Inalcanzable

14 Capítulo 12


Notas iniciais
Nesse não tem muita coisa... Enfim, boa leitura!

28 de Abril – Sábado

POV. German

– Senhor, os alunos e seus pais já estão aqui. – Pablo disse entrando em minha sala. – É para mandar entrar todos ou o senhor vai conversar com um pai de cada vez?

– Um pai de cada vez. Chame o Mascarenhas e seu pai.

– Tudo bem. – Pablo saiu e logo voltou com o Gustavo e o pai dele. Eles entraram e Pablo fechou a porta. Eu me levantei e cumprimentei o pai dele.

– Sentem-se, por favor. – Eles se sentaram e eu me sentei. – Desculpe incomodá-lo, senhor Mascarenhas, eu não o faria se não fosse realmente sério. – Eu o olhei sério e ele lançou um olhar reprovador ao filho. – Na madrugada de hoje, eu peguei o seu filho e os colegas fazendo uma festinha no terraço do prédio masculino. – Mostrei as fotos. – Seu filho alterou-se e me deu um soco. – Eu apontei o machucado na minha boca.

– Desculpa, senhor Castillo, mas o meu filho pode ter alguns problemas de disciplina – e olhou o garoto mais uma vez, reprovando-o – mas jamais bateria em alguém.

– E eu jamais inventaria algo do tipo. Eu posso chamar os alunos para confirmarem, senhor, eles presenciaram tudo. – Gustavo deu uma risadinha.

– É, pai, chame a namoradinha dele, ela vai confirmar. – Eu o olhei sério.

– Como assim? – O senhor Mascarenhas indagou.

– Foi exatamente por isso que ele me bateu. – Eu olhei para o pai. – Ele insinuou que eu estou tendo um caso com uma aluna e eu o fiz provar, ele não conseguiu provar e alterou-se, me dando o soco. O senhor quer que eu chame os alunos para confirmarem?

– Não precisa, senhor Castillo. O que acontecerá com ele?

– Eu sinto muito, senhor, mas eu terei de expulsá-lo. Eu não admito agressão nessa escola. Sem contar que o que agrava ainda mais a situação dele é que ele é um dos que trazia bebida. – O pai suspirou decepcionado, confesso que não queria estar em sua pele. O garoto apenas olhava para baixo.

– Tudo bem, senhor Castillo. – Disse levantando-se e estendendo a mão para me cumprimentar.

– O senhor Galindo vai levá-lo para assinar os papéis referentes à expulsão. – Eu me levantei, cumprimentando-o. – Sinto muito, senhor. – E eles saíram.

E assim passou a manhã. Os pais saíam decepcionados da minha sala e eu não evitava pensar que se um dia Violetta fizesse isso comigo, eu ficaria muito mal. Eu estava chateado com os alunos, não eram alunos ruins. Não os expulsei porque não julguei necessário mas todos foram suspensos por uma semana e Daniel ainda recebeu uma advertência. Faltava ainda conversar com o pai da Angeles. Eu ia ficando mais nervoso à medida que as horas iam passando e o encontro seria inevitável. A culpa estava me correndo. Como eu conversaria direito com o homem, já tendo tocado a filha dele como eu toquei na noite anterior? Chegou o momento. Pablo abriu a porta e o homem entrou puxando Angeles pelo pulso. Quando eu o olhei senti uma coisa ruim, como se eu já conhecesse aquele homem. Ela entrou de cabeça baixa e o homem a olhava com os olhos estreitos. Eu me levantei e estendi a mão para cumprimentá-lo, ele ficou parado me olhando e sentou-se, Angeles olhou-o com raiva.

– Desculpe incomodá-lo, senhor. – Eu disse sentando-me.

– O que essa garota fez? – Perguntou da maneira mais seca possível, como se estivesse falando sobre uma garota qualquer e não sobre a filha dele. Eu a olhei e quis abraçá-la. Ela estava de cabeça baixa e visivelmente com um pouco de medo. Eu suspirei.

– Eu... – E voltei a olhá-lo. – Desculpe, qual seu nome?

– José Vitor Carrara. – Aquele nome não me era estranho.

– Nós nos conhecemos de algum lugar? O senhor não me é estranho.

– Não. – Ele me olhava sério. – Pode dizer logo o que aconteceu?

– Ah sim, desculpe. – Eu suspirei. O homem já estava nervoso por estar ali. – Antes eu só queria dizer que semana passada, quando eu pedi para que o senhor viesse à escola urgentemente, era porque Angeles havia apanhado de três alunos. – O homem pareceu não ligar.

