In The Line
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Depois de receber a carta, a vida de Blaine havia virado de ponta cabeça. E começou no exato momento que o homem terminou de ler a última palavra da carta.
Flashback
Kurt puxou Blaine pelo braço para dentro de casa e bateu a porta do modo mais ameaçador que conseguiu. Kurt continuou puxando o marido até senta-lo no sofá. Kurt parou na frente do moreno, porém ficou em pé. Ele estava tentando reunir as informações de tudo o que estava acontecendo.
– E-eu vou te fazer duas perguntas e eu quero que você seja o mais sincero o possível. Se eu sentir que você vacilou na resposta, a coisa vai ficar feia pro seu lado. Então seja sincero. – Kurt passou as mãos pelas maças do rosto. – Aquela carta é de quem eu estou pensando? – Perguntou o moreno apontando para o quintal.
– Sim. – Blaine respondeu de cabeça baixa. Kurt mordeu o canto dos lábios.
– As ligações-
– Sim, são todas dele. Tudo o que engloba meu comportamento diferente, é por conta dele. – Confirmou Blaine olhando nos olhos de Kurt. O moreno estava com os olhos marejados, mas não era uma coisa que ele podia evitar.
Kurt começou a andar de um lado para outro, passando a mão por todas as partes de seu corpo. Ele estava tenso, apavorado e provavelmente começando em entrar desespero.
– Você acha que eu sou o que? – Questionou o castanho do nada. Blaine não respondeu. – Porque eu tenho certeza que quando fizemos aquela droga de casamento, você me fez um voto que seria sincero comigo. – Blaine fechou os olhos e deixou uma lágrima cair. – Eu acho que preferia uma traição, do que você me escondendo algo que envolve nossa família! – Kurt gritava. – Blaine!
– O que foi, Kurt? O que foi? – Blaine se levantou do sofá jogando os braços. – Você não percebe que você está me insultando? Eu sou um agente secreto, você deveria confiar em mim para esse tipo de coisa. Você e meu filho não são pessoas que somos contratados a cuidar, eu preciso proteger vocês! Te envolver nisso não mudaria nada, na verdade só pioraria e você está praticamente me dizendo o quão incompetente eu sou como agente por ter deixado as coisas irem longe demais. – Blaine estava respirando pesadamente para segurar o choro.
Depois de um longo silêncio, Kurt resolveu focar no que importava, pois Blaine já havia escondido e por mais que as coisas parecessem estar se agravando, ele já sabia e precisava se unir ao marido. Kurt era inteligente o suficiente para saber que ele deveria apoia o marido, não vira-lo as costas.
– De qualquer forma, o que você tem em mente? Mudaremos de casa? – Perguntou Kurt baixinho.
– Não. Se ele se sentiu seguro para nos mandar uma mensagem, ele tem um circo armado e não importa pra onde formos, ele vai nos encontrar. Droga! – Blaine chutou a ponta da escada. Ele estava pensando em algo para reverter a situação.
– E o que devemos fazer? – Kurt chegou perto do marido e moveu o rosto do mesmo para encara-lo.
– Nós devemos proteger o nosso filho, e eu, tentarei nos salvar e mandar aquela praga de volta para a prisão. – Blaine abraçou o marido, beijou a testa do mesmo e passou a mão sobre a cicatriz que ficava no ombro de Kurt, aquela que havia sido deixada pelo o homem que o perturbava, aquele tiro que por alguns centímetros mais baixos havia matado Kurt. Direto no coração.
Flashback
Durante um mês, a rotina de Kurt e Blaine havia mudado. Aquilo estava começando a se tornar coisa de filme. Andrew era o único que não sabia de nada.
Como Kurt já sabia da existência dos agentes, eles acabaram ficando no sótão da casa, por ser mais confortável e melhor para vigiar. Kurt agora andava com um spray de pimenta pra onde quer que fosse. Aquilo não era a melhor das armas, mas Blaine achava que já era alguma coisa para uma pessoa que mal conseguia socar alguém parado. O castanho também estava aprendendo algumas técnicas de luta na internet.
Era sexta-feira e a casa ficaria vazia. A família estava no carro no caminho para a escola de Andrew. Eles haviam acabado de sair de casa, quando Kurt se lembrou de algumas coisas.
– Andrew, você fez a lição de Geografia? – Pediu Kurt se olhando no espelho.
– Sim. – Respondeu o menino.
– O de Inglês?
– Uh-hum.
– E o de Biologia? – Andrew demorou para responder.
– Opa... – O menino disse fechando um dos olhos.
– Filho! – Kurt disse. Aquilo foi mais um gemido do que uma bronca. Kurt balançou a cabeça e pensou em algo para livrar o filho de uma nota baixa. – Enfim, Blaine, você conversa com o professor de Andrew e pergunta se ele pode entregar na segunda? Diga que saímos atrasados de casa e voltar para buscar o trabalho faria Andrew perder todas as aulas.
