Inalcançável
1 Inalcançável - Capítulo Único
Notas iniciais
Estou procrastinando faz uma semana pra postar isso aqui... agora vai!
oneshot bem suavezinha, com ponto de vista da Sarada. Obviamente eles "crescidos".
Revisei, mas se tiver algum erro ortográfico, por favor me avisem.
Tem uma leve insinuação de sexo, se não gosta, não leia.
Boa leitura!
Capítulo Único
Cada vez que eu fecho meus olhos, são seus olhos que eu vejo.
"Por que tinha que ser ele?"
Perdi a conta de quantas vezes me peguei fazendo essa mesma pergunta.
Nós crescemos juntos, estudamos, aprendemos, lutamos... sempre juntos. Nem sempre por escolha nossa, às vezes simplesmente acontecia de ele estar ali. Comigo.
Eu nunca o tinha visto como "alguém a mais", aos meus olhos ele sempre foi o estúpido Boruto. Habilidoso, mas despreocupado. O cara que se atrasava para as missões e me deixava esperando.
E eu sempre estava... esperando. Só não sabia pelo que.
A minha ficha caiu em uma noite qualquer.
Depois de uma missão não tão difícil, lá estávamos nós comendo hamburguer no mesmo lugar de sempre. Quando digo nós, me refiro ao time 7, incluindo o Konohamaru.
Tudo estava indo bem. Harmoniosamente bem. Até a Sumire entrar pela porta.
Por favor não pense que eu a odeio. Ela sempre fez parte do meu círculo de amigos.
Mas não vou mentir que ver ela abraçar o Boruto por trás me incomodou. E incomodou muito.
Não sei se foi essa imagem tão íntima deles que abalou o meu mundo, ou o que veio depois.
— Boo-ru — ela disse, dando ênfase na primeira sílaba do nome dele. Delicada, como uma princesa.
E o idiota sorriu. Como eu nunca tinha visto antes.
— Mire — respondeu, deslizando as mãos pelos braços dela.
Subitamente achei que eu fosse vomitar. Ou morrer. Talvez vomitar e depois e morrer.
Aquilo tinha acabado com o meu humor.
Não demorou para que o casalzinho saísse dali, fazendo planos em sussurros.
— Tch! — escapou de meus lábios sem que eu nem percebesse. Meu lanche quase virando uma farofa na minha mão, de tanto que eu o apertava.
Konohamaru me olhou meio de lado, sua expressão denunciava que ele tinha alguma suspeita sobre mim, mas não disse nada. O que eu apreciei.
O problema foi o Mitsuki. Sempre fazendo comentários desnecessários.
— Sarada, parece que está com ciúmes — os olhos amarelados tinham um misto de sátira e desconfiança.
Revirei os olhos. Quem era ele para insinuar algo. Declaradamente ele era afim do Boruto. O sol dele. Todo mundo sabia.
— Quer saber? — levantei-me, pegando as minhas coisas — Vou nessa.
Caminhei por Konoha sem a mínima pressa naquela noite. Apenas refletindo sobre aquele episódio indesejado. E sobre o que eu tinha sentido.
Os dias seguintes foram torturantes. Muito treino pesado, missões e cansaço.
Como o destino parecia querer bater na minha cara com força, Boruto começou com um novo hábito que não me ajudava em nada: Após os treinos ele tirava a camiseta. E cara, a intensidade dos treinamentos tinham feito um ótimo trabalho. Que visão divina.
Por vezes me sentia uma tarada pervertida, secando ele. Era inevitável. E Mitsuki sempre tirando sarro de mim por isso. Um saco. Como se ele não fizesse isso também.
Quanto mais eu pensava sobre isso, mas sentia que a coisa se intensificava. E eu começava a perder o controle.
Vez ou outra via ele com ela. E doía. Cara, doía absurdo.
Como medida de autopreservação eu evitava tocá-lo. O que ele pareceu notar, e era visível que isso o intrigava. Boruto sempre foi muito tátil, era natural da personalidade dele.
