Incoerências
2 Segunda Regra: Não ser amiga de um Malfoy.
Notas iniciais
Em algum momento, eu acordei.
Costas doendo, rosto amassado e toda torta em um sofá.
Com Scorpius enroscado em mim.
Ou talvez fosse o contrário.
Olhei para o relógio na parede e me assustei com a hora.
— Droga – Empurrei Scorpius, mas ele era pesado demais – Scorpius, acorda. Já é de manhã.
— E qual é o problema?
— Temos aula!
Ele gemeu, nada satisfeito.
— Se mexe.
Scorpius se afastou, dando espaço para que eu levantasse.
Fui atrás da minha saia e dos meus sapatos.
— Você vai ficar aí?
Ele abriu os olhos.
— Acho que não.
Calcei meus sapatos e joguei sua camisa em seu rosto.
— Vamos!
— Você é tão delicada – Ele se levantou, finalmente.
— Obrigada – Dei um sorriso falso e fui para a porta.
— Nenhum beijo?
Mandei–lhe um beijo pelo ar.
— Nos vemos na aula.
Corri para o meu dormitório.
E perdi o café da manhã.
Péssimo começo de dia, porém eu me sentia estranhamente de bom humor.
— Ei — Roxy disse, sentando-se ao meu lado.
— Bom dia.
— Eu sinto uma energia positiva em você – Ela falou – O que é estranho, porque você perdeu ontem.
Torci o nariz. Eu tinha esquecido disso.
— Perdemos apenas um jogo.
— Um jogo para a Sonserina.
Fechei a cara.
— Aparentemente você não quer que eu fique de bom humor.
— Não. É muito estranho.
— Você que é estranha.
— Você não tem moral para dizer isso.
Olhei-a, indignada. Ela me ofereceu um sorriso debochado.
— Devo te lembrar que você saiu com não um, mas com dois Scamander?
Ela abriu a boca para se defender, mas Albus, que apareceu atrás dela, foi mais rápido.
— Péssimo gosto, Roxanne. Menos dez pontos para a Grifinória.
Scorpius estava atrás dele.
— Não vou nem começar a falar sobre as pessoas com quem você saiu, Albus. Você perderia no mínimo quinhentos pontos.
— Nesse caso, coitada da Weasley. Ela seria expulsa da Grifinória por perder tantos pontos –Scorpius falou, sorrindo descaradamente para mim.
Eu ri com gosto. Eu sabia que ele estava falando dele.
Então eu lembrei que eu deveria estar irritada com um comentário desses.
Emendei uma risada irônica na minha gargalhada.
— Saia da minha frente antes que eu te estupore.
Ele continuou sorrindo enquanto ia para o fundo da sala com Albus.
— Detestável – Falei.
Eu precisava admitir que estava cada vez mais difícil manter o fingimento.
Scorpius não me irritava mais como antes.
As atuais implicâncias com ele era apenas tradição.
Ou prevenção para me impedir de quebrar regras.
Dias depois eu estava saindo de uma das minhas aulas quando fui interceptada pelo Malfoy.
Eu não o tinha notado encostado na parede até que ele me puxou. Tomei um susto.
A imagem de um trasgo apareceu na minha mente novamente.
Eu os confundia com certa frequência. Obviamente aquilo só comprovava a semelhança entre ambos.
Olhei rapidamente para o corredor.
Havia pessoas nele.
Franzi a testa.
— Que merda é essa, Malfoy?
— A festa dos meus pais é hoje. Vou te esperar na sala da McGonagall, às 20h.
— Hoje?
— Está com medo, Weasley?
— Não.
Era meio mentira.
— O que eu devo vestir?
Ele deu um sorriso malicioso.
— Acho que seria inapropriado se eu respondesse.
— Desde quando você se detém em dizer algo inapropriado?
— Estou tentando ser um cavalheiro com você.
Ergui a sobrancelha, nada convencida.
— Você não vai me pedir outro favor, vai?
— Não se preocupe, Rose, eu não tenho nenhum plano maligno.
Eu tinha minhas dúvidas, mas não falei nada a respeito.
— Te vejo mais tarde.
Enquanto eu me afastava, ele me chamou.
Virei-me.
— Não posso dizer o que eu queria dizer, mas posso falar que não me importaria se você usasse algo mais curto essa noite.
