In Wonderland
2 Capítulo 1 - Londerland
Notas iniciais

Talvez o imaginário é mais real que a própria realidade!
O som daquele lugar era ao mesmo tempo desconhecido e familiar. Allen observava tudo a sua volta com atenção, era como se estivesse em casa e ao mesmo tempo em um lugar diferente. Árvores com folhas num tom de verde nunca visto, o chão tinha uma cor indescritível, os animais eram diferentes e em algumas partes o chão se tornava peças de dominó. Allen caminhou mais um pouco e viu o que parecia ser uma cachoeira, mas se assustou quando aproximou, era um grande bule de chá que derramava o seu conteúdo no que parecia um rio.
Ele se virou para o gato que tanto o fitava, aquele ser era diferente de tudo que ele já havia visto na vida, não que aquele lugar fosse normal. O gato tinha um tamanho incomum, ele era apenas alguns centímetros menor que Allen, era muito magro, seu pelo era cinza com algumas manchas negras que lembravam tatuagens, seus olhos eram amarelos vivos e ele possuía um sorriso sarcástico um tanto amedrontador.
“Ele não é a Alice certa!” Disse uma voz por de trás das folhas o que deixou Allen um tanto curioso.
“Não estamos em posição de dizer se ele é ou não a Alice certa, nós estamos nas mãos dele agora.” Allen se aproximou do gato.
–Onde estou e quem é você?- Perguntou.
–Cheshire, ao seu dispor. – Respondeu o gato em meio a uma gargalhada. – A primeira pessoa parecida com você que veio a este lugar o chamou de país das maravilhas, ela era esperta e dividiu tudo como se fosse o seu mundo dando para cada cantinho um nome específico. Você está em Londerland, o que pode-se dizer ser o portão de entrada para o país das maravilhas. — Cheshire parecia se divertir a cada minuto com o ar de confusão que Allen imanava, ele adorava ver os novos visitantes confusos.
Allen sentou-se sobre uma das peças de dominó e ficou por um tempo observando o lugar, pensando em como havia parado ali e se aquele lugar era mesmo real. Tudo era tão incomum, ele estava conversando com um gato, isso não seria loucura? Mas de alguma forma ele sentia que era real e não havia ido parar ali simplesmente por acaso, ele sentia que tinha algo importante que o havia trazido.
–Por que Londerland?- Perguntou.
– Por que está é a parte do país da maravilhas que foi combinada com Londres, se você andar um pouco irá perceber que existem locais com características do seu mundo. Podemos dizer que aqui é a única ligação que o mundo subterrâneo tem com o mundo real.- Cheshire desapareceu. Allen levantou-se assustado, onde ele estava?Tudo estava confuso demais.
Um pouco confuso começou a andar por uma estrada tortuosa. A cada passo que dava tudo parecia mais estranho. Realmente era como estar em Londres, mas uma Londres tomada por uma grande floresta de vegetação estranha e animais inimagináveis. Ele caminhou mais um pouco, logo pode ver pedaços do que pareciam ser casas destruídas tomadas por grandes plantas e flores, o brilho do sol tomava todo o lugar, mas não estava quente, pelo contrário o calor trazia um sentimento de tranquilidade e era muito agradável.
Logo Allen caminhou mais um pouco até encontrar um grande rio, ao lado deste rio havia uma montanha que tinha a forma de uma garota triste, dos olhos dela saiam a água que formava o rio. Ao lado de uma grande árvore havia uma placa e nela Allen pode ler “Vale das Lágrimas”. Não dava para chegar do outro lado sem atravessar o rio, mas este parecia fundo, Allen respirou fundo, como faria aquilo? Não sabia nadar. Ele deu um passo em direção ao rio e como passe de mágica apareceram peças de dominó flutuando no ar.
Ele subiu na primeira e viu que a segunda assim como as outras estavam distantes, ele teria que pular de peça em peça. Allen engoliu seco, fechou os olhos e pulou, se desequilibrou um pouco, mas logo estava no meio da peça. Pulou para a terceira e logo em seguida para quarta, foi quando avistou a quinta e última peça, esta não estava parada, se movia para a direita e esquerda o que tornaria a tarefa de pular sobre ela difícil. Allen deu um passo para trás respirou fundo e pulou, caiu na beirada da peça e se desequilibrou logo caindo para trás, conseguiu segurar na peça com a mão esquerda que começou a escorregar devido à peça estar molhada por passar debaixo da cachoeira que saia dos olhos da garota triste. Allen sabia que teria que tentar pular dali para o solo, sabia que poderia falhar e cair dentro do rio, aquilo poderia ser seu fim.
