Notas iniciais
Hello hello a todos! Como estão?! cri cri... ;-; okay Aqui está o capítulo novo, joguei e sai correndo.

Como assim ficou completamente sem sabonete e não percebeu? Era exatamente isso que Toshinori se perguntava ao adentrar aquela pequena farmácia das redondezas, a única aberta por vinte e quatro horas e mais próximo da sua moradia. Mesmo caindo de cansaço, o dono dos olhos elétricos faz esse esforço para não dormir suado, precisava de um bom banho depois daquele dia longo.

O homem do balcão o cumprimenta sem prestar verdadeira atenção, dando-lhe na verdade apenas um baixo “boa noite”, respondido também sem muito entusiasmo pelo loiro. Além deles dois, apenas uma mulher arrumando umas caixas estava presente e um grupo de três adolescentes na seção dos absorventes, estavam nitidamente alterados enquanto faziam piadinhas idiotas.

All Might vai até o que o interessava, o maldito sabonete. Mal presta atenção em qual iria levar, pegando de uma vez quatro caixas do mesmo sabonete e levando-os até o balcão. Repentinamente, uma jovem entra correndo pela porta, estava cansada, puxava longas golfadas de ar graças a corrida, mas o que chama a atenção do loiro, é o fato da jovem estar trajada com o inconfundível traje de herói de Eraser Head.

—Está tudo bem, jovem? –Pergunta o loiro, a menina entra andando, completamente exausta, e vai até ele por ter se mostrado o único interessado na sua repentina entrada ali. –Quer que eu ligue para a polícia leva-la até em casa? –Não estava preocupado pelo fato das roupas de Aizawa estarem na jovem, simplesmente o amigo devia tê-la salvo e ela fugira quando teve chance para tal.

—Ele... pediu para eu chamar ajuda. –Sua fala não é um tom mais alto que um sussurro, fazendo o outro não entender o que tinha dito.

—Perdão, que disse?

—Ele pediu ajuda! Temos que chamar algum herói! –Nesse momento, Toshinori se preocupa, Aizawa odiava pedir ajuda de outros heróis, seu método consistia basicamente em bloquear a individualidade do inimigo e apaga-lo em um só golpe. Em lutas longas, o moreno estava em grande desvantagem, ainda mais se o adversário possuir mutações, algo que o moreno não pode anular.

—Me diz aonde aconteceu isso. –Diz calmamente, tentando fazer a menina se acalmar.

Ela o explica da melhor forma que pôde aonde tudo aconteceu.

—Senhor, seus sabonetes. –Diz o homem do caixa segurando a sacola na sua frente.

—Cancele a compra, por favor. –E simplesmente deixa a loja com a jovem em seu encalço.

All Might liga para a polícia, pedindo que acompanhassem a colegial até em casa. Ele permanece com ela o tempo todo, até estes chegarem e ela finalmente estar de fato segura naquela madrugada. As ruas escuras não são lugar seguro para qualquer um, ainda mais para a colegial sem peculiaridade.

—Está mesmo tudo bem não chamar nenhum herói? –Ela pergunta para quebrar aquele clima constrangedor entre eles, poucos minutos antes da polícia chegar. Toshinori se perdera em pensamentos, não sabia como o colega de trabalho estava. Apenas torcia que este conseguisse segurar as coisas até que chegasse para ajuda-lo.

—Eu posso ajuda-lo, não se preocupe minha jovem. –Acena para os policiais e passa a correr para onde lhe fora indicado pela garota. Vira em algumas ruas, de alguma forma tinha certeza que estava indo para o lado certo.

Estranha o fato de não ouvir qualquer som, não ouvia impacto de socos, nem grunhidos de dor, cenário típico de qualquer luta. A ausência de som fazia apenas All Might se preocupar ainda mais, isso poderia significar que tudo já tinha acabado, torcia por isso com todo seu íntimo. Estava ciente que Eraser Head conseguia se proteger sozinho, obviamente, este se tratava de um herói profissional afinal. Mas o fato deste ter pedido à jovem para buscar ajuda, isso não saia de sua mente por um segundo sequer, eram altas as chances de ter algum vilão com mutação.

Ao virar em uma rua escura, já longe da vista de qualquer indivíduo, Toshinori assume sua forma de símbolo da paz. Sente suas roupas ficarem ajustadas no seu corpo atlético e passa a exibir seu costumeiro sorriso brilhante.

