Notas iniciais
Quando você acaba sendo uma readaholic a criatividade acaba surgindo totalmente do fundo do poço. Você simplesmente acaba tendo várias ideias a partir de coisas tão pequenas, por exemplo, esta surgiu de um olhar... Eu diria que é algo próximo ao contentar-se com pouco, só que num significado diferente do que se é aplicado a ele. Okay, nota totalmente sem sentido, mas okay. Às vezes me pergunto como é que consigo cavar tão fundo para surgir essas ideias.
Tenham uma boa leitura.

Fanfic por: Meredith MOSS

Inalcançável

Qual é a razão e o porquê as pessoas acabam sendo tão dependentes desse mesquinho e cruel sentimento chamado amor?

Se existe realmente algo que domina o mundo, este algo é o dito cujo amor. Este sentimento tão capaz de fazer com que as pessoas se transformem de mil e uma maneiras, indo das mais absurdas até as mais loucas. Este sentimento que causa um verdadeiro rebuliço dentro de nós e que nos encaminha para uma inconstante de reações e emoções.

Sim, definitivamente, ele é o único capaz e digno de levar o título de dominador do mundo. Pode até não ser o mundo vulgo planeta Terra, mas pode ser aquele seu mundo interior ou o meu mundo ou de beltrano, quem sabe o de sicrano? Bem, certamente...

Uma coisa que seria totalmente válida é poder ter um controle de ações para quando o tal amor resolver invadir sua privacidade, batendo em sua porta e nem esperando saber se pode ou não entrar e já ir entrando e virando o seu mundo de cabeça para baixo, você poder freá-lo e dizer: “Opa, amigo, vamos com calma, ainda não estou pronta para te receber, então, faça o favor de dar meia volta e procurar quem te queira”. Por exemplo, podia existir um controle capaz de decidir o que fazer quando este sentimento se tornar um infortúnio, dispensável e atroz,o que,simplificando, seria algo parecido comoa pedra em seu sapato que fere, sem dó e nem piedade, seu pé. Aquela que você se mata para tirar e quando acha que finalmente se livrou, ela aparece lá, toda zombeteira, rindo de sua cara e te chamando de otário, enquanto ainda insiste em te ferir.

O amor é simplesmente uma droga! Uma droga em todos os sentidos da palavra. Todos mesmo.Tanto literal quanto figurado.

Gostaria de dizer que odeio sentir essa coisa. É desgastante, torturante e acaba me matando. Se ao menos a morte fosse uma coisa rápida, mas não, é aos poucos e cada vez pior.

Sabe, eu costumava achar que era feliz. Costumava. Pelo menos até perceber que minha felicidade era algo ilusório. Já disse que o amor é capaz de te enfeitiçar, hipnotizar e te cegar? Pois é. Ele é mesmo cruel. Ceguei-me com a esperança, enfeiticei-me com os resultados e acabei dando por mim que estava mesmo era hipnotizada com toda a ilusão que uma hipnotização é capaz de proporcionar.

Amar, amar, amar. O mundo fala de amor como se ele fosse nosso oxigênio. O mundo respira amor. Vivemos e morremos repletos de amor... Ou quase isso. O amor é levado como um extremo e, eu sei que extremos sempre são ruins...

Amar é uma merda! Ao menos para aqueles que ficam responsáveis em arcar com as consequências de um coração partido.

Ah droga!!

— Calma lá, gafanhoto, vá com calma ou é provável que uma concussão acabe se fazendo presente a qualquer momento por aí. — Mirajane brincou quando pela enésima vez suspirei e deixei minha cabeça tombar no balcão do bar, numa tentativa falha de expulsar pensamentos depressivos.

Ainda com a cabeça apoiada no balcão, os braços caídos e eu estando em minha posição mais perdedora, olhei para a albina também conhecida como minha segunda melhor amiga e resmunguei:

— Qual o sentido da vida?

Sinceramente, não esperava realmente por uma resposta. Estava mais num daqueles momentos em que as pessoas têm de se indagar coisas das quais sabe que nunca terá uma resposta, mas que mesmo assim sabe que não custa nada tentar. Um tipo de alívio ou coisa assim.

— A sua vida só terá sentido se me deixar fazer parte dela.

