Notas iniciais
Lá estava eu vendo Brotherhood, quando tive essa idéia depois de rever os dois ~
ps: o nome da categoria não tinha que ser fullmetal junto? /inutilidade xD

Ainda era muito cedo nesse dia. Riza caminhou em passos lentos para o trabalho, raramente seus companheiros estariam lá. Chegando ao local, cumprimentou vários militares, dirigiu-se para a sala de sempre e abriu a porta. Meio surpresa, avistou seu superior sentado olhando uns papéis. Hawkeye só conseguiu pensar na alternativa de Roy estar doente.

- Bom dia, Tenente. – a voz dele dispersou-a de seus pensamentos sobre o acontecimento.

- Ah, bom dia, Coronel. – disse tentando não mudar seu tom.

O homem sorriu ao perceber a feição desconcentrada dela. A mulher foi sentar-se a sua frente.

- Nossa, Tenente, como consegue chegar sempre tão cedo? – perguntou tentando iniciar uma conversa.

- Bem, ultimamente o senhor tem chegado primeiro que eu... – olhou-o de forma peculiar, como se fosse óbvio. – Aconteceu alguma coisa?

Ao perceber que poderia ser uma pergunta indiscreta, continuou antes que ele falasse algo:

- Digo, que possa comprometer seus objetivos.

Ele suspirou longamente, e a loura continuou observando-o, como se o encorajasse a falar. Depois de se encararem por uns minutos, o alquimista convenceu-se.

- Não acho que vá atrapalhar, mas...- houve uma longa pausa. – Acho que finalmente estou...bem, gostando de alguém. – deu uma risadinha como se fosse algum tipo de surpresa para ele próprio.

Riza sentiu uma pontada no coração, percorrendo todo seu corpo. Repreendeu-se mentalmente por isso. Quem ele achava que era?

- E por que está rindo, Coronel? – ela não pôde evitar perguntar.

Roy aproveitou a oportunidade para aprofundar a aproximação.

- Há quanto tempo nos conhecemos, hein? Pode me chamar de Roy. Não há ninguém por aqui. – sorriu para ela.

- Realmente, mas faz tempo desde que tivemos longa conversas assim. – lembrou-o

O clima ficou meio tenso, a Primeira-Tenente começou a vasculhar a gaveta em busca de uma caneta para assinar a primeiro relatório que encontrasse. Tentar finalizar esse assunto era importante, porque muitas vezes a deixava desnorteada, e odiava essa sensação com todas suas forças.

- Mas voltamos bastante, principalmente esses dias que tenho chegado antes de você, Tenente. – complementou.

Ela retirou os olhos da folha e tornou a se voltar para ele, disposta a entrar um pouco no jogo.

- Por que chamá-lo pelo nome, se ainda está me chamando de Tenente, senhor?

O coronel baixou os olhos. Não conseguia entender porque a oficial raramente deixava transparecer alguma emoção. Será que para ela, ele era somente seu superior? Torturava-se ao pensar nessa tão visível opção, ao mesmo tempo em que temia ser rejeitado. Poderia não ligar para inúmeras mulheres, mas não podia comparar Riza ás outras: Ela sempre parecia superá-las em todos os aspectos possíveis.

- Como sou distraído! Desculpe, Riza. – e deu um sorriso desajeitado.

- Sem problemas. – mais uma vez a atiradora tentou por um fim no diálogo.

Mas Mustang se recusaria a ceder tão facilmente.

- Incomoda falar sobre minha vida? – indagou Roy.

“Se é para falar sobre suas mulheres, melhor calar a boca”, pensou a loira, mas achou inadequado demais para se proferir a um superior. Se ele queria um jogo, iria ter.

- De forma alguma. Velhos amigos não se importam com isso, não é?

A jovem decidira dançar conforme a música. Se Roy queria convencê-la que eram realmente amigos, que seja. Não tinha muita diferença entre ser braço-direito dele ou ser apenas uma amiga que ele conhece há anos, na opinião dela. O Coronel, porém, assustou-se com a forte menção da palavra “amigos” e isso ficou bem visível em seu rosto.

- É claro. – revirou os olhos – Quanto a sua pergunta... Eu ria, porque ela é inacessível a mim.

O federal olhou demoradamente para os olhos de sua Tenente, como se esperasse que ela decifrasse sua frase, praticamente comparando-a a um código de difícil compreensão. Ele sabia que Riza não era lerda, porém não tinha idéia do que a loira sentia.

- Inacessível a você? – Hawkeye fingiu estar incrédula.

Essa conversa toda de Mustang e sua possível namorada estranha estava enojando-a, a tal ponto que não pode evitar o pequeno sarcasmo em sua voz. Será que ele não poderia confidenciar isso a outra pessoa?