Em um instante, graças a sua velocidade absurda, ele chega ao beco úmido e escuro que a menina lhe indicara. As paredes eram extremamente próximas e o cheiro de imundice era absurdo, mas o que faz seu sorriso desaparecer por completo de seu rosto, não é a visão do ambiente em si, mas sim, das pessoas que ali estavam.

Um homem na casa de seus vinte e cinco anos encara tudo que acontecia ali um tanto enojado, este é o primeiro a perceber sua presença, entre abrindo os lábios para gritar. Grito esse que nunca chega a ser entoado, pois antes que pudesse alertar ao comparsa, um soco sem peculiaridade, apenas um soco do mais puro e simples ódio atinge seu rosto, lançando-o contra a parede, completamente desacordado.

Mas também não era ele o responsável pela mudança extrema de All Might. Um pouco mais ao fundo; onde Toshinori conseguia enxergar apenas parcialmente a principio, porém logo sua visão se acostuma, fazendo ter total ciência do que ali acontecia; um homem loiro começa a gargalhar de repente, ele penetrava fortemente o corpo mole e aparentemente sem vida do moreno que antes estava procurando. O que parecia impossível acontece, o sangue do herói número um parece ferver ainda mais. Suas íris de um azul elétrico, geralmente obscurecidas em seus olhos, ficam nítidas naquele momento.

E exatamente naquele momento, o herói All Might parece esquecer que é um herói.

Apenas um soco, com 100% do seu poder. Apenas isso foi o que aquele ser recebe em resposta à suas atitudes grotescas. Dessa forma ele é violentamente retirado de cima de Aizawa, sem que pudesse ao menos ver o que acontecera ao certo, tudo fora rápido de mais, o soco no dono da ilusão, em seguida no loiro. Tanto que o som do mais novo acertando a parede, nem ao menos chega aos ouvidos do loiro estuprador.

O que faria? All Might arregala os olhos assustado, sim, o perigo já se fora, mas apenas naquele momento, ao ver o que aqueles demônios fizeram a seu colega de trabalho, é que Toshinori sente medo. Aizawa permanecia completamente parado, seus olhos estavam semicerrados e não pareciam prestar atenção ao que acontecia. Nenhum dos dois tinha como saber disso naquele momento, mas esta foi a forma que o cérebro do moreno encontrou de tornar aquilo menos apavorante e grotesco para si, desligando grande parte da sua consciência. Ele estava coberto do sêmen ainda quente dele próprio e daquele que o violara, seus olhos estavam avermelhados, como se cansados de chorar e seus braços, presos com uma força exagerada às costas com as faixas que ele próprio usa em batalhas.

A primeira atitude que All Might tem coragem de ter, é desamarrar o moreno. Encarava-o buscando qualquer sinal de reação, mas o moreno mais se assemelhava a um boneco nos seus braços.

—Aizawa!... Aizawa! –O loiro exclama, finalmente os olhos negros o focam, mas ainda sem perder a opacidade que exibiam. Apenas então percebe um som incessante incomodar seus ouvidos, parecia o som de algo vibrando. Tem sua atenção roubada pelo meio das pernas do moreno, de onde vinha o som, um fio saia de sua entrada e terminava em um controle de apenas um botão. Ele franze as sobrancelhas de raiva, mas tenta se acalmar, desligando o aparelho porém sem tirá-lo do outro, esperando que este tenha primeiro alguma reação.

—All Might? –O sussurro fora baixo a ponto de o outro saber que o reconhecera, apenas graças a ler seus lábios. Porém, aquilo causa estranheza ao loiro, o modo como aquilo fora entoado, o olhar direcionado a si logo em seguida, Aizawa parecia decepcionado em ser ajudado, como se aquele corpo já não mais o pertencesse, mas sim fosse apenas uma casaca vazia. Toshinori finge não notar sua reação.

—Sim! Sou eu, Aizawa. Meu deus... Eu vou te levar ao hospital, okay? –Não sabia o que devia dizer, queria salvar o outro naquele momento, dizer que estava tudo bem, que tudo ficaria bem, que estava ali consigo; mas as palavras simplesmente não deixavam sua garganta.

