In The Line
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Naquela segunda feira, Kurt soube que algo de muito estranho estava acontecendo. Depois daquelas duas freadas bruscas e do curioso comportamento do moreno dentro e fora de casa, não havia dúvidas que o moreno estava escondendo algo. Blaine havia ficado por volta de uma hora do lado de fora da casa conversando no telefone e quando entrou, usou a desculpa de que era sua mãe. Kurt também percebeu que o moreno começou a trabalhar em alguma coisa que ninguém podia saber. Kurt iria começar a ser pulso firme e descobrir o que estava acontecendo.
Blaine assim que chegou em casa, saiu do carro e foi direto para o jardim para falar com os agentes. Ele avisou os homens que estavam do lado de fora da sua casa, para que eles circulassem toda a área envolta da escola de Andrew. Logo que desligou, ligou para o escritório e pediu para eles descobrirem alguma informação sobre o senhor Wall. Enquanto os agentes tentavam entrar nas informações da escola, que era mais difícil do que parecia, Blaine entrou em casa e bolou um plano. O “senhor Wall” não iria escapar novamente.
[...]
Era terça-feira e Blaine havia passado parte da madrugada inteira acordado. Ele repassou seu plano e todas suas desculpas a noite inteira. Ele olhou para o lado e viu seu marido dormindo tranquilamente. Apesar de estar fazendo, Blaine odiava mentir para o marido, mesmo que fosse para protege-lo, e ele havia prometido para Burt e para si mesmo, que para defender sua família ele tentaria tudo. O moreno acordou lentamente Kurt aos beijos. Blaine pôde ver que o castanho estava acordado, quando viu que um de seus beijos no pescoço de Kurt, havia feito o castanho se mover.
– Bom dia, querido. – Desejou Blaine ainda beijando o castanho.
Kurt sorrindo se virou para o marido, colocou a mão no rosto do moreno e deu um selinho na maça do rosto dele.
– Bom dia. – Disse Kurt puxando Blaine pelo pescoço e abraçando mais o moreno. – Posso saber por quê você já está acordado? – Kurt mesmo com sono conseguiu se lembrar que Blaine provavelmente estava com um plano em mente, o que ele acreditava ser por isso que o marido havia acordado mais cedo.
– Não sei. Devo ter dormido o suficiente e acordei sozinho. – Mentiu o moreno continuando os beijos. Kurt soltou um leve suspiro quando o beijo de Blaine passou de um simples beijo para um chupão. O moreno começou a descer a mão pelo corpo de Kurt por debaixo das cobertas.
– Papai? – Chamou Andrew baixinho na porta do quarto.
Blaine relaxou o corpo no mesmo instante, tendo perdido toda as esperanças de fazer algo com Kurt. O castanho deu um leve sorriso e se virou para porta.
– Entre. – Pediu Kurt.
A porta se abriu rapidamente e Andrew foi correndo até a cama e pulou sobre a mesma. O menino ficou de joelhos na cama. Ele tinha os cabelos totalmente desarrumados e o pijama totalmente desengrenado.
– Bom dia! – Disse ele com os braços abertos e um sorriso no rosto. O menino lentamente foi deixando seu corpo cair de frente na cama. Blaine bagunçou um pouco do cabelo do menino.
– Bom dia, garoto.
– Posso saber por quê até você acordou mais cedo hoje? – Perguntou Kurt.
– Fome. – Disse o menino com a voz abafada pelos cobertores. O castanho imaginou que fosse aquilo mesmo.
– Estou indo preparar o café da manhã. – Disse Blaine começando a se levantar da cama. Kurt rapidamente colocou a mão em cima da de Blaine para para-lo.
– De jeito nenhum. Na sua última tentativa, os resultados não foram os melhores. – Kurt se referia a primeira vez que Andrew veio para casa dos dois e Blaine resolveu que prepararia o café da manhã, que acabou com torradas queimadas, ovos crus e suco de laranja azedo. No final eles acabaram indo para o mercado, para que Andrew escolhesse algum cereal de sua preferência.
