In Wonderland
5 Capítulo 4 - Festa do Chá
Notas iniciais

Allen estava petrificado, por algum motivo incomum ele não conseguia se mover e no fundo ele sabia que isso o colocava em desvantagem. Aquelas criaturas estranhas em forma de chaleira caminhavam ameaçadoramente em sua direção e ele sabia que logo elas o alcançariam. Enquanto isso a lebre gargalhava friamente esperando o momento que os seus guardas atingisse o garoto, fazia tempo que ela não testemunhava o guardiões daquele lugar destruir um intruso e ela sentia o desejo por sangue a muito tempo.
–Vamos Allen, pense. – Dizia para se mesmo. – Preciso me mover, preciso me mover ou eles vão me matar. – Allen respirou fundo e logo conseguiu se mover no momento exato que uma das chaleiras disparou. A grande gota de chá quente atingiu o lugar onde ele estava segundos antes com força, assustado ele correu para o outro lado e foi quando encontrou um guarda chuva azul debaixo de uma máquina. – Já vi isso em algum lugar. – Naquele momento ele não pensou apenas agiu, uma das chaleiras disparou e Allen abriu o guarda chuva, o líquido bateu no guarda chuva e ricocheteou atingindo uma das chaleiras a fazendo explodir.
De onde estava Allen pode ver a expressão de alegria sumir da face da lebre que agora parecia irritada e gritava palavrões para os guardas. Ele se moveu para o outro lado ainda usando o guarda chuva como escudo.
– Ataque ou eles arrumarão outro jeito para lhe atingir. – A voz de Cheshire tomou a mente de Allen que logo estava com a vorpal blade em mãos. Assim ele atacou, numa mão estava o guarda chuva sendo usado como escudo e na outra a vorpal blade que dançava em suas mãos, ele atacava com precisão, porem os seus novos inimigos não era tão fracos quando os anteriores, eles eram mais difíceis de matar, afinal era todos revestidos com ferro e só possuíam um ponto fraco. O grande olho vermelho que ficava quase perto da tampa da chaleira.
Allen precisou se esquivar e se ferir muito para conseguir aniquilar todos. No fim estava casado, exausto para ser exato. Seus braços estavam arranhados e sua roupa meio rasgada. Ele viu a lebre apertar um botão e desaparecer em um buraco. Agora estava sozinho naquele lugar, pesou em dormir, mas no fundo sabia que essa era uma ideia burra, ali era perigoso demais para dormir. Ele sentia a necessidade de sonhar, de dormir durante horas, há quanto tempo não dormia? Ele não sabia dizer.
Uma grande porta de ferro se abriu e ele a adentrou. Estava em um grande salão escuro e no fundo ele pode ver uma porta. Será que havia encontrado o fim daquela fortaleza? Ele correu, correu o mais rápido que pode utilizando a última força que tinha em seu corpo. Quando chegou no fim encontrou um belo jardim onde no meio havia uma grande mesa cheia de xícaras e coisas que ficam sobre a mesa na hora do café da manha. Ele viu a Lebre que se escondia atrás de uma grande xícara de chá, fingindo que nunca havia o visto. Do outro lado da mesa estava uma rata que o fitava estranhamente, como se o tivesse analisando. Mas o que lhe chamou atenção mesmo foi aquele que estava sentado no topo da mesa. Um homem que aparentava ter mais o menos um metro e oitenta, magro com olhos de uma cor indescritível, seus cabelos eram desgrenhados e um tom meio alaranjado, a sua roupa era cheia de remendos, porem bela, parecia um terno. Sobre a cabeça ele usava uma bela cartola roxa. Ao ver Allen o homem largou a sua xícara sobre a mesa e sorriu, depois subiu em cima da mesa e saiu chutando tudo que estava na sua frente até por fim estar de frente para Allen.
– Seja bem vindo a minha humilde residência. – Disse o homem em meio a uma gargalhada. – Chapeleiro, ao seu dispor. – Fez uma reverência.
– Allen. – Allen respondeu gaguejando. – Allen Liddell.
