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13 Capítulo 13
Notas iniciais
Ruby pôs o sanduíche e chá usuais na frente de Mary Margaret, se inclinando sobre o balcão e inclinando a cabeça para o lado, enquanto encarava com um sorriso a mesa onde a Xerife e a Prefeita estavam sentadas, discutindo na frente do filho delas, que apenas revirava os olhos e enterrava a cara nos livros:
— Estou surpresa que tenha durado tanto tempo. — A garçonete comentou, fazendo um movimento com a cabeça, indicando o casal.
A professora se virou e riu:
— Eu não.
— Sério? Elas já estão juntas há mais de um mês. Eu tinha dado só duas semanas, no máximo.
— Você não mora com a Emma, — Mary Margaret disse com a xícara de chá na frente da boca — desde antes de começarem a namorar, Regina nunca saía da cabeça dela.
Ruby sorriu, fazendo a menor corar:
— Não desse jeito!
— Você acha que elas conversam sobre o quê? — Ruby perguntou curiosa.
Mary Margaret ficou vermelha , direcionando sua atenção para o sanduíche a sua frente:
— O que você sabe? — A mais nova cutucou o braço de Mary Margaret.
— Nada. — Ela despistou rapidamente.
Agora impaciente, Ruby se inclinou mais ainda sobre o balcão, apertando o braço da amiga com ansiedade:
— Elas mandam nudes uma para outra?
— Não! — Mary Margaret parecia assustada.
A garçonete estudava o casal com uma expressão divertida, vendo a discussão delas se tornar uma competição para ver quem encarava mais:
— Sabe o que é engraçado?
— Você estar vigiando elas?
— Elas não estão agindo muito diferente — Ruby observou. — Olha só para elas, elas ainda estão brigando e... Ah, não, elas agora estão se despindo mentalmente.
Mary Margaret corou:
— Eu diria que elas mudaram.
— O que você sabe? — Ruby perguntou novamente, ainda mais intrigada.
Ela deu uma mordida no sanduíche e o engoliu com ajuda do chá:
— Regina apareceu na minha sala faz duas semanas. — Ela mencionou.
— E?
A professora franziu o nariz, pensando e tentando ainda processar o que acontecera:
— Ela disse que se eu pegasse o celular da Emma de novo, ela iria acabar comigo.
Ruby gargalhou alto, com a boca aberta admirada:
— Ela não fez isso.
Mary Margaret acenou com a xícara na frente da boca, com a expressão agitada. Ruby se endireitou, olhando o casal que agora tinha parado de discutir e de se encarar e começou a conversar de maneira apropriada. Ela sorriu para si mesma e se virou de repente para pegar a cafeteira, dando a volta no balcão:
— Ruby, — Mary Margaret advertiu — o que você está fazendo?
— Você já vai descobrir. — A garçonete sorriu e balançou as sobrancelhas, enquanto se dirigia à mesa do casal.
— Ruby! — Mary Margaret se virou na banqueta e sibilou. Ela rapidamente se virou e evitou fazer contato visual quando Emma olhou para cima.
— Mais café, sra. Prefeita? — Ruby perguntou, enquanto já colocava café na xícara dela antes mesmo de ela poder confirmar. Ela fez o mesmo com Emma e se virou, derrubando a cestinha de fritas quase vazia da loira. — Droga, eu sou tão desastrada.
A garçonete deixou a cafeteira sobre a mesa e se pôs a recolher a cesta e a comida que caíram. Ela ignorou a carranca de Regina, que claramente a julgava como incompetente:
— Está tudo bem, eu já tinha terminado.
Ruby se endireitou, antes que a loira pudesse fazer qualquer coisa, pegando a cafeteira e oferecendo o seu melhor sorriso para depois se afastar. Ninguém percebeu o celular de Emma que desaparecera.
Indicando para Mary Margaret segui-la, Ruby as direcionou para um canto longe dos outros, longe de Regina e Emma. O item furtado estava escondido no avental dela:
— O quê? — A professora perguntou.
Ruby sorriu e levantou um dedo. Ela acenou quando Regina, Emma e Henry se levantaram e se direcionaram para saída. Quando ela teve certeza de que eles tinham virado a esquina, Ruby revelou o celular de Emma. Mary Margaret arfou:
— Você não fez isso.