Talvez pelo fato de que, de novo chegara tarde demais para ajuda-lo, deixando-o extremamente envergonhado. Rapidamente All Might se despe da camisa social que antes usava, enrolando o moreno com esta. Não consegue deixar de notar as várias marcas espalhadas pelo corpo pálido, a cada golpe, chupão, arranhado, corte,... que seus olhos repousavam, sentia mais e mais raiva daqueles agora desacordados no chão úmido daquele beco fétido, chegando a encará-los novamente e se perguntar se seria socialmente aceito dar mais alguns golpes sem necessidade. Ele se aproxima para pegar o moreno no colo.

—Não! –Ele grita, recuando rapidamente até suas costas baterem na parede. –Hospital não... me leva pra casa. –Aizawa se encolhe ali, apertando com a ponta dos dedos, o tecido que passara a rodeá-lo, como se fosse uma capa protetora.

All Might não tinha como não se sensibilizar, o moreno que sempre se mostrava confiante, lidando de modo entediado com todos os problemas que apareciam para si; estava agora tremendo na sua frente, encolhido e assustado. Não podia culpa-lo por não querer ver outras pessoas, não podia culpa-lo sem ao menos de não querer seu toque.

—Para casa? Aizawa... você está todo ferido e também tem que fazer exames, se cuidar. –Mas mesmo que não pudesse culpar o outro, era responsável por fazê-lo entender o melhor para ele mesmo naquele momento. Se aproxima o máximo que podia, passando algum calor para o outro, porém, não perto o bastante para talvez assustá-lo de novo, e faz um carinho de leve nas costas feridas.

—Por favor, Toshinori. –Os olhos marejados e voz um tanto esganiçada, não tinha a mínima possibilidade do loiro ignorar seu pedido. –Me leva pra casa. –Finalmente o dono dos olhos negros o encara, seu olhar, ainda sem qualquer vislumbre de vida, apenas duas orbes negras, vazias, com apenas o brilho das lágrimas a enfeitá-las.

O loiro engole em seco. Tinha certeza absoluta que não podia deixar Aizawa sozinho, conhecia de longa data as loucuras que pessoas com aqueles olhos são capazes. Após vários anos lidando com todo tipo de situação, com todo tipo de indivíduo, com todo tipo de trauma; All Might passara a identificar de longe os detentores do olhar mais perigoso que já conhecera: o de alguém que crê já não ter mais nada a perder. Era exatamente esse olhar que presenciava no dono dos olhos negros.

Este tipo de olhar lhe era mais comum em vilões maníacos, preparados para dar suas vidas em prol de algum massacre. Mas quando presentes em pessoas comuns, ou em heróis, só podia significar uma coisa. Suicídio.

All Might não sabia qual resposta devia ao outro, assim como palavras reconfortantes simplesmente não saiam de sua garganta, qualquer resposta aceitável não chegava a sua mente. Ele se vira para o outro lado por um instante, de modo que o outro não pudesse ver seu rosto, ele esfrega os olhos, não estava sendo racional, tampouco, profissional naquele momento que tanto os exigia.

Vira-se novamente à Shouta, determinado, sabia o que devia fazer.

—Aizawa-kun... eu vou tirar isso daqui agora, está bem? Então... er... você sabe, relaxe um pouco. –Diz constrangido, se referindo ao objeto ainda dentro do moreno, este também cora com o comentário, mas assente com a cabeça. O loiro o puxa para fora com cuidado, o líquido branco tinha se juntado ao sangue, formando uma coloração de um vermelho claro ao redor do aparelho, All Might o joga para onde o loiro estava desacordado.

—Me leva pra casa. –Repete Aizawa, em um misto de nojo de algo que Toshinori julgou ser de si próprio e tristeza.

—Certo, vou te levar embora daqui e sem hospitais por enquanto. —Uma risada anasalada, seguida da sombra de um sorriso nos lábios alheios, mas estes desaparecem com a mesma velocidade na qual surgiram com a conclusão do herói número um: –Mas, pra casa você não vai e sozinho não vai ficar.

—O quê? –Aizawa ergue uma sobrancelha, desentendido. O mais normal seria levar a pessoa traumatizada para casa, onde teria um mínimo de reconhecimento e poderia se sentir mais confortável. Porém, Toshinori enxergava aquilo de outra forma, se levasse o moreno para a casa deste, não sabe onde fica cada coisa, se há armas escondidas, remédios controlados, porém, em sua própria casa teria um maior controle disso, poderia fazer companhia ao moreno durante as férias e impedir que algo de ruim o acontecesse.

