre que você está por perto;
— Estou indisponível como babá, na esperança de que aqueles encontros sejam comigo;
— Assistirei qualquer filme de Nicholas Sparks sempre que quiser.
Experiência:
— Regina Mills: Abril de 2011 — presente e futuro?
Regina olhou para cima para a lira que estava mexendo com as mãos. Ela ainda estava boquiaberta, mas limpara a garganta, enquanto colocava o currículo de lado. Sentando-se direito, ela cruzou os dedos sobre a mesa:
— Srta. Swan, parece que você esqueceu de algumas coisas. — Emma a olhou confusa, mas depois se ligou e começou a mexer nos bolsos. Ela parou assim que Regina levantara a mão.
— Onde está sua carta de recomendação?
— Minha o quê?
— Uma página descrevendo brevemente por que você seria a melhor candidata para a vaga de emprego. — A Prefeita explicou com seu tom autoritário. Emma relaxou quando viu uma leve curva para cima nos lábios de Regina. Ela se sentou direito, endireitando sua posição.
— Como mostra meu currículo, eu tenho inúmeras qualidades que lhe serão de muita serventia. Fora essas características, acredito que eu seja a mais qualificada por causa da minha paixão por você — Regina corou momentaneamente, desviando o olhar antes de Emma se inclinar sobre a mesa e pegar na mão dela, forçando-a a se virar. — Eu estou determinada a te fazer sorrir todos os dias, te lembrar que estou aqui por você, para você inteira, com passado obscuro ou não.
A morena respirou, tremendo antes de tentar estabilizar a voz:
— Como é você com crianças?
— Alguns dizem que eu sou uma — Emma sorriu. — Henry gosta de mim.
Olhos castanhos se conectaram com verdes e Regina os encarou profundamente, procurando qualquer tipo de hesitação:
— Você me ama? — Emma sorriu, apertando a mão debaixo da dela e respondeu com absoluta certeza.
— Eu te amo. — Lágrimas embaçaram a visão de Regina antes de ela piscar-las para longe e se endireitar, o tom autoritário voltou para a voz dela.
— Acredito que tenha uma vaga para... — Ela não conseguiu terminar a brincadeira dela. Não quando Emma tinha se levantado e puxado ela, se inclinando sobre a mesa para segurar o rosto de Regina e puxá-la para um beijo profundo e sensual. Depois de vários minutos, elas se separaram, Regina quase agarrando a gola da camisa da loira, puxando-a para mais perto. Os rostos delas ficaram a pouquíssimos centímetros de distância uma da outra e depois Emma sussurrou.
— Era um sim?
— Teria sido, se você tivesse me deixado...
Emma não deixou ela terminar dessa vez também. Ao invés, ela rodeou a mesa e puxou Regina para si, suas línguas se colidiram, enquanto elas se apertavam com fervor uma contra a outra. O desejo, a paixão e o amor que tinham uma pela outra as encheram com aquele calor presente e com o conhecimento de que era ali que deveriam estar.
_________________________________________________________
Mary Margaret estava sentada numa banqueta perto do balcão com um sorriso convencido. Normalmente, ela pedia uma café da manhã executivo, hoje, porém, ela tinha decidido se fazer um agrado e pediu um pouco de tudo. Somente Emma sabia que a mulher conseguia comer com tanta ferocidade. Ela sorriu com a xícara de chá na boca quando Ruby chegara com a conta:
— Não. — A professora disse.
— Como assim "não"? — Ruby perguntou com a mão na cintura.
— Você me está me devendo café da manhã por um mês. — Mary Margaret simplesmente falou.
— Não, eu... — Ela ofegou quando ela percebeu o porquê daquilo tudo. A mulher de cabelo curto apenas balançou a cabeça para o lado, indicando a direção de Regina e Emma, que estavam sentadas no canto mais longe do balcão. No brilho do sol matinal, algo brilhou no dedo esquerdo de Regina quando ela levou a caneca com café até os lábios. Ruby arfou alto, fazendo com que o casal e outros clientes nas proximidades olhassem a garçonete.
— Você está bem, Rubes? — Emma perguntou, preocupada.
— Há quanto tempo vocês estão juntas? — Ruby perguntou sem rodeios. Emma olhou para Regina, concordando silenciosamente com a data.
— Vai fazer seis meses na quarta-feira.
— Droga! — A garçonete grunhiu, olhando para a cara de convencida de Mary Margaret e ignorando o olhar confuso da Prefeita e da Xerife.
— Eu disse. — Mary Margaret disse, bebendo o chá.
Fale com o autor