Incógnita
11 10. Festa!
Notas iniciais
Os dias rapidamente se passaram, seguindo sempre a mesma rotina: acordar, escola, restaurante, casa, tarefas, dormir. Já havia me acostumado com tudo aquilo, e logo já era sexta-feira, assim poderia relaxar no fim de semana.
– Festa hoje à noite. – disse Jasmine interrompendo uma conversa entre mim e Ísis sobre o assunto da prova de história. – Vai ter uma batalha de bandas em um pub e essa é a melhor maneira de dar boas vindas à Ava!
– Não sei se vou poder ir. – disse – Estou muito cansada, e queria dormir mais cedo hoje. Além de que os testes já estão começando e eu estou atrasada por isso eu preciso começar a estudar.
– Ah, vamos Ava. – disse Ísis – Não seja sem graça. Nós vamos à festa e pronto.
– Eu não tenho roupa para vestir. – repliquei.
– Não tem problema. 19 horas você vai para a minha casa e escolhe uma roupa minha. – disse Ísis enquanto comparava os nossos tamanhos pelo olhar que eram incrivelmente semelhantes.
– Ok, já que eu não tenho outra opção. – rendi-me, e Jasmine abriu um largo sorriso.
– Ótimo!
Quando o sinal tocou, eu e Ísis nos dirigimos para a aula de história e Jasmine para a sua aula de biologia, muito alegre por sinal, praticamente saltitando no meio do corredor.
***
– Que tal esse vestido rosa? – perguntou Jasmine tirando um dos vestidos de Ísis do guarda-roupa dela.
Quando saí do restaurante fui diretamente para a casa de Ísis, que não ficava muito longe, apenas duas quadras de distância. Quando cheguei ao endereço que ela havia me dado parei diante de uma casa marrom com algumas colunas brancas que tiravam a tenuidade causada pela cor escura, na varanda havia um balanço de metal com um estilo bastante rústico e as janelas eram de madeira escura, assim como a porta aumentando a rusticidade do lugar.
A entrada era muito convidativa e o jardim era incrível. Imaginei o tempo que o pai de Ísis gastava para aparar a grama e os arbustos.
Já o quarto de Ísis era bastante moderno, contrastando com a rusticidade da entrada. A parede oposta à porta, onde ficava a janela de vista para o jardim, era lilás, e nessa mesma parede ficava a escrivaninha com alguns livros e um notebook além do guarda-roupa no canto, essa parede se encontrava com a parede que levava a uma porta, o banheiro, do lado esquerdo. Já na parede do lado direito ficava a cama, e ao lado da cama duas poltronas. No meio do quarto, um lustre pendurado.
Assim que cheguei pedi para ligar para Irina e tivemos uma breve conversa:
– Oi Irina. Eu vim para a casa de Ísis. Espero que não seja algum problema.
– Nenhum problema, Ava. Mas qual é a ocasião?
– Bem, isso eu ia lhe perguntar. As meninas estão indo para uma festa e me chamaram. Tudo bem?
– Claro que tudo bem! Pode ir. Só não volte muito tarde.
– Bem, tem outra coisa. Eu estava pensando em dormir aqui.
– Nossa. Já? Tudo bem então.
– É que nós vamos com o carro da mãe de Ísis, e fica mais fácil eu dormir aqui.
– Ok, então...
– Certo. Então já vou indo. Vou escolher a minha roupa. Mande um beijo para Anne.
– Mandarei. Tome cuidado.
Então eu desliguei e passei a ser o manequim de Ísis e Jasmine.
– Hein Ava?
– Oi?
– Qual vestido você prefere? O rosa ou o azul? – perguntou Jasmine.
– Sei lá. Não seria melhor eu experimentar e ver como fica?
– Toma – disse Ísis me dando o vestido e me empurrando para o banheiro – Quando vestir saia que eu quero ver como você ficou.
– É, eu também quero ver! – disse Jasmine antes que eu fechasse a porta.
Experimentei primeiro o vestido rosa que estava na frente. Ele parecia ser simples, mas na parte do busto havia uma espécie de babados. Vesti e ele parecia ter ficado bom. A saia do vestido tinha pregas e como era de um tecido fino ele dava bastante movimento. Mas não me agradei com a cor dele. Era muito rosa. Saí para que as meninas pudessem ver.
Elas pareciam ter tido o mesmo pensamento que eu: a cor do vestido não combinava com a minha pele. Já com a de Ísis ele deveria ficar perfeito.
– Vocês gostaram? – perguntei.
– Acho que ficaria melhor se fosse de outra cor. – disse Ísis.