— Relaxa — Ruby falou, desbloqueando o aparelho. Ela jamais saberia o por quê a Xerife achara que 1234 era uma boa senha. — Você não está nem um pouco curiosa? É com Regina que ela está conversando, caramba.
A menor mordeu o lábio:
— Foi você quem furtou ela. — Ela divagou consigo mesma.
Ruby se aproximou mais ainda da Mary Margaret, pondo o celular entre elas para que as duas pudessem ler. Ela clicou no e-mail de Emma com ansiedade.
Eu sei que você vai ficar o dia inteiro em reunião, então olha a última gaveta da direita.
Por que eu iria querer um caderno de desenho?
Para voltar a desenhar de novo. Essas reuniões são chatas.
Você está mandando eu ignorar o trabalho para desenhar nas reuniões?
Você está ignorando seu trabalho agora ;)
— Eu pensei que seria mais legal. — Ruby falou, fazendo um biquinho.
Ela continuou a rolar para baixo, olhando os emails mais antigos e seus olhos se arregalaram, enquanto Mary Margaret ofegou e levou a mão ao peito, mais envergonhada do que assustada.
Sério que você vai me provocar desse jeito durante uma reunião e me deixar na mão?
Eu nem te provoquei direito.
Você disse que não estava usando calcinha.
Você gostaria de descobrir se é verdade?
Eu chego aí em cinco minutos.
— Fala sério. — Ruby sorriu para o aparelho, se divertindo com aquilo.
— A gente deveria parar. — Mary Margaret sugeriu, se afastando e parecendo um pouco nauseada.
Ruby, todavia, já estava procurando mais mensagens, sorrindo lascivamente quando achou as melhores mensagens. Ela virou o celular para Mary Margaret que instintivamente leu o texto com os olhos arregalados.
Eu uso minhas mãos para agarrar seu quadril, puxando-o para perto do meu rosto e mordisco sua coxa.
Minha mão passa por seus cabelos, agarrando-os com força, direcionando sua boca para o meu...
Mary Margaret se forçou a desviar sua atenção, engolindo de uma só vez o resto do chá. Ruby puxou o celular para si, ficando indiferente para com a reação da amiga:
— Deve ser por isso que a Regina te ameaçou. Eu me pergunto se elas tem nudes.
O sino da porta tocou e Ruby pôs as mãos para trás, escondendo o celular da Xerife, enquanto a mesma entrava afobada no restaurante, se dirigindo à mesa que antes ela ocupava. Elas viram Emma procurar pelos assentos e debaixo da mesa antes de se virar. Ruby imediatamente começou a conversar com Mary Margaret para parecer que nada tinha acontecido, mas a morena de cabelo curto mais parecia que tinha sido pega no flagra:
— Ei, Ruby, Mary Margaret. — Emma disse quando se dirigiu para perto do balcão.
Mary Margaret evitou contato visual, enquanto Ruby parecia surpresa:
— Ah, Emma, nem te vi aí. Você esqueceu seu celular. — Ela ergue o aparelho, sorrindo mentalmente quando Emma suspirou aliviada.
— Valeu, Rubes, você salvou minha vida. — Ela pegou o aparelho com um sorriso agradecido e depois saiu do estabelecimento de novo.
Ruby viu a jaqueta de couro que Emma Swan estava vestindo se afastar para depois falar:
— Eu aposto um mês de café da manhã de graça que elas vão se casar no final do ano.
Mary Margaret levantou uma sobrancelha e depois balançou a cabeça, rindo:
— Eu aposto seis meses.
— Está apostado.
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— Aonde estamos indo? — Regina se agitava, sentada e resmungava no fusca de Emma. Seu filho estava sentado no banco de trás e uma venda de olho estava envolta de sua cabeça.
— É surpresa, mãe. — Regina nem precisava olhar para ele para saber que ele estava sorrindo, mas a incerteza e a ansiedade que ela sentia por estar vendada não passavam, até que ela sentiu uma mão familiar na sua coxa. Instintivamente, ela pôs sua mão sobre a outra, mantendo-a ali. Ela também não precisava ver o rosto de Emma para saber que a loira estava sorrindo para ela.
— Olha para a estrada. — Regina disse severamente, porém com toque brincalhão.
Ela ficou feliz consigo mesma quando sentiu Emma apertar sua perna passando segurança e ficou tranquila no banco.
O cheiro de feno, madeira cortada e o fedor de suor encheram as narinas de Regina. Ela congelou no lugar e virou o rosto vendado na direção de Emma:
— Nós estamos...?