Rolei os olhos.
Scorpius era constituído de disparates, insinuações e beleza opressora.
Sempre gostei de pensar que mentir era uma das minhas especialidades.
Talvez não fosse.
Mas naquele momento eu me sentia uma ótima mentirosa.
Escrevi para minha mãe contando que Albus havia implorado por minha companhia na festa e eu, como uma ótima prima, tinha cedido ao seu pedido.
Uma festa da casa dos Malfoys.
Minha mãe ficaria encantada com o meu altruísmo.
O vestido também havia sido fácil de resolver.
As várias festas no Ministério da Magia haviam feito com que eu tivesse uma coleção de vestidos. Talvez um pouco exagerado, mas útil para os momentos necessários.
Recebi o vestido no começo da noite.
Um longo de alças finas e fenda. Verde escuro.
Sonserina demais, mas ainda bonito.
Às 20h, eu estava entrando na sala da McGonagall.
— Boa noite, diretora – Falei e dei um aceno com a cabeça para Scorpius. Ele estava sentado bem à vontade em frente à mesa. Quase parecia que eu tinha interrompido uma conversa.
— Rose Weasley – Ela disse, suas sobrancelhas levemente arqueadas – Confesso que estou surpresa.
É claro que ela estava se referindo à Scorpius e eu juntos.
Eu senti todo o meu corpo esquentar.
Eu não sabia como responder.
Virei para Scorpius, procurando ajuda, mas foi pior.
Ele estava me encarando com a boca ligeiramente aberta. Merlin.
Dei um sorriso constrangido para a diretora e seus lábios se repuxaram, o que eu considerei um sorriso.
O silêncio era constrangedor.
— Melhor irmos, não?
Eu queria sair dali correndo.
Scorpius saiu de seu estado letárgico e se levantou. Agradeceu a diretora e fomos para a Mansão Malfoy através do pó de flu.
Surgimos em um escritório.
Scorpius me ajudou a sair da lareira.
— Você está bonita.
Eu dei um sorriso sarcástico.
— Acho que você deixou isso claro há alguns minutos atrás. McGonagall deve estar rindo de você nesse momento.
Ele deu de ombros. Nada envergonhado.
— Beleza me impacta.
Revirei os olhos e aceitei seu braço.
Subimos uma larga escada e pude ouvir sons vindo de uma porta e quanto mais nos aproximávamos dela mais nervosa eu ficava.
Quando entrei não consegui controlar a minha surpresa.
O salão de festas era enorme.
Abri a boca para comentar, mas ele pareceu ler minha mente.
— É um exagero, eu sei.
Era.
— É bonito.
— Que bom que você gosta, talvez possamos nos casar aqui – Ele provocou.
— Não é grande o suficiente para o nosso casamento.
— Aposto que não, com a quantidade de Weasleys existente no planeta.
Não pude discordar.
— Vamos procurar meus pais.
Assenti e seguimos pelo salão. Senti olhos em nós.
É claro.
Era uma festa na casa do Scorpius. Todos o conheciam.
Tentei respirar.
Ou talvez eles me reconhecessem. Do Ministério da Magia. Do Profeta Diário.
Talvez eles pensassem: “Oras, é uma Weasley”.
E eles lembrariam da oposição que existiu no passado entre Weasleys e Malfoys.
E talvez eles se lembrassem de quem era o meu pai.
E contariam tudo para ele.
— Scorpius...
— O que foi?
— Por que eu sinto que amanhã vamos acordar e estaremos na capa do profeta diário?
— Talvez você esteja um pouco paranoica.
— Talvez.
— É o meu smoking que mexe com a sua cabeça, não é?
Não era exatamente mentira.
— É melhor você ficar de boca fechada, porque eu preciso fingir que gosto de você para os seus pais e é difícil isso quando você está falando.
Ele riu e me puxou para o lado, onde os seus pais estavam.
Elegantes e impecáveis. Aquela família beirada à perfeição.
— Boa noite, Scorpius.
Scorpius adiantou-se em abraçar sua mãe.
— Como vocês estão?
— Feliz, porque você não se atrasou – Draco falou. Scorpius sorriu, então suspeitei que fosse uma brincadeira.
— É bom te ver também, pai – Ele voltou para o meu lado – Eu tenho uma pessoa para apresentar para vocês.