– Concordo. Se fosse como a cor do outro vestido, ou um verde musgo, talvez ficasse melhor. – concluiu Jasmine. – Bem, então vá experimentar o outro vestido. – disse praticamente me enxotando do quarto.
Tirei rapidamente o vestido rosa pela cabeça e o pendurei para pegar o vestido azul.
Ele tinha um corte mais curto na saia da frente – mais necessariamente acima dos joelhos – e ia ficando mais longo, formando uma cauda que com certeza dava movimento. Ao contrário do vestido rosa, o azul tinha alças que seriam muito úteis na hora de dançar. Vesti-o e ele ficou perfeito em meu corpo. Peguei o cinto dourado que Jasmine tinha me dado e o passei pela cintura, definindo-a.
Eu não sou de viver e respirar a moda como Jasmine – ao contrário dela eu não sou obcecada – porém aquele vestido me fez sentir deslumbrante. E quando saí do banheiro as meninas concordaram.
– Ótimo, você já está pronta. Só falta um sapato alto, bolsa e acessórios. – disse Jasmine.
– Eu tenho um sapato que eu acho que você vai gostar. – disse Ísis indo no sapateiro e encontrando um sapato alto preto com tachas, mas eram poucas, logo o sapato não ficava agressivo, apenas o suficiente para quebrar o romântico do vestido. Calcei o sapato e ele era bastante confortável, e quando olhei para baixo percebi que o corte do vestido mais o sapato alto me deixavam com pernas mais longas.
– Perfeito! – comemorou Jasmine enquanto me passava um par de brincos e uma pulseira de pérolas. – Pronto, agora você está pronta. Está na hora da maquiagem. – ela pegou uma maleta e me fez sentar numa cadeira para que ela pudesse me maquiar.
– Nada muito exagerado, por favor!
– Não se preocupe. A única coisa que vai exagerar é a sua beleza! – e ela começou a me maquiar e eu obedecia a cada ordem que ela dava. Quando terminou Ísis já estava pronta usando um vestido com a parte de cima branca e com apenas uma alça e a parte da saia era preta, divididos por uma faixa dourada e brilhante. Ela me entregou uma bolsa bege e só então eu pude me olhar ao espelho.
Eu realmente estava deslumbrante! E a maquiagem estava perfeita: uma sombra dourada com a definição de um lápis ao redor do olho e um olho estilo gatinho, um batom rosado e a minha pele estava no tom certo nos lugares certos. O cabelo estava agora com os seus cachos das pontas definidos graças à ajuda de um babyliss.
Eu começava a sentir o vazio sendo preenchido. Dei um abraço nas meninas.
– Obrigada. Vocês duas.
– Por nada, Ava. Vamos agora é a vez de eu me arrumar! – disse Jasmine.
***
Após 30 minutos Jasmine estava, em fim, pronta. Então fomos para a festa, Ísis dirigindo, Jasmine na cadeira do passageiro e eu sozinha no banco de trás.
Passamos por algumas ruas iluminadas apenas pelos faróis do carro, sempre entrando mais na cidade, até chegar a um pub que parecia estar fervendo. Uma boa música tocava em um volume muito alto e uma grande quantidade de pessoas aguardava na fila para pagar a entrada.
Fizemos como todos que chegavam e fomos para a fila. Após quinze minutos em pé com salto alto compramos as nossas entradas.
Assim que entramos fomos contagiadas pela música que tocava e começamos a dançar. Jasmine encontrou alguns amigos e veio nos apresentar.
– Gente essa é a Sarah. Sarah essas são Ísis e Ava. – disse ela apontando para uma menina loira e de olhos azuis.
– Tudo bem? – perguntou Sarah sorrindo. – Eu vou chamar o meu namorado para se juntar a nós. – disse enquanto partia para a multidão.
– Vocês querem alguma bebida? – perguntei as meninas, mas ambas disseram que não. Então fui para o bar e comprei uma Coca-Cola. Assim que me virei com a lata na mão alguém trombou em mim, fazendo metade do conteúdo da lata do refrigerante cair no chão e nos sapatos que eu usava.
O fato de ter perdido o refrigerante já causava certa revolta.
– Desculpe-me. – disse o garoto.
Inacreditável! O fato de ele ser o responsável por eu perder o meu refrigerante, me revoltava ainda mais.
– Não acredito.
– Ah. Olá Ava. Tudo bom? Está se divertindo? – perguntou Harrison.
– Oi. Bem estava. Mas você me melou toda, e me fez perder o meu refrigerante!