– Já tivemos um Liddell por aqui, uma garota muito esperta e valente. – O Chapeleiro se virou indo em direção ao seu lugar na mesa. – Tão valente quando você. – Ele se sentou e fitou o garoto. – Sente-se conosco e tome um pouco de chá.
– Acho que não tenho tempo para isso. –Allen logo falou. – Cheshire falou que você tem as respostas, que você pode me ajudar.
– Aquele gato acha que sempre pode jogar tudo para cima de mim. – O Chapeleiro revirou os olhos.
– Ele não é a Alice certa, ele vai nos levar a ruína. – Disse a ratinha chamada Domidonga.
– Olhe ao seu redor minha querida amiga. – O Chapeleiro gargalhou. – Nós já estamos em uma grande ruína. Allen peço desculpas pela recepção nada agradável que teve aqui, no passado éramos mais agradáveis com nossos convidados, porem nos dias atuais não podemos nos dar o luxo de abrir a porta para qualquer um.
Allen sentou-se, pois estava cansado.
– Pode por favor me dizer o que está havendo?
– Claro. – O Chapeleiro sorriu e logo em seguida ficou sério. – A muito, muito tempo atrás este lugar era o lugar mais belo existente entre todos os outros lugares, nós seus habitantes vivíamos em constante alegria no reinado de Mirana a rainha branca, uma mulher muito bela que com certeza se você tivesse conhecido iria se apaixonar, afinal ela é uma das mulheres mais belas que existe. Mirana tinha uma irmã, Iracebete, uma mulher perversa que possuía uma enorme cabeça, todos as chamavam de rainha vermelha ou rainha de copas, mas ela nunca foi rainha de verdade. Os pais delas decidiram dar a coroa para Mirana, apesar de Iracebete ser a mais velha e por direito a coroa ser dela, todos decidiram que a coroa teria que ser de Mirana a mais sensata entre as duas. Iracebete ficou louca com essa escolha e assim fugiu para o mundo escuro onde ficou por muito tempo. Há quem diga que lá ela foi consumida pelo mal e assim ela conheceu o Valete, o seu fiel escudeiro e depois ela conseguiu uma arma que foi o início do fim do nosso mundo.
– O Jaguadarte. – Sussurrou a Lebre de Março enquanto a Domidonga estremeceu.
– E então? – Perguntou Allen interessado.
– Então Iracebete veio até o nosso mundo e tomou a coroa de Mirana, ameaçou a todos com o jaguadarte e então criou o seu grande reino. Assim surgiu uma lenda, a nossa ultima esperança. O Glorian Day. Um campeão viria ao país das maravilhas e no Gloria Day ele iria matar o jaguadarte. Nosso campeão, quer dizer campeã, era uma garota chamada Alice, ela veio aqui diversas vezes e todos acreditamos que ela nos trairia a liberdade, mas depois de muito lutar Alice simplesmente desapareceu, ninguém sabe o que aconteceu com ela. E desde então estamos procurando uma nova Alice, o coelho branco sempre vai ao seu mundo e trás alguém com qualidades parecidas as da Alice, porem algo sempre dá errado e a nossa nova Alice acaba morta.
– Este será seu fim, pois você não é a Alice certa. – Gritou a Domidonga para Allen.
– Deixa eu ver se entendi, estou aqui para destruir esse ser que da forças a rainha vermelha?
–Sim meu caro. – Cheshire apareceu por destras do Chapeleiro. – Ou descobrir o que aconteceu com a nossa verdadeira campeã, a Alice Liddell. Acreditamos que de todas as Alices você é o mais próximo de conseguir ser a Alice, afinal vocês tem o mesmo sangue.
– Precisará ser rápido. – Continuou o Chapeleiro. – Iracebete já sabe que uma nova Alice adentrou o país das maravilhas, ela irá tentar te destruir, você terá que ser forte.
– E o que devo fazer, para onde devo ir? – Allen começou ficar ansioso.
– Vá para o castelo da rainha branca, ela irá lhe proteger até o glorian day, é a sua única chance.
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