– Ela deve ter merecido. – Eu franzi o cenho e lancei um rápido olhar à Angie. Que tipo de pai era aquele? Aquilo estava me incomodando.

– Não, ela não mereceu. – Eu disse firme olhando-o e Angeles me olhou por alguns segundos.

– Tudo bem, agora diz o que ela fez? – Ele realmente não se importou. Eu suspirei de novo.

– Eu... Eu a encontrei no terraço masculino – O homem já olhou feio para Angie, eu fiquei com receio de continuar. – fazendo uma festinha com os amigos. – E mostrei as fotos com muito receio. O homem olhou-as e rapidamente se levantou puxando Angeles, fazendo-a se levantar e com ela, eu também. Ele estava parado de frente para ela, fulminando-a com os olhos. Eu sucumbi à raiva ao ver o que ele fez em seguida.

– SUA VAGABUNDA. – Ao dizer isso, deu um tapa forte no rosto de Angie. Sem pensar, eu saí de trás da mesa, o peguei pelo colarinho e o pressionei contra a parede. Eu não o deixaria falar assim com ela. Angie foi até a porta e chamou o Pablo. Eu o olhava cego de raiva e, de repente, ao olhar profundamente dentro dos olhos dele, eu percebi.

Na noite em que Maria morreu, eu estava com ela. Havíamos acabado de sair de um restaurante quando um homem encapuzado, apenas com os olhos à mostra, nos parou e pediu tudo o que nós tínhamos, eu me recusei a dar e então ele me deu uma coronhada, eu caí no chão. Ele tentou puxar a bolsa da Maria, ela o entregou. Sim, ela o entregou, e mesmo assim, com toda a frieza do mundo, aquele homem a deu um tiro e saiu correndo. Maria caiu no chão sem vida. Eu fiquei de joelhos no chão ao lado dela, tentando reanimá-la e nada. Desde aquele dia eu jurei me vingar. O homem havia deixado cair um papel ao sair correndo e, com aquele papel, eu comecei a minha busca. Cinco anos de uma incessante busca e agora ele estava parado em minha frente. Eu estava em transe, não sabia o que fazer.

– Senhor – O Pablo disse parando na porta da sala, eu não liguei. – SENHOR. – Se aproximou. Eu o olhei e depois voltei a olhar para o homem à minha frente, logo o soltei. Me virei, fui até minha mesa e sentei, sem encarar ninguém. Eu estava cego de raiva e completamente em choque. Angie e Pablo ficaram me olhando.

– Desculpe. – Eu disse após me recompor. Eu não queria suspender Angie, tive medo do que aquele homem ia fazer com ela assim que botassem os pés dentro de casa, mas eu não tinha uma desculpa boa para não suspendê-la, todos perceberiam o que se passa entre nós. – Sua filha será suspensa por uma semana. – Quando a olhei sério, notei uma lágrima escorrendo. Meu coração palpitou, eu queria protegê-la mas não podia fazer nada. O homem saiu da sala, Angie abaixou a cabeça e o seguiu.

Quando eles saíram, a primeira coisa que eu fiz foi pegar a minha bolsa e fuçar dentro dela para achar uma outra pastinha onde havia tudo o que eu sabia sobre aquele homem. Eu a encontrei e a abri, havia uma foto dele lá dentro mas eu não o reconheci de imediato pois na foto estava um pouco diferente. Pablo ficou me olhando.

– Senhor Castillo, está tudo bem?

– Sim, Pablo. – Eu murmurei sem tirar os olhos da pasta. – Chame o Ramalho, por favor. – Pablo saiu em busca do Ramalho. Ramalho sempre foi o meu amigo e depois da morte da Maria, eu descobri que ele era o único. Era o único que sabia sobre o meu plano de vingança, embora não estivesse de acordo. Ele ainda não sabia sobre a Angie mas porque isso ninguém poderia saber.

– German. – Ramalho entrou na sala, fechou a porta e sentou-se em minha frente. Eu não tirava os olhos da pasta. – O que aconteceu? Você está vermelho!

– É raiva, Ramalho. Raiva. – Eu o olhei sério e joguei a pasta em cima da mesa. Ele pegou a pasta e a olhou.

– Eu já sei que você descobriu sobre ele e você sabe o que eu penso sobre isso. – Ramalho me olhou por cima dos óculos. Eu suspirei.

– Não é isso.

– Então o que é?

