Incógnita

12 11. Sonhando Acordado?!


Notas iniciais
Olá leitores. Mais uma vez vim me desculpar por estar em falta com vocês. O último semestre na escola é sempre o mais acelerado, e praticamente em todas as semanas tenho prova. Felizmente tive uma folga - e criatividade - e aqui está o capítulo, bem revelador, por sinal! Aproveitem!
Boa Leitura, xoxo

Harrison POV

A noite anterior havia se tornado um breve e torto rabisco onde minhas lembranças não se encontravam. Tudo não se passava de um borrão.

Eu não tomei álcool, mas após tomar um refrigerante tudo se apagou e então me acordei deitado em um beco escuro, com dores espalhadas pelo corpo inteiro e o nariz sangrando. Minha última memória era a de Ava, se levantando para ir ao encontro de suas amigas.

A partir de então nada se encaixava.

Sentia-me extremamente exposto e consumido por algo do qual não poderia me defender. Então, naturalmente, fiz o que pude: voltar para casa, onde me deitei em minha cama e sonhei.

Poderia ter ficado lá sonhando infinitamente, mas meus sonhos foram interrompidos por um estranho pesadelo em eu parecia estar realmente vivenciando aquilo.

Podia ver os meus pais em um canto do grande salão em que estávamos e minha mãe tinha um pequeno embrulho nos braços do tamanho de um recém-nascido. Supus que fosse eu quando bebê.

– Ora, ora. – disse uma voz feminina no meio da escuridão do salão. – Mais uma vez o casalzinho feliz. – disse com desprezo, especialmente quando chegou em “casalzinho feliz”.

Logo a dona da voz apareceu e a escuridão foi iluminada pelos seus longos cabelos dourados. Ela era esplêndida, mas os olhos azuis carregavam bastante raiva.

– O que querem? – pergunta bruscamente.

Meu pai se levanta do lado de minha mãe e do bebê, e de repente a sua juventude, que sempre esteve presente, desaparece, dando lugar a um animal pronto para defender sua família.

– Nós precisamos de sua ajuda. – diz.

– Há-há-há – troveja a mulher – Então você acha que é apenas chegar aqui, me dizer do que precisa que eu irei atendê-lo?!

– Não. Por isso eu vim. Para negociar. – explica, o que deixa a mulher de cabelos dourados surpresa. – Eu gostaria que você visse o futuro do nosso filho, e nos ajude a, de alguma maneira, protege-lo, pois eu sei que ele corre perigo.

– E o que eu recebo em troca?

– Não sei. Minha fortuna. Minha ajuda com os arcanjos que estão atrás de você.

– É isso que você pode me oferecer? Apenas isso, Patch? – diz com olhos espertos enquanto acaricia o nome de meu pai em sua boca.

Ele permanece calado. Sem fala.

– Pensei que fosse mais criativo.

– É tudo o que posso oferecer, Dabria.

– Não quero o que me ofereces.

– Mas é o que eu posso oferecer.

– Então, não temos acordo algum.

Minha mãe até então calada, se meche desesperada em seu lugar.

– Por favor! Por favor, faça algo. – pede chorando.

– Ohh – diz Dabria – que pena. Eu até faria, Nora. Mas há um preço.

– Qual é o seu preço? Me diga e o pagarei.

– Quero o seu marido. Apenas para mim. – diz lentamente, prolongando a dor.

Minha mãe se estatela, e meu pai está assustado.

– Vamos! Estou aguardando a resposta.

Meu pai se aproxima de minha mãe e lhe sussurra algo. Em seguida se abaixa e beija o topo da cabeça da criança e beija também os lábios de minha mãe. Um beijo ardente. Um beijo de despedida.

– Estou pronto. – diz para Dabria que sorri triunfante com seu rosto emoldurado pelos longos cabelos.

O sonho imediatamente muda de tempo e lugar.

Minha mãe aguarda com o bebê nos braços em um beco escuro. Logo ela escuta passos, e meu pai surge do outro lado. Preocupados ambos.

– Este é um péssimo local de encontro – diz enquanto confere se não há ninguém por perto. – Como ele está? – diz preocupado.

– A febre não quer abaixar. E ele está inquieto. – para enquanto olha para a criança que dorme em seu colo. – Oh, Patch. Será que já está começando? Será que ele já está ficando doente? – diz afundando-se no tórax do homem que ama. – Eu não quero perder o Harry.

– Nós não iremos perdê-lo. Eu juro a você. Mas seria impossível estar começando. Dabria foi clara. Ela disse que apenas na adolescência.

– Mas e se ela tiver errado? Se estiver começando antes? – argumenta entre soluços.

– Então irei falar com ela.

– Falar com quem? – diz uma voz que os assusta. A voz de Dabria.

– Preciso falar com você. – diz meu pai. – Eu acho que está começando. Preciso que me diga a cura.

– Você quebrou o nosso acordo. Não imagina o quanto estou com raiva.

– Por favor, me entenda. Eu precisava.

– Não, Patch! Você não precisava! – explode. – Você “não” precisava ter ido para essa nefilim! Não precisa tê-la salvado de Chauncey! Não precisava ter me deixado!

Todos permanecem silenciosos e assustados. O bebê se acorda com o barulho, e minha mãe o aperta mais em seu corpo.

– E por culpa de vocês, essa criança vai sofrer. Culpa de vocês. – ameaça.

– Não. Por favor. Ele é inocente. Não tem culpa nisso. – implora a minha mãe.

– Mas vocês têm.

Dabria sorri, e então volta a falar:

– Você me pediu a cura. Pois irei lhe dizer. Essa criança – diz com desgosto – viverá por um tempo, mas ao atingir a maioridade de anjo, os 16 anos, seu corpo começará a se rejeitar. O sangue de anjo caído e nefilim não podem estar no mesmo corpo. Assim essa criança será um hibrido. A única cura será uma menina humana. Ela é filha de anjos, que se tornaram caídos ao tentar serem humanos, mas possui o sangue de anjo puro. Sacrifiquem ela, e deem ao seu filho o sangue dela. Mas lembrem-se: isso precisa ocorrer na hora certa, e caso a menina tenha sentimentos nutridos pelo seu filho, a cura não funcionará. E há a possibilidade de tudo ser mentira. Boa sorte. – diz e vira-se para ir embora, como se tivesse vindo apenas para devolver um lápis.

Acordo-me molhado de suor com os lençóis grudando em meu rosto molhado. Me levanto para tirar a camisa e soltar-me dos lençóis, e encontro uma pena preta ao lado de onde eu estava deitado.

Escuto passos na escada, e com a pena na mão corro para encontrar meus pais.

Eles estão rindo. Acabaram de chegar.

– O que é isso? – pergunto mostrando-lhes a pena.

– Você sabe o que é. Para quê quer isso? – pergunta o meu pai ainda rindo.

– Eu que pergunto. Por que isso estava em minha cama?

– Merda. – xinga.

– Começou. – diz a minha mãe assustada.

– O que? – pergunto.

– Onde está a outra pena?

– Só havia essa. – digo a meu pai.

– Merda. – diz de novo.

Notas finais
Gostaram? Eu queria agradecer a Jéss mS que foi a primeira a favoritar incógnita e quando eu vi fiquei muito feliz. Obrigada, viu? xxxx extras para você!