— Eu acho que eles já me conhecem, Scorpius – Eu sorri para eles – Boa noite, sr. e sra. Malfoy.
— Boa noite, Rose. Faz algum tempo, como está sua família?
— Estão todos bem, obrigada.
— Ok, obviamente vocês já se conhecem, mas como eu escrevi em minha carta, eu gostaria de introduzir a vocês, minha...
— Espera, Rose Weasley é a sua namorada? – Draco perguntou.
— Você estragou meu pronunciamento – Scorpius falou, passando o braço por minha cintura – Sim, ela é.
Para o meu azar, senti meu rosto corar.
— Isso é sério? – Draco parecia desconfiado.
— Claro que é.
— Mas eu ouvi boatos de que a Rose era inteligente.
— Draco! – Astoria o repreendeu.
Eu não estava esperando por essa e um riso escapou da minha garganta. Tampei a boca para me segurar.
Scorpius me lançou um olhar acusatório.
— Você supostamente deveria me apoiar.
— Perdoe-me.
— É uma ótima notícia, Scorpius. Eu fico muito feliz por vocês – Astoria sorriu para nós.
— Eu também, é claro – Draco emendou – Talvez Ronald Weasley não concorde, mas eu acho ótimo. Quem sabe Scorpius não fique mais inteligente?
— Eu já sou inteligente.
— Nós sabemos disso, querido.
— Por que isso soou condescendente?
— Impressão sua.
Segurei o sorriso.
— Vocês não deveriam estar falando todas as minhas qualidades e como eu era um bebê fofo para a Rose ao invés de me humilhar?
— Ninguém está te humilhando, querido.
— Nem precisa, você faz isso sozinho – Draco brincou.
— Acho que você já bebeu muito – Scorpius falou – Normalmente ele é mais agradável.
— Eu estou o achando muito agradável.
Ele revirou os olhos.
— Claro que está.
— Talvez eu tenha bebido um pouco, confesso – Justificou Draco – Mas é o meu aniversário de casamento. Espero que você não me julgue, Rose.
— Não se preocupe quanto a isso, sr. Malfoy.
— Pode me chamar de Draco.
Eu assenti.
— Devemos ir cumprimentar alguns amigos agora, mas nos vemos mais tarde – Astoria explicou – Foi ótimo te ver, Rose.
— Digo o mesmo.
Eles se afastaram e eu apertei o braço de Scorpius, em busca de apoio.
— Não foi tão ruim, foi?
— Não. Você foi ótima.
— Seus pais são bem legais.
— Eu tenho sorte.
— Quantos anos eles estão juntos?
— Você acha que eu sei?
Desviei minha atenção para o salão e senti o meu corpo gelar quando reparei em minha tia Ginevra Weasley.
Seus olhos estavam fixos em mim.
Tio Harry estava ao lado dela, mas não parecia ter me notado. Ainda.
Ela sorriu e eu desejei como nunca ser invisível.
Apertei o braço de Scorpius novamente.
— Você poderia ter me avisado que os meus tios seriam convidados.
— O que?
— Ginny e Harry estão aqui.
Ele olhou para os meus tios e depois de volta para mim.
— Eu tinha me esquecido desse detalhe.
— Péssimo detalhe para se esquecer.
Tentei não me desesperar, mas o meu estômago já estava se agitando.
— Você acha que eles vão contar?
— Vou precisar convencê-la.
Tia Ginny era fã de romances e ela tinha a tendência de ficar do lado do casal ameaçado. Portanto, havia uma chance.
Fiquei esperando que meu tio a deixasse sozinha e fui até ela.
— Rose!
— Tia!
— Que surpresa te ver por aqui, especialmente acompanhada de quem você estava...
Eu senti meu rosto esquentar.
— Eu sei... sobre isso – Decidi ir direito ao assunto – Por favor, não conte ao meu pai que você nos viu.
— Ele não sabe que vocês estão juntos?
— Ele me mataria se soubesse.
Ela riu.
— Você talvez não, mas o Scorpius provavelmente.
Dei um sorriso hesitante.
— Você não vai contar então?
— Claro que não, querida.
— E tio Harry?
— Ele ainda não viu vocês, mas eu me asseguro de que ele não vai dizer uma palavra.
Respirei aliviada. Não tinha sido tão difícil, afinal.
— Obrigada!