– Desculpa. Eu não tinha visto você. – explicou-se.
– Da próxima vez, olhe por onde anda!
– Okay, okay. Mas não precisa ficar nervosinha – “NERVOSINHA”? EU?! – Eu compro outro refrigerante para você se esse é o problema.
– Bem, pelo menos isso você poderia fazer.
– Que bom que você aceitou, ao menos, uma coisa que lhe digo. – disse puxando a minha mão que não estava grudenta para ir ao bar.
Ele pediu uma coca e se sentou em um dos banquinhos, e ficou aguardando que eu me sentasse também. Assim o fiz.
– Me desculpe. – disse a ele quase em um cochicho.
– Pelo quê? Se eu que derramei refrigerante em você?
– Eu acho que estou sendo muito grossa com você.
– Pois é. Eu concordo! – disse em um meio sorriso.
– É que você me deixa confusa. Não sei!
– Confusa?
– É! Sei lá! Mas é como se eu precisasse me afastar de você, mas estamos ficando cada vez mais próximos, e eu acabo sendo grossa para me afastar de você. – pensei – Acho que é isso.
– Mas por que você se afastaria de mim?
– Porque você tem um jeito intimidador e perigoso.
– Hum... Você acha?
– Talvez. Não sou especialista nisso.
– Que bom, então.
– Você é muito engraçadinho.
– Você acha?
– Você acha que conseguiria me confundir menos?
– E eu estou lhe confundindo? – disse pasmo, mas com um tom de ironia por trás da voz.
– Sim, você está. – admiti, o que fez ele rir.
– Ok, então eu parei.
– Bom.
– Que tal sermos amigos? – perguntou estendendo a mão direita – Assim poderíamos nos aproximar sem você pensar que eu sou algum vilão.
– Tudo bem. Desde que haja um limite. – disse estendendo também a minha mão direita.
Após algum tempo perguntou:
– Se agora somos amigos – ele disse com um sorriso malicioso – vamos dançar um pouco?
– Na verdade eu não posso. – disse deixando ele em dúvida – Eu disse que logo voltaria para as meninas, e elas estão me esperando agora. Então eu preciso ir. – expliquei enquanto me levantava – Quem sabe outra hora? – falei antes que ele não pudesse me escutar e fui ao encontro de Jasmine e Ísis.
– Nossa! Você demorou! – reclamou Ísis.
– Onde está Jasmine? – perguntei já que Jasmine não estava com ela.
– Ela arranjou um parceiro para dança. – disse apontando para o centro do salão onde estava Jasmine e um rapaz moreno dançando ao ritmo da música.
– Ele parece ser bonito.
– Com certeza que ele é! Bem, por que você demorou tanto?
– Ah, você nem sabe!
– Claro que não. Você não me contou.
– Ok. Eu me encontrei com Harrison.
– Mas dessa vez você não está com raiva?! Milagre!
– No começo eu estava. Ele derrubou meu refrigerante, mas então eu me acalmei e ele comprou outro para mim.
– Ah... – lamentou Ísis – Parece que só eu não encontro um par para dançar.
– Que história Ísis! Vamos! Eu serei o seu par. – disse enquanto puxava ela para o centro da pista.
Dançamos cerca de três músicas, mas então era hora de começar a batalha de bandas e fomos buscar uma mesa para que pudéssemos descansar.
– Oi Ava. Enfim você voltou. – disse Jasmine ocupando a cadeira da minha frente.
– Faz tempo que estou aqui. – comentei – Quem era o seu amigo? – disse apontando para o lugar em que antes ela estava dançando na companhia de um garoto.
– Era o David.
– E de onde você o conhece?
– Daqui. Ele me viu sozinha e me chamou para dançar.
– Na verdade, você não estava sozinha! Eu estava com você. – protestou Ísis.
– Que seja! Ei, onde está Sarah?
– Ela disse que ia chamar o namorado e ainda não voltou. – falei.
– Ah, ela está vindo ali! – apontou Ísis para um lugar atrás de mim.
– Oi gente! – disse Sarah – Desculpa a demora. Nós encontramos uns amigos.
– Sem problema – disse Jasmine enquanto analisava o namorado de Sarah.
– Este é o Tyler. – disse Sarah apontando para um rapaz com cerca de 17 anos, musculoso e com um ar sombrio. – Tyler, estas são Jasmine, Ísis e Ava.
Os olhos do rapaz acompanhavam cada rosto que era apontado, mas quando ele parou em mim ele parecia temer algo.
– Olá meninas! – disse tentando disfarçar o que acabara de acontecer.
Notas finais
----- xoxo
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