In Wonderland
7 Capítulo 6 - O Teatro das Alices
Notas iniciais

Allen andava devagar, pois estava cansado. Seus pés estavam latejando e seu estômago estava fazendo barulho, logo ele percebeu que estava faminto. Aquela cidade parecia ser uma cidade comum como qualquer outra, porem a sua diferença eram os seus habitantes. Seres marinhos que se comportavam como humanos.
No meio da cidade havia uma praça e no meio desta praça havia uma grande estátua. Allen se aproximou e logo abaixo viu escrito “O carpinteiro”. Ele observou mais um pouco a grande estátua depois saiu andando sem rumo. Não sabia para onde ir nem o que fazer, a vorpal blade e o moedor de pimenta estavam pesados e ele sentia que logo ia desabar.
Alguém repousou a mão sobre o seu ombro. Assustado Allen se virou deparando com um homem, na verdade um peixe que se comportava como um homem, ele sorriu e logo começou a falar.
–Está perdido meu jovem rapaz? –Perguntou.
– Acho que sim. – Allen logo respondeu. – Preciso encontrar o teatro, tenho um ingresso para o show do carpinteiro, mas não sei para onde ir.
– Eu posso lhe mostrar. – Disse o homem peixe. – Mas primeiro o levarei para meu restaurante, parece faminto. Venha é por conta da casa, uma cortesia de boas vindas.
Apesar de achar a oferta um tanto estranha ele não a recusou, ficaria mal consigo mesmo se a tivesse recusado e também o seu estomago não o deixaria recusar. Eles atravessaram a rua estreia e desceram uma pequena ruela, no final havia uma casa grande onde acima da porta havia ossos do que antes provavelmente foi uma sereia. Ao lado dos ossos havia uma placa onde podia-se “ The Mangled Mermaid”.
Allen seguiu o homem peixe para dentro do estabelecimento que estava lotado. O homem o acompanhou até uma mesa nos fundos e pediu para que ele se acomodasse. Logo na sua frente estava um grande banquete. Ele não sabia dizer o que era aquilo que estava comendo, mas não se importo, afinal de contas o gosto era muito bom. Ele se empanturrou, quando chegou na metade sentiu que não havia mais espaço dentro de sua barriga. Bebeu o líquido doce que estava dentro de uma caneca e depois foi até ao balcão agradecer o homem peixe. Neste momento ele foi surpreendido por uma mulher peixe muito bem vestida.
– O show do carpinteiro vai começar, vamos logo ou vamos nos atrasar! – Gritou a mulher peixe e todos começaram a sair do estabelecimento.
Apressado Allen os seguiu. Todos caminhavam apressadamente pelas ruas indo para o que parecia ser o centro da cidade. Lá havia um grande teatro, o local era o maior prédio da cidade, e alem de maior era o mais bonito. Na porta estava parado um homem alto de cabelos vermelhos, ele usava um macacão preto com listras brancas, sua perna esquerda era uma perna de pau e na mão direita ele segurava um enorme martelo.
A medida que as pessoas entravam no local elas cumprimentavam o carpinteiro que parecia cada vez mais feliz em ver a quantidade de pessoas que vieram presenciar o seu show. Ele estava naquele ramo há anos, porem cada espetáculo era como se fosse o primeiro para ele. Todas as noites eram como uma nova estreia, um novo recomeço.
– Espere um pouco. – Disse o Carpinteiro ao receber o ingresso de Allen. – Você me é familiar, já esteve por aqui.
– Não, senhor. – Allen logo respondeu. – Mas deve ter conhecido uma pessoa que é da minha família.
– E quem seria o felizardo? – Perguntou o Carpinteiro como soberania.
–Alice Liddell. Ela é uma parente distante.
– Ah! A jovem Alice. Eu devo muito a ela. – O Carpinteiro gargalhou. – Alice me ajudou a organizar o show uma vez, mas desde então nunca mais a vi. Vieram outros, mas nenhum desapareceu como ela, estes outros simplesmente se perderam. – Ele abriu a porta. – Vamos entre, procure um lugar na frente o show hoje será especialmente para você.
Allen adentrou o local. Estava cheio, porem ele conseguiu um lugar na segunda fileira. Logo todos estavam dentro do teatro e ele pode ver o Carpinteiro se dirigir para detrás das cortinas, o que indicava que o show ia começar.
As luzes se apagaram e todos ficaram em silêncio. As cortinas do palco se abriram e o Carpinteiro estava no meio sorridente segurando um microfone.