– Nem vem, por conta daquilo, temos essa criaturinha na nossa cama agora. – Blaine fez cócegas nas costas de Andrew, que riu e acabou se sentando para se livrar das mãos de Blaine.
O que havia conquistado Andrew, havia sido o modo carinhoso e atencioso de Kurt e Blaine que sempre o fazia rir de algum modo. Mas ele não poderia concordar que ver aquela gororoba em seu prato havia feito ele gostar de seus atuais pais.
– Enfim, eu vou preparar o café como eu sempre faço todas as manhãs e até o momento não houveram erros. – Kurt tirou as cobertas de cima de seu corpo e foi para o banheiro. Blaine o acompanhou com o olhar e depois se virou para o filho sentando e o encarando.
– Então And, me conte mais sobre seu professor Wall... – Blaine aproveitou que havia ficado sozinho com o menino e resolveu tocar no assunto. Se algo novo aparecesse, ele já iria alterar o plano.
– Posso ligar a televisão para assistir Bob Esponja antes? – Pediu o menino olhando nos olhos pai.
– Claro. – Blaine pegou o controle na mesinha ao lado da cama e ligou a televisão, que ficava na parede em frente a cama. – Pronto. – O menino foi até Blaine e deitou a cabeça em cima do peito de Blaine, que o abraçou.
– Como eu disse, ele é legal e ensina muito bem. – Falou o menino dividindo sua atenção entre o pai e o desenho amarelo. – Ele disse que hoje iria passar um teste simples para ver de onde ele deve partir o ensino.
– Hummm. — Blaine deu um tempo para dar parte de seu plano. – Eu vou na sua escola hoje, aliás. Kurt disse que você precisa de um cardigã novo. – Mentiu Blaine examinando o rosto do menino.
– Mas meu cardigã está novinho e nem está frio. – O menino com um olhar confuso olhou para Blaine, que deu os ombros.
– Quem mandou ser filho de Kurt Hummel? – Disse Blaine arrancando um sorriso do menino.
[...]
– O café está servido! – Gritou Kurt do andar de baixo. Kurt escutou passos acelerados no andar de cima e logo viu que estavam correndo. – Andrew, não corra na escada! – Avisou Kurt. O castanho escutou barulhos vindos da escada e depois no chão de madeira. – Andrew! – Kurt saiu da cozinha correndo até o corredor para socorrer o filho.
– O que fo- Que isso? – Perguntou Andrew descendo as escadas.
Kurt olhou para o topo da escada e viu o filho descendo calmamente e Blaine sentando na ponta da escada examinando o cotovelo machucado.
– Não. Eu me nego a acreditar nisso. – Disse Kurt se retirando e voltando até a cozinha.
– Kurt! – Chamou Blaine insinuando uma voz de dor. Andrew passou pelo pai e viu o cotovelo do homem machucado.
– Esquece, Blaine. – Disse Kurt da cozinha. Blaine as vezes conseguia ser pior do que Andrew e isso irritava Kurt.
– Vem, pai, eu te ajudo. – Andrew colocou as pernas no meio das pernas abertas de Blaine e esticou as mãos para o pai. Quando Blaine as pegou, Andrew foi indo para trás e ajudando o pai a levantar. – Tem um kit de primeiros socorros no lavabo. – O menino já sabia porque toda vez que andava de bicicleta, era um novo corte no joelho, então Kurt acabou deixando o kit no andar de baixo.
Andrew foi para cozinha comer e Blaine foi para o pequeno banheiro há alguns metros da cozinha. O moreno quando terminou entrou na cozinha com a cabeça baixa. Ele se sentou ao lado de Kurt. Ele hesitou para falar.
– Eu quero que você saiba que eu ca-
– Nem termina. Vai ser mais vergonhoso para você. – Disse Kurt. Então Andrew caiu na gargalhada. Blaine atacou um morango na testa do menino, para que ele se calasse e mostrou a língua para o loiro.
[...]
