Notas iniciais
"Never let me go" - Florence + The Machine: http://www.youtube.com/watch?v=zMBTvuUlm98 (super recomendo que vocês escutem essa música antes/durante/depois da leitura, ela é linda demais *-*)

Capítulo único:

"In the arms of the ocean"

– Nee, Haru-sama... Você ama a Juvia?

A voz dela ecoou pela noite. O único som que poderia ser escutado era o de suas respirações ritmadas, enquanto os corpos descansavam lado a lado, sobre o piso do lado de fora da piscina.

Haruka virou rosto para fitá-la, franzindo um pouco o cenho com a repentina pergunta. Juvia olhava para o céu estrelado, e tinha os lábios entreabertos. Os cabelos azuis e molhados, espalhados pelo chão frio, mesclavam-se com os fios negros dele, tão próximos. Não levava peça alguma de roupa, porque não havia necessidade; a água era seu eterno traje de gala.

– Amar? – murmurou, e ela rolou a cabeça para a esquerda, olhando-o nos olhos. Ao contrário da mulher ao seu lado, Haruka vestia seu usual calção de natação, e a mirava com curiosidade. Juvia assentiu, um sorriso brotando no canto de seus lábios.

Haru tornou a fitar o céu, como que pensasse na resposta para aquela pergunta. Ao fim de alguns minutos, tornou a fitá-la, os olhos azul-cobalto perdendo-se na escuridão dos orbes que somente ela possuía.

Amor.

Uma palavra forte, para um sentimento mais forte ainda. Ele sabia o que aquilo significava, mas... Já o havia sentido, alguma vez? Se ele adorava nadar e estar dentro d’água, então, amava Juvia?

Fechou os olhos por um instante, procurando dentro de si mesmo a resposta. Após um longo suspiro, abriu-os novamente.

– Eu amo a água.

Juvia virou um pouco o rosto para fitá-lo, e esboçando um pequeno sorriso, sentou, com os pés encostando a água da piscina.

Eu sou a água. – olhou para ele intensamente, como se quisesse afogá-lo – Isso é um sim?

A resposta veio à ponta da língua, mas se perdeu em algum lugar de sua mente. Nanase Haruka não era do tipo de pessoa que pensava nessas coisas, e às vezes perguntava a si mesmo o porquê de ainda tentar respondê-la, mas não era como se ele conseguisse ignorar aquela mulher.

Juvia, então, deslizou o corpo para dentro d’água, com um sorriso matreiro no rosto, e desapareceu. Haruka sentou e olhou para o fundo da piscina com uma feição estoica, enquanto a procurava em vão.

– Eu sei que você está aí. – disse baixo, como quem conta um segredo. Após alguns segundos de silêncio, soltou um suspiro resignado e adentrou a piscina também, mergulhando por completo.

Haru sabia quando Juvia estava próxima. Ela, de algum jeito, inundava tudo a sua volta, com uma força que ele não conseguia colocar em palavras. O preenchia sem sufocá-lo, era seu tsunami e, ao mesmo tempo, sua salva-vidas. E a água era muito diferente quando era apenas água, e não Juvia; perdia a vida em si.

Começou a nadar, sentindo como o líquido o acolhia de um jeito quente, embora fizesse uma noite tão fria. Dava braçadas com os olhos cerrados, sem pressa, apenas permitindo-se deslizar sobre a água, enquanto sua mente ficava em branco. Por fim, subiu totalmente à superfície com a respiração arfante, mirando, agora, a mulher formada à sua frente. Juvia parecia estar lá desde sempre.

Deu alguns passos até ela, enquanto os dois permaneciam sem dizer palavra alguma, apenas fitando um ao outro com intensidade, suas respirações mesclando-se no ar, e seus olhos se perdendo. Haruka ergueu a mão direita para tocar sua face, e sentiu como se tudo fosse um déjà vu; anos antes, ambos já tinham vivenciado aquilo, no dia em que se conheceram.

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Looking up from underneath
Fractured moonlight on the sea
Reflections still look the same to me
As before I went under

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Haru conseguia se lembrar com perfeição. Estava no segundo ano do Ensino Médio, quando, numa noite, invadira a escola para nadar na piscina que ali havia. Não era como se fosse a primeira vez que fazia aquele tipo de coisa, porém, a água estava diferente. Ele não sabia dizer como, nem encontrar alguma explicação plausível para aquela sensação, mas não podia deixar de notar como ela parecia viva, naquela noite. Então, ao chegar à superfície, ele a viu. Ali, parada diante dele, havia uma mulher cujo corpo era totalmente feito d’água.