— Então... você e o Malfoy...
Ok, talvez não fosse tão fácil assim.
— Não vou falar sobre isso com você, tia.
— Nenhum detalhe? Como vocês se conheceram?
— Foi em Hogwarts, é claro.
— Você não está se encontrando com ele na Sala Precisa, não é? – Ela sorriu maliciosamente.
Eu arregalei os olhos, tentando fingir inocência.
— Não! Claro que não, tia!
— Ah, por favor, Rose. Eu não nasci ontem e está tudo bem se você tiver uma vida sexual ativa, desde que seja com proteção.
Foi inevitável, eu senti o meu corpo inteiro queimando de vergonha.
— Eu vou ir antes que tio Harry apareça e me faça mais perguntas constrangedoras.
— Você está me privando dos detalhes só porque eu sou velha.
— Tchau, tia.
Beijei seu rosto e voltei para Scorpius.
— Estamos salvos.
Ele soltou o ar.
— Ótimo, porque eu não decidi ainda qual roupa usar para o meu enterro.
— Você estará morto, ninguém vai se importar.
— Eu vou.
— Você meio que não vai estar lá para isso.
— Bem, como eu não vou mais morrer, então não preciso me preocupar com isso por alguns anos.
Eu queria discordar dizendo que ele não tinha certeza sobre isso, mas talvez fosse desanimá-lo.
— Você quer dançar?
— Claro.
Scorpius me encontrou na sacada.
— Ei. O que está fazendo?
— Só vim tomar um ar. Está cheio demais aí – Apontei para o salão. Ele se juntou a mim.
— Eu sei. Meus pais gostam de festas.
Minha família também, mas aquilo... Os Malfoys realizavam festas absurdas.
Tomei um gole do meu vinho, enquanto observava o céu estrelado.
Estava bonito.
Sempre estava.
Lembrei-me de quando eu era pequena e minha mãe nos contavam histórias sobre as constelações.
Parecia irônico um céu tão bonito sobre um passado tão funesto.
— No que você está pensando?
— Minha mãe. Você sabe que foi aqui que... – Não terminei. É claro que ele sabia.
— Eu sei – Ele pareceu desconfortável – Aquele cômodo não existe mais.
Assenti.
Era bom, de certa forma.
— Meu pai quis se desfazer da casa, mas minha mãe não deixou. Usou tradição como argumento. Nunca vou entender, mas eles se importam com isso – Ele passou as mãos no cabelo – Desculpe, Rose. Eu não havia pensado que te trazer aqui ia te causar lembranças ruins. Nós podemos ir embora agora se você quiser.
— Não precisa. Não me causou lembranças ruins, porque elas não são minhas. Eu só estava pensando nisso, porque, bem, é parte da nossa história. Ninguém vai esquecer o que aconteceu.
— Sinto muito.
Ergui uma sobrancelha, sorrindo.
— A guerra bruxa não é sua culpa, Scorpius.
Ele deu de ombros, desviou os olhos.
— Ás vezes eu sinto que é.
Draco Malfoy havia sido absolvido, tinha reconstruído sua vida, era um ótimo medibruxo e possuía muitos amigos.
Ele era alguém importante no nosso mundo.
Mas por mais que sua imagem havia sido restaurada, a sua antiga reputação nunca foi esquecida.
E havia pessoas que se lembravam mais do que outras e elas poderiam ser cruéis.
Estendi a mão para pegar a sua.
— Minha família diz que nós já perdemos pessoas demais. Todos. Nós não deveríamos continuar com atitudes que pudessem fazer o mesmo de novo.
Scorpius apertou a minha mão.
— Eu concordo.
Encarei nossas mãos e fiquei tentada em aprofundar o assunto.
Eu estava interessada em ouvir Scorpius.
Eu queria saber pelo que ele tinha passado, o que ele estava sentindo, o que ele pensava.
Mas ele mudou de assunto antes que eu tivesse a chance.
— O que você está achando?
— É uma grande festa.
— Você não gosta de grandes festas?
— Eu não gosto de ser o foco das atenções.
Eu estava com o filho dos donos da festa e isso causava mais atenção do que eu pretendia.
— Você deveria aproveitar.
— Deixo isso para você.
Ele sorriu e bebeu da minha taça.
— Então... acho que apresentar uma Weasley como namorada aos seus pais não vai de acordo com a tradição.