A gota d'água foi em uma missão de resgate. Uma emboscada. Saímos muito ferrados, meus punhos arrebentados de tanto socar o chão.
Ele veio até mim com a poderosa pomada do clã Hyuuga.
— Deixe-me te ajudar — disse, com a voz rouca. A centímetros de tocar a minha mão.
— Não! — rebati, o tom mais alto do que eu gostaria — Mitsuki pode fazer isso — olhei na direção do albino, que mesmo resistente veio ao meu encontro.
— Entendi — Boruto disse, entregando a lata para o nosso companheiro de time e saindo. A mágoa era evidente nos olhos dele.
— Que malvada, Sarada — Mitsuki comentou, sorrindo maliciosamente — Assim vai afastá-lo.
— Eu sei — talvez a minha voz tenha saído mais embargada do que deveria.
Naquele instante eu percebi que precisava de um tempo. E foi quando eu pedi um afastamento.
••
As batidas na porta eram insistentes.
Sentei na cama, passando as mãos no rosto. Coloquei meus óculos e olhei para o relógio, passava da meia-noite.
Levantei e caminhei na direção da entrada. Minha mãe estava de plantão no hospital e meu pai fora de Konoha em missão, pra variar.
— Estou indo — avisei enquanto destrancava a fechadura da porta e a abria.
E ali estavam. Os olhos azuis que me destruíam.
O ser divino que me tirava o sono me encarava, com expectativa.
— Boruto? — minha voz saiu mais melodiosa do que eu imaginei. Há dias eu não o via, a saudade era grande demais — Aconteceu alguma coisa?
Ele riu com desdém, atípico vindo dele.
— O que você acha? — passou por mim, adentrando em casa. Algo não parecia normal. Fechei a porta atrás de mim — Não consigo mais ficar assim Sarada, preciso saber por que está me evitando. Essa distância já está me enlouquecendo.
Foi então que eu notei um leve cheiro de alcóol invadindo o ambiente.
— Você bebeu? — desconfiei.
— Um pouco — assumiu, mais uma vez aquele olhar avassalador — E aí? O que está acontecendo?
Eu não sabia o que falar.
— Se eu te fiz algo, me diga. Vamos resolver.
Ver ele tão sério assim fazia meu corpo estremecer. Eu não sabia explicar, parecia tão... convidativo. Meu coração estava acelerado, e as palavras simplesmente não vinham. Mesmo que eu quisesse formular uma frase, perdia o raciocínio.
— Além do mais — ele continuou, um pouco relutante — Às vezes a forma como você me olha... não parece muito certo.
"Fim de jogo". Ele tinha percebido.
— Sarada...
— Você não entenderia — desviei o olhar, não queria encarar aqueles olhos azuis.
— Me explica. Não sou tão idiota que não vá compreender.
Voltei minha atenção para ele. O peito subindo e descendo embaixo da camiseta branca, mais rápido que o normal. Os cabelos loiros, parcialmente desalinhados. Os olhos mais azuis que eu já tinha visto na minha vida.
Caramba, ele era perfeito demais.
Era demais pra mim.
Eu não merecia tanto... mas eu sabia que queria. E sabia o quanto queria.
"Uma única vez me basta". Mesmo sem querer, pensei.
A súbita vontade se aprofundou em mim, quando meus olhos se voltaram para seus lábios entreabertos. Se eu seria uma cretina traidora, eu o faria do melhor jeito.
Se fosse pra me declarar... seria na brutalidade.
Três passos nos separavam. Três passos que eu eliminei em segundos. Ele assistiu enquanto eu caminhava até ele, determinada a fazer a coisa mais audaciosa da minha vida. E a mais estúpida.
Meus braços se entrelaçaram em seu pescoço e meus lábios se juntaram aos seus. Esperei pelo choque vindo dele, mas não teve nenhuma resistência, pelo contrário. A aceitação foi instantânea.
Minha nossa, ele queria.
Sua língua invadiu a minha boca com voracidade e destreza. Os braços fortes que eu andara observando nos últimos dias envolveram a minha cintura com vontade.