Ah, cara, fala sério!

Ainda com a cabeça apoiada de lado no balcão e os braços caídos, fiz um esforço para virar na direção oposta a qual estava encarando. Fiz isto apenas para me certificar de que havia escutado mesmo o que achara ter escutado. Sem ânimo e totalmente indiferente, lancei um olhar um tanto debochado – se é que conseguir transmitir isto -, para a figura alta e musculosa sentada ao meu lado, em seguida voltei a minha posição de antes, ignorando completamente o babaca com a cantada barata.

— Por que eu nasci? — Lamurie-me, afinal, já não bastava a fossa na qual eu haviame atolado, ainda tinha que aguentar babacas me enchendo a paciência. Era muio para meu pobre eu miserável aguentar.

— Para me encontrar, é claro — respondeu o senhor musculoso e intrometido que estava ao meu lado.

— O que estou fazendo aqui? — Me perguntei já que estava achando isso tudo uma desgraça. Eu devia ter continuado com meu traseiro esquentado o sofá de casa, apreciando um filme qualquer e enfiada debaixo de uma coberta.

— Tendo aquele lance de destino traçado ou você acha que é uma coincidência estarmos no mesmo bar tendo essa conversa?

Alguém, por favor, poderia ensinar ao colega ao lado que algumas perguntas não são feitas para ter respostas?! Bem, pelo menos, não respostas idiotas.

Virei novamente para meu “amigo” invasivo e respondi:

— Sou hermafrodita, lésbica, casada e tenho um filho. — Certamente, isto já seria o suficiente para que o colega tomasse seu chá de semancol e percebesse que havia lhe dado um fora antes mesmo que tentasse algo mais, entretanto, só para garantir, acrescentei: — Se isso não for o suficiente, posso te mostrar a coincidência do meu punho acertando o teu rosto num destino bem traçado — sorri malignamente. — Se eu fosse você, pensaria melhor e optaria por salvar meu nariz. Três beijos, me erra e não me liga.

— Lucy! — Mirajane me repreendeu, entretanto, havia um resquício de riso preso em sua expressão que me fez revirar os olhos e resmungar:

— Ele começou, eu terminei antes mesmo de quebrar o nariz dele, o que, devo ressaltar, é um avanço e tanto!

A questão é: Ultimamente está sendo uma tarefa muito fácil para eu encaminhar babacas ao hospital. Um soco no nariz aqui, um chute nas países baixos ali, uma cotovelada acolá e assim vai. Meu pavio está extremamente curto. Principalmente para ter de aturar idiotas que acham que podem com uma cantada medíocre conseguir me levar para cama. Nem mesmo em sonhos, otários!

— Dessa forma, expulsando todos os homens que tentam se aproximar, você nunca casará.

— Que bom que meu sonho é virar freira e não ter de casar com o tão óh esperado príncipe encatado. — Debochei.

Cheguei a mencionar que meu humor também anda bastante instável? Digamos que ele tem ido de mal a pior em questões de segundos.

— Como é que é a história? Eu ouvi bem? A perua vai virar freira? — Minerva que acabara de se aproximar, começou a rir debochadamente. — Querida, já mencionaram que para ser freira você precisa ser algo parecido com uma Santa?

Mas pelo menos eu ainda era virgem, ao contrário de umas e outras que saiam por aí abrindo as pernas para o mundo. Quis comentar, mas preferi me calar.

— Quem é Santa?

Pronto, era só o que faltava... todo mundo se juntar para debochar de mim, quando tudo o que não me falta é desgraça na vida....

Dessa vez, quem aparecera fora Laxus e, sinceramente, de todos, ele aparecia em primeiro lugar na lista das pessoas que eu menos queria ver nesse momento. Motivo: seu senso de babaquice e essa sua boca incontrolável. Certamente iria me importunar até eu dar a louca e o ameaçar com o banco e talvez ter de mandá-lo fazer companhia aos outros babacas que sofreram algumas lesões ante alguns golpes meus.

— Posso morrer agora? — Pedi para ninguém em especial.

— Ora, Lucy, é claro que não pode, acabei de chegar. Vamos ver o que temos para hoje. Quero me divertir às suas custas.

