In The Neighbourhood
3 Capítulo 3 - Apocalipse
Notas iniciais
Antes
O dia de Clarke havia começado bem. Tirando o fato de que tanto ela quanto Raven estavam acordadas à base de muito café(dormir tarde e acordar cedo, nunca uma boa combinação), Clarke estava de bom humor. Não que o desfile do vizinho mais cedo tivesse algo com isso, claro que não. O dia melhorou mais ainda quando, ao apresentar seu trabalho na faculdade, sua professora lhe garantiu a nota máxima, mesmo que as notas só fossem sair oficialmente no final da semana.
No intervalo das aulas, Clarke rapidamente encontrou Raven na mesa de sempre no refeitório. Logo Wick se juntou as duas, trazendo consigo três hambúrgueres, batatas fritas e bebidas(Para Raven e ele refrigerantes, para Clarke um suco de laranja).
— Ah, tão legal você se lembrar de mim! — Clarke brincou, pegando das mãos dele seu lanche. Wick e Raven estavam finalmente se acertando, e ele parecia querer entrar para a "boa lista" de Clarke desde então. Atacar pelo estômago, boa estratégia, ela pensou.
— E então, novidades? — Ele perguntou, sentando-se ao lado de Raven.
— Nah. — Ela respondeu. — As apresentações dos nossos trabalhos foram hoje, mas as notas oficiais só saem no final da semana.
— Bem, eu tenho certeza que vocês vão se dar bem. — Wick disse, roubando dela uma batata frita.
— Hey! Você já tem as suas próprias batatas! — Raven reclamou, tirando-as do alcance do não exatamente, mas por falta de palavra melhor, namorado. Dando de ombros, Wick voltou às suas batatas.
Clarke apenas observava os dois, rolando os olhos enquanto ria. Eles nunca deixariam de implicar um com o outro, mesmo juntos, disso ela tinha certeza, já que desde o inicio o relacionamento dos dois era assim. Ela ainda se lembrava de quando eles haviam se conhecido, e como Raven havia passado o dia todo reclamando de Wick. O mundo dava voltas.
Passado o intervalo, Wick se despediu rapidamente para, de forma sorrateira, sair da universidade, já que ele não era um aluno do lugar e aquela era uma área restrita.
— Um desses dias ele vai acabar sendo pego pela segurança. — Clarke comentou balançando a cabeça, porém com um sorriso no rosto.
Logo as duas também se despediram, indo para as suas respectivas aulas. Clarke acabou por cair em uma dupla com Costia em um dos trabalhos de aula, fato que diminuiu um pouco sua animação pelo dia. Felizmente o tempo passou rápido, e logo o final das aulas chegou.
Decidindo ir andando para casa(cerca de vinte minutos a pé), Clarke acenou para Raven, que dava uma carona para Wick. O tempo entre a faculdade e sua casa a daria tempo para pensar, coisa que acabou não sendo muito produtiva, principalmente após ficar cinquenta minutos interagindo com Costia. Para Clarke, a pior parte da situação era o fato da mulher ser perfeita. Talvez fosse mais fácil se ela tivesse algum motivo para não gostar dela, mas Costia não era nada além de gentil.
Percebendo que focar nisso não era realmente a melhor ideia, Clarke respirou fundo e tentou mudar sua linha de pensamentos, olhando em volta, tudo o que ela via eram casas, uma cafeteria, árvores e panfletos sobre um cão perdido que não estavam ali antes. Não dando muita atenção aos panfletos e torcendo para quem quer que o estivesse procurando o encontrasse, Clarke continuou a caminhar.
Resolvendo parar na cafeteria brevemente, Clarke avistou Lexa e Costia ocupando uma das mesas enquanto ela pagava seu café. Que sorte a minha,ela pensou, sarcástica. O clima entre as três ainda não era confortável, por mais que Lexa e Clarke tivessem terminado há alguns meses. Assim, tentando não chamar muita atenção, ela logo saiu do estabelecimento.
Dez minutos depois, no caminho para casa, um barulho estranho próximo à um arbusto chamou sua atenção.
Parando de andar, ela o observou por alguns segundos, tomando um susto quando um gato cinza pulou dele, correndo pela rua.
