In The Neighbourhood
1 Capítulo 1 - Francis
Notas iniciais
Bellamy Blake era um homem morto.
Ao menos, ele tinha certeza de que estaria à sete palmos do chão assim que Octavia e Lincoln voltasse de viagem. Quando eles haviam deixado Francis sob seus cuidados, Bellamy havia perguntado a si mesmo "o que poderia dar errado?", e a resposta era simples, composta por apenas uma palavra: Tudo.
Não que ele não gostasse de cães. Quando crianças, os irmãos tinham um pastor alemão chamado Castor, e Bellamy era quem cuidava dele, sendo o irmão mais velho e quem tomava conta da casa enquanto sua mãe estava ocupada dormindo para curar mais uma ressaca. E Castor certamente era um dos melhores amigos de Bellamy naquele tempo, já que trabalhar para sustentar a casa, estudar e cuidar de Octavia não deixava muito tempo para fazer amigos.
Assim, já tendo alguma experiência com cachorros, Bellamy não esperava o desastre que se seguiu. Nos primeiros dias, Francis, um pequeno Basset Hound, não parecia ser um causador de problemas, e os avisos de Octavia para deixar comida longe do bichano pareciam infundadas. Foi dessa forma que Bellamy ficou sem almoçar no terceiro dia em que Francis estava por lá, enquanto o cão comia tudo o que via encima do fogão.
No final da primeira semana, Bellamy já tinha certeza de que teria que trocar todas as cortinas quando Octavia voltasse para buscar o pequeno diabinho. Ao menos metade delas já haviam sido destruidas, e ainda faltavam duas semanas para Octavia voltar da Califórnia.
Na segunda semana, porém, o pior aconteceu.
Na madrugada de domingo, Bellamy teve de sair às pressas de casa após receber uma ligação de Monty, que pedia ajuda para levar Jasper, que estava bêbado, de volta ao seu apartamento. Com o primeiro não sabendo dirigir e o outro, obviamente, sem condições para assumir o volante, os dois estavam ilhados em um bar na estrada para fora da cidade, onde poucos carros passavam naquela hora da noite — e nenhum deles era um táxi. Trancando a porta antes de sair, Bellamy logo entrou no carro estacionado em frente ao seu jardim.
Em pouco menos de quarenta minutos, Jasper e Monty estavam acomodados no carro de Bellamy, enquanto ele dirigia em direção à casa do primeiro.
— Agora você pode me explicar o motivo de vocês estarem naquele lugar à essa hora? — Bellamy perguntou em um tom baixo. Jasper dormia no banco traseiro.
— Ontem completou um ano da morte dela. — Monty respondeu, fazendo Bellamy arregalar brevemente os olhos em reconhecimento. Maya. — Nós fomos deixar flores no túmulo. — Continuou.
Bellamy fechou os olhos por alguns segundos ao parar em um sinal vermelho. Ele se sentia estúpido por ter esquecido da data.
— Como ele está? — Ele perguntou, olhando para o banco traseiro.
— Como você acha que ele está? — Monty retrucou. — A gente estava voltando pra cidade quando ele viu o bar. Eu disse pra ele não parar lá, mas ele não me ouviu. — Ele disse, suspirando em seguida.
O silêncio que veio a seguir continuou até Bellamy estacionar na frente do prédio em que Jasper morava. Ajudando—o a carregar o amigo, Bellamy certificou—se de que Monty passaria a noite no apartamento antes de ir embora. Jasper não estava em condições de ficar sozinho.
Dirigindo de volta para casa, Bellamy ligou o rádio, ajustando o volume para que a música ficasse apenas como um plano de fundo. Suspirando, ele pensou em como sua semana havia sido cansativa. Trabalhando o dia inteiro até sábado(este último dia sendo destinado à ministrar aulas extras para seus alunos), domingo havia sido designado como seu dia de descanso, porém o tal dia acabou se tornando cansativo quando Francis o obrigou à retirar todas as cortinas do térreo de sua casa, sendo esse o único andar no qual o cão teria acesso daquele dia em diante. Felizmente, o quarto de Bellamy se encontrava no segundo andar.
Próximo de seu destino, Bellamy observou as outras casas em sua rua. Todas eram bem cuidadas, e não era para menos, afinal, aquele era um dos melhores bairros de Arkadia, uma pequena cidade próxima de Washington. Bellamy não sabia se conseguiria terminar de pagar o imóvel antes de seus netos nascerem, mas morar em um lugar mais seguro(principalmente por causa de Octavia, que teve a oportunidade de viver sua adolescência por lá) valia à pena o sacrifício. Ainda olhando para as casas, foi difícil não dar atenção para a única delas que ainda estava iluminada naquela hora da noite. Era sempre a mesma: A casa dos Griffin (ou, como Jasper diria, "a casa da vizinha gata que o Bellamy gosta". De onde ele havia tirado isso Bellamy não tinha a menor ideia, já que eles nunca haviam sequer conversado.). Já estando acostumado com a visão, logo ele voltou seus olhos para frente.
Estacionando o carro, Bellamy logo foi cumprimentado por Francis ao chegar na sala, que pulava em sua perna de forma animada.
— Hey, diabinho. — Ele cumprimentou de volta. Apesar de Francis ser um grande causador de problemas, Bellamy não podia negar que chegar em casa com um cão lhe dando boas—vindas era algo que ele sentia falta. Talvez quando Octavia se mudasse com Lincoln ele podia adotar um para que a casa não ficasse vazia. Pensar nisso rendeu à Bellamy um aperto no peito. Por mais que ele não gostasse da ideia(e tivesse deixado isso claro), ele sabia que Octavia, mais cedo ou mais tarde, deixaria de morar com ele em um futuro não tão distante, já que ela e Lincoln estavam noivos.
Deixando esses pensamentos de lado(ele estava cansado demais para focar—se neles por muito tempo), Bellamy subiu as escadas e, sem demoras, foi para seu quarto, fechando a porta atrás de si. Não demorou muito tempo para que ele tirasse suas roupas e caísse na cama, dormindo momentos depois.
Após algumas horas, Bellamy acordou com um salto, antes mesmo de o despertador tocar. Ele sabia que havia esquecido de alguma coisa. Correndo para o primeiro andar apenas de boxer, ele tentou se lembrar do quê. Era algo importante, disso ele tinha certeza. Revistando a casa com os olhos, Bellamy congelou ao olhar para o hall.
A porta estava aberta.
— Francis? — Ele chamou pelo cachorro. Correndo pela casa, ele revirou todos os cômodos do lugar(inclusive o jardim, sem pensar nas roupas em que estava — ou na falta delas), mesmo os quartos do segundo andar(nunca se sabe).
Voltando para a sala, Bellamy passou à andar de um lado para o outro.
Merda. Ele pensou, passando uma de suas mãos por seu cabelo. Francis não estava em nenhum lugar da casa, e a porta estava aberta há horas. Ele poderia estar em qualquer lugar. O cão de Octavia poderia estar em qualquer lugar, e ele não sabia por onde começar a procurar. E se ele não o encontrasse? Pior, e se algo acontecesse com ele? Bellamy sabia que alguns de seus vizinhos não gostavam de cachorros e, após Castor morrer envenenado, ele não confiava em nenhum deles.
Bellamy Blake era um homem morto.
Notas finais
Enfim, se você já chegou até aqui, comente(por favor?)! Críticas construtivas são muito bem-vindas e qualquer comentário já me anima a escrever os próximos capítulos! :))
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