A resposta veio quando o motor foi desligado, duas portas se abriram rangendo e, logo, se fecharam e a porta do seu lado foi aberta. Gentilmente, a venda foi tirada da frente de seus olhos e Regina inspirou fundo quando viu a placa, mostrando que eles estavam no Rancho Storybrook. Ela virou a cabeça na direção de Emma que só sorriu convencida. A loira puxou ela e as levou para dentro dos estábulos, onde elas foram guiadas até alguns cavalos reservados para a Xerife:
— O que é isso? — Regina perguntou nervosa, levando a mão para a nuca do garanhão a sua frente.
— Henry disse que você nunca o tinha levado a um haras. — Emma olhou para as criaturas, percebendo agora quão grande elas eram de verdade.
— É, por que não? — Henry sibilou, louco para subir num cavalo.
Regina não respondeu e apenas olhava para o nada, pensando e olhando dentro do olho preto de um dos cavalos.
Emma percebeu que Regina estava muito quieta, enquanto um instrutor as ensinava como prender a sela e como se deveria segurar as rédeas direito. A morena nem disse nada quando Emma, do nada, gritou quando um cavalo empurrou a cabeça na direção do rosto de Emma. Henry estava gargalhando, mas Regina só ficou ali com os braços cruzados sobre o peito, pensando ao lado do seu corcel.
No momento em que lhes fora permitido trotar pelo campo, Henry estava andando naturalmente, Regina estava sentada sobre o animal como uma jóquei e Emma ficava se mexendo com desconforto e causando estresse ao animal debaixo dela. Depois de muito esforço, ela conseguiu trotar até chegar perto de Regina, vendo junto dela Henry, mais a frente, ganhar velocidade:
— Você está bem? — Emma perguntou com cuidado.
— Aham. — Regina levantou um muro em volta de si tão rápido que Emma nem conseguiu registrar.
— Eu pensei... — Emma ofegou bruscamente com o movimento inesperado que o cavalo fez. — Eu pensei que você iria gostar de andar a cavalo.
— Você me conhece tão bem, não é? — Se Emma estivesse andando, ela teria parado boquiaberta com a resposta da morena.
— Sério, o que houve com você?
Regina franziu o cenho e Emma pôde perceber que a paciência da mais velha estava se esgotando:
— Ok. — Emma advertiu, deixando um silêncio desconfortável encher a atmosfera.
Depois de cinco minutos de silêncio, Emma tentou novamente:
— Então, você já tinha feito isso antes, quando criança?
— Como você está tagarela hoje, Xerife. — Regina disse, olhando para frente.
— Eu estou tentando conversar, é proibido agora?
— Isso não é assunto seu. — Regina rebateu e virou a cabeça na direção de Emma, puxando as rédeas e fazendo o cavalo parar na frente do caminho da loira.
— O quê? Eu te contei sobre a minha infância. — A loira se defendeu.
Regina falou com um tom perigoso:
— Eu não pedi para você falar, srta. Swan.
Regina chutou a lateral do cavalo e o esporeou para ele correr, deixando para trás uma Emma confusa, lutando contra a poeira.
— O que foi aquilo? — Emma puxou Regina para um canto quando elas voltaram do passeio. Felizmente para elas, o instrutor tinha deixado Henry alimentar os cavalos nas baias:
— O que foi o quê, querida? — Regina ofereceu seu sorriso de política.
— Lá atrás, eu não tenho o direito de perguntar sobre você?
Regina se aproximou de Emma com um ar predatório, pondo a palma da mão no meio do peito de Emma e pressionando os corpos juntos, aproximando os lábios do ouvido da Xerife:
— Talvez você possa aprender mais sobre mim quando chegarmos em casa.
Emma teve que lutar com todas as forças para se soltar de Regina:
— Agora não, Regina.
A morena deu um passo para trás, surpresa. Su voz saiu baixo e perigosa:
— O quê?
— Por que você faz isso? — Emma questionou. — E pergunto algo para você e você sempre me leva para cama.
— Não era isso o que você queria quando entrou em contato comigo pela primeira vez? — Regina perguntou, cruzando os braços na frente do peito.
— Eu não te quero somente pelo seu corpo, Regina. — Emma se aproximou, tentando pôr uma mão no braço da mais velha, antes dela se afastar.