— Cara, me erra. Me errem todos vocês, menos a Mira, porque a Mira é tolerável.

— Obrigada, Lucy.

— Natsu não está mais aqui, o que significa que o ditado “não tem tu, vai tu mesmo”, acabou voltando-se para você, minha preciosa saco de piadas.

— Laxus! — Mira o reprovou, mas já era tarde, ele já havia mencionado o nome “proibido”.

Juntando meus braços em cima do balcão, apoiei minha cabeça ali, de forma que tudo o que eu enxergava era a escuridão da madeira do balcão, escuridão esta que fora proporcionada pelo casulo de meus braços, escondendo-me.

Natsu...

Amor platônico...

Amar Natsu sempre foi algo parecido com a ilusão de achar que apenas se esticasse a mão, poderia alcançar o céu. Parecia estar perto, ao alcance e, no entanto, não poderia estar mais longe. O mais triste de tudo é que, apesar de ao contrário do céu, eu ao menos conseguia ter um contato físico com ele, já que eu conseguia tocá-lo e sentir o seu calor, ainda assim, havia uma distância considerável que nos mantinha tão, mas tão longe. Isso sempre me deixou doente.

Às veze, ele me fazia crer que eu havia anulado toda a distância entre nós, mas quando eu investia, lá estava ela, a tal distância maldita!

Como é possível você estar tão perto, tão próximo de alguém e ainda assim sentir que existe todo um continente os separando?

Não existe sentimento mais desolador e deprimente quanto esse.

Tentei me aproximar, tentei me fazer vista, entretanto, as tentativas foram em vão. Ele me enxergara, sim, mas havia um limite. Amigos. Era o que dizia, mesmo sabendo que eu podia ser bem mais que isso...

Amigos, claro... Que piada!

Muita vezes, sentia como se não existisse sequer amizade entre nós. Tão confuso. Tão esgotável, tão perturbador e angustiante...

Quem é Natsu?

O idiota brincalhão que me recebeu com um sorriso ou aquele cara sério que de forma totalmente indiferente e ao mesmo tempo penetrante me disse: “Adeus, Lucy, foi bom te conhecer. Espero podermos nos encontrar qualquer dia desses”, enquanto corria para os braços da garota por quem nutria uma paixão. Paixão esta que fora prontamente correspondida.

No amor, sempre haverá aquela terceira pessoa que sairá ferida porque, apesar de ele ser feito para dois, sempre entra em cena uma terceira pessoa e, devido ao fato de que só cabem dois nesse “jogo”, quem acaba sendo o terceiro é jogado para escanteio. E olha que maravilha! O que sobra é justamente o maldito sortudo destinado a seguir em frente com um coração despedaçado e o gosto amargo de um sentimento que parecia inofensivo e doce.

Trágico. O amor é trágico.

Nesse triângulo de sentimentos, acabou que eu sobrei. Minha confissão? Bem, ela não valeu de nada, é claro.

Quando se ama alguém, é difícil ter olhos para outra pessoa. Natsu ao menos conseguira me enxergar e, mesmo que ele tivesse problemas de visões e não conseguisse me ver nitidamente, o pouco que via já valera. Não valera o suficiente, é claro. Estou apenas tentando me consolar, apegando-me as migalhas, porque tudo o que me sobrou foi exatamente isto... migalhas e nada mais. Que humilhante! A verdade é que talvez não fosse para ser. Bem, não foi.

Natsu simplesmente disse adeus e, eu sabia que podia fazer algumas coisas que possivelmente poderia mexer com sua cabeça. Pelo menos achava que sim. Sabia que podia fazer algo para deixá-lo em dúvida. As vezes, parecia haver algo além da amizade, mas como disse, nosso relacionamento era como querer alcançar o céu, então, talvez eu estivesse totalmente me iludindo com esse achismo barato. Gostava de pensarque eu possuía algum poder sobre ele. Mínimo, mas ainda possuía.

