Partir foi a coisa mais difícil para ele, mas soube que foi a decisão mais sábia. Apesar do que todos sempre falavam ele lutara pelos vivos, e dessa vez não seria diferente. Sabia que não havia sacrificado sua honra à toa e mesmo Cercei não o impediria de seguir aquilo que achava certo, por mais dolorosa que fosse a sua partida.

Enquanto partia em sentido a Pedra do Dragão Jaime se questionou inúmeras vezes se essa realmente era a coisa certa a se fazer, afinal, tentou matar a Mãe dos Dragões, como seria recebido por ela? E quanto a Tyrion? Apesar de serem irmãos, ele foi quem tirou a vida de seu pai, e isso é imperdoável. Mas no fundo Jaime não podia se imaginar punindo seu irmão, por mais que tivesse prometido a Cercei.

Seu companheiro de viagem o encarava de uma forma que Jaime já sabia o que significava. Ser julgado já não era novidade para ele, havia sido assim há tanto tempo que aquilo já não o incomodava.

—Você terá seu castelo, Bronn. — Disse desviando o olhar para o mar.

—"Um Lannister sempre paga as suas dívidas." É, eu sei.

—Temo que tenha um castelo, mas não haja ninguém para viver lá. — Jaime olhou fixamente nos olhos de Bronn, ele parecia sério, de uma forma que o mercenário jamais havia visto.

—Você acha que temos chances de sobreviver?

—Sim. Sempre há chances, mas quem vai sobreviver?

Bronn voltou a fixar sua atenção aos remos. Sentia-se cansado, mas sobreviveu à viagem a Dorne, Pedra do Dragão não seria um empecilho maior.

—O que pensa em dizer para ela? — Mudou de assunto.

—Para Daenerys? — Bronn anuiu. — Ela pediu uma trégua, não foi? Agora nossas lutas não importam, precisamos unir esforços para enfrentarmos a luta, a verdadeira baralha.

—Só espero que depois de tudo isso, caso a gente sobreviva... — Jaime o olhou. — ...ela não queira nos fazer de reféns. — Fez uma breve pausa. — Prepare-se, você tem alguns instantes para mudar de ideia. — Falou, enquanto aquele grandioso castelo, constantemente lavado pelas ondas do mar, crescia às suas vistas.

—Vamos!