In the stars
3 Capítulo 03
Eu nunca tive medo de tempestades... Mas esta tem algo de diferente, e algo que faz todo meu corpo estremecer sabendo que algo se aproximava, não algo ruim, e muito menos um medo completamente ruim, e apenas o medo que eu sinto quando estou prestes a desvendar algo, acho que esta mais para uma ansiedade... ansiedade! medo do desconhecido! Eu estava submersa em um livro, não realmente lendo ou focando na historia mas observava cada letra em quanto tentava afastar a ansiedade que borbulhava em meu intimo.
''Em todos os grandes centros, o monstro entrou emvoga; foi cantado nos cafés, ridicularizado nos jornais,representado nos teatros. Os pasquins tiveram uma belaoportunidade de produzir notícias de todo tipo. Viu-se oressurgimento, nos jornais — por falta de assunto —, detodos os seres imaginários e gigantescos, desde a baleiabranca, o terrível Moby Dick das regiões hiperbóreas, atéo Kraken descomunal, cujos tentáculos podem enlaçarum navio de quinhentas toneladas e arrastá-lo para osabismos do oceano. Reproduziram até mesmo os relatosdos tempos antigos, as opiniões de Aristóteles e de Plí-nio, que admitiam a existência desses''
Um trovão e o som alto da minha janela se abrindo de forma brusca fazem com que eu salte da cadeira, a vela que iluminava o quarto e apagada com vento forte que invade o comodo e apos alguns poucos segundos me recompondo corro ate a janela buscando a fechar, a chuva invadia meu quarto com grossas gotas e o vento fazia com que eu me encolhesse no roupão felpudo e quentinho. Quando a janela finalmente se fechou eu me encontrei no comodo iluminado apenas pela meia luz provinda do corredor, logo tratei de buscar nas gavetas os fósforos para reacender a vela... Eu não tenho medo do escuro desde que tinha uns 7 anos de idade, mas neste exato instante estou com medo, e como se tivesse algo me observando, e temo que se eu me manter quieta ate mesmo poderei ouvir sua respiração. Não achei os fósforos, e a sensação continuou, a agonia dentro de meu peito aumentou e eu rapidamente saio do quarto fechando com certa força a porta atras de mim!
— Mama? — Grito e não tenho resposta alguma, meus dedos de forma não cociente se agarram ao colar de meu pai, que se encontrava no bolso do roupão, buscando um certo conforto e proteção e eu sigo para a biblioteca, talvez minha mãe tenha dormido ali lendo algo!
Nada... Vazio! e agora posso dizer que realmente estou com medo, observo a biblioteca, estava bem iluminada, o fogo da lareira crepitava como se tivesse acabado de ser mexido, e por um breve instante meus olhos brincam comigo e veem um vulto a minha frente, um vulto que eu conhecia bem, o homem que eu chamo de pai estava ali mexendo no fogo com um atiçador de bronze, mas quando eu aperto os olhos não havia nada ali alem da lareira.
— Não tenha medo criança! — Uma doce voz murmura para mim e eu me viro tentando ver quem tinha falado aquilo, vazio!
— Quem esta ai? — Pergunto agarrando o mesmo atiçador que vi com meu pai, ele sempre ficava ao lado da lareira.
— Se prepare! Uma tempestade esta se aproximando! — e mais uma vez a voz declara de um lugar vazio, eu não tive tempo de pensar mais nada, as janelas se abrem com força e a chuva começa a molhar o chão de madeira, o vento era forte ele desfez todo meu cabelo, os fios se agitavam com a tempestade se chocando contra meu rosto diversas vezes; eu deveria ter saído da sala, mas não conseguia... Não queria! Algo no meio de todo aquele estupor prendeu minha atenção, o globo de neve, meus olhos se focaram na pequenina estatua de leão que havia ali dentro, o animal balançou sua juba, eu poderia ter gritado ou achado que estava ficando louca mas apenas observei, eu não queria sair dali mesmo que o frio me fizesse tremer e eu estivesse com medo! O leão olhou para mim e então abriu a boca para rosnar, eu achei que sairia um pequeno som mas o que ouvi não veio daquele globo veio de trás de mim, um rugido alto e imponente capaz de fazer o mundo todo tremer, minha mente diz que eu deveria ter sentindo medo mas eu apenas senti paz, me virei para o som e vi dois olhos me observando, olhos que me traziam ainda mais paz, Aslan!
