In Your Eyes

2 Capítulo 1


Notas iniciais
*Roxelle é uma personagem de um seriado norte-americano chamado Everybody Hates Chris que conta a vida do comediante Chris Rock, no seriado ela é mãe dele e não permite que ele estude na escola do bairro em que moram por considera-la ruim, então ele precisa levantar cedo demais e pegar dois ônibus para chegar a escola onde fora matriculado, onde passava por poucas e boas.

Cara... Eu odiava aquilo... Minha mãe tinha algo meio “Roxelle*” que a impedia de deixar que eu estudasse perto de casa, então todos os dias eu tinha que levantar as 05:30 da manhã para tomar café e me arrumar em trinta minutos, descer a rua correndo e pegar o ônibus atrasada para chegar á escola pouco antes das 07:00 e na verdade a escola nem era tão longe, mas em São Paulo sempre tem transito, não importa a hora que você saia de casa, sempre vai pegar um engarrafamento... Essa já era a minha rotina há dois anos. Aquele era meu primeiro dia no segundo ano do ensino médio, nesse ponto demorar tanto tempo em pé dentro de um ônibus lotado até que era bom, afinal eu sempre fui pequena e magra e sabia que quando chegasse a escola teria que estar bem disposta afinal teria que tirar forças sabe-se lá de onde para empurrar toda aquela gente e subir nas pontas dos pés para tentar ver meu nome no mural e descobrir afinal em que turma eu estava e onde era a sala.

Depois de algo que me pareceu um século eu finalmente desci em frente á padaria, dali eram cerca de cinco minutos caminhando até a escola, ao chegar totalmente bagunçada, afinal meu cabelo cacheado que havia sido totalmente domesticado antes de sair de casa já havia se rebelado dentro daquele ônibus com tanta gente se esfregando nele para passar e nesse momento eu parecia um leãozinho ou como um amigo meu costumava descrever “um solzinho” com o cabelo todo desgrenhado, meu uniforme que também já estava para lá de amassado... Finalmente encontrei minhas amigas, que como sempre estavam lindas, afinal a Alice era uma modelo, alta, tão branca quanto eu, de cabelos ruivos, lisos e curtos, olhos amendoados e castanhos; a Mayara era baixa como eu mais tinha um corpo muito bem feito, pele mais morena, olhos um pouco ‘puxados’ e cabelo bem encaracolado mais que o meu, ambas moravam perto da escola iam até lá todos os dias a pé desde que nos conhecemos na sétima série do ensino fundamental, portanto seus uniformes, ao contrário do meu, estavam sempre bem passados. Nos abraçamos e contamos as fofocas das férias para depois corrermos até o famigerado mural, com a Alice abrindo caminho para a Mayara e eu, assim pudemos ver em que turmas estávamos, o que foi uma situação bem chata para mim, afinal a Mayara e eu estávamos na mesma turma, mas a Alice havia sido colocada em outra, isso me deixou bem triste, mas superado o choque inicial ouvimos o toque do sinal avisando que era hora de nos enfiarmos no meio da multidão e sermos arrastadas por aqueles corredores até as salas como sempre.

Em geral as salas ali eram todas iguais, relativamente pequenas para seus quarenta alunos, com uma janela enorme que ocupava uma parede toda, a baixo da janela um balcão que ao meu ver só servia para ocupar mais espaço da sala afinal ninguém usava aquilo, as paredes eram brancas como o teto até a metade, dali em diante eram azul claro, outra coisa sem sentido, afinal aquelas não eram as cores do uniforme (preto e branco), mas enfim, pintassem da cor que quisessem para mim não importava só me preocupava com o conteúdo que era posto no quadro negro. Então tomei meu lugar na carteira ao lado da Mayara, sempre o segundo par de carteiras perto da janela, o primeiro par pertencia a outras duas colegas Marina e Talya, gostávamos dali porque era claro e perto o suficiente da mesa do professor para que não perdêssemos tempo na hora de levar os exaustivos textos copiados para que o professor desse seu visto.

Como éramos duas adolescentes como os demais sempre ficávamos curiosas para saber quais eram os alunos novos na sala, será que apareceria uma garota legal e decente para juntar-se a nós, ou um garoto bonito? (francamente aquela sala carecia de garotos bonitos). Naquele ano foram poucos os alunos novos, todos homens, um muito estranho por sinal, já era conhecido de nossa amiga Marina, ele tinha repetido o ano umas três vezes a ponto de ter estudado com o irmão mais velho dela que há muito já havia se formado, ele me parecia um ‘trombadinha’ seu nome era Fernando, mas enfim... Haviam outros dois garotos novos os quais não prestei atenção apenas soube pela chamada que um se chamava André e outro Paulo, não me dei ao trabalho de olhar para trás e ver como eram mas ouvi a Mayara dizer “Hey, esse até que é bonitinho!”. Dava trabalho manter minha fama de má por ali, eu jamais tinha chego perto de qualquer um daqueles garotos que estudavam ali ou de qualquer outro, apesar de alguns terem tentado se aproximar de mim continuava firme em meu propósito de estudar para poder passar no vestibular e manter-me afastada de envolvimentos emocionais com garotos que poderiam atrapalhar meus objetivos ou sair por ai falando mal de mim, dizendo que fizeram coisas comigo que não eram verdade, não digo que até ali não tinha me interessado por nenhum, mas cuidadosamente sempre me mantive afastada.

A aula seguiu com os professores se apresentando e dando pouca matéria, mais tarde Alice me contou que fora transferida de sala por seu próprio pedido, nunca havia se dado muito bem com a Mayara, mas sabia que eu gostava dela, então preferiu sair de perto dela sem tentar me afastar dela também, dentro de mim eu queria ir para a mesma sala que a Alice, mas achei que a Mayara poderia se sentir deixada de lado então disse que ficaria na outra turma mesmo, a Alice disse “Fica tranquila ‘Bruneca’ eu estou bem, algumas amigas minhas de outra escola estão estudando na mesma sala que eu então não vou ficar sozinha, mas sentirei sua falta.” Pode parecer muito drama, mas nós sabíamos que não ficaríamos mais tão próximas quanto antes. Eu fiquei triste por nos afastarmos, gostava muito dela, de seu jeito meigo e do apelido que me deu “Bruneca” era a junção do meu nome “Bruna” e da palavra “Boneca” porque todos sempre disseram que me pareço com uma boneca, eu achava engraçado se fosse uma boneca seria a mais mal educada que já se viu, sobretudo com homens.

Enfim, o primeiro dia passou como todos os outros dias de todos os outros anos e aquela semana correu bem, nos ambientamos a sala nova e a turma começou a se entrosar, Mayara e eu continuávamos a mesma dupla sem ninguém novo no grupo, mas não nos importávamos com isso de verdade, gostávamos uma da presença da outra, nos dávamos muito bem e erámos sem dúvida algumas das alunas preferidas dos professores.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.