Era o centro de Seattle. Delsin estava sentado no topo do Obelisco Espacial, sendo que não havia muito tempo que ele tinha estado ali. Ele havia deixado Fetch e Eugene em seu apartamento, dizendo que iria voltar o quanto antes, mas nem sabia se o tal cientista iria realmente aparecer. Nicholas Wright era o seu nome, mas ele havia esquecido de perguntar o nome da filha, que talvez pudesse interessar um pouco o condutor. Ben havia lhe passado o endereço da família e possivelmente eles iriam chegar logo... Pelo menos de acordo com o condutor de metal. Um carro azul meio desgovernado começa a virar a rua, chamando a atenção de Delsin, que se dá conta que poderia ser o carro do cientista quando ele pára em frente ao apartamento que Ben havia lhe falado. O condutor desce para a rua e observa um homem alto e ruivo que arrumava os óculos, enquanto descia do carro. Junto dele havia uma garota ruiva, que ouvindo música com os fones de ouvido, nem mesmo se virou para que o condutor pudesse ver seu rosto. Enquanto Delsin caminhava em direção a ambos, o homem jogou um molho de chaves para a garota ruiva, que a pega e vai abrir a porta de um dos apartamentos.

— Hã... Com licença? — perguntou Delsin.

O homem se virou para Delsin, o encarando por um bom tempo.

— Sim, no que posso ajudar?

— Você é Nicholas Wright? — perguntou Delsin.

— Eu mesmo.

— Ótimo! Eu sou Delsin Rowe e...

— Por Arquimedes! Delsin Rowe? O condutor que derrubou o D.U.P.?

— É, eu realmente fiz isso.

— Deus, é um enorme prazer lhe conhecer! — ambos apertaram as mãos e Delsin acaba se decepcionando, já que o cientista não era um condutor. — Um minuto. Você precisa conhecer minha filha. — ele se vira para a garota ruiva que estava na porta do apartamento. — Querida! Meu amor, tire esses fones e vire para cá!

A garota se vira para o pai, tirando os fones de ouvidos e observando Delsin. Cabelos ruivos longos, olhos azuis que deixariam qualquer um hipnotizado e fones de ouvido enrolados no pescoço, parecia ser a garota perfeita para Delsin, que apenas ficou a admirando, enquanto a garota vai até os dois.

— O que é? — perguntou a garota.

— Querida, esse é o condutor Delsin Rowe. — disse Nicholas. — Delsin, essa é minha filha, Tess Wright.

— Ah, condutor? Jura? — perguntou Tess, em um tom de sarcasmo. — E você pensou em me apresentar a ele porque eu me dou muito bem com condutores, não é?

— Tess!

— Você já conheceu outros condutores? — perguntou Delsin.

— Além de você? — ela pergunta, enquanto guarda os fones no bolso do fino casaco roxo, que ia por cima de uma camiseta. — Já perdi a conta.

— Bom, mesmo assim, é um prazer a conhecer, Tess. — disse Delsin.

Ele esticou a mão para a garota, que a observou, olhou para o pai e recuou.

— É melhor não. — disse Tess.

— Porque não? — perguntou Delsin, cruzando os braços. — Por acaso você é condutora?

— Como é que é? — perguntou Tess, parecendo ofendida. — Porque você acha isso?

— Eu consigo absorver os poderes do condutores e passar para mim. — disse Delsin. — Sou uma esponja de poderes... E somente apertando a mão do condutor.

— Que fantástico, não é, querida? — perguntou Nicholas.

A garota olha feio para o pai, que desvia o olhar e arruma os óculos.

— Eu vou tirar minhas coisas do porta-malas. — disse Tess. — Não vou ficar discutindo com um idiota. — ela se vira para o porta-malas.

— Isso porque você gostou de mim, não é? — perguntou Delsin. A garota parou e olhou feio para o condutor. — Eu sei, eu conquisto corações aonde quer que eu vá.

— Ah é? — perguntou Tess. — Tem uma garota que você acabou perdendo até mesmo a confiança.

— Nem sei se eu realmente ganhei a confiança dela. — disse Delsin, rindo.

— Tudo bem, Delsin Rowe, escute aqui. — disse Tess, assustando o condutor. — Eu não viajei quase quatro horas para ficar ouvindo bobagens de um garoto que nem se quer viu o mundo como ele realmente é — Delsin estava paralisado, sem reação. — E eu conheci a Augustine. Ela não é nem 5% do que você disse que ela era. Você não sabe de nada e acabou com a vida dela.

— Acabou com a vida dela? Foi ela que acabou com a vida de vários condutores! — disse Delsin. — Você pelo menos sabe o que ela fez em Curdun Cay?

— Sei sim. — disse Tess. — E tenho certeza que sei mais do que você.

A garota se vira, puxa uma mochila e uma mala do porta-malas e entra para o apartamento, deixando Delsin sem graça.