Infelizmente, em sua despedida, eu senti, senti o que ele queria quando fitei seus olhos. Sua expressão, seus gestos. Tudo. Tudo nele implorava para que eu não fizesse o que queria fazer. Ele não me queria, mas temia o que eu pudesse dizer, mesmo que já tivesse tomado sua decisão de ir para os braços de outra. Ele queria ir para ela o que, consequentemente, significava que não queria ficar comigo e, não querendo estragar se sabe lá o que, sendo uma boa e verdadeira covarde que abre mão de sua felicidade pela felicidade do outro, como um cordeiro frangote e covarde sendo intimidado por um leão faminto, tudo o que fiz foi lhe sorrir e retribuir o adeus. Aquele fora um sorriso encoberto por dor.

“Adeus, Natsu, seja feliz”. Foram as minhas últimas palavras.

“Seja feliz por nós dois, porque a minha felicidade acaba de ser levada embora”. Foi o que quis complementar, mas não o fiz. Seria demais. Não queria mendigar algo que não podia ter. Se ele quisesse, teria ficado, entretanto, ele se foi. Sua escolha havia sido traçada.

As lágrimas rolaram por um bom tempo, na verdade, ainda rolam como agora. Ainda sinto o aperto no peito, a dor que me sufoca e o desespero em tentar fechar as feridas. Ainda não o superei, mas aprendi algumas coisas com minha desilusão e uma delas foi que é necessário abrir mão do que queremos para o bem daqueles que amamos. Nobre, é verdade, mas, se pudesse, gostaria de não ter sido nada nobre naquele dia.

Eu não soube ser egoísta. Não soube prendê-lo a mim, entretanto, sabia que havia, ao mesmo tempo, sido egoísta sim. Fui egoísta por não querer viver carregando a culpa de, cada vez que olhasse naqueles olhos que cada dia possuíam uma cor indo do verde ao mel, enxergasse tristeza, enxergasse olhos vagos que provavelmente imaginariam como teria sido se tivesse partido. Não queria ter de lidar com isso. Não queria ter de me habituar ao seu olhar de arrependimento. Seria mais do que eu poderia suportar.

Outra coisa que aprendi foi a encobrir minha dorcom um sorriso. Ninguém precisa saber o quão doloroso foi e ainda é.

Não sou forte, nem nunca serei porque sei que uma parte de mim jamais esquecerá daquele jovem garoto que cruzou meu caminho, aquele que me fez provar da felicidade e que também foi o responsável por tirá-la de mim.

Natsu Dragneel foi meu antídoto e meu veneno, infelizmente nesta precisa ordem.

Inicialmente eu morri de amores de uma maneira esplendora e no fim também morri de amores, entretanto, a dor foi horrível, foi cruel e despedaçou cada pedaço do meu coração a ponto de que fosse substituído por gelo...

O amor é assim... Ou ele é bom ou é mal. Doce ou acre. O meio termo, aquela parte agridoce é pura ilusão. Nem sempre há finais felizes em história de amor. Nem tudo é como queremos que seja. Contos de fadas são só histórias imaginárias a qual nos apegamos até provarmos do gosto amargo do que é realmente a realidade.

Uma parte de mim morreu e a outra toda vez se pergunta como pode deixar de existir, entretanto, essa parte que quer desaparecer, continua intacta e vivendo cada dia de uma vez, sem muitas esperanças, sem muitas expectativas. Ela apenas existe. Ferida, maltrapilha, esgotada, dilacerada, mas, mesmo assim, continuo sorrindo, mesmo sentindo a pior das dores. A dor sentimental, como sempre, ainda continua sendo simplesmente a pior de todas, é claro.

— Oe, Lucy, está chorando? — Ouvi Laxus perguntar.

Chorando? Sim, eu estava, mas ele não precisava saber, então ainda de cabeça abaixada, neguei.

Lágrimas...

Dentro de mim havia um rio transbordando em completa agitação. Havia um mundo inteiro em desespero pedindo para ser salvo, entretanto, ninguém escutaria o eco dos gritos. Não há quem o possa salvar. A única pessoa capaz de fazer isso, se fora e me fizera perceber – entretanto, perceber não fora o suficiente para me fazer entender que -, como o céu, Natsu tornara-se, definitivamente, inalcançável.

|...Fim...|

Notas finais
Bem, apesar de ter sido um drama, espero que tenham gostado. :3
Comentem. Quero saber a opinião de vocês a respeito. Sinceramente, foi minha primeira tentativa de drama sem um final feliz...
Até uma próxima.
M.M.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!