In the middle of the snow
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Às vezes a vida costuma a pregar peças nas pessoas, fazendo-as alterar aquele caminho que vem sendo percorrido já há algum tempo. Com Rachel Berry não foi muito diferente. A garota não fazia ideia do que lhe esperava em poucos instantes. Enquanto caminhava pelas ruas de Palmer, Alasca, apenas pensava no momento da sua chegada em Nova Iorque, quando poderia tomar um bom banho quente de banheira. Por mais que gostasse do lugar onde se encontrava, o frio parecia ser insuportável para a morena.
A garota de recém vinte anos arrastava sua mala em direção à rodoviária sem se importar se o céu parecia estar escurecendo às 10hrs da manhã. Olhava para os lados e via cada vez menos pessoas andando pela cidade. “Talvez uma tempestade estivesse vindo e todos estivessem correndo para se abrigar em suas casas”, pensou. Bem, ela não poderia fazer o mesmo, precisava pegar seu ônibus de volta para casa, sua viagem já havia sido longa o suficiente.
Passados uns dois minutos, ela se deu conta que o frio parecia estar aumentando e o casaco que estava usando não aguentaria aquecê-la por muito mais tempo. Bufou, começando a andar mais rápido, quanto antes chegasse à rodoviária, melhor. O problema era que a rodoviária ainda estava um tanto distante de onde ela estava. Pelo que lembrava, deveria caminhar por mais uns quinze minutos antes de finalmente chegar ao seu destino. Cansada do frio, sentou-se em um banco na praça central da cidade, tentando respirar um pouco antes de continuar seu trajeto.
Cerca de uns cinco minutos depois, Rachel decidiu se levantar e ir embora, pois a neve já começava a cair sem pena de quem estava embaixo. Tentou puxar a mala, porém, esta parecia ter ficado presa em alguma coisa. Quando a garota olhou para baixo, viu que tanto seus pés como metade da mala estavam soterrados na neve, seus cálculos tinham sido completamente equivocados. Irritada, puxou a mala para cima, abraçando-a com força no peito. Apertou o gorro em sua cabeça e, meio atrapalhada, tentou alcançar a rua que ainda não estava totalmente coberta. Entretanto, não imaginou que um carro pudesse passar correndo por ali naquele exato momento. Tudo o que a morena viu em seguida foi sua mala voando para longe e seu rosto atingindo o concreto.
Sentia uma pontada de dor nas costelas e imaginava se não havia quebrado algum osso. Fechou os olhos, contou até dez e apoiou-se nos braços, fazendo força para se sentar. Feito isso, apalpou seus braços, pernas, costas e pelo visto ainda tinha tudo no lugar, a única diferença de antes eram alguns novos arranhões. Então, olhou furiosa para o rapaz parado em sua frente. Respirou fundo e se levantou, pondo-se de pé.
- Eu podia lhe dizer um monte de coisas agora, mas para sua sorte eu estou atrasada. – Vociferou, colocando as mãos na cintura.
- Moça, mil perdões, mas como você pode estar atrasada no meio de um temporal? Você devia estar indo se abrigar em algum lugar. – O sujeito comentou um tanto intrigado.
- Você não vai nem pedir desculpas por ter me atropelado? – Perguntou Rachel de forma sarcástica, olhando diretamente nos olhos do moreno.
- Ah, sim. – Ele respondeu coçando a cabeça, desconcertado. – Desculpe, eu não imaginei que poderia ter ainda alguém na rua. – O rapaz parou de falar, pensando. – Olha, no meio desse temporal, o hospital deve estar fechado, não tem muitos lugares para onde eu possa lhe levar para fazer um curativo nessa testa. – Ele apontou para a testa da garota que só então tocou na sua cabeça e percebeu um fiapo de sangue escorrendo por sua têmpora. – Então... – Parou de falar ao ver a expressão que se formava no rosto da garota.
Rachel o olhou horrorizada. Tentou falar algo, mas agora estava um tanto apavorada com o sangue em suas mãos.
- Eu tenho um kit de primeiros socorros na minha casa, — Continuou. — que é para onde eu estou indo. Se você me deixar lhe dar uma carona... – O moreno sugeriu um tanto incerto.
- Não. – Resmungou a morena, após limpar a garganta e reencontrar sua força e sua voz. – Eu não vou para sua casa, ok? Não sei quem você é; não sei nem o seu nome. Além de que estou bastante atrasada.
- Meu nome é Finn Hudson. – Ele respondeu mal deixando Berry terminar de falar. – Eu sinto muito pelo acontecido. Deixe-me pelo menos lhe dar uma carona para onde quer que você esteja indo.
Rachel balançou a cabeça negativamente, franzindo os lábios.
- Eu estou muito bem, posso continuar caminhando tranquilamente para onde estou indo. Passar bem, Finn Hudson.
Dito isso, saiu em busca da sua mala que provavelmente estaria afundada em meio a tanta neve que não parava de cair. O rapaz parecia ter se contentado com a sua resposta e voltou para a caminhonete, dando partida no instante em que a garota encontrou sua bagagem. Rachel voltou a caminhar pela rua arrastando sua mala toda molhada consigo. Não queria nem imaginar o estado de suas roupas.
No entanto, Finn foi a acompanhando de carro, com o veículo quase parando. A morena girou os olhos sem acreditar que ele ia continuar insistindo mesmo.
- Você não me disse seu nome. – O moreno comentou de dentro do carro.
- Rachel Berry. – A garota respondeu sem desviar seu olhar para o rapaz. – Agora você já sabe, já pode seguir seu caminho.
- Por que você é tão orgulhosa? Deixe-me lhe dar uma carona. Esse temporal vai apenas piorar. – A esta altura, Finn já estava quase implorando.
- Não, eu estou bem. Você não precisa continuar me seguindo até a rodoviária, eu sei o caminho. — Rachel disse já se impacientando com tamanha insistência.
Todavia, ao ouvir isso o moreno soltou uma sonora gargalhada, deixando Berry confusa. Ela parou, cruzando os braços sobre o peito.
- O que foi? – Perguntou num tom sério, apesar de estar um tanto constrangida com a mudança de atitude do rapaz.
- Você está indo para rodoviária? Você é maluca? – Hudson tinha um sorriso divertido nos lábios. — O que diabos você vai fazer lá? – Ele tentava conter o riso.
- Ah... Eu vou pegar um ônibus, oras! – Rachel falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Você acha mesmo que algum ônibus vai chegar ou partir daqui no meio dessa nevasca? – A morena abaixou a cabeça, fitando os pés. – Você não acha isso. – Finn concluiu.
- Eu... Eu preciso voltar para casa, é tudo o que eu sei. – Disse, levantando os olhos para olhar para o moreno.
- Você não vai conseguir voltar para casa agora, então, deixe-me levar-lhe para um lugar aquecido. Eu faço chocolate quente, se você quiser. – Prometeu, com uma expressão sugestiva.
Rachel mordeu o lábio inferior e olhou para o céu escuro acima de sua cabeça. “Que seja”, pensou, “ele está certo”.
- Ok, mas é só enquanto a neve não para de cair. – Avisou, apontando um dedo no meio dos olhos do rapaz.
- Tudo bem, como você quiser. – Disse Finn sorrindo amigavelmente, enquanto descia da caminhonete para pegar a mala da morena.
A garota deu a volta no veículo e subiu no banco do passageiro, logo colocando o cinto e rezando para o moreno não atropelar mais ninguém durante o caminho até a casa dele. Em seguida, Hudson entrou também no carro e deu partida, acelerando até sua residência, uma casinha um tanto distante do centro de Palmer.
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