Incógnita

1 Prefácio


– Pode jogar ela aí – disse o homem de camisa preta.

O cumplice dele fez o que tinha sido mandado, e jogou a menina na grama.

– Por que você está fazendo isso? Ela não lhe fez nada de ruim.

– Você não tem nada que ficar me perguntando essas coisas. Cale a boca e pronto. Só me obedeça.

– Bem, se eu vou ser seu cumplice eu quero saber ao menos para quê estamos fazendo isso. – O garoto deveria ser uns dez anos mais novo que o seu mandante, e mesmo com a pose de bad boy os seus olhos estampavam o medo que sentia pelo cara que estava a sua frente e do que ele seria capaz de fazer.

Ele ficou esperando uma resposta e só recebeu silêncio, do homem, da menina, dele mesmo e dos animais que estavam aos redores pelo gramado, se escondendo em arbustos e árvores.

– Certifique-se que a menina não se lembrará de nada. Absolutamente nada.

O garoto se aproximou da menina que estava deitada no chão, levantou ela e tocou a sua testa, ao fazer isso ele cerrou os olhos fortemente e se concentrou. Ele sentiu tudo se esvaindo da menina, como se ela acabasse de ser furada por um milhão de alfinetes e agora tudo estava escapando do interior dela. O esforço do menino foi tanto que uma gota de suor escorreu pela sua testa.

Quando acabou ele se levantou e limpou o rosto do suor que havia escapado.

– Incompetente! Uma bobagem dessa e olhe o seu estado! Se quiser que eu poupe o seu irmão é melhor começar a fazer direito!

– Opa, opa, opa. Eu posso ser mais novo, mas não sou mais covarde do que você!

– “Opa, opa, opa” digo eu. Mais um comportamento assim e o seu irmão já era. Entendeu?!

O menino se tremeu da cabeça aos pés. Ele não estava com medo. O que ele mais queria fazer era pular na frente do idiota que zombava dele e meter-lhe uns socos na cara. Mas ele se lembrou do seu irmão mais novo que corria o risco de passar o mesmo que ele ou pior. Ele controlou a raiva e fechou os olhos para se acalmar. Quando abriu os olhos, o homem estava rindo dele.

– Hahaha, você é tão fraco garoto. Sinto pena do seu irmão. O coitado tem a vida em suas mãos. Bem, você já sabe, sem esse comportamento novamente.

– Sim, senhor.

– Ótimo. Assim, com esse assunto já resolvido podemos ir embora.

O homem de camisa preta começou a caminhar em direção ao carro que o esperava na rua. O garoto respirou fundo mais umas vezes e começou a andar, mas antes que não fosse possível, olhou para trás e viu a menina, ele hesitou uma vez, então ouviu: “– Vamos Tyler! Eu não tenho a eternidade” e uma risada assustadora, então o garoto/Tyler entrou no carro.