– Ok. – Blaine respondeu com um sorriso no rosto.
[...]
– Blaine? – Disse Mark com a cabeça dentro da sala de Blaine. O moreno levantou o rosto e viu o amigo.
– Entre, Mark. – Blaine voltou para sua rota de caso. Ele partiu do momento em que o seu antigo caso estava preso, até a carta que havia recebido. Blaine havia juntado todas as provas e novas informações para tentar adivinhar o próximo passo do homem.
– Ainda trabalhando nisso? – Questionou o amigo se sentando na cadeira em frente a mesa.
– Se fossem Alice e Emma nisso, duvido que descansaria. Meu marido e meu filho são tudo para mim. – Disse o Blaine ainda de costas para Mark. O outro agente respirou fundo e pegou um objeto em forma de maça que ficava em cima da mesa de Blaine.
– Eu te entendo, Blaine, mas você está entrando muito nesse caso. – Blaine olhou para ele por cima do ombro. – Olha só você, tentando adivinhar qual será o próximo passo do cara com algumas pistas, sendo que a última é de algumas semanas atrás. – Blaine voltou ao que estava fazendo, mas fingiu que estava trabalhando. – Você sabe que está envolvendo muito seu lado emocional, esse é o lado difícil de ser agente, porque quando a vida de quem amamos está em jogo, é onde nos saímos mal. Por isso eu acho que você deve deixar o caso para outra pessoa. Talvez você esteja até perdendo algum detalhe no meio das pistas. – Concluiu Mark.
Blaine ficou pensando naquilo, quando o telefone da sua sala tocou.
– Agente Anderson. – Respondeu Blaine ao telefonema. – Ok. Estamos a caminho. – Blaine bateu o telefone no gancho. – Conseguiu o que queria. – Disse o moreno pegando sua jaqueta de couro e uma arma. – Acharam o suspeito do caso da rua treze.
– Finalmente alguma ação nesse lugar! – Mark jogou os braços para cima e se levantou da cadeira. – Sem contar que você vai se ver livre dessas pistas.
[...]
Kurt estava em seu trailer almoçando, quando bateram na porta. Ele já estava almoçando às 2:30 e ainda vinham o incomodar. O castanho largou sua salada e foi até a porta.
– Pois- George, entre! – Disse o homem sussurrando e fechando a porta. – Conseguiu o que eu queria? – Pediu Kurt um pouco apreensivo. O homem levantou um saco de lanches, que deixou Kurt confuso. – Eu já estou almoçando e isso não...
– “A Casa de Hambúrguer Marilyn Monroe” – Respondeu George. George era magrinho e menor do que Kurt. Ele tinha grande óculos de fundo de garrafa e usava suspensórios com camisas xadrez. O que Kurt achava terrível. – Conhece esse lugar? – Pediu o ruivo.
Kurt pegou o saco e o analisou. Ele tentou ir pelo óbvio e ver se tinha o endereço no saco, mas não, a única coisa que tinha eram manchas de gordura. Mas havia o rosto de Marilyn Monroe segurando um hambúrguer no saco, que não era totalmente desconhecido para o castanho. Ele de fato já havia visto aquilo.
– Eu sei que já vi esse lugar, mas eu não consigo me recordar. – Disse Kurt ainda forçando sua memória. George foi até o sofá do trailer e pegou uma revista que estava na mesa na frente dele.
– Kurt, quando você me mandou aquela carta, havia algo nela que você e seu marido, o qual é um péssimo agente-
– Se falar assim dele mais uma vez, arranco esse seu bigode ridículo. – Disse Kurt cruzando os braços. – Vamos logo, para de história que isso aqui não é filme e conta logo o que sabe.
– Enfim, quando você me mandou a carta, havia algo nela e esse “algo” é nada mais, nada menos, do que molho picante. O que me faz imaginar que esse cara ou é muito burro por deixar isso acontecer ou muito preguiço, para não escrever outra carta. – Disse ele analisando os fatos.
– George, eu realmente não estou entendendo. – Disse Kurt.
– Ai meu Deus, agora eu entendo porque o seu marido é o agente da família. Kurt, na carta há uma amostra de molho picante, e esse molho é encontrado apenas no interior de Los Angeles, em uma fazenda, a mesma pessoa que é dona da fazenda, é dona da casa de hambúrguer. – Kurt estava ficando pior. – Agora eu te questiono, senhor Hummel: que pessoa fugitiva da polícia escolheria o centro da cidade para se esconder? Porque o lugar que ela precisa se esconder, as pessoas não podem saber das notícias, pois ele precisa de emprego e todos sabemos como é difícil emprego para um ex-presidiário.