Antes que ela pudesse voltar a andar, um vulto passou por baixo de suas pernas, correndo atrás do pobre gato. Tal vulto, Clarke percebeu, era um cachorro. Ele não tinha pernas muito longas, e assim o gato manteve-se à sua frente, conseguindo manter uma boa distância do cão.
Franzindo o cenho, Clarke sabia que havia visto o bichano em algum lugar antes.
O panfleto, ela pensou, arregalando os olhos, enquanto o cachorro se distanciava cada vez mais a cada segundo que se passava.
Se Gold, sua Golden Retriever(ela culpava seu pai pelo nome pouco criativo), fugisse, ela seria eternamente grata à quem quer que ajudasse à recuperá-la. Então, com esse sentimento e sem pensar muito, Clarke foi atrás do cachorro.
— Hey! — Ela tentou atrair a atenção do cão, sem sucesso. Perdendo-o de vista momentâneamente, Clarke o encontrou quando o gato, mais a frente, subiu em um muro não muito alto, desaparecendo do outro lado e deixando seu perseguidor para trás.
Latindo para o muro, o cão não parecia agressivo. Mais para chateado, ela diria. Ele parecia querer brincar com o gato, e não machucá-lo. Tomando isso como um bom sinal, ela se aproximou do bichano.
— Hey, amiguinho. — Clarke disse, atraindo, finalmente, sua atenção. — Tem gente procurando por você, sabia? — Aproximando-se, Clarke se agachou, levando lentamente suas mãos até o cão. Ele a encarava, curioso. — Agora, eu espero que você não me morda, ok? — De forma gentil, Clarke o pegou no colo. Felizmente ele parecia não se importar em ser carregado, já que, sem coleira, seria inviável guiá-lo.
— Nossa, você é pesado. — Clarke murmurou, ajeitando-o em seus braços. Agora, era só encontrar um dos pôsteres que ela havia avistado antes e recuperar as informações de contato. Avistando um deles mais à frente, no seu caminho para casa, ela se aproximou.
Olhando para a foto com atenção pela a primeira vez, seus olhos se arregalaram. Ela conhecia essa pessoa. No papel, sua vizinha posava com o cachorro que Clarke carregava. Com alguma dificuldade, ela pegou o celular em seu bolso e, rapidamente acessando a câmera, tirou uma foto do cartaz.
Os últimos dez minutos que restavam até que chegasse em casa se tornaram quinze após Clarke perceber que havia se desviado um pouco de seu caminho. Chegando finalmente ao seu destino, Clarke deu mais alguns passos, chegando ao jardim de um seus vizinhos. Espiando o lado de dentro da casa(ainda sem cortinas no primeiro andar), Clarke não viu ninguém. Resolvendo bater na porta, ela se encontrou sem sorte quando ninguém apareceu.
Eu posso tentar mais tarde, ela pensou.
Já cansada de carregar o bichano, Clarke finalmente voltou para casa.
Depois
Monty, Jasper e Bellamy continuavam sentados no sofá da sala.
— E então, o quê a gente faz? — Jasper disse, exasperado. O celular vibrava na mesinha de centro, tentando chamar a atenção de alguém.
— Eu vou ter que atender. — Bellamy disse sem se mover.
Como ele diria para Octavia que ele havia perdido Francis? E por telefone? Era possível ser assassinado pelo celular?
— A gente pode salvar alguns minutos, não? Com você não atendendo, pra quem ela vai ligar em seguida mesmo? — Jasper perguntou.
This is it, the apocalypse, whoa
Um pouco antes
Deitada em sua cama com fones de ouvido, Clarke encarava a tela de seu celular, enquanto o cão perdido encontrava-se com o focinho na tigela de ração que ela havia acabado de encher, ao pé de sua escrivaninha.
Olhando para a foto que havia tirado do panfleto, ela pausou a música que estava tocando e anotou o número de telefone impresso ali. Talvez seja uma boa ideia ligar, Clarke pensou. O número era móvel, então mesmo que alguém ainda não estivesse na casa, ela conseguiria contactar alguém. Abrindo a discagem em seu celular, ela digitou os números que agora estavam no pequeno pedaço de papel à sua frente.
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