“Céus, porque eu?” Praguejava para si

- Muito. – ignorou a possível tentativa dela de estar ironizando-o. — É a única pessoa por que eu não poderia me apaixonar. Porque eu estou por perto o tempo todo e para ela isso não significa nada.

Mustang passou a encarar o nada, apreensivo com o que acabara de falar. Estava praticamente confessando tudo, e Riza permanecia como se ele estivesse contando o que comeu no almoço ontem. Hawkeye parou para pensar sobre essa tal amante do Coronel: distante, inacessível...

“Riza! Aja antes dele, sabe que precisa.” Brigava a sniper consigo mesma.

Enquanto isso o alquimista olhava-a com cara de interrogação.

- Acha improvável alguém acreditar nisso? – ouviu-se a voz dele.

- Com todo respeito, é meio difícil. Mas não impossível. – Roy logo sorriu ao ouvir essas palavras – Pelo que te conheço, tem um bom coração.

A Tenente perguntou para si mesma se deveria ter dito isso mesmo. O Homem a sua frente olhou pro relógio, constatando cerca de 15 minutos para o início das atividades diárias.Riza respirou fundo antes de falar, ainda que duvidasse um pouco que fosse o certo a se fazer.

- E eu o admiro muito.

Era a vez do coração do Coronel bater descompassado. Não acreditava que ela tinha dito isso mesmo. Já a oficial sabia que tinha ido longe demais e precisaria acabar com isso antes que passasse dos limites seguros.

- Mas, Coronel. – voltou a chamá-lo pelo seu respectivo cargo. – Não confunda as coisas.

Ela teria que mentir, para o bem dos dois. Já tinha deixado Roy sem palavras. Não poderia ir mais longe que isso. O moreno não entendia porque em um momento a loira tinha dado a entender que o queria, e logo depois o rejeitava. Ah, ela estava brincando com fogo...

- Não está parecendo isso...

Ao ouvir essas palavras, ela virou o rosto o mais depressa que pôde, mas o Coronel levantou-o delicadamente com sua mão, disposto a não voltar atrás.

- Eu te amo, Riza. Não suportaria perder você. – suspirou pesadamente.

Riza afastou-se rapidamente, sabia que precisa ser racional, custasse o que custar. Respirou fundo de novo, agora diversas vezes.

- Deve entender que em primeiro lugar vêm suas futuras promoções. – tornou a se sentar. – Não podemos ficar juntos.

Sim, o superior sabia de tudo que sua Primeira-Tenente falava. Porém seus sentimentos chegaram a um ponto maior do que somente perder o interesse por outras mulheres, pareciam que iam saltar pela boca. Não que as outras tivessem terríveis defeitos: elas simplesmente não eram Riza. Só que Hawkeye era a pessoa mais racional que o alquimista conhecia, e nesse momento parecia que esse detalhe estava quase estragando tudo. Desgostoso, ele prosseguiu:

- Está insinuando que gosta de mim? – tomou coragem para perguntar.

“Céus, como ele é lerdo!”

Agora era tudo ou nada. Ganhar ou perder, ter ou não ter. E é claro, tinha a possibilidade dele estar estragando tudo que eles tinham. Mas o que eles tinham, afinal?

- Sim. Te amo de um jeito no qual nunca seria capaz de ignorar o que almeja.

Roy nunca esperara aquela resposta. Talvez nos seus sonhos, mas nunca agora, por mais que tentasse acreditar. A mulher que ele amava de um jeito que nunca tinha amado ninguém antes, estava dizendo o mesmo. Bom, ou quase o mesmo. Ficou atônico por uns segundos, enquanto os sentimentos percorriam as veias um do outro numa densa chuva de emoções. É que Riza chegara à conclusão que não adianta fugir, porque não há como mentir para si mesma.

- Não existe ninguém que me deslumbre tanto quando você. – Roy levantou-se e ergueu sua mão até o rosto dela, tocando-o com cuidado. – Quando eu me tornar Fuhrer, vou lembrar tudo que aconteceu hoje.

O problema não estava somente na promoção. Estava nisso como um todo, o objetivo que tinha os unido fortemente. Ele não deixou ela falar nada, econtinuou:

- Não só nesse dia, como em todos da minha vida.

Riza sentiu o fim do toque e entrelaçou seus dedos com os de seu Coronel. Seria assim, uma cumplicidade entre eles, até cumprirem o que desejavam e ele chegar ao topo.

- Até que você seja meu, Roy. – então rompeu o contato.

O sinal que anunciava o início das atividades tocou e já se escutavam passos no corredor. Os dois sorriram ternamente, e então voltaram a assinar os papéis do começo do dia. Enquanto isso, a equipe deles ia batendo continência e entrando na sala. A brisa calma de verão suavizou o momento, mas Roy concentrava-se nas palavras de Riza, que não lhe saíam da mente.

“Até que você seja meu.”

Notas finais
final não tão feliz, espero que ninguém me mate xD, e se leram, review please =D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!