—Ordens do seu herói, Aizawa-kun. –Afirma com seu sorriso costumeiro. –Você vai ficar na minha casa por enquanto, amanhã podemos passar na sua casa e pegar o que for precisar. –Sem esperar uma resposta do outro, o pega no colo, este não luta contra isso, não sabia dizer se por já estar cansado de lutar aquela noite, ou por seu íntimo saber que aquilo é o melhor para si.

—Eu não concordei com isso, All Might. –Tenta contestar, já sendo carregado nos braços pelo herói número um, que a saltos buscava o caminho mais curto até sua residência. –Isso é quase um sequestro.

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—Wait. WAIT! WHAT?! –Uma coloração avermelhada ganha espaço na exuberância pálida do rosto do moreno, enquanto o loiro ainda tentava assimilar o que lhe fora confessado. –O que você quer dizer com isso? Q-quer dizer, eu sempre te vi como um grande amigo e tudo, mas... Não é que você não seja meu tipo ou algo assim, eu só... nunca pensei em algo assim antes, e com você, uau, mas... é porque você sempre me chamou de escandaloso e tagarela e... bem, irritante e coisas mais, que sempre achei que andava comigo mais por obrigação do que de fato querer. E agora você diz que me ama?! Eu?! É demais pra eu assimilar. –A fala de Hizashi não é alta, mas é rápida e este mais resmungava aos olhos do moreno do que de fato dizia alguma coisa.

Naquele momento pessimista, onde de tudo que o outro poderia dizer para si, todos os cenários que visualizava este tinha uma reação negativa; as únicas partes que a mente de Aizawa entende com perfeição é o início. “Sempre te vi como um amigo” Estava até clichê usar esse argumento para dar um “Não” a alguém. E quando é esta uma das frases usadas pelo loiro sem pensar, é uma das únicas entendidas pelo outro, que cerra os punhos em raiva.

—Cala essa merda de boca, Hizashi. –Mic arregala os olhos, o outro definitivamente não dera ouvidos ao que disse. –Se não corresponde isso, ou me acha nojento por isso, não tem problema. Não precisa criar um discurso pra isso. É só sair da minha casa. –Aizawa o encarava ainda com os olhos em chamas, a caneca ainda em suas mãos parecia que a qualquer momento poderia rachar.

—Wh-O quê? Não, Shouta, você não me entendeu, eu me expressei mal! –Não tinha se expressado mal, tinha certeza disso, mas precisava fazer o outro se acalmar. –Então, eu até o momento não tinha pensado em você dessa forma, entende? Por seu ter sido sempre o amigo que beira o insuportável pra você... Nunca imaginei que me visse desse jeito. –Em um ritmo mais lento, ele explica o que sentia.

—Mas eu vejo. Há muito tempo. Me doía, sabe? Ver você se gabar de quantas garotas tinha pegado na noite anterior. –O loiro coça a nuca, agora ele estava envergonhado. Aquilo lhe parecia ridículo agora e ainda mais quando dito pelo moreno. –Mas eu sempre soube que nunca ia dar em nada, não tinha como dar em alguma coisa. Então eu sempre escondi isso, das outras pessoas e às vezes até eu acreditava que tinha esquecido, que você era só um amigo, que se você saísse com outras pessoas eu não ia ligar. Mas eu ligava. –A última frase é dita baixa, de modo que o outro demora alguns segundos para entender. O loiro se assusta pelo como fora entoada essa frase, a voz levemente esganiçada e seguida de um esconder o rosto com a mão por parte do moreno. Não sabia o que estava pensando, mas de onde o observava, parecia estar chorando.

—Eu ligava, Yamada. Tanto que chegava a doer. Mas com o tempo, eu fui anestesiado pela dor, o que era insuportável se tornou tão corriqueiro que mal fazia cócegas. Então eu pensei que finalmente de fato o estava esquecendo. –A cada palavra, Hizashi se sentia mais e mais culpado por nunca ter percebido os sentimentos do amigo, logo ele que julgava conhecer o moreno tão bem. –Mas então, você me diz ter algo super importante para contar, e que precisa ser dito a sós, em um lugar legal. O que caralhos eu devia ter pensado?! Que era você assumindo sua sexualidade? Lógico que depois de tanta patada da vida e de você eu devia ter percebido que obviamente não ia ser o que eu queria, mas, mesmo eu tentando controla-la, a esperança renasceu no meu peito. –Ele aperta a blusa de manga negra que vestira, no peito do lado esquerdo, como se pudesse de alguma forma acalmar seu coração. –Coração idiota.