Sem esperar muito ele pulou caindo na margem do rio, respirou aliviado por ter conseguido e logo começou a correr, quanto mais distante daquele lugar melhor. Porem seu alívio logo se transformou em euforia ao ouvir novamente barulho de água, era provável que havia mais parte daquele rio logo à frente, o problema era: Será que ele teria que atravessar como no anterior? Allen esperava que não. Caminhou mais depressa e o que encontrou o surpreendeu, não era um rio, mas sim um pequeno lago de água roxa que possuía uma pequena cachoeira que saia de um grande vidro roxo com um rótulo que estava escrito em letras douradas “Beba-me.”
–Por mais que pareça que você não tome banho, lhe aconselho dar um mergulho neste lago.- Allen ouviu aquela voz que já não ouvia fazia algumas horas, se sentiu irritado pelo falto de Cheshire ter lhe abandonado e só aparecido agora.
–Gato Maldito! Quem me garante que esta água não está envenenada ou o que pode acontecer? Não confio em você. – Cheshire não respondeu, apenas continuou fitando Allen, sorrindo.
Allen relutou por um tempo, mas logo depois sentiu que deveria entrar na água e assim o fez. Primeiro colocou um pé, depois o outro, nada aconteceu e ele se achou um tolo, provavelmente Cheshire o havia feito entrar ali para ele ficar molhado e este ter um motivo para lhe chamar de bobo. Allen pensou em brigar com o gato, mas aquele pensamento se foi no momento que ele começou a encolher.
–O que está havendo? Eu vou desaparecer?- Perguntou Allen desesperado.
–Quase, mas quanto menor estiver, melhor poderá ver as coisas que são quase invisíveis.- Cheshire gargalhou e novamente desapareceu. Allen saiu da água e seu tamanho voltou ao normal.
–Gato maldito! Da próxima vez que lhe encontrar vou lhe esfolar.- Allen encontrou um caminho ao leste que parecia levar a algum lugar, pelo menos o seu instinto o dizia para ir por ali e assim ele o fez. Caminhou por um bom tempo até encontrar o fim do caminho onde havia uma pequena porta, menor que o seu próprio pé. Como Allen atravessaria aquela porta? Se lembrou do momento que encolheu no lago, mas não havia como voltar e trazer a água do lago consigo ou muito menos ir até lá e voltar encolhido. Ele fechou os olhos, já estava exausto, abriu de vagar e percebeu que estava menor que a porta, como ele havia encolhido? Não havia como saber.
Antes que ele voltasse ao tamanho normal, Allen atravessou a porta correndo apressado, logo encontrou a sua saída e voltou ao normal. Percebeu que estava em uma montanha e que está havia chegado ao fim dando lugar a um precipício. Havia algo do outro lado, porem era muito distante e não dava para descobrir o que era. Allen deu alguns passos e encontrou um grande escorregador que saia da montanha que estava e descia pelo precipício, não podia ver o seu fim, nem dava para saber se ele realmente tinha um fim.
Allen sentiu seu coração apertar, sabia que deveria descer, mas o medo de cair no precipício e o medo da morte o tomou. O que faria? Não pensou apenas escorregou. Seu corpo a cada segundo ganhava mais velocidade e ele tinha medo do que poderia acontecer quando chegasse ao fim. Não demorou muito e ele logo avistou, havia solo ali, o que era bom, mas o solo estava molhado e a água parecia ter sido misturada a sangue. O impacto foi forte, mas não suficiente para ferir-lo. Ele limpou a sua roupa e caminhou em direção a uma grande pedra que estava no meio de uma clareira, sobre a pedra estava infincada uma bela espada de prata, na lâmina estava talhado as palavras “ Vorpal Blade”.
–A espada vorpal, ela é rápida e precisa. Ela sempre será fiel ao seu portador.- Lá estava Cheshire novamente. Allen pensou em bater no gato, mas foi surpreendido pela espada que se desprendeu da pedra e veio parar em suas mãos.
– O que significa isso?- Perguntou quando percebeu que a lâmina estava afiada.- Eu não vim aqui para lutar!
–É uma pena, pois a luta irá procurar por você.- Cheshire subiu em uma árvore no momento que Allen ouviu passos atrás de si. Ele se virou e se deparou com seres que possuíam cabeças de boneca e motores que bobeavam para fora dos seus corpos uma fumaça preta.
– Estes são os Insidious Ruin, acabe com eles ou eles irão acabar com você.- E mais uma vez Cheshire desapareceu.
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