In the Rain

1 Beijo na Chuva


Notas iniciais
Olá, KiriBaku stan! ♥

Esse é o típico clichê do beijo na chuva (que amo!), e ficou algo bem fofo e boiola entre os KiriBaku protagonizando tal cena. Escrevi especialmente para à Beatriz, que tirei no amigo secreto de um projeto em outra plataforma.

Boa leitura! ♥

Bakugou olhou para cima quando um trovão reverberou pelo céu, as nuvens acinzentadas se acumulavam ligeiramente e Katsuki franziu o cenho ao constatar que não tinha trazido um guarda-chuva. Havia saído há poucos minutos do trabalho, e estava aguardando Eijirou na calçada em frente à loja de roupas que o ruivo trabalhava. O tempo tinha dado uma virada brusca; quando saíram cedo de casa, o sol ainda despontava no horizonte, porém, ao final do dia, o clima fechou de maneira traiçoeira e, consequentemente, pegou Bakugou — e o restante dos transeuntes desavisados — de surpresa.

Katsuki estava com fome e super cansado, suas pernas doíam ao final do expediente de tanto subir e descer do estoque em busca de calçados. Ele também trabalhava em uma loja no calçadão e o movimento tinha crescido consideravelmente naquela semana, por conta do Natal que se aproximava. Ao ouvir o específico barulho irritante da porta corrediça de aço sendo levantada, e uma conhecida cabeleira ruiva despontando por baixo da mesma, Bakugou ergueu as mãos em um claro sinal de impaciência pela demora de Kirishima em sair do serviço.

— Porra! Finalmente, hein?! — reclamou para o namorado, após separarem os lábios no singelo selinho de cumprimento que trocaram. — ‘Cê não disse que já ‘tava saindo, Eijirou?

— Desculpa, Suki! Meu gerente resolveu fazer uma reunião de última hora, e acabou atrasando a nossa saída. — Kirishima encolheu os ombros quando uma brisa gélida, com cheiro de chuva, arrepiou seu corpo. — O tempo virou mesmo, né? Acho que vai chover…

Hah. Você acha, é? Pois, eu tenho certeza! — Estalando a língua no céu da boca, Bakugou entrelaçou a própria mão na do ruivo. — Vamos embora antes que a chuva caia, ‘tô sem a porra do guarda-chuva aqui.

O casal não morava muito longe do centro comercial onde trabalhavam, seria uma breve caminhada por alguns quarteirões até que chegassem ao pequeno apartamento que dividiam. Entretanto, para a infelicidade de Katsuki, a chuva acabou interceptando-os na metade do caminho. "Puta que me pariu, mas que merda!", o loiro bufou irritado, ao xingar mentalmente, quando as grossas gotas de chuva caíram sobre si, encharcando rapidamente tanto ele quanto Eijirou.

O ruivo olhou de esguelha para o namorado — que estava visivelmente puto pela torrencial situação —, deixando um risinho baixo escapar, porque ele sempre achava fofo o bico emburrado que Bakugou fazia quando mal-humorado. Eijirou suspirou compreensível, pois estava igualmente cansado e doido para chegar em casa. Ele sentiu Katsuki puxá-lo pela mão, saindo do seu lado e tomando a dianteira ao apressar o ritmo da caminhada de ambos, resmungando palavrões a cada novo passo dado.

Bakugou, quando exausto fisicamente, ficava em um nível de estresse maior que o normal, chegando ao ponto de xingar cada poça d'água que pisava e até mesmo o ar que inspirava para os próprios pulmões. Kirishima achava graça da criatividade do namorado em inovar nos xingamentos, em determinadas situações, e resolveu manter-se em silêncio para não "cutucar a onça com vara curta"; conquanto, o ruivo tivesse uma ideia surgindo em mente.

Eijirou sempre fora apaixonado por filmes dos gêneros: romance e comédia romântica; então, assim que os primeiros pingos gelados tocaram seu corpo, automaticamente, ele pensou na clássica cena clichê: o famigerado beijo na chuva. O ruivo ponderava se deveria ou não dar voz ao pensamento, enquanto um pequeno sorriso maroto surgia em sua face ao fitar as costas do loiro; colocaria o plano em ação antes de entrarem na portaria do prédio.