Hizashi quase nunca vira Aizawa falar tanto initerruptamente, mas definitivamente, nunca o vira falando sobre os próprios sentimentos. Agora que parava para pensar no assunto, não se lembrava do moreno falando sobre si próprio, salvo pequenas exceções. Julgava conhece-lo tão bem, mas não sabia nada do que se passava dentro daquele coração tão meticulosamente lacrado por ele próprio. Sentia-se culpado, mas não era detentor de toda a culpa, sabia disso.

—Como eu poderia saber disso se você nunca disse pra mim? –Pergunta sincero. De fato nunca perguntara ao outro o que se passa consigo, afinal, o jeito reservado e sério do outro era sua característica desde que se conheceram, julgava que seria muito intrometimento de sua parte perguntar o que o outro não queria falar sobre.

—Como é?

—Você entendeu bem. –Mesmo que parecesse um tanto rude a forma como falava com o moreno ainda irritado, era a forma que usava desde sempre para fazê-lo voltar a pensar racionalmente. Afinal, de alguma forma Aizawa percebia como ambos estavam agindo como crianças, fazendo a conversa voltar a parecer algo digno da idade que tinham.

—Entendo, então de acordo com a sua lógica eu deveria jogar em você a informação que sou homossexual e apaixonado por você, tendo assim chance de perder um dos meus únicos amigos que de qualquer forma vou ser obrigado a encarar todos os dias da semana? É isso mesmo?

—...Você me conhece desde o ensino médio, sabe que eu não deixaria de ser seu amigo.

—Pode até não deixar de ser meu amigo, mas o fato de saber que não te vejo da mesma forma que me vê já ia ser o bastante para agir diferente. E só isso já doeria mais que qualquer fora. –Ele se levanta abruptamente, rumando a cozinha a passos calmos.

Ao ver-se sozinho, Hizashi se permite digerir parte do que lhe fora dito em tão pouco tempo. Não tem muito tempo para isso antes do moreno voltar, agora sem a caneca em mãos, e abrir a porta de forma apressada, em seguida joga as chaves sobre si, que continuava no sofá sem saber o que fazer.

—Vou dar uma saída. Se quiser ir embora enquanto eu não estiver pode jogar as chaves atrás da planta do corredor. Não esquece de trancar a porta. –Sem esperar qualquer resposta, ele se vai. Batendo a porta nas suas costas, deixando Hizashi repentinamente sozinho com seus pensamentos naquele apartamento frio e de clima ainda tenso.

Ele soca uma almofada ao mesmo tempo em que solta um grunhido raivoso. Nunca tinha percebido os sentimentos de Aizawa para consigo. Na verdade, havia momento que duvidava se o moreno tinha sentimentos como qualquer pessoa normal. Então de repente ele decide jogar todos eles, de todos os anos que se conhecem sobre si e sai sem mais nem menos? Se arrependia de não ter o impedido de sair, mas talvez fosse bom eles dois se acalmarem antes de conversar de novo. No caso seria ótimo, mas ele não tinha como saber o que o destino os reservava, aquilo que acabaria adiando a conversa de ambos em um bom tempo.

Decidido a esperar o outro voltar, Hizashi espera por várias horas no apartamento do moreno, até finalmente ficar preocupado e extremamente entediado por não ter nada mais que a televisão para entretê-lo. Procurou por um bom tempo o notebook do moreno sem sucesso, não entendia o motivo para este esconder o próprio computador em sua própria casa, mas ignora.

Assim como pedido tranca o apartamento e joga as chaves atrás da planta do corredor, se perguntando o que teria acontecido ao moreno para chegar tão tarde sendo que tinha saído tão cedo. Mal sabia ele que ainda eram 20:00 e naquele momento, tudo estava longe de ser um perigo.

Notas finais
E ENTÃO? O QUE ACHOU? Mereço um beijo, um queijo, um coment? >< Meu coração doeu muito principalmente nessa discussão, por motivos de: Tudo saiu naturalmente, toda palavra que eu escrevia parecia levar de uma maneira muito limpa a uma resposta e tal, mas digam o que acharam!