Pisquei meus olhos e quando os abri não tinha mais nada, eu estava em uma floresta, as arvores balançavam a minha volta como se rindo de minha reação, as folhas e galhos pareciam dançar uma valsa inaudível, eu estava no ermo do lampião, eu estava em Narnia! não pude conter a felicidade e a animação, talvez isto seja apenas um sonho, talvez para o desvaneio de minha mente mas não importa, minha unica preocupação agora e brincar e rir como se eu novamente fosse uma criança!
— Psil! — Escuto atras de mim e me viro me deparando com um grande cavalo de pelo negro, Náutilus?!?
— Náutilus! — Declaro sem conter minha surpresa e animação, o animal ri e faz uma reverencia cordial.
— Senhorita Aurora!
— Voce fala! — Declaro novamente com a mesma surpresa, a surpresa e a felicidade não abandonaram meu peito, na realidade cada vez mais borbulhavam com intensidade.
— Sim Senhorita, mas devemos conversar em um lugar mais privado, estamos em terras Telmarinas! — Havia receio na voz de Náutilus, receio que mesmo com duvidas apenas me fez concordar com a cabeça e subir em suas costas, ele estava usando uma cela que nunca tinha visto antes, de couro branco e toda ornamentada com desenhos que sem duvida irei observar depois com mais calma, presos na cela haviam uma mochila de mesmo material e mesmos desenhos, extremante bela, e uma espada embainhada.
— Vista a capa que esta na mochila, deve passar despercebida! — sigo o que e dito pelo cavalo e logo estou com uma grossa capa de cor negra sobre meus ombros, seguro as rédeas de Náutilus não para o controlar mas era uma forma de me sentir um pouco no controle das coisas, neste instante o medo e o receio iniciaram seu trabalho, a forma como o garanhão falava só fazia com que eu temesse quem fossem os telmarinos.
— Para onde iremos? — minha voz sai em um sussurro como se temesse que alguém pudesse nos ouvir.
— Para os mares orientais! Para o castelo Cair Paravel, a rainha aguarda sua chegada!
— Rainha? Que rainha?
— Cisnei branco! Ela tomou posse apos os reis e rainhas desaparecerem! isto já faz quase 2 anos. — Não falei nada pois não havia o que ser dito, apenas fico em silencio em quanto observo o caminho e tento digerir todas estas informações!
( . . . )
Não sei a quanto tempo estávamos cavalgando, o sol já estava se pondo e o frio começava a incomodar me apertei contra a capa, meu estomago estava roncando de fome e nada havia de comida na bolsa; O cheiro de carne assada chama minha atenção, e sem nem mesmo pensar duas vezes peço a Náutilus para ir para próximo do cheiro, haviam 5 homens sentados em volta de uma fogueira riam animadamente, um pedaço de carne era assado no fogo e aquilo fez meu estomago roncar.
— Náutilus... Me diga o nome de duas cidades afastadas... Telmarinas! — Murmuro ao cavalo e ele suspira imaginando o que eu faria.
— A cidade de Ina e próximo ao ermo do lampião, e a cidade portuária, Senefor, e um pouco distante daqui dizem que e la que a maioria moram... — o cavalo responde também em um sussurro e eu suspiro criando coragem para fazer o que eu faria.
— Boa noite senhores! — Minha voz sai firme mas baixa mas foi o suficiente para que me ouvissem. — A noite esta fria! Eu poderia me aquecer próximo a fogueira por um tempo?
— Boa noite! — A resposta veio de um homem que apenas sorria e ria das paiadas, era o que menos falava naquele instante que eu os observei. — Antes de responder, gostaria de fazer uma pergunta! Quem e você? — sua voz era baixa calma e ate mesmo serena, sinceramente não consigo a imaginar sendo usada para gritar.
— Perdoe-me meu erro, chamo-me Aurora, venho de Ina, estou seguindo para a cidade de Senefor para encontrar com meu pai! — Declaro abrindo um gentil sorriso e tirando o capuz de meu rosto, o homem sorri e se ergue do local onde estava sentado se aproximando do meu cavalo, Náutilus da um passo para o lado recuando do homem mas eu toco seu pescoço em sinal para que tenha calma.
— Sou Caspian! Venha una-se a nos, deve estar com fome! — ele sorri estendendo uma mão para me ajudar a descer de Náutilus e eu sorrio gentilmente a segurando e descendo sem muitas dificuldades, os olhos do homem me fitam como se olhando minha alma e eu nestes instantes percebo o quão azuis são.
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