In The Hands Of A Siren
1 Capítulo 1 - In the dark night a creature bright.
Notas iniciais
Eu sabia que não devia sair de casa à noite, ainda mais tão tarde assim, os perigos eram muitos, contudo eu não estava ligando, o vento suave batia em meu rosto e dava-me uma estranha sensação de calma.
Caminhando em frente ao bosque, que a esta hora da noite parecia assustador, e quase me fazia esquecer que como era nas manhãs, um dos lugares mais belos que já havia posto meus olhos, a simplicidade do local me encantava de tal forma, que já havia feito vários desenhos e pinturas, o ar que ele possuía, o odor das folhas verdes era inspirador.
Ainda imerso em meus devaneios sobre o bosque, continuei minha caminhada, mas parei ao ouvir uma música, a voz que a entoava era perfeita, eu tentei seguir em frente sem ligar muito, mas era impossível, a voz me chamava...
Virei na direção da voz, tentei ver algo, e com muita felicidade devo dizer que avistei a metade da face descoberta, já que o resto estava escondido atrás de uma grande árvore, os grandes e lisos cabelos negros, pareciam brilhar, ela sorriu, e me chamou com um movimento simples e gracioso com as mãos, sem parar de cantar, virou e se perdeu na escuridão.
Algo como desespero e medo, me invadiram, eu deveria segui-lá, ou ir embora ?
—Venha...Venha...— Eu a ouvia só dentro de minha mente, pois o canto melodioso não parava.
Não disse uma palavra, e fui em direção ao chamado, seguindo ela entre as árvores.
—Venha...Venha...
E um desespero maior que o anterior me abateu, eu não a via em lugar algum, oh meu Deus eu a perdi, como é possível ? Eu a perdi....
—Aqui, venha.
Ao longe entre as árvores mais escuras, eu vi uma mão tão delicada, eu tive medo de chegar perto ou até tocar, a pele branca cintilava, e mais uma vez ela me chamou com as mãos, eu sem exitar a segui.
Por entre as mais altas, e agora negras árvores, nós passamos, e eu ainda temia a perder de vista, continuei a seguindo, e antes o que era medo, agora era felicidade, ela estava mais perto.
—Venha...Venha...Venha...
Como negar o chamado de algo tão belo ? Como ignorar uma voz tão suave ? Ela se virou para mim, parando a uma grande distância, e seus olhos se ligaram aos meus. Como resistir a um par de lindos olhos azuis tão claros que eram quase brancos ? Como resistir ao corpo tão belo, coberto por um simples pano transparente ? Ela estendeu a mão.
—Venha, tenho um segredo para lhe mostrar...
Ela saiu correndo com uma leveza surpreendente, e arrisco a dizer que ela mal toca o chão. Eu não tinha capacidade de segui-la no mesmo ritmo, e novamente a perdi...
—Aqui, no lago... Venha...
Ah ! Sim o lago, eu sei onde fica, mas eu estou perdido ! Como se ouvisse meus pensamento ela cantava mais alto, então logo fui seguindo sua voz.
A olhei e percebi que ela já estava dentro do lago, com água até abaixo do pescoço.
—Você não vê ?
Procurei o que ela queria me mostrar, e quando achei, meu coração falhou uma batida. Uma cauda, era esse o segredo, ela é uma sereia...
—Venha...Venha...
Já não ligava mais para a grande cauda, já não pensava em estar vendo uma sereia, e segui em frente, deixei meu tênis e meias em qualquer lugar, e continuei até sentir a água batendo na minha coxa.
—Não posso, não posso !!!!!
Pavor, terror, me fizeram voltar os passo, que foram interrompidos pelo toque dela, aquelas mãos tão belas e frias tocaram o meu braço e foram escorregando até chegarem nas minhas mãos.
—Venha, não tenha medo...
—Eu...E-eu n-não- t-tenho...
Ela sorriu e voltou a me puxar, e meio automático me acalmei, agora a água batia na minha barriga. Estava muito fria, mas o toque dela me fez aquecer por dentro. E quando dei por mim só estava do queixo para cima fora da água.
Ela desapareceu no azul escuro, eu já não segurava mais sua mão... Virei para todos os lados a procura, e nada...
Com um puxão firme porem delicado afundei e me obriguei a abrir os olhos. Lá estava ela na minha frente sorrindo.
—Você é corajoso...
Mesmo que o ar estivesse acabando, não me importei em subir para respirar, ela foi me empurrando para o fundo de costas, já quase não conseguia ver a luz que a lua emanava, só seu rosto na minha frente.
Eu preciso de ar ... Eu preciso subir.
—Não precisa... Não precisa...
Tentei me soltar pra subir, de qualquer jeito, mas ela era forte muito forte. Tentei novamente porem o ar já me faltava e por isso não tinha forças. Chorar ? Gritar ? Desistir ? O que adianta agora...
—Não posso deixar, você ir... Você é meu! Não posso deixar você subir...Você é meu !
Por favor me deixe subir !
Já sentia meus pulmões queimarem, não existia mais ar, então ele foi se preenchendo com água. A pressão que fazia conforme nós descíamos, comprimia meus órgãos, não sei o que doí mais...
—Você é meu ! E não vai subir ! Você é meu !
Tomando velocidade ela me empurrou para o fundo e quando senti minhas costas tocarem alguma pedra no fundo. Não sei o que foi, mas quando eu olhei para os olhos dela, eles sorriam para mim, os cabelos negros pareciam voar, com certeza ela é linda, me entreguei a escuridão que queria me abraçar. Fui com a imagem dela....
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