Incandescente

1 Começou assim...


Notas iniciais
Esse livro é dedicado a todos os amantes de mitologia e aos meus amigos, em especial, Arianne Gomes, que me ajudou a escrever a maior e melhor obra da minha vida.

Bom, sou Melody.

16 anos, olhos azuis e cabelos castanhos cacheados. Semideusa. Filha de Hermes, o deus patrono dos ladrões, viajantes e comerciantes. Deus esse que me deu a vida e já me deu o preço. Estou de cara com a morte.

Nunca estou preparada para esse tipo de coisa. Sempre tenho as visões “salvadoras”, ou talvez nem tanto.

Não que eu não esteja preparada para servir ao Olimpo, não é isso. O caso é dizer adeus. Lucas e Luke, meus irmãos. Leo e Percy, meus “maridos”. Os quatro são muito especiais para mim.

Bom, agora estou na batalha que decidirá meu futuro. Todos lutando e eu parada, estática, como na visão. Sei que alguém vai comigo para o Olimpo depois de morrer. Mas não quero aceitar isso.

Luke está ferido.

Leo, invisível, porém tenso.

Lucas está à minha frente, protegendo-me do pior.

Percy... É outro que está arriscando sua vida por mim.

Exatamente como na visão.

Será que valho tanto? A morte de quatro pessoas?

Estou imóvel. A luz está cada vez mais próxima. É noite, por volta das onze. Se essa batalha se estender até a meia-noite... Eu morro.

Enquanto isso vou contar como tudo isso aconteceu. Como eu perdi tudo, toda a minha vida, sem ter nada, quase nada mesmo.

Comecemos pelo começo de tudo...

Era uma das noites de primavera. Bem... Dia 15 de novembro.

Quando eu estava para nascer, minhas chances de vida eram poucas; Minha mãe tinha problemas cardíacos e algumas complicações no cérebro. Qualquer mortal normal morreria com isso.

Mas, como eu disse, eu não sou normal. Nem um pouquinho.

Hermes, vendo que uma de suas chances de salvação do Olimpo estava morrendo, tratou de fazer um tipo de pacto com os olimpianos, afim de que pudesse me manter viva até o último solstício da Terra. No caso, hoje.

E então estou aqui para contar a minha vida, mas acho que um livro apenas não será o suficiente; tenho uma vida muito longa, e, só pra deixar bem claro, a vivi muito bem.

Eu cresci normal (ou quase). Até os três anos eu não tinha a consciência de quem eu era.

Luke já me conhecia. Ele, na verdade, achou-me com minha mãe em um dos meus primeiros dias de vida. E me salvou NAQUELE dia.

Eu me lembro bem. Estava na pracinha, com minha mãe e Luke. Era um dia nublado, sem sol e com muitas nuvens, mas ainda sim, quente.

O céu azul estava coberto por uma grossa camada de nuvens prateadas que se expandiam até certa extremidade da cidade. Mas não a cobria por inteiro.

Mamãe à nossa frente, sentada no banco branco da praça. Seus cabelos ondulados e castanhos, como os meus, estavam presos em um rabo-de-cavalo. Usava uma regata branca e uma bermuda de brim. Não lembro sua idade, mas só por está-la vendo, deduzia-se que tinha uns vinte e um anos.

Lembro que Luke estava bem ao meu lado. E não se separava nem meio milímetro da distância habitual.

E foi aí que aconteceu.

Minha mãe fez a burrice de ir comprar pipoca no outro lado da praça. Vendo de onde eu estava, nem era tão longe assim. Mas para monstros, qualquer distância é um lugar perfeito para ataque.

Três homens muito grandes, bombados, musculosos e com um porte de pirata de desenho animado apareceram; usavam bandanas, coletes e camisetas de flanela. Sabe aqueles roqueiros dos anos setenta? Mais ou menos isso; misture-os com o tipo “pirata” do desenho Pica-Pau e tenha a resposta para a imagem estranha que eu vi naquele dia.

Um com cabelo castanho claro, com olhos igualmente castanhos e com o cabelo caindo por sobre eles chamou a atenção dos outros dois gigantes.

– Ei, Phill, olhe só aquilo! – O gigante, meio lerdo, apontou em minha direção.

–Luke, tem três homens falando de nós – foi o que consegui dizer à Luke– Eles não parecem legais...

Luke seguiu meu olhar e pôs a mão no bolso da calça. De lá, tirou um anel para mim e sua espada. O anel era de prata, revestido com pontas finas e pontiagudas; ao lado de cada ponta, tinham pedras como diamantes.

– Use isso – disse-me às pressas – Coloque no sol. Mas só se precisar. E não saia de perto de mim, Mel.

Obedeci. Os outros dois gigantes olharam com fome nos olhos. O ruivo barbado murmurou:

– Charlie, é o que estou pensando?

O gigante de cabelos cor de mel assentiu.

O terceiro, com cabelos pretos e olhos verdes olhou em volta, procurando algum sinal de armadilha.

– Nada suspeito. – avisou o terceiro.

– Carne de mini-deus pro jantar! – exclamou o ruivo avançando e sorrindo.

Luke ficou com um pé na frente do outro segurando a espada a postos para cima. Os homens grotescos estavam cada vez mais próximos de nós. Ora sorriam maleficamente, ora sorriam como se estivessem prestes a ganhar uma corrida de cavalos – cavalos carnívoros, só podia.