– Senhoras e senhores, bem vindos ao teatro do mar. É um prazer recebê-los aqui nesta noite tão bela. – Ele sorriu. – Hoje tempos um convidado especial, por isso o show não seguirá como padrão. A apresentação de hoje será especial. Há anos vocês vem me pedindo, porem eu sempre disse que só apresentaria este número na hora certa e a hora certa é hoje. – Ele ficou sério enquanto a iluminação mudava deixando o palco mais sombrio. – Fiquem a vontade e desfrutem do nosso espetáculo chamado “Alice Human Sacrifice”!
Um silêncio incomum tomou todo o lugar, as luzes ficaram mais fracas e logo uma voz feminina começou a falar.
“Era uma vez um sonho...
Ninguém sabe quem o sonhou,
era um sonho pequeno.
E isso fez o pequeno sonho pensar...”
Uma voz infantil falou logo em seguida.
“Eu não quero desaparecer...
Como faço para as pessoas continuarem a me sonhar?”
A outra voz retornou.
“O pequeno sonho pensou e pensou...
E no fim teve uma ideia...”
“Eu farei as pessoas irem até mim.
E elas farão o meu mundo...”
As luzes aumentaram e todo o palco estava tomado por atores, todos dançando ao som da música viciante. O cenário eram idêntico ao país das maravilhas. Uma garota com cabelos curtos e vestido vermelho adentrou o palco, ela segurava uma espada e dançava no meio de todos. Ela sorriu para todos e começou a cantar.
“A Segunda Alice era uma valete de espadas
Segurando uma espada na mão no País das Maravilhas”
Logo a garota tomou uma forma um tanto doentia e começou atacar os outros atores.
“Cortando tudo em seu caminho
Ela era acompanhada por um rastro vermelho”
Allen percebeu que aquela apresentação estava contando a história da segunda Alice, aquilo o assustou.
“Essa nova Alice foi profundamente pelos bosques
Em castigo por seus pecados presa permaneceu
Árvores cobriram toda forma de escapar
Ninguém pensaria que ela sequer existiu.”
No palco eles encenaram a morte da segunda Alice em meio a assovios e aplausos. Quando chegou ao fim a luz ficou fraca, mas a música continuou. Assim Allen entendeu que eles contariam a história de todas as Alices.
“A terceira Alice era um rei de ouros
Encheu com seu doce encanto o estranho país
Enchendo regiões com tantas falsas notas criadas
Aquilo era um louco mundo azul
Essa nova Alice era delicada como uma rosa
Ele foi baleado e morto por um homem louco
Floresceram em seu peito rosas carmesim
O que era amado agora foi esquecido.”
A terceira Alice havia sido um garoto e pelo que Allen pode entender ele foi morto ali, bem no meio daquele teatro. Isso o fez estremecer.
“A quarta Alice era uma pequena rainha de paus
Era muito amada e querida no País das Maravilhas
Ela enfeitiçou a todos com cada gesto e frase
Ela criou um estranho país verde
Essa nova Alice se tornou rainha do país
Sua paz foi levada embora por um sonho distorcido
Ela tinha medo de perder para a morte
Ela queria para sempre mandar em seu mundo.”
A quarta Alice, uma garota doce, porem tomada pelo desejo e ambição. A cada segundo Allen se sentia mais perdido.
“Enquanto isso duas crianças chegaram nos bosques,
elas tiveram uma festa do chá debaixo das roseiras
O convite do castelo era... um Ás de copas.
A quinta Alice foi um lindo par de irmãos
Curiosos a explorar o estranho país
Passando por portas e encontrando cada vez incontáveis cenas de pena e terror sem fim.
Uma valente irmã maior, e um brilhante irmão menor
Procurando a primeira Alice, até encontrar...”
Tudo ficou escuro. Allen já sabia o que havia acontecido. Como todas as outras Alices as crianças estavam mortas, aquilo o fez temer . Será que seu destino seria o mesmo? Aquela canção não dizia o que aconteceu com a primeira Alice.
“Deste lindo sonho eles não vão acordar...
Presos para sempre no País das Maravilhas.”
O show terminou. As luzes acenderam e todos aplaudiram de pé. Os atores entraram no palco e receberam os aplausos, logo em seguida o Carpinteiro entrou e finalizou o show.
Todos começaram a sair esvaziando o salão. Allen não conseguiu se levantar ele estava preso a cadeira assustado e sem saber o que dizer. Agora ele sabia sobre as outras Alices, apesar de superficialmente. Ele sabia que tudo não era tão fácil quanto parecia, que era pior que ele imaginava. Como iria continuar sabendo que poderia ser morto no seu próximo passo.
– Um conselho de um velho amigo. – A voz de Cheshire veio de trás. – Vá logo para o reino da rainha branca. Não é mais seguro ficar por aqui. – Dizendo isso ele desapareceu.
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