Incapable Of Loving

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Já avisando que eu me derramei em lágrimas escrevendo isso.
Não me responsabilizo se alguém também chorar.

Os passos pareciam pesados. A dor no peito era quase queinsuportável, acompanhada de lágrimas carregadas de arrependimento. Queria poder voltar no tempo. Queria nunca ter ousado dizer as três palavras que foram respondidas com o mais puro escárnio de uma pessoa que lhe provara que não era capaz de amar alguém. De alguém que não tinha sentimentos ou escrúpulos.

A mancha roxa no queixo era mais uma prova da rejeição. Nunca em sua mente passara a ideia de que veria tal reação enojada, acompanhada de um golpe que nem mesmo a chegou a doer, comparado às palavras que foram proferidas a seguir. Palavras que assim como as suas escrituras, foram capazes de infligir a pior das dores que existia: a dor sentimental.

O dia não estava nublado ou anunciava chuva, pelo contrário, se tratava de um dia lindo, ensolarado, acompanhado de uma brisa suave que refrescava o sol de verão. Freed caminhava as pressas para sua casa, já não conseguindo conter as lágrimas que embaçavam sua visão.

Ao chegar à sua casa, escancarou a porta, antes de fechá-la. Ao entrar no cômodo, caiu de joelhos no chão, já não contendo gritos e gemidos agoniados. Suas unhas cravaram no chão abaixo de si, tentando retirar forças do material sem vida. Seu peito subia e descia rápido, como se sua costelas o sufocassem.

- Eu sou um idiota ... – ele disse entre dentes, antes de levar as mãos até a cabeça, jogando seu longo cabelo para trás. Em sua mente nem um pouco piedosa, repetia-se as palavras e expressões da pessoa que tanto amava e que ele tinha certeza que continuaria a amar mesmo depois de tal rejeição.

Laxus não o amava. Nunca o amaria e mostrou que não toleraria um sentimento vindo de alguém do mesmo sexo através de um golpe e comentários preconceituosos que foram dirigidos ao rapaz de cabelos verdes. Freed chegou a ficar paralisado por alguns segundos ao ver sua reação, mas sentiu algo estranho em seu peito se formar a cada palavra recebida. Quando se deu conta, já estava correndo e tudo que desejava era que nunca tivesse confessado o sentimento mais puro que sentira em sua vida.

Seu corpo pouco a pouco perdeu as forças. Os olhos marejados fitaram o chão por um longo tempo, enquanto sua mente questionava o que seria feito de sua vida a partir daquele dia. Não poderia mais ficar naquela guilda. Não poderia mais fazer parte do Raijinshuu e o pior, Laxus não permitira que ele ficasse por perto.

No fundo, ele já imaginava que não seria aceito, mas em seu coração, havia a esperança de ter seu sentimento retribuído. Chegara a se preparar para uma rejeição, mas sua mente e muito menos o seu coração estava preparado para receber tal desprezo.Escárnio que se tornou agressão física devido ao descontrole de Laxus Dreyar.

Trêmulo, ele se levantou do chão antes de retirar o cinto que prendia sua espada. Subia à boca um gosto amargo que ele não sabia definir de onde vinha. As lágrimas não paravam de sair de seus olhos, fazendo com que ele mal enxergasse o caminho até o banheiro. Ao chegar até lá lavou o rosto, sentindo a água fria aliviar o calor daquela região.

A imagem refletida no espelho era patética. Seus olhos nunca haviam ficado tão vermelhos. Sua boca estava seca, acompanhado da vermelhidão que tomava seu rosto. Suas mãos não paravam de tremer e a região onde fora acertado latejava.

- O que eu farei? ...

A pergunta ficou sem resposta. E por um longo tempo ele encarou o seu próprio reflexo no espelho. A respiração aos poucos foi se tornando mais calma. Na mente, milhões de pensamentos perpetuaram, até que sentiu o coração gelar com uma ideia. Ideia que em meio ao seu desespero, não foi repensada. Uma respiração funda foi o suficiente para lhe dar forças. Forças para tomar uma decisão que mudaria sua vida.

