In The End Of Saturday
18 Part18: No Final
Notas iniciais
Empolgados? Esperam o último Lemon? (não prometo nada de boa qualidade).
Espero que esse último capítulo não seja decepcionante. Também não consegui pensar em nada muito inusitado... Porém, espero que o razoável consiga suprir suas curiosidades.
Meus agradecimentos nas notas finais, sim? ;)
Boa Leitura.
...
Aquele calor tocando seu rosto como uma pena suave foi o que precisava para Hibari acordar de seu profundo sono.
Pouco movendo seu corpo, seus olhos meio fechados alcançaram a visão do chão, já que ele dormia em um futon, com um tecido dobrado perfeitamente ao lado. Cores claras.
A porta de seu quarto estava com uma fresta aberta por onde saía uma fina linha de luz. Ela tocou sua bochecha lentamente naquela hora esquentando-o. E então o rapaz pode assimilar que já era dia e que fazia um sol agradável do lado de fora.
Hibari girou o corpo com cuidado, levantando-se com preguiça. Seus dentes rangeram um pouco, sentindo a garganta seca. Lembrava-se que não conseguiu dormir.
“Por que mesmo não consegui dormir?” Hibari coçou a nuca rapidamente. Algo na noite passada o fez ficar tão preocupado que não conseguiu pregar os olhos.
O moreno dobrou as pernas, também visualizando seu kimono entreaberto no peito ao abaixar o olhar até seu colo. Estava sem a faixa.
“Por que está sem a faixa?” Hibari apertou os olhos tentando se lembrar. Pensou uns instantes e tirou a coberta que tapava de seu colo para baixo. Assim que seus olhos pousaram ali, viu que a faixa estava meio enrolada em uma de suas pernas e o kimono havia soltado, deixando-o nu. E ali, na virilha, somente a visão fez Hibari contorcer seu rosto junto com as coxas extremamente macias nos últimos meses, o que só foi pior com o surgimento do calor interno naquela área.
-Uhn! -Hibari fechou os olhos, suando frio, e deitou-se novamente. “Agora lembrei.”
Pegando o tecido com violência e se cobrindo, ao passo que com uma mão jogava a faixa de sua perna para fora do futon com muita raiva, Hibari deitou a cabeça no travesseiro, espalhando os cabelos negros muito arrepiados. Seu rosto estava levemente vermelho e sentindo-se quente, e suas orelhas queimavam e ardiam assim como suas pernas ainda sensíveis, além de sua intimidade.
Ignorando a luz, Hibari apenas apertou bem as pálpebras e iniciou mais um de seus dias tortuosos.
Sem nem conseguir dormir, o moreno pegava-se numa fase em que seus hormônios pareciam ter finalmente acordado.
Quando era um pouco mais tarde, cerca da hora do almoço em Namimori Chuu, Hibari estreitou os olhos para duas figuras as quais decidiu matar ali mesmo.
Em pleno teto da escola, onde ele iria tirar sua preciosa soneca, aquele herbívoro incorrigível estava aos... Beijos-com-o-herbívoro-das-dinamites. A sobrancelha de Hibari tremeu fortemente, porém, uma única vez.
Ao se dar conta, o de cabelos brancos soltou levemente os lábios pequenos do Vongola e se levantou, pedindo perdão ao Juudaime, encarando Hibari.
-O que você quer? -a voz rascante de Gokudera atingiu rapidamente o Guardião da Nuvem que caminhou lentamente.
-Estão perturbando. Herbívoros. -Hibari cerrou tanto os olhos que eles pareceram fechar, deixando apenas um faixo de seu brilho mortal. O Guardião da Tempestade deu um risinho rápido, já tirando algo do casaco.
Antes que Gokudera acendesse as dinamites e que Hibari avançasse já com as tonfas na mão, Tsunayoshi já tinha se levantado e segurado o braço do italiano.
-N-N-Não Gokudera-kun. V-Vamos para outro lugar. -avisou o garoto sem olhar um segundo para Hibari e com o rosto fervendo.
Certamente, o Vongola tinha ficado morrendo de vergonha ao ser pego no flagra e ainda mais pelo cara mais perigoso da Terra.
Ainda, depois de Gokudera passar com um olhar nada contente e agressivo para o carnívoro, Tsuna deu uma breve parada.
-Desculpe te atrapalhar, Hibari-san. Fique à vontade. -Tsuna reverenciou rapidamente e saiu empurrando Gokudera, que ainda resmungava que queria estourar a cara do convencido ex-Líder do Comitê Disciplinar.
Bufando, Hibari apenas teve a escolha de guardar as armas metálicas. Dali se preparou para um cochilo rápido, tirando o casaco e se encostando na parede.