— Você não tem ideia do porquê eu parei de andar a cavalo e por mais amável que ache que foi tudo isso, tudo o que fez foi trazer péssimas lembranças. — Regina repreendeu.
— E como eu deveria saber disso? Sempre que eu te pergunto algo sobre você, você muda de assunto.
— Porque é assunto pessoal. — Regina resmungou.
— Nós estamos saindo juntas faz mais de um mês, Regina! — Emma se exaltou num sussurro baixo. — Nós estamos nos falando há muito mais tempo que isso.
— Ah, então, isso te dá o direito de saber tudo sobre mim sempre que você quiser?
— Não, mas eu acho que tenho direito a saber mais sobre você. — A loira argumentou.
— Você sabe o suficiente, srta. Swan.
Emma jogou os braços para cima, frustrada:
— Eu sei muita coisa, mas eu te contei sobre a época nas casas dos meus pais adotivos. Você congela sempre que eu pergunto algo sobre antes de você adotar Henry.
— Porque eu não quero que você saiba nada sobre mim antes de eu adotar o Henry. — Ela enunciou cada palavra com um movimento de mão.
— Eu não vou te julgar, Regina.
Ela apenas escarneceu:
— Então, você cospe a sua vida inteira para um estranho pela internet, mas não para a mulher com quem você está transando há mais de um mês? — Emma acusou.
Regina parou e encarou a loira:
— Bem, se é só isso que somos, você ainda se pergunta por que eu não compartilho nenhum fato pessoal sobre mim?
A cara de Emma caiu:
— Eu não quis dizer desse jeito.
A morena apenas balançou a cabeça e passou pela Xerife, empurrando ela, que chutou o feno do chão com raiva.
A volta para casa foi silenciosa entre as duas mulheres, salvo por Henry que ficou falando sobre o passeio dele e como ele tinha penteado o cavalo dele, Majestic. Na hora em que ela estacionara na frente da mansão da Prefeita, a tensão entre as duas estava clara quando Regina apenas balançou a cabeça e saiu do carro, esperando Henry fazer o mesmo já no final do caminho até a casa. Henry não era idiota. Ele sabia que algo de errado tinha acontecido entre suas duas mães, mas falar sobre aquilo naquele momento era inútil quando tudo que Regina fizera foi se virar e se dirigir para a porta.
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Emma estava agitada quando a noite chegara. Ela tinha mandado um SMS para Regina assim que chegara ao apartamento e até ligou para a morena inúmeras vezes sem ter retorno. Isso tinha sido há horas atrás. Agora, ela estava andando para lá e para cá pela cozinha com o celular no último volume deitado no meio do balcão do recinto. A porta do apartamento se abriu e, por um breve e louco momento, Emma teve a esperança de que fosse Regina entrando. Não que a morena tivesse a chave ou algo do tipo:
— Ei — Mary Margaret saudou e, então, franziu o cenho ao ver o rosto abatido de Emma. — O que houve?
A loira deu de ombros, desanimada:
— Eu acho que Regina e eu estamos brigadas.
— Você acha? — Mary Margaret perguntou, pendurando o casaco no cabide.
— Vocês são boas em saber quando estão brigadas.
— Eu não sei, eu levei ela e o Henry aos estábulos e ela pareceu feliz por um momento e depois ela ficou fria. — Emma explicou.
— Ela é a Prefeita. — A morena brincou.
Emma apertou os lábios com um olhar defensivo, fazendo a morena se desculpar prontamente. Emma jogou as mãos para cima, frustrada:
— Você sabia que eu e ela estamos juntas faz mais de um mês agora e eu não sei nada novo sobre ela?
Mary Margaret franziu o cenho, se apoiando no balcão para olhar a loira: — Por que não?
— Sempre que eu pergunto alguma coisa, ela me distrai com... — a professora levantou uma sobrancelha — ...coisas.
Emma terminou fracamente:
— É a Regina, Emma. Ela uma pessoa reservada. — Ela lembrou a amiga.
— Mas sou eu. — Emma se inclinou sobre o balcão, deitando a cabeça sobre o mesmo.
Mary Margaret riu:
— Que engraçado. Você disse a mesma coisa do por quê ela não sairia com você. Agora olha só vocês duas.
A loira levantou a cabeça, pensando:
— Você acha que eu pressionei ela demais?
— Por que você está me perguntando? — A morena perguntou. — Você, mais do que ninguém, deveria saber disso.
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