Seu sorriso continuou.
— Acho que não.
— Algo me diz que isso foi intencional.
— Mais ou menos.
Estreitei os olhos.
— Ah, é?
— Bem, talvez apresentar Rose Weasley como namorada fosse memorável demais para não cogitar a ideia – Ele disse enquanto se aproximava e passava os braços pela minha cintura.
— Eu meio que concordo.
Scorpius aproximou nossos rostos.
— Você está muito bonita essa noite.
— Você já disse isso.
— Talvez eu diga mais algumas vezes.
Scorpius me beijou antes que eu tivesse tempo de comentar como aquilo era romântico demais para ele.
Com alguma surpresa, percebi que eu não estava mais conflito sobre poder ou não beijar Scorpius Malfoy.
De maneira chocante, ele tinha se mostrado uma pessoa agradável.
Eu gostava dele. Como pessoa.
Até como amigo.
Afastei-me, sorrindo.
— O que foi?
— Você é uma pessoa, Scorpius.
— Por que você parece surpresa?
— Pensei que você era um trasgo.
Ele ergueu as sobrancelhas.
Continuei sorrindo.
— A forma que você me ofende depois de me beijar é diferente.
— Mas eu não te ofendi! Eu falei que você era uma pessoa, não falei?
— Acho que já tivemos a conversa sobre você não ser boa em elogios.
— Não seja tão sensível, Scorpius – Passei os braços por seu pescoço – Por que você se importaria com elogios se pode ter meus beijos?
Ele sorriu
— Não é um argumento ruim.
Inclinei-me para beijá-lo.
Era um pouco inacreditável, se não completamente incoerente, que Scorpius tivesse se tornado um amigo com benefícios.
Se os irmãos Potters soubessem da minha atual interação com Scorpius eles iriam rir alto. Mas não mais do que Roxanne Weasley.
A garota tinha me escutado reclamar do Scorpius por anos, ela provavelmente iria ficar chocada.
Acabei não me segurando e ri ao imaginar a expressão que Roxy faria quando eu contasse.
— O que foi?
— Desculpa. É que eu estava pensando na Roxy e na...
— Você estava pensando na Roxanne enquanto eu te beijava?
— Desculpa!
— Eu sei que ela é bonita, mas eu meio que espero que você pense só em mim enquanto eu estou te beijando.
— Eu não estava pensando nela da maneira que você está dizendo.
— Mesmo assim.
— Desculpe-me – Falei, enquanto mexia na sua gravata – Você pode voltar a me beijar agora?
— Pode ser, mas você não liga se eu ficar pensando no Fred, não é?
Eu ri.
Ele voltou a me beijar.
Até que fomos interrompidos por um jovem que eu não conhecia. Afastei-me de Scorpius e tentei ajeitar o vestido discretamente.
— O discurso do seu pai já vai começar, Scorpius.
— Obrigado, Thomas.
O rapaz saiu.
— Preparada para ouvir Draco discursar?
— Claro.
Ele deu um risinho.
— Não sei se você vai se sentir tão entusiasmada depois que ele terminar.
— Qual é o problema?
— Todo ano ele tenta um estilo diferente. O engraçado, o culto, o excessivamente romântico, o reservado...
— Qual desses funcionou?
— Nenhum.
O discurso daquele ano foi uma mistura de romantismo com escárnio, o que não combinava, especialmente com um Draco ligeiramente bêbado, mas certamente foi algo engraçado de se assistir.
— Eu percebi que desfazer uma imagem que as outras pessoas criam de você é muito mais difícil do que eu pensei.
— Se até eu mudei minha opinião sobre você, aposto que seus pais também vão. Eles supostamente devem te amar não importa o que, não é?
Ele sorriu.
— Obrigado pelo apoio.
— Algum progresso com eles?
— Acredito que sim. Nós conversamos e parece que o meu pai está feliz com as minhas decisões. Elogiou minhas notas e o meu comportamento. Você.
— Eu?
— Meus pais provavelmente preferiam me trocar por você.
Eu ri.
— Não posso julgar, eu também trocaria.
— Meu pai me convidou para almoçar em Hogsmeade e eu o convidei para assistir o próximo jogo. Quem sabe me vendo jogar ele não se sente mais animado em se comprometer com o meu futuro?
