In pleno flore comantem est in gloria
1 Amy Lockhart
Notas iniciais
No frio do Alasca, em dezembro de 1987, eu vim ao mundo, um bebê morto, cuja vida foi devolvida pelo senhor da morte, Hades. Irônico, não é? – Risada – minha mãe sempre me olhou com medo, e, portanto, não desempenhara seu papel, pois tinha medo de morrer. Quando chamava a minha atenção, ou quando reclamava de algo, as plantas, animais, tudo morria e apodrecia ao meu redor. Desde cedo, eu apresentava o ápice do meu poder, o que fez com que eu permanecesse em casa, tendo aulas com professores particulares. Ao menos, até onde a minha mãe podia pagar.
Eu cresci num ambiente instável e frio, e pouco a pouco, quanto mais eu crescia, eu perdia o controle de mim mesma. O que poderia ser essa existência tão irregular e catastrófica? Uma filha de Hades, com poderes massivos desde cedo. Provável que tenha sido da consequência de meu pai ter me trago de volta. Coisa que hoje, ele se arrepende amargamente.
Aos doze anos, eu matei a minha mãe. E sinceramente, foi um alivio vê-la morta diante dos meus pés, uma sensação refrescante de liberdade poderia ser sentida a partir da sua morte. Afinal, tudo o que me prendia àquele lugar era ela, a Sr. Lockhart. A partir daquele dia, eu fugi de casa, e todos pensam que eu provavelmente fui levada com os assassinos, Amy Lockhart, a partir de agosto de 1993, foi dada como desaparecida.
Vivi por dois anos com migalhas: fazendo uso dos meus poderes para sobreviver o que perdurou até o dia em que eu fui atacada pelo que hoje eu conheço como “Minotauro”. Isso aconteceu em uma floresta na fronteira com o Canadá. Eu não possuía preparo – e enfrentar aquilo sozinha provavelmente significaria a minha morte – mas uma outra semideusa me salvou e seu nome era, Lauren Prescott, uma garota como eu, porém, filha de Hécate.
Lauren acertou três flechas que paralisaram o monstro, e sem receio, caminhou até ele degolando-o com uma espada média, a qual era incrustada de runas que reluziam em um roxo purpura. Com ela, eu conheci de fato o que era ser um “semideus”, e ao contrário do que a minha mãe pensava, não havia nada relacionado a monstruosidade, na verdade, era algo até comum. Fui levada por ela até a ilha de Circe, o único lugar que eu pude identificar como “casa” até hoje. Pois havia várias semideusas como eu, o que fazia com que eu me sentisse mais à vontade. Mas essa ilusão logo fora descartada.
Eu escolhi ir até Circe, ou ao menos achava que havia feito àquela escolha. Enquanto que as outras crianças e adolescentes, foram sequestradas de suas casas ou então em missões de um tal acampamento, o qual eu nunca conheci. Considerei toda aquela história muito mirabolante, e apenas aceitei viver sob os cuidados da feiticeira, quem me ensinara a usar meu poder de forma prudente e me deu arma, comida, e lugar para dormir.
Minha adolescência se resumiu a realizar serviços para a minha senhora: Auxiliar Lauren a roubar semideuses e a assassinas aqueles que se opusessem o nosso caminho. Eu não sentia nada, mesmo. Era bom. Nada extraordinário, a única euforia, adrenalina, eu sentia ao matar alguém, ou qualquer ser que tentasse me atacar. Isso tudo foi se tornando cada vez mais frio, tedioso. Não havia ninguém mais forte que eu. Ninguém. Isto é, até os meus dezessete anos, quando eu enfrentei uma caçadora de Ártemis.
O nome da honrosa inimiga era Luna Cipriano, ela tinha até uma irmã consigo, a qual ela defendeu até a sua morte. Devo admitir que a garota deu trabalho, pois ela matara Lauren na minha frente, e ainda teve energia para me enfrentar. Eu não compreendia o que era essa força, algo que a fazia focalizar seus poderes, algo que fazia ela levantar, e quando eu a perguntei o que era. Ela me disse:
— Você vê aquela garota ali? – Apontava para uma ruivinha, escondida nos arbustos da floresta negra, na qual nós duas lutávamos, o corpo de Lauren estava próximo do arbusto, seu braço direito erguido para capturar a garotinha, mas a lança fincada na sua cabeça, respondia a pergunta de o porquê ela não havia conseguido. – Ela se chama Ayla, Ayla Cipriano, e é minha irmã mais nova. Você... provavelmente não entenderá o que eu digo, mas, eu a amo. E é por isso que eu estou de pé, pois preciso protege-la, não importa o quê. Diga-me Amy... – Fincou sua espada na terra escura, eu já havia me apresentado, por isso ela sabia meu nome. Ofegante, ela continuou: — Você sabe o que é o amor? Um sentimento tão forte que... não... nem sentimento é... é algo maior que isso. – Eu armei o arco, e apontei para a cabeça de Luna. – É algo que você protege, e acolhe dentro de si, com tanto medo que você tem de perde-lo. E mesmo que o perca... é algo que mesmo se vá ou desapareça... – Uma flecha fincou em seu braço, e eu sinceramente não sabia o porquê de sua fala estar me afetando. A semideusa caiu, mas continuou a se rastejar até sua irmã, que saía pouco a pouco do arbusto, com os olhos assustados ao me ver preparar o arco para mais uma flecha. – Permanece no seu coração. – Eu hesitei, mas consegui acertar Luna, no peito esquerdo, e então parou de falar, ou se mexer.
Ayla soltou um berro tão grande que chegou a me surpreender, ela pegou a espada da irmã, que já havia desistido de lutar contra mim, e correu na minha direção, erguendo a arma com bravura, mas sem jeito, pois a espada era maior que o seu tronco. E com facilidade, eu a derrubei, estalando os dedos, ela ficou presa na minha aura do medo.
Ergui o arco, e apontei, mas não consegui acertar a flecha. Minhas mãos tremiam, e as palavras de Luna sonorizavam-se repetidamente na minha cabeça. Mesmo morta, ela conseguia me perturbar. Não matar Ayla, foi o meu primeiro erro.
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