– Você... – o jovem murmurou incrédulo. De repente, o corpo dela começou a tomar formas humanas, e ele pôde ver como sua pele pálida e seus cabelos azuis misturavam-se com a água da piscina, como se fossem uma coisa só. – Seu corpo... Quem... Quem é você? – perguntou, não conseguindo desgrudar os olhos dela. Mas a menina, por sua vez, pareceu ficar tímida de uma hora outra para outra, e suas bochechas coraram furiosamente. Antes que Haru pudesse se aproximar, ou fazer qualquer outra pergunta, ela transformou-se novamente em água e sumiu, sem respondê-lo.

Na noite seguinte, Haruka retornou à piscina do colégio, esperando vê-la uma vez mais. Não sabia dizer ao certo se o que havia acontecido na noite anterior era real ou apenas um sonho, o fato era que não conseguira tirar a menina de sua mente desde o fatídico encontro. E, ao tocar a água gelada, notou que ela possuía a mesma estranheza da noite anterior.

“Foi real”, pensou, mergulhando em seguida. Nadou por alguns instantes, sentindo como a água o enlaçava de uma forma surreal, e depois de algum tempo, colocou metade do corpo para fora d’água, olhando em volta.

– Eu sei que você está aí. – disse, e não obteve resposta – Apareça... Por favor.

Então, após alguns segundos de espera, ele viu o corpo da mulher se formar na água, tornando-se totalmente humana no minuto seguinte. Ela possuía uma expressão que Haru não conseguia distinguir, e seus olhos eram tão escuros quanto céu estrelado.

– Quem é você? – ele perguntou, por fim, sem tirar os olhos dela.

– J-Juvia... Juvia Lockser. – respondeu a jovem, erguendo uma das mãos para colocar uma mecha de cabelo atrás da orelha – E... E você?

– Nanase Haruka. – seus olhos correram do rosto dela até a água, que chegava à altura de seus seios – Seu corpo...

– É feito de água. – as bochechas de Juvia coraram um pouco, ao notar como Haruka a observava com curiosidade – Juvia é uma maga de água.

– Maga? – Haru tornou a olhar em seus olhos. Juvia apenas assentiu, sorrindo um pouco e se aproximando dele, até ficar a poucos centímetros de distância. A mirada que ambos travavam era intensa, e uma sensação estranha atravessava seus corpos. Era como se estivessem interligados, como se pertencessem um ao outro sem nem ao menos se conhecerem.

Haruka, então, levantou a mão direita e aproximou-a de Juvia, cujas bochechas coraram ainda mais. Ao ver como a menina de cabelos azuis não se afastava, ele tocou levemente sua bochecha, arregalando um pouco os olhos ao notar que ela era real. Ficaram assim por segundos a fio, até que Juvia, de repente, piscou rapidamente e se afastou.

– É melhor... É melhor Juvia ir. – falou apressada, colocando as duas mãos sobre o peito.

– Amanhã você vai voltar?

Ela o fitou, surpresa com a pergunta. Aquele rapaz queria vê-la novamente? Abaixou a mirada, parecendo hesitante por um momento, mas então, subiu-a e esboçou um pequeno sorriso. Com isso, transformou-se totalmente em água e desapareceu, mais uma vez deixando Haruka sem uma resposta.

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And it's peaceful in the deep
Cathedral where you cannot breathe
No need to pray, no need to speak
Now I am under all

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Nas noites que se seguiram, Juvia e Haru continuaram a se encontrar na piscina do colégio. Eles não costumavam conversar muito, visto que Haruka possuía uma personalidade reservada, e Juvia, por algum motivo, sentia-se extremamente envergonhada para começar qualquer conversa. Na maioria das vezes, ambos apenas nadavam lado a lado, livres, sentindo os corpos um do outro.

Porém, numa dessas vezes, Haruka se surpreendeu ao ver Juvia encostada na borda da piscina, em sua total forma humana, e com as mãos tapando o rosto alvo, logo quando chegou ao colégio. Ele se aproximou e entrou na água, notando como os ombros dela se contraíam de vez em quando. Estava chorando.