– Mel, faça o que eu mandei – sussurrou Luke no meu ouvido antes de dar um passo à frente.

O gigante lerdo de cabelos castanhos foi o primeiro a se manifestar:

– Hum... Melody Johnson e Luke Castellan... Formam um lindo casal – apenas ele riu.

– Eles são irmãos, burro – disse o ruivo.

Luke arquejou.

– Como sabem nossos nomes?

– Simplesmente porque conhecemos seu pai. É Hermes, não é?

– Na-não sei do que estão falando – Luke gaguejou.

Os homens riram.

– Que pena... Talvez isso te faça lembrar, pivete – o de cabelos pretos falou, enquanto seu corpo dobrava de tamanho. Seus olhos quase desapareceram, e a cor, um verde cristalino, se transformou em um preto carvão.

A íris e a pupila se fundiram e estavam da mesma cor, deixando dúvidas de onde começava uma e terminava outra.

Os músculos ganharam uma forma horrenda, pareciam duas bolas de basquete coladas na área superior do braço. A tatuagem de uma havaiana ondulou, como se estivesse dançando. “Mark ama Docinho” abaixo da havaiana.

– LESTRIGÕES! – gritou Luke – MELODY, O ANEL! O ANEL, MELODY!

Eu olhei para ele e vi a preocupação em seus olhos azuis.

Ele me empurrou para o mais longe que podia e eu corri para a ponta da praça que tinha sol. Um sol fraco, quase imperceptível; não eram os raios de sempre, pois a grossa camada de nuvens os impedia.

O ruivo estava quase próximo. Há pouco ele não estaria no meu encalço. Por pouco ele não estaria me segurando para não escapar.

Corri o mais rápido que eu podia dizendo mentalmente “preciso ativar o anel!” repetidas vezes. O gigante de cabelos e barba alaranjada estava mais perto, como se corresse. Mas ele apenas andava.

Ouvi o grito de Luke chamando meu nome. Olhei de relance para as pessoas no parque. Felizes, com algodão-doce e aquela mesma cara abobada que fazemos quando estamos felizes. Pareciam robôs. Estou no parque e não estou vendo uma batalha sangrenta entre duas crianças e três brutamontes que podem ser monstros. Talvez seja isso que falavam a si mesmos; pelo menos era o que parecia. Bocós!

Corri mais.

Corri tudo que eu podia correr e a droga da faixa de sol parecia estar mais distante a cada passo que eu dava. Como se estivesse correndo de mim, como se estivesse fugindo do monstro junto comigo. Ou talvez, de mim.

– NÉVOA! VÁ PARA A SOMBRA! –Luke parecia ter dito. Mas ele estava concentrado demais na luta com o sujeito lesado que não parecia ter gritado.

“Faça o que eu pedi” uma voz com eco surdo na minha cabeça disse. “Vá para a sombra”.

Fui para o lado oposto ao que corria parecendo ganhar mais velocidade. Meus pés estavam ágeis o bastante para ganhar impulso e pular na sombra. O gigante pareceu ficar meio desconcentrado com uma criança que aceita ordens de uma voz na própria cabeça e corre como um papa-léguas. Então, para deixá-lo ainda mais desconcertado, ele teve que correr também, e deixar sumir aquela pose idiota que fazia quando estava andando: Triunfante, porém tolo e ineficaz.

Forçando os olhos, pude ver que a faixa sombria, escura, era a que estava mais clara, a que realmente tinha sol. Tomei impulso e saltei no ar em direção à faixa. Era como se eu estivesse voando.

“Sim, você está voando, Melody” disse a mesma voz que há pouco tempo atrás me deu a dica salvadora da minha vida (pela primeira vez). “Agora, ative o escudo depressa!” e isso era uma ordem.

Quando cheguei ao sol, o anel foi ficando cada vez maior, mas leve o suficiente para um bebê — só para deixar claro que eu realmente DETESTAVA que me chamassem de bebê — de três anos suportar. Era de metal olimpiano, com as mesmas pontas do anel no escudo; tinha apenas um caduceu no meio e partes desenhadas de monstros, hidras, espadas, cobras, pessoas... Era muita coisa que eu ainda não conhecia, muita coisa que ainda era estranha para mim. Mas, o mais estranho no escudo, era que sempre tinha uma garota de cabelos cacheados empunhando uma espada. Mas resolvi apreciar tamanha arte depois.

– Investida Melody! –Luke falava – AGORA!

Corri o quanto pude para alcançar o gigante cujo nome seria Phill. O ruivo parou chocado ao ver uma criança voando e tão astuta em táticas de batalha – nas quais eu nunca havia me metido.

Atingi-o com tanta força que meus braços latejaram. O gigante soltou um “UI” meio falhado antes de seu corpo virar (literalmente) pó. Olhei em volta à procura de Luke. Achei-o a mais ou menos três metros de distância e chegando mais perto.

O terceiro gigante de olhos (agora) e cabelos pretos estava lutando com meu irmão. Uma luta totalmente injusta e desonesta, pois ao comparar seus tamanhos, o monstro era quase quatro Lukes de comprimento com três de largura. Parou e olhou diretamente para mim.

– Meu irmão – murmurou – Você. Matou. Meu. Irmão!

Aquilo realmente me deu um medo horrível. Minha espinha gelou e fui obrigada a paralisar.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Postem seu comentário. Em breve, uma capa.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.