— Me desculpe por isso, Delsin. — disse o cientista. — Ela está meio nervosa porque recém chegamos de viagem.

— Que garota...

— Como?

— Hã... Eu estava pensando alto, me desculpe. Eu... Hã... Você disse que veio de onde mesmo?

— Eu não disse.

O condutor pára, pensa e ri, querendo enrolar o cientista. Ficar pensando no que Tess havia dito tinha feito Delsin enlouquecer.

— É... Pois então... — ele soca as mãos e percebe que o cientista parecia impaciente. — E de onde vocês vieram?

— Portland.

— Nossa! É um pouco longe! E porque vieram para cá? Acharam que o aluguel era mais barato?

— Nada disso. Foi... Foi problema com... Com os oficiais lá. Acontece em todas as cidades que vamos.

— Todas? Quantas vezes vocês já se mudaram?

— É melhor mudarmos de assunto. — o cientista arruma os óculos e tira o celular do bolso. — Meu Deus, olha a hora. Tenho que arrumar as coisas e ir a uma empresa para ver meu trabalho.

— Claro, foi um prazer o conhecer, doutor.

— Igualmente, Delsin. Se quiser, pode vir amanhã para conversarmos mais. Acho que até lá, a Tess vai estar mais calma.

— É o que eu espero.

— Há quanto tempo ele está assim? — perguntou Eugene.

Delsin estava caído no sofá de seu apartamento, olhando para o teto e nem mesmo a presença de Fetch e Eugene o fez voltar a si. Fazia um tempo que ele estava daquele jeito, desde que havia chego da casa de Nicholas e Tess, mas sem contar nada aos colegas.

— Acho que mais de meia hora. — disse Fetch. — Delsin? Delsin, se você consegue nos ver e nos ouvir, faça algum movimento.

— Ahn...

— O que foi isso? — perguntou Eugene.

— Acho que ele ainda está vivo. Se afasta, Eugene. — enquanto o condutor do vídeo se afastava do sofá, Fetch mira na perna de Delsin. — Essa é a hora de ver se ele está realmente vivo.

Ela atira um raio de neon na perna do condutor, se grita e se atira no chão. Eugene e Fetch dão uma risada, vendo que ele realmente estava vivo.

— É, ele está vivo. — disse Eugene.

— Qual é o seu problema?! — gritou Delsin.

— Já tínhamos te chamado várias vezes, mas parecia que você estava em coma. — disse Fetch.

Após ver que estava bem, graças a sua cura rápida, ele se levanta do chão e encara Fetch, enquanto Eugene continuava a rir de ambos.

— Vivo? Em coma? — perguntou Delsin. — Se eu estou respirando, é meio óbvio que eu estou vivo!

— Foi mal, mas não tinha mais nenhuma outra opção. — disse Fetch. — O que deu em você?

Delsin se lembra. Foi a conversa que ele tinha tido com Tess que o deixou nas nuvens. Ele ri e volta a sentar no sofá.

— Será que ele andou bebendo? — perguntou Eugene.

— Delsin! — disse Fetch. O condutor levanta o olhar para ela. — Pode rir quando estiver sozinho, agora nos fala o que deu em você. Espera... — Delsin pára. — O que o Ben te disse?

— Ah... Nada que interesse vocês. — disse Delsin, se levantando.

— É claro, tem alguma coisa a ver com o Ben! — disse Fetch. — Aquela hora... Ele te disse alguma coisa que mexeu com você!

— Sai dessa, Fetch! — disse Delsin.

— Ah, cara, eu vou achar o Ben e perguntar o que foi. — disse Fetch, rindo. — Ai eu vou saber o que deu em você.

— Não, você não vai. — disse Delsin. — Os dois vão voltar para suas casas e amanhã a gente conversa mais.

— Mas são recém seis da tarde! — disse Eugene.

— Sei disso. — disse Delsin. — As crianças devem ir para suas casas a essa hora.

— Muito engraçado, D. — disse Fetch — Vamos, Eugene, eu não vou mais cuidar desse cara.

— E você fez um grande trabalho atirando na minha perna. — disse Delsin. — Obrigada por isso, Fetch.

Delsin abre a porta do apartamento e sinaliza para os colegas irem embora. Eugene foi o primeiro a sair correndo porta afora e se jogando do prédio, se transformando em um grande anjo gigante, enquanto Fetch caminho e pára em frente a porta.

— Quer fazer um último pedido antes de sair? — perguntou Delsin.

— Não. — disse Fetch. — Eu só quero que você pare de esconder coisas da gente.

— Ok, vou anotar seu pedido. — disse Delsin. — Tenha um bom resto de dia, senhorita Walker.

Ele fecha a porta na cara da colega, ri e se atira no sofá, tirando a touca, jogando na cara e esperando que caísse no sono. Desde que Delsin havia livrado Seattle de Augustine e do D.U.P., a vida dele parecia que nunca parava, mas ele nunca se arrependido do que havia feito e se pudesse, faria tudo de novo.