– O que aconteceu? – perguntou quando já estava próximo o bastante, ao que Juvia levantou o rosto vermelho para fitá-lo. Parecia um pouco surpresa com a presença dele.

– Juvia está triste... – murmurou, soltando um suspiro pesado e olhando para a água – Ela... Ela ama um homem, que não a ama de volta... – sua voz saiu entrecortada, e algumas lágrimas voltaram a correr por sua face – Dói tanto... Tanto... – e afundou novamente o rosto nas mãos, chorando em demasia. Foi então que, de repente, sentiu uma mão quente tocar-lhe o ombro direito, e voltou a olhar para Haruka, surpresa.

– Não chore. – ele disse baixo, quase como um sussurro.

Juvia ficou olhando para ele por alguns segundos, sem conseguir proferir nenhuma palavra. Então, antes que Haru pudesse se afastar ou algo parecido, ela o enlaçou pelo pescoço, abraçando-o fortemente e afundando a cabeça em seu ombro.

O moreno não sabia dizer o que era aquele sentimento quente brotando em seu peito, mas decidiu que não gostava de vê-la chorando, e que, por um motivo até então desconhecido, sentia uma urgência em protegê-la, em cuidá-la. De uma maneira um pouco desconfortável, retribuiu o abraço, dando leves tapinhas em suas costas. Ficaram assim por vários minutos, até que Juvia parou definitivamente de chorar e se afastou.

– Obrigada, Haru-sama, obrigada por consolar Juvia. Você é realmente uma boa pessoa. – e sorriu abertamente, enxugando algumas lágrimas que ainda teimavam em descer, com o dorso da mão. Ao vê-la sorrindo daquela maneira, Haru sentiu uma pontada no estômago, e seu coração pareceu bater um pouco mais acelerado. Sentia-se entorpecido pela beleza que a mulher à sua frente possuía.

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And it's breaking over me
A thousand miles onto the sea bed
I found the place to rest my head...

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Depois daquele dia, as coisas mudaram bastante entre os dois. Passaram a conversar mais – na verdade, quem falava quase sempre era ela, mas, pela primeira vez em muito tempo, o moreno não se importava em escutar – e Juvia lhe contava sobre o mundo mágico em que vivia, sobre guildas e missões que poderiam durar até mesmo 100 anos, entre muitas outras coisas. Por mais que aquilo parecesse surreal demais para Haruka, quando a menina começava a falar, seu rosto se iluminava, e ele não podia fazer mais que se deixar sorrir também, mesmo que quase imperceptivelmente. Uma vez, perguntou a ela como havia chegado até ali, e Juvia simplesmente respondeu que não sabia; num momento, estava nadando na piscina da Fairy Tail, e então, permitiu-se fluir, chegando até Haru.

Assim, o tempo foi passando, e os momentos que passavam juntos tornaram-se meses. Num desses encontros, porém, o rapaz não entrou na água. Ao invés disso, agachou-se na margem da piscina, totalmente vestido, com uma expressão séria. Juvia apoiou os braços no piso e o encarou. Parecia uma verdadeira sereia, ele pensou.

- Amanhã é a minha formatura.

Juvia arregalou um pouco os olhos, surpresa. Ela sabia o que aquilo implicava.

- É como uma longa missão, não é? – disse, olhando para a borda da piscina.

- Sim... A universidade pra qual eu vou fica em outra cidade. – ele falou, e ela apertou as mãos, sem fitá-lo – Eu não vou poder mais voltar aqui.

- Juvia entende... Está tudo bem, ela já esperava por isso e tudo mais... – começou a dizer, sua voz parecendo estar se quebrando – J-Juvia vai até pegar uma longa missão, também, e...

- Eu não quero parar de te encontrar, Juvia.