– Ele é o pai de uma aluna. – Ramalho surpreendeu-se. – E não é de uma aluna qualquer.

– É pai de quem? – Ramalho estranhou porque sabe que eu não faço diferença entre os alunos. Não fazia.

– Angeles Saramego, a aluna no...

– Eu sei quem é, German. E o que ela tem de especial? – Ele me olhou ainda mais sério, eu desviei o olhar e suspirei. Ele abriu a boca como se já tivesse sacado. – Então é verdade o que andam comentando? – Eu o olhei e continuei quieto. – É verdade, German? – Eu suspirei e olhei para baixo. – Meu Deus, o que está acontecendo com você? Você sabe que já não é adorado pelos alunos e por alguns funcionários e ainda dá motivos para falarem. Você está louco, meu amigo? Ela é uma aluna, German, uma alu...

– Eu sei, Ramalho, eu sei. Eu sei disso tudo. Não preciso de sermão. – Eu disse firme e o olhei sério. – Eu tentei evitar – Suspirei e olhei para baixo – mas não consegui. – Murmurei. Ramalho recostou-se na cadeira perplexo.

– Você está apaixonado? – Eu o olhei e assenti, ele suspirou.

– Meu Deus, German...

– E agora, para agravar muito mais a situação, descubro que o pai dela é o homem que matou a Maria. – Eu recostei na minha cadeira.

– Como se não houvessem motivos suficientes para agravarem a situação! – Ramalho soltou e eu lancei um olhar furioso a ele.

– Por favor, Ramalho, seja meu amigo e não faça eu me sentir pior. – Eu disse firme.

– Tudo bem. Tudo bem. Desculpa. O que você vai fazer agora?

– Eu não sei. Eu estive a ponto de esmurrar a cara desse homem e não o fiz. Eu preciso pensar em algo.

– German, entregue-o para a polícia, se não por você, ao menos por Angeles. Imagina como seria para ela perder o pai?

– Acho que ela ficaria feliz. – Eu disse distraído e o olhei. – Você não viu o que esse cara fez com ela aqui em minha sala. Ele chamou-a de vagabunda e deu um tapa em sua cara. – Eu suspirei. – Eu não devia tê-la suspendido, Ramalho.

– E o que você ia falar para os outros alunos?

– Não sei... Mas e o que pode acontecer com ela essa semana inteira estando na casa dele? Eu disse para ele que semana passada ela apanhou de três alunos e ele nem se importou. Ramalho – eu me aproximei da mesa – se algo acontecer com ela, eu não vou me perdoar.

– German, não vai acontecer nada. – Eu suspirei e recostei na cadeira de novo. – O que você planeja para ele?

– Não sei.

– Entregue-o para a polícia.

– Não. Não antes de eu ter uma conversinha com ele.

POV. Angie

Meu pai chegou na escola enquanto faltava o German conversar com os pais da Fran e da Cami. Eu sabia que ele me deixaria por último. Quando José chegou, o medo me possuiu. Eu não consigo ver esse cara como meu pai. Ele chegou enfurecido. Esperamos uns 40min até a nossa vez de entrar e falar com o German. Entramos e o que se passou lá dentro foi muito estranho. Apenas os dois conversavam e quando German disse o que eu havia feito, meu pai levantou me puxando e fazendo o German se levantar também e, de repente, ele me deu um tapa no rosto. Um tapa que eu nunca na minha vida vou perdoar. Mas o mais estranho de tudo foi a reação do German, eu tinha certeza que ele estava puto comigo mas, mesmo assim, ele avançou contra o José assim que eu tomei o tapa. Eu tenho certeza de que se o German não tivesse avançado nele, eu tomaria outro tapa. Eu fiquei com medo de que o German fizesse algo, mas não por José, ele podia e merecia apanhar, mas sim por German, pois se ele fizesse algo, poderia ser prejudicado na escola por isso e ele não merece algo assim. Eu saí da sala e fui chamar o Pablo e quando voltamos, German estava vermelho, em choque, olhando fixamente para o José, Pablo precisou gritar para German voltar à realidade. Quando voltou, nos olhou, virou-se e foi sentar em sua cadeira. Disse ao meu pai que eu ficaria uma semana suspensa e eu não evitei deixar uma lágrima cair. A verdade é que eu estava com bastante receio de passar uma semana inteira na casa do meu pai depois desse tapa que ele me deu. Pelo modo como German me olhou, ele sabia que eu estava assustada e que não queria ir para a casa do José, mas ele não podia fazer nada e eu deveria entender isso.

Notas finais
;)