As lágrimas acompanharam aquele momento, muitas vezes chegando a atrapalhar. Já em seu quarto, Freed pegou um longo pergaminho e o estendeu no chão, começando a escrever. As palavras sequer eram processadas por sua mente, restringindo-se apenas aos movimentos de sua mão, que pareciam acompanhar o medo em seu coração devido a decisão que tomara.

Não demorou muito para que ficasse pronto. Enxugando as lágrimas e aos soluços, Freed conseguiu terminar a escritura, com a ajuda de um livro que ele puxara debaixo da cama. Um longo texto em forma de runas estava registrado e para que ficasse completo, bastava um ponto. A mão trêmula segurava a caneta, enquanto pela primeira vez, ele se questionava se aquilo era realmente necessário.

Do lado de fora, o homem de cabelos loiros se aproximava da casa. Sabia que havia agido no impulso e mesmo que achasse repugnante o sentimento do menor, não achava correto suas atitudes a minutos atrás. Ia a seu encontro para se desculpar, quando teve a atenção chamada pela imagem do mais novo que era oferecida pela janela.

Freed estava sentado sobre as próprias pernas. Em sua frente, havia um longo pergaminho escrito e ele segurava a caneta sobre um ponto com as mãos trêmulas. Imaginou que se tratasse apenas de um diário ou algo que o rapaz de cabelos verdes utilizasse para desabafar, mas chegou a desconfiar do que aquilo se tratava quando o rapaz percebeu sua presença.

Medo e sofrimento. Era os sentimentos acometidos ao menor que rapidamente percebeu a presença de quem tanto amava. Sentiu seu corpo arrepiar e lentamente levantou os olhos, fazendo com que seus obres azuis vislumbrassem o homem de cabelo loiro. O encarou por alguns segundos e ao ver sua expressão constatou que não havia outra escolha ou mesmo solução. Engoliu um soluço, apertando a caneta forte sobre o papel, retirando suas últimas forças naquele momento para repetir as palavras que o condenaram.

- Eu ...te amo Laxus ...

O loiro estranhou aquela cena, ficando ainda mais desnorteado ao ver uma parede de runas envolver o rapaz que soltou a caneta. Mesmo preso naquela barreira, Freed lhe lançou um sorriso acompanhado de lágrimas que se desfez quando recebeu o abraço da inconsciência.

Temendo que ele fizesse alguma bobagem, Laxus pulou pela janela e tentou impedi-lo, mas quando lhe alcançou as runas já haviam feito seu trabalho. Chacoalhou o rapaz e gritou por seu nome, sem obter resposta, sentindo o desespero tomar forma em seu corpo. O colocou nos braços e se pôs a correr.

-x-

O amor é um sentimento puro e profundo que apenas morre quando a pessoa deixa de existir. Entretanto havia uma forma para fazer tal façanha sem destruir uma existência. Demorou dias, meses e até mesmo anos foram necessários para que este sentimento abandonasse Freed Justine. O tempo passou e Laxus nunca se perdoou pelo ocorrido. Esperou pacientemente pelo dia que ele despertasse, no intuito de se desculpar e demonstrar o quanto estava arrependido por ser estúpido, mas não teve a chance necessária.

Depois de anos, Freed abriu os olhos. Seus orbres azuis já não tinham o mesmo brilho. Seu coração, se tornara incapaz de amar uma pessoa, seja Laxus ou qualquer outro ser. Quando abriu os olhos, demonstrou que o amável Freed que todos conheciam já não existia mais. Para Laxus Dreyar, o responsável por sua mudança, recaiu um ódio amargo e profundo, pois no dia em que voltou a consciência ele demonstrou o quão frívola e doentia podia ser uma pessoa incapaz de amar.

No dia em que tornou a abrir os olhos, Freed Justine se tornou uma das piores pessoas que caminharam por esta terra.

Notas finais

Até mesmo revisando esse texto eu chorei ç.ç
Não sei porque a ideia desta fic surgiu na minha cabeça, mas fiquei dias me prendendo a ideia de como seria se Laxus rejeitasse o verdinho.
O QUE EU ESPERO QUE NUNCA ACONTEÇA. D:
Enfim, aí está o que minha mente conseguiu formular.
Agradeço aos que leram e para quem chorou nada de me ameaçar, porque eu até solucei aqui ç.ç
Obrigado por lerem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!