Ela subiu os olhos até os dele, pasma. Era a primeira vez que ele a chamava pelo nome, já que era sempre Juvia quem perguntava ou começava qualquer conversa, e ele apenas respondia. Ouvi-lo proferir seu nome, assim, no silêncio da noite, fez seu coração bater tão rápido que ela achou que ele iria sair pela boca. Sorriu docemente, e depois de alguns segundos de hesitação, colocou as duas mãos na borda, e empurrou o corpo para cima, saindo da água. Haruka ficou de pé, observando como a mulher saía da piscina, e começava a se aproximar dele. Era a primeira vez que a via totalmente fora d’água, e não podia conter o rubor que se alastrava por suas bochechas e orelhas. O corpo delgado e totalmente nu brilhava a luz da lua, enquanto os longos cabelos azuis adornavam o rosto dela, como uma moldura perfeita.

Juvia parou a centímetros de distância do moreno, olhando-o por debaixo dos longos cílios negros, com seus orbes carregados de mistério.

- No verão, você vai voltar... Não vai? – murmurou, e Haru apenas assentiu, não conseguindo despregar os olhos do rosto dela. Juvia sorriu – Então, quando o verão chegar, Juvia se tornará o mar, e ela e Haru-sama poderão nadar juntos, novamente. – ao dizer isso, aproximou-se mais ainda, ficando na ponta dos pés e roçando levemente seus lábios nos dele – Essa é a nossa promessa, certo? – ela sussurrou, e deu-lhe um beijo rápido, afastando-se em seguida. Quando já estava a alguns metros de distância, sorriu abertamente. – Não se esqueça da nossa promessa, Haru-sama! – e com apenas um aceno, mergulhou na piscina, desaparecendo.

Haruka tocou os lábios com a ponta dos dedos, ainda sentindo o gosto que ela havia deixado em sua boca. Aquele havia sido seu primeiro beijo.

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Though the pressure's hard to take
It's the only way I can escape
It seems a heavy choice to make
But now I am under all
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Meses se passaram, e enfim, o verão chegou. Haru retornou à cidade natal, e a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi a promessa que havia feito com Juvia. Será que ela ainda se lembrava? Será que estaria lá, quando ele aparecesse? Essas perguntas não paravam de rondar a cabeça do moreno. Quando o sol estava se pondo, foi até a praia e mergulhou no mar, almejando encontrá-la. Nadou um pouco, esperando que a água o transmitisse uma sensação diferente, mas tudo parecia igual. Foi então que, ao olhar para uma das rochas que haviam por ali, entendeu o motivo. Juvia estava deitada sobre a pedra com os olhos cerrados, recebendo os últimos raios de sol em sua pele alva. Pareceu notar a presença de Haruka, porque abriu os olhos rapidamente e virou o rosto em sua direção.

– Haru-sama! – exclamou, com um sorriso que não cabia em si. Desceu da rocha e se misturou com a água, tornando a aparecer somente quando estava próxima o bastante para abraçá-lo. – Juvia sentiu tanto a sua falta! – ela sussurrou, sorrindo como uma criança, enquanto apertava os seios contra o peito nu do rapaz. Não viu, mas um pequeno sorriso brotou no canto dos lábios de Haru.

– Eu também.

Ficaram assim por algum tempo, sem dizer nada, apenas escutando a respiração um do outro. Até que ela quebrou o silêncio.

– Haru-sama, eu precisa te contar uma coisa... – separou-se um pouco dele, olhando para baixo – Nesse tempo em que você esteve longe, algumas coisas aconteceram... — Juvia respirou profundamente, e depois subiu o olhar até o rapaz, mordendo o lábio inferior no processo — J-Juvia e Gray-sama, nós... Nós dois...
– Eu também. – ele a cortou, fitando-a com intensidade. Juvia pareceu não entender o que ele quis dizer – Rin.

A maga d’água arregalou os olhos, lembrando-se de todas as vezes em que Haruka havia lhe contado sobre o tal rapaz, assim como ela contara sobre Gray. E havia sempre um brilho especial no olhar, algo que ela não conseguia compreender. Mas agora, entendia tudo. Suavizou a mirada, e sorriu docemente. Haru desviou os olhos dela, parecendo envergonhado.

– Mas... Eu não quero acabar com isso. – ele murmurou após alguns segundos, e dessa vez, fitando-a.

E o olhar que ele mantinha sobre ela, era tão forte, tão intenso, que Juvia sentiu-se afogar, pela primeira vez em sua vida, o coração batendo a mil em seu peito. A maneira como aquele homem a fitava, era diferente de como ele o fazia quando falava de Rin. Extremamente diferente, e de um jeito bom.