Enquanto Kurt ajudava Andrew a se trocar, o moreno aproveitou para entrar no carro e deixar todos os agentes prontos. Ele havia falado com eles no dia anterior, porém ele precisaria confirmar se tudo estaria certo. Blaine aguardou até o telefone ser aceito.
– Agente Collins. — Disse Mark do outro lado da linha.
– Mark, sou eu. Blaine. — Disse o moreno. — Estou te ligando para saber se tudo estará pronto.
– Bom dia, Blaine. Sim, está tudo pronto.– Informou Mark. — Terá dois carros na loja que fica em frente da escola. — A Dalton era em uma avenida e do outro lado da avenida, haviam lojas de comidas, bebidas e lojas de roupas. — Haverá dois agentes disfarçados dentro da escola. Nós conseguimos muito sobre o tal Wall, porém sabemos onde fica a sala dele e agentes ficarão presos à cabos, casa haja algum tipo de tiroteio ou você seja surpreendido.
– Ok. Obrigado, Mark. Você é o melhor. — Agradeceu Blaine. — Você sabe o quanto isso significa para mim e para minha família.
– Não há problema Blaine. Vou longe atrás do cara que um dia teve coragem de atirar em Kurt. — Blaine sentia um frio na espinha toda vez que se lembrava do sangue do marido no chão. — Nos vemos mais tarde?
– Com certeza. Eu e um "amiguinho". — Disse Blaine sorrindo. O moreno desligou o telefone e no exato momento, foi chamado pelo marido.
– Blaine? Andrew está pronto. — Disse Kurt na varanda da casa. O moreno concordou e abriu o portão da garagem com o controle em suas mãos.
O moreno entrou no carro junto com Andrew, deu um selinho em Kurt em despedida e saiu da garagem sobre o olhar de Kurt. Os dois foram cantando as músicas da Katy Perry, que de algum modo, Blaine havia corrompido o filho. Em menos de dez minutos, os dois chegaram até a escola. O moreno deu uma olhada na rua e conseguiu reconhecer os dois carros pretos do escritório. Eles eram totalmente filmados e estavam com todos os vidros fechados, apesar do calor. Blaine entrou na escola com seu carro, e ao invés de entrar na fila de carros, o moreno foi até uma das vagas que ficavam nos cantos do estacionamento.
– Pai, o que está fazendo? – Perguntou Andrew soltando o cinto de segurança e indo se sentar na ponta do banco.
– Vou comprar seu cardigã, esqueceu? – O menino do banco de trás levantou as sobrancelhas, se lembrando da conversa que teve mais cedo com o pai e foi pegar sua mochila. Porém quando Kurt o trocou, disse que não sabia sobre nenhum cardigã novo.
Blaine pegou seu celular e carteira, tirou a chave da ignição e desceu do carro. Andrew logo abriu a porta e Blaine o ajudou com a mochila. O menino bateu a porta e Blaine travou as portas. O pai deixou a mochila não mão de Andrew e os dois caminharam de mãos dadas para a entrada da escola.
Blaine fingiu coçar a orelha, mas ele mandou os agentes ficarem apostos ao redor do colégio, que estava entrando no prédio. Aquilo seria rápido.
Pai e filho entraram e a direção foi a sala do senhor Wall, que era a primeira aula de Andrew. Não que o menino não gostasse do pai, mas entrar de mãos dadas com ele não era muito legal. Os dois caminharam lado a lado, e chegaram até o corredor da sala. Era a última, então talvez houvessem alguns problemas.
Os dois passaram por um homem que limpava o chão, que assim que viu os olhos de Blaine sobre ele, levantou a aba do boné que usava. Blaine soube que ele era um agente. O moreno se sentiu mais pronto e foi caminhando com passos firmes até a última porta. Ele iria conseguir. Antes de entrarem na sala, Blaine parou há alguns instantes antes, para se controlar, ligar seus talentos de ator e sua agilidade de agente, pois sabia que querendo ou não, a vida de Andrew e a dele estavam em risco. O moreno olhou por cima do ombro e depois respirou fundo, caminhou para ficar de frente para a sala.