— Você realmente quer ser jogador de quadribol, não é?
— Sim, Rose, eu quero. E não é só porque eu gosto. É porque eu sou bom. Eu sei. Além disso, é a única coisa onde sou disciplinado e esforçado. Eu não sou irresponsável com o quadribol. Eu treino todos os dias. Esteja sol ou chuva. Jogar... é algo que mexe comigo, sabe? Eu fico motivado. Apaixonado.
Eu sorri.
— Dá para notar quando você fala.
— E sobre você? O que você quer fazer depois de Hogwarts?
— Não faço a mínima ideia. Eu gosto de muitas coisas e sou boa em todas elas.
Ele riu.
— Ah, o problema da jovem grifinória! Ser boa demais.
— É um problema sério!
— Tenho certeza que sim – Ele não parecia ter certeza nenhuma.
— Você está desmerecendo o meu sentimento – Brinquei.
— Perdoe-me. O que será que eu posso fazer para te recompensar?
— Seja criativo.
Ele passou os braços pela minha cintura.
— Eu estive pensando... porque não dormimos aqui e voltamos para Hogwarts amanhã cedo?
— Pode ser.
— Ótimo, assim eu posso te mostrar como sou criativo... no meu quarto.
Olhei ao redor, sentindo meu rosto corar, contra a minha vontade.
Revirei os olhos para manter alguma compostura.
— Você não pode me dizer essas coisas enquanto estivermos em público.
— Eu te afeto, não é? – Ele ostentava um grande sorriso.
Não respondi e me empenhei em estampar uma expressão descrente com a sua presunção.
Mas é claro que a resposta era sim.
A festa já tinha terminado e eu estava retornando ao salão quando ouvi Scorpius e Astoria conversando.
Obviamente parei para escutar.
— Nós vamos passar a noite aqui.
— Tem certeza que os pais dela não verão problemas nisso?
— Eles não precisam saber, não é?
— Você deve me prometer uma coisa.
— O que?
— Prometa que você não vai... como posso dizer isso sem ser vulgar? Copular com ela debaixo do meu teto.
— Mãe!
— O que foi? Você já é adulto eu acho que eu já posso falar sobre isso com você.
— Eu preferia que não falasse.
Ela riu.
— Não seja imaturo, Scorpius.
— Se eu prometer você encerra esse assunto?
— Claro.
— A sua escolha por palavra foi péssima.
— O que a srta. está fazendo?
Eu dei um pulo.
Era um elfo doméstico segurando pratos na mão.
— Eu parei um pouco para descansar.
Quis me bater com aquela desculpa ridícula.
Ele não pareceu acreditar, mas se absteve de comentar.
— Se quiser pode se sentar em uma das cadeiras do salão.
— Muito obrigada.
Com a pouca dignidade que me restava fui até onde Scorpius estava.
— Então... esse é o meu quarto.
— É verde.
Ele riu.
— Eu tenho bastante orgulho da minha Casa.
— Eu posso ver isso.
— Vou pegar alguma roupa para você dormir – Ele desapareceu no closet.
Por que ele tinha um closet? Nem eu tinha um.
— Acho que minhas calças podem ficar largas em você, então se quiser ficar sem... não vou ligar.
— Claro que não.
As roupas pelo menos não eram verdes.
— Tem um banheiro logo ali – Ele apontou para outra porta.
— Você tem uma cozinha também?
— Não.
Fui para o banheiro tentar tirar toda a maquiagem que rebocava o meu rosto.
Quando voltei ao quarto, Scorpius estava largado na cama.
Só de calças.
Ele parecia fazer de propósito.
— Suponho que você vai me deixar dormir com você na cama, certo?
— Claro.
— Então me dê algum espaço.
Ele se afastou.
Deitei.
Encarei o teto.
Suspirei.
— Por que você prometeu para sua mãe que a gente não ia transar?
— Você ouviu isso, é?
— Um pouco.
— Acho que eu não deveria ter concordado com aquilo.
— Acho que não.
Ele se arrastou para perto, pousou o queixo no meu ombro.
— É difícil ficar perto sem me tocar, não é?
Olhei-o e, apesar da frase arrogante, quase o considerei fofo. O que provocou reações no meu estômago.
— Um pouco – Admiti.
Ele sorriu.
Era um sorriso bonito.
Eu o detestei por isso.
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