– Então você querendo me dizer...
– Que o cara que você procura, está no interior de Los Angeles, perto das Fazendas Marilyn Monroe, pois lá, ninguém se interessa pelas notícias daqui e lá, é onde ele vai conseguiu um emprego fácil, se esconder e manchar uma carta com molho picante da própria fazenda. – George jogou a revista com o mapa de Los Angeles, onde claramente dava para ver uma grande fazenda na rota 164 e na mesma rota, o restaurante. – Eu disse que o FBI era melhor que a CIA. – Disse o ruivo com um sorriso no rosto.
Kurt havia conseguido. Ele havia o encontrado.
[...]
– Seus anos de prisão serão longos, meu amigo. – Disse Mark segurando o fugitivo e o jogando dentro do porta malas do carro. – Mais um trabalho resolvido graças à Mark e Blaine.
– Blaine e Mark, meu querido. – Disse o moreno cruzando os braços e encostando as costas no porta malas. Blaine desceu o rosto e viu em seu pulso a hora. – Mark, são três horas!
– Eu sei, deve ser o nosso caso mais rápido até hoje. – O homem media o tamanho de seus músculos do braço.
– Não, idiota. São três horas e é o momento que eu deveria estar na frente da escola do meu filho esperando ele. – Disse Blaine correndo para dentro do carro.
– Vamos daqui direto, oras. – Disse Mark correndo para o banco do passageiro.
– Ah claro, super normal eu chegar na escola do meu filho, com um carro da CIA, com um maníaco atrás e com uma arma na cintura. – Blaine girou a chave e deu partida no carro, arrancando pelas ruas de Los Angeles.
Blaine correu por todas as ruas de Los Angeles até chegar no prédio da CIA, o que demorou por volta de dez minutos. Nada como uma sirene na vida de um pai atrasado. Blaine nem entrou no prédio, o formulário ficaria para depois. Ele correu direto para o estacionamento e saiu rasgando com o próprio carro. Enquanto dirigia, tirou a arma da cintura e colocou novamente a sirene. Todo o processo deu quinze minutos. Andrew iria brigar com Blaine até a hora do jantar.
Blaine estacionou na sua vaga de sempre no estacionamento da Dalton, pegou as chaves e o celular e saiu do carro, travando as portas do mesmo. Blaine atravessou correndo o estacionamento vazio e viu que o filho não estava nas escadas; o que era normal, já que a última aula do menino era Biologia e professor deveria ter deixado o menino de castigo, por conta do trabalho não entregue.
Blaine andou pelos corredores com as mãos nos bolsos, atrás da sala do professor Rojah. O moreno lembrava dos momentos que teve com Kurt em corredores parecidos com aqueles. Era isso que mais encantava o moreno, o fato de todas as outras escolas, terem a estrutura exata da Dalton de Ohio.
Blaine subiu no andar da sala de Biologia e caminhou direto para a sala. Quando chegou, Blaine viu que a sala estava trancada e vazia. O moreno ficou encarando a porta e pensando para onde professor poderia ter levado o filho. O moreno desceu as escadas novamente e quando estava no térreo, encontrou o zelador no corredor. Blaine correu até ele.
– Hey, El. Você sabe onde está o meu menino? – Perguntou Blaine sorrindo simpaticamente, removendo os óculos escuros e tirando os cabelos cacheados da testa.
– Andrew? Ele já foi com o tio dele. – Disse El. A família Hummel-Anderson era conhecida na Dalton, então os funcionários sabiam quem era Andrew.
– Finn está na cidade? – Blaine estranhou o fato do jogador de futebol mais requisitado estar em Los Angeles e ainda gastando seu tempo indo buscar o sobrinho na escola.
– O jogador? Não. É seu irmão. Bom, foi pelo menos o que ele disse e pareceu. – Disse o homem. Blaine pareceu mais confuso. – Um grandão, com cabelos pretos... – Blaine arregalou os olhos. – Viu? Sabia que iria lemb-
O homem nem terminou a frase e Blaine já saiu correndo para o estacionamento, tirando o celular do bolso e discando para o marido, em alguns toques, Kurt atendeu.
– Kurt-
– Oi, amor. Você não vai acreditar no que-
– Kurt, presta atenção. – Disse Blaine cortando o marido
– Blaine, o qu-
– Kurt! Por favor, me respondeu com calma. Você veio buscar o Andrew na escola? Finn ou Coop? – Perguntou Blaine tremendo.
– O que? Não e nem eles me-
– Droga. Droga. Droga. – Blaine começou a chorar.
– Blaine, o que está acontecendo? – Kurt tinha medo em sua voz.
– Amor, ele conseguiu. Ele pegou Andrew. – Blaine respirou fundo e deixou algumas lágrimas caírem. – Karofsky pegou o nosso menino.
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