Katsuki foi forçado a parar abruptamente quando Eijirou empacou atrás de si, não entendendo nada pela atitude repentina do outro, o loiro olhou confuso por sobre o ombro para o namorado ao vê-lo parado e puxando-o em direção a ele. Faltavam poucos metros para que chegassem na portaria, Bakugou só queria tirar toda aquela roupa molhada do corpo, tomar um bom banho quente e jantar.

Ele tentava ignorar o fato de que, provavelmente, os celulares de ambos tinham sido perdidos por causa da chuva. Talvez, quem sabe, com muita sorte, caso entrassem logo e colocassem os aparelhos em um pote com arroz, pudessem salvá-los… Assim como, Bakugou torcia para que sua carteira, com documentos e dinheiro, não estivesse muito molhada por dentro. Ao estar de frente para o ruivo, questionou:

— Qual o problema agora, Ei? — Katsuki franziu o cenho, dando indícios de que voltaria a andar quando sentiu Eijirou segurar seu braço, em um aperto firme, mantendo-o no lugar. — ‘Tá chovendo ‘pra caralho, Eijirou. Anda, porra, vamos entrar!

— Katsuki — ignorando o outro, Kirishima afastou a franja dos olhos antes de continuar —, eu posso te beijar?

Ahn? Que papo é esse, idiota?! — Bakugou revirou os olhos, confuso. Que porra de pergunta aleatória era aquela? Ele só queria entrar logo no apartamento, pois estava começando a ficar com frio. — Você não pode fazer isso quando estivermos dentro de casa, e, de preferência, sem essas malditas roupas molhadas?

— Por favor, mozi… É rapidinho, igual naquelas cenas de filmes que já assistimos. — Eijirou fez sua melhor cara de “cachorrinho que caiu da mudança”, torcendo para que dessa vez funcionasse com o namorado. Ele sabia que a ideia era repentina, e meio idiota, mas queria muito beijar Katsuki na chuva. Fazendo biquinho, apelou: — Hein, Suki, só um beijinho, vai…

Bakugou franziu as sobrancelhas, olhando sério na direção do ruivo, principalmente, por Kirishima ter dito em público que ele assistia esses malditos filmes melosos… Se alguém o perguntasse, Katsuki negaria até a morte tal blasfêmia! Rosnando baixo, antes de enlaçar o pescoço do namorado com os braços, Bakugou puxou a cabeça de Kirishima em direção a sua e tomou os lábios úmidos do outro para si. Ele queria um maldito beijo clichê na chuva, não queria? Pois, então, era isso que Katsuki daria a Eijirou.

Kirishima entreabriu os lábios, surpreso, também fechando os olhos e recebendo de bom grado o toque suave da língua de Bakugou na sua, em um encontro com movimentos ritmados e plena sintonia entre ambos. O ruivo sorriu entre o beijo, extasiado pela ação repentina de Katsuki, aproveitando para aproximar mais os corpos, ao rodear os braços na cintura estreita do loiro, em um aperto instintivo. O ósculo era intenso e bastante molhado, devido às gotas de chuva que escorriam entre os rostos, porém, nada mais importava para o casal além daquele apaixonado beijo em público.

Do mesmo modo repentino que começara, Bakugou encerrou o contato ao se afastar de Kirishima. Ambos se encaravam relativamente ofegantes. O loiro corou sutilmente ao ver o enorme sorriso que Eijirou ostentava na face; aquele típico sorriso que chegava aos olhos de cor avermelhada, com as covinhas salientadas nas bochechas, e que derretia o coração de Katsuki — sempre. Um dos dois poderia ficar gripado depois daquela ideia estúpida, mas, para Bakugou, valeria a pena adoecer só pela carinha de idiota que o ruivo fazia.

— K’Suki, o qu- Nossa, eu- Porra! — Kirishima riu, abobalhado, enquanto acariciava o rosto de Bakugou, com sincera devoção e carinho. O clima ao redor deles era úmido e gelado, todavia, seu peito estava morninho, preenchido por um sentimento gostoso e muito familiar para o casal. Eijirou não tinha dúvidas de que seu namorado era o melhor do mundo, e tomado pela emoção do momento, deixou sair em palavras o que transbordava dentro de si. — Eu te amo, mozi, muito!

Tch. Também te amo, Ei. — Dando um pequeno sorriso de canto, orgulhoso pelo efeito que causara no ruivo após realizar um desejo bobo — e deveras clichê —, Bakugou enlaçou o próprio braço ao do namorado, e o puxou, para caminharem juntos em direção à portaria do prédio. — Vamos logo ‘pra casa, amor.

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