Cara, ele mandava bem.
Eu tinha plena consciência da roupa que estava usando. Uma camiseta enorme do meu pai que me servia de camisola, apenas. Sim, apenas.
Soltei um gemido involuntário quando me senti batendo as costas na parede. E ele colado em mim. Com força.
Era surreal aquele momento.
Eu queria ele na minha cama. Em cima de mim. Sem nada.
Cacete Sarada. Sua vagabunda, ele é comprometido!
Meus dedos se afundaram nos cabelos loiros, enquanto seus lábios desceram para o meu pescoço.
A essa altura sua jaqueta já tinha ido para o chão, junto com a camiseta branca.
"Vai acontecer". Assumi. "É errado, mas vai acontecer".
Fechei os olhos. Ele pode ser dela, mas aquele momento seria só meu.
E foi.
Intenso, quente, envolvente. Beijos selvagens, toques luxuriosos, carícias provocadoras. Minha cama protestava com a intensidade da movimentação em cima dela, rangendo constantemente.
Me surpreendi com o sadismo dele, a dominância que eu não imaginava que existia. E eu, sempre durona e briguenta, fui completamente submissa.
••
O quarto estava quente. Já era de manhã e o sol entrava pela janela generosamente.
Eu o olhava. Muito. Obsessivamente.
Ele ainda dormia, um braço esticado embaixo de mim e o outro dobrado embaixo do próprio pescoço. Estava encostado na parede, já que a minha cama era de solteiro.
Soltei um breve sorriso, parecia bem desconfortável.
Eu queria tocá-lo, mas tinha medo que acordasse. Não queria que aquele momento acabasse.
Uma dor se instalou no meu peito, logo iria acabar.
— Por que me olha tanto, Uchiha Sarada?
Eu sorri.
— Como sabe? — questionei, ele mantinha os olhos fechados.
— Consigo sentir.
Uau. Que incrível.
— E não faz muito o seu tipo — ele completou.
— O quê?
— Ficar me admirando.
Eu poderia dizer que era egocentrismo da parte dele, mas sabia que não era. O jovem Uzumaki Boruto queria saber como eu me sentia, era evidente.
Minha mão tocou sua face, em um movimento suave e carinhoso.
— Eu não imaginava que aconteceria assim — confessei.
— Eu nunca imaginei que aconteceria — a sinceridade dele era tudo pra mim. Ele sempre foi assim, e eu amava isso.
Nossos olhares se encontraram, e permanecemos em silêncio por um tempo.
— Me desculpe — eu disse por fim, sentindo a culpa me dominando — Eu traí a Sumire, e traí você também.
— Por que acha isso?
— Vocês estão juntos, e eu que me insinuei pra você. Além do mais, você estava bêbado.
Foi a vez dele acariciar o meu rosto.
— Meu lance com a Sumire não é nada sério. É casual — deu um breve intervalo de tempo, apreensivo — E físico. Eu confesso que ontem eu bebi, mas não estava bêbado.
Meu coração acelerou.
— Tudo o que fiz foi bem consciente, Sarada.
Não houve malícia, nem nada do tipo. Aquele era apenas o Boruto sendo sincero.
— Me resta saber agora se você vai querer levar adiante.
"Que maturidade". O pensamento me invadiu, certeiro. Eu sabia que jamais veria ele da mesma forma de novo.
— E aí? — prosseguiu — Vai me assumir?
O que eu acreditava ser inalcançável, se moldava de uma forma bem diferente aos meus olhos. Uma inusitada mudança no vórtice da minha vida se aproximava, e eu queria aquilo mais do que tudo.
O menino que cresceu ao meu lado, acabara de se tornar o homem que queria ficar comigo.
E pra valer, eu faria acontecer.
— Sim!
Nós faríamos acontecer.
Notas finais
Agradeço se tiver Feedbacks!
Estou pra postar uma [NALU - FT] em breve, se gostar da minha escrita e se interessar, fique de olho!!
Meu blog: https://brok-enn.blogspot.com/
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Obrigada por ler!
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