– Nem Juvia. – sussurrou a jovem, colocando as duas mãos no rosto de Haruka e beijando-lhe os lábios, dessa vez, com muito mais paixão do que da outra.

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And it's breaking over me
A thousand miles onto the sea bed
I found the place to rest my head

Never let me go, never let me go
Never let me go, never let me go…
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Depois daquela ocasião, muitos outros verões e momentos vieram, e anos se passaram. Ela cresceu e ele também, cada um em seu respectivo mundo e com suas respectivas vidas, mas continuavam a se encontrar na calada da noite, quando todos dormiam tranquilamente.

A água em que estavam, agora, já não era mais a da piscina do colégio em que Haruka estudava, ou a do mar onde haviam se encontrado tantas vezes, durante as férias de verão. Agora, Haru possuía sua própria piscina, no quintal de casa, e ela ia visitá-lo sempre que podia.

Ele olhava a maga d’água à sua frente, percebendo o quão longe ela havia chegado, como tinha mudado, e que já não era mais a menina ingênua de outrora; era uma verdadeira mulher, em todos os sentidos. E no fundo, sentia-se extremamente orgulhoso por fazer parte disso, e por tê-la em sua vida, porque ela o havia feito amadurecer, também. Eles eram o segredo mais bem guardado um do outro; Haruka nunca havia contado a nenhum de seus amigos sobre ela. E Juvia, por sua vez, nunca tinha dito nada acerca dele, na Fairy Tail. O sentimento que nutriam um pelo outro era tão forte, que havia sido capaz de quebrar as barreiras do espaço-tempo, e transportá-la a um mundo totalmente diferente, apenas para encontrá-lo. Destino? Nenhum dos dois sabia, ao certo.

Então, depois de se lembrar de todos aqueles momentos, depois de sentir tantas vezes os lábios quentes dela contra os seus, percebeu que, por mais que o tempo passasse, por mais que a vida lhes pregassem peças, e que às vezes não fossem capazes de se encontrar naquela piscina, já não podia mais viver sem ela. Porque amava a água, sim, mas amava Juvia, muito mais.

Enlaçou os braços em volta dela, sentindo o corpo de Juvia ficar estático por algum tempo — ela não estava acostumada a receber abraços assim, por parte dele – e depois relaxar, abraçando-o em resposta. Haruka moveu o rosto até a orelha dela, e a maga se arrepiou com o simples toque de seus lábios no local.

Sim.

Ela piscou por alguns instantes, tentando assimilar o que havia acontecido. De repente, algo passou como um relâmpago por sua mente: ele estava respondendo a pergunta que ela havia feito antes.

– Haru-sama...

E não conseguiu mais se conter, separou-se um pouco dele, apenas para selar seus lábios num beijo repleto de paixão, enquanto segurava seu rosto com as duas mãos. Haruka, por sua vez, retribuiu o beijo, colocando uma de suas palmas na nuca da mulher, e a outra, em sua cintura, debaixo d’água.

Naquela noite, a água fora a única testemunha de que dois corpos poderiam sim ocupar o mesmo espaço, e que, dentro dela, não havia barreiras que impedissem o inevitável: que muitas e muitas vezes, se tornassem um só.

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And the arms of the ocean are carrying me
And all this devotion was rushing over me
And the crushes of heaven, for a sinner like me
But the arms of the ocean delivered me…

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FIM


Notas finais
Então... Sim, Haruvia. Eu sei que parece meio louco e tudo mais, mas não me taquem pedras, é tudo culpa das meninas do tumblr :cccc KKKK
Bom, já que o Haru AMA água, por que não juntá-lo com uma personagem que É a água? Vamos lá, nem é tanta loucura assim, vai :B
E sim, eu coloquei o Gray e o Rin no meio da história, porque... Sim. Primeiro, eu não acho que a Juvia desistiria do Gray tão fácil, e segundo, o Haruka é gay. No máximo bi. Na verdade, eu acho que ele é só "águasexual"... Enfim, se você shipá-lo com outro personagem (tipo, o Makoto), é só imaginar ele ao invés do Rin, porque eu também shippo todo mundo com todo mundo em "Free!".
Ai, acho que é isso. Me digam o que acharam, certo? Conto com vocês :D
Au revoir :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!