Blaine e Andrew ficaram de frente para sala então Blaine pôde ver o senhor Wall. O homem com o esfregão já estava com a mão em cima da arma.
Lá estava ele... O senhor Wall. Blaine não conseguia entender, era pra ser supostamente outra pessoa. O moreno saiu dos devaneios quando viu Andrew correr para dentro da sala. O homem olhou o filho se sentar na cadeira do meio da sala. O senhor Wall levantou o rosto e sorriu para o menino, mas logo se virou para Blaine. O moreno não estava acreditando naquilo. Do modo que Andrew havia contado, não havia erros que o Wall era quem ele procurava.
O senhor Wall era um homem de cabelos pretos que estavam formados em um topete, pele clara, olhos escuros, tinha um pouco de barba, era alto e tinha um porte físico parecido com o do marido. Os dois até poderiam ser confundidos de costas.
Blaine pensou em ir embora naquele momento, mas o homem já estava caminhando em sua direção. Então passou uma das mãos para trás do corpo e mandou um sinal para abortar a missão. O homem do corredor rapidamente abaixou o boné e pegou o esfregão.
– Bom dia, senhor...? – Perguntou o homem.
– Anderson. Blaine Hummel-Anderson. – Blaine esticou a mão para cumprimentar o professor. Ele realmente se parecia com Kurt, porque Blaine não via necessidade dele estar com aquela camisa social tão apertada.
– Wall. Josh Wall. Você é o pai do pequeno Andrew? – Perguntou o homem dando um sorriso galanteador.
– Oh não... – Pensou Blaine. Ele já sabia onde aquilo iria dar. – Sim. – Blaine tratou de dar um “tchauzinho” para Andrew com a mão esquerda, assim Josh veria a aliança. E viu, mas era óbvio: ninguém cumprimentava com a mão direita e se despedia com a esquerda, a não ser que quisesse dar a dica que era casado. – Eu preciso ir. Obrigado, senhor Wall.
O outro concordou dando um sorriso. Blaine se virou e foi embora, sabendo que o senhor Wall estava com o olhar sobre ele.
– Ele está te querendo. – Disse o agente quando Blaine passou por ele.
– Vai se ferrar. – Blaine deixou uma risada bem baixinha sair.
O moreno voltou para o carro e descontou toda sua raiva no volante. Já era a segunda vez que ele havia sido enganado. E em pensar que da primeira vez, apesar das consequências, havia sido tão fácil. O moreno começou a sair do estacionamento da escola e voltar para casa. O moreno havia ligado para Mark e avisado sobre o alerta falso. Mark havia o tranquilizado, mas ele tinha certeza que tudo se encaixava e o senhor Wall era o seu antigo caso. O moreno respirou fundo e passou a mão na parte de trás do pescoço.
Depois de alguns minutos, Blaine estacionou na frente de casa e viu que Kurt estava no quintal parecendo examinar alguma coisa. O moreno desceu do carro e foi até o marido.
– O que aconteceu, Kurt? – Perguntou o moreno pisando na grama. O castanho estava claramente indo para o estúdio.
– Jogaram um tipo de pedra na nossa casa. – Kurt apontou para o amaçado que fez na porta da garagem. Blaine se abaixou e examinou melhor a pedra. – Não parece ser uma pedra, é para ser uma pedra. Acho que isso abre. – Blaine deu mais uma boa olhada e abriu a pedra. O moreno ficou de pé.
– Há alguma coisa dentro. – O moreno abriu a pedra ao meio e tirou um papel que havia dentro. O moreno leu junto ao marido. Assim que Kurt terminou de ler, sua mão foi direto para a frente de sua boca, seus olhos dobraram de tamanho e foram direcionados para Blaine, que tinha as pernas bambas e fracas.
O moreno não sabia o que dizer, ele estava falhando e correndo muito risco. Blaine só conseguiu encarar as palavras sem uma real reação.
“Se enganou feio, hein Anderson? Mas fique tranquilo. Minha caçada por você e à quem você ama ainda não terminou. Nos vemos logo.”
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