-Hm. -com esse pequeno som que se repetia muitas vezes, Hibari focou o céu límpido. Sem nuvens. Estava algo em torno de 30°C hoje, e Hibari deslizou a mão até os primeiros botões da camisa, desfazendo quatro de sete deles e tirando a blusa de dentro da calça, aliviando-se um pouco.
O rapaz ainda ficou atento uma última vez para ter certeza que o Colégio estava em ordem, e então, após a confirmação positiva, tentou dormir. Era sim pleno dia, ele ilusoriamente buscava algum conforto e rezava para ninguém perturbar mais, Hibari ressonou confiante de que estava tudo bem agora.
Passado poucos três minutos, em que seu rosto já tinha dado a parecer em sono profundo, o sino tocou.
“Nunca vou poder dormir.” Hibari franziu o cenho, irritadíssimo. Sua primeira reação foi levantar bruscamente e ir até as grades, indo ver quem era o maldito que estava causando problemas.
Lá embaixo, viu uma pessoa baixinha, tão pequena que Hibari teve que afiar a visão. Viu um chapéu e rosnou em seguida.
Virando-se com brusquidão, andou com passos pesados pela escadaria e desceu até o térreo, passando audivelmente pelos corredores de piso frio. Ao dar-se com a entrada, Hibari tirou as tonfas.
-Estou sem paciência hoje, Bebê. -Hibari veio logo avisando, dirigindo seu olhar feroz para o Hitman.
Como quem entendia a situação, Reborn apenas deu um sorriso sarcástico e começou novamente com suas historinhas.
-Ciaossu, Hibari! Vim te avisar sobre algo importante. Tsuna não deve ter falado do novo tes-...
-Não estou interessado. Vá embora. -Hibari ofereceu as costas e começou a se encaminhar para dentro da escola.
-Se mudar de ideia, vá até a casa dos Sawada. Nós estaremos no parque, mas o que você tem que fazer está relacionado ao que vai estar lá hoje à noite. -Reborn falou com aquele tom de quem sempre sabe de tudo. Hibari arqueou a sobrancelha.
-Apenas deixe a escola. -Hibari reclamou, voltando a caminhar. O que teria na casa do Sawada que era da conta dele? “Hnf. O Bêbe pode ser forte, mas é um herbívoro por dentro.”
-Cuidado com esses pensamentos, Hibari. -Reborn falou alto o suficiente para o outro ouvir.
Hibari tirou as tonfas, mas quando se virou, Reborn já havia sumido.
-Hm. -com sua última palavra, sem o mínimo de paciência, Hibari se destinou à sala da recepção, onde iria tentar uma última vez dormir.
Pensando melhor sobre isso, Hibari pegou-se achando que estava mais brando. Seus métodos para ensinar os alunos de Namimori eram na base da surra, sempre, e ele não dava chances para reclamações ou sequer fugas. Hibari era tão direto que agora ele precisou rever desde o dia em que chegou no Colégio até os dias atuais. Ele não batia em ninguém quase. Ele olhava friamente, mas dava a entender que não agrediria ninguém se dessem-lhe uma boa explicação ou um pedido de desculpas que se seguia um pouco menos doloroso que o usual.
-“Estou amolecendo demais.” -Hibari rosnou internamente, tentando se lembrar de quando começou a se cansar de se importar. Quando Namimori deixou de ser seu objeto de adoração?
Por que... Já não era mais.
O moreno suspirou internamente. Lembrou-se das costas largas e do cabelo sedoso.
-Ugh! -Hibari contorceu o rosto e parou de andar, apoiando-se na parede. Assim que o fez, viu uma figura olhar pra ele uns metros à frente, muito curioso. Ter consciência de quem era só o deixava mais nervoso.
-Hibari? O que foi? Está se sentindo bem? -perguntou aquele rapaz de cabelos negros e olhos castanhos com uma expressão preocupada. Ele era do tipo que conseguia fazer Hibari sentir náuseas, por toda sua noceguisse e pelo quanto de vezes que sorria num dia só.
-Herbívoro, o que está fazendo fora da sala? -Hibari desencostou, andando até Yamamoto com uma tonfa armada e sedenta. Ótima distração para um momento como esse.
Yamamoto sorriu amarelo e deu uma desculpinha, assim que ia se virar para correr, uma voz chamou a atenção de Hibari.
-OH!! HIBARI! -a voz gritante fez Hibari sacar a outra tonfa.
Era assim então? Aqueles dias normais voltaram de forma impiedosa? Não é como se não esperasse por isso, mas também, Hibari não imaginava que ia ficar tão estressado.
Hibari queria poder tê-lo ali. Não importava se não era um estudante, nem que estivesse fadado a aguentá-lo o resto dos tempos, mas valia a pena, pelo menos mais do que estar aqui batendo nos inúteis.
Valia a pena ignorar um pouco seus ideais rígidos, acreditar nessa pessoa e viver com ela, de alguma forma.
“De qualquer forma. Qualquer uma é válida. À distância, na Itália, no Japão... Vale a pena.”
Hibari pensou que, para alguém como o Cavallone, não era nada propício se comprometer com um homem. Especialmente um estrangeiro. E ainda por cima, um rapaz sete anos mais novo. Um rapaz de mente fechada. Violento. Grosso. Egocêntrico.
Hibari franziu a testa, fechando os olhos. “Talvez eu nem seja bom o suficiente. Isso é só egoísmo.”
Por outro lado, o moreno que deixou de se importar com aqueles dois ali mesmo e voltou para a sala do Comitê Disciplinar, sentando-se pesadamente no sofá, se esqueceu do resto do mundo, pensando dolorosamente “Talvez eu seja o único que esteja apostando tudo... Senão, aquele palhaço já teria ao menos ligado.” Seus olhos pousaram no celular deixado em cima da mesa.
O som do vento leve contra a janela meio aberta fez Hibari olhar, ali Hibird pousou, falando seu nome repetidamente. O Guardião da Nuvem, já cansado mentalmente, esperando com muita paciência até agora, se levantou e foi até sua mesa, sentando e olhando para os papéis que tinha ficado.
Seus olhos índigo correram de novo, do celular para os papéis e dos papéis para o celular. Seus dedos deslizaram por cima da madeira até tocá-lo. Hibari moveu os lábios secos um pouco, na tentativa de umedecê-los. Bateu com a ponta do dedo indicador na tela e segurou-o com cuidado, abrindo-o em seguida.
A data foi o que prendeu sua atenção.
-O que é que tem nessa data? Um feriado? -Hibari buscou um calendário ou qualquer coisa que pudesse lhe dizer. Algo dentro de seu peito martelava dizendo que havia algo importante nesse dia, mas que ele não se lembrava.
O Ano Novo foi algo realmente bonito e Hibari somente naquele dia havia recebido uma mensagem. Bem quando viu as luzes salpicarem no alto dos céus, quando estava na beirada de seu quarto, com uns doces e um vinho que havia trago da adega do Cavallone, foi exatamente quando se tornou outro dia que aquele idiota havia mandado a primeira mensagem desde sua despedida. “Eu te amo Kyouya. Me aguarde.” Nunca mais depois disso.
-Ah. -Hibari suspirou, apoiando o rosto na mão, continuando a bater o dedo na tela de forma impaciente. O que havia de importante? Não se lembrava, mas se não lembrava era porque não era urgente não é?
O moreno deixou que tudo se transformasse numa grande massa de problemas mundanos e que sua mente fosse varrida.
-Hoje, eu vou me livrar disso. -Hibari sussurrou para o ar, como um confidente ou algo do gênero.
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Ali na cozinha dos Sawada alguém pigarreou alto o suficiente para chamar a atenção. Com um aviso predestinado ou planejamento maléfico, como era o mais esperado, Reborn se pôs no ombro de Tsuna aumentando o tom da voz baixa e infantil. Aquele homenzinho sempre tinha uma carta na manga (ou todo o baralho e ninguém o viu roubar) e era com certeza que dessa vez a notícia ia ser um tanto surpresa.
-Eu avisei ao Hibari que viesse para cá essa noite. -Reborn sorriu de canto.
Tsuna juntou as sobrancelhas, mal acreditando, enquanto Gokudera já se punha de pé incrédulo e Bianchi e Lambo mal davam bola, exceto I-Pin.
-Por que, Reborn-san? -o albino balançava as mãos de forma a entender que não fazia sentido o que Reborn dizia. Não era como se eles fossem dar uma festa, ir a um teste, nada! Hoje era só um dia normal.
-Hoje é um dia especial, na verdade. Não muito, pois não me orgulho muito, mas mesmo assim especial. -Reborn levantou o dedo, deixando claro que aquilo não passaria. -Hoje, Dino estará vindo aqui.
Tsuna congelou, ficou branco e estremeceu.
-Tsuna, seu medroso. O Dino não vai te culpar pelos seus erros ou qualquer coisa assim, ele é tão idiota quanto você. -Reborn avisou o aluno, que choramingou derrotado, mas sentindo-se melhor. Dino da última vez tinha deixado claro que quando pisasse no Japão ia bater um papo com Tsuna e não ia deixar passar. Bem, só talvez.
Gokudera por sua vez só conseguiu dar um risinho de escárnio.
-E o que tem de tão especial no Haneuma estar aqui?
Reborn riu.
-Nada de importante na realidade, a não ser seu aniversário. Mas dessa vez ele está vindo por motivos pessoais. Eu queria facilitar algumas coisas para ele, pois foi graças ao seu empenho e sua ajuda que Hibari pôde permanecer na Itália e se recuperar, assim como voltar para o Japão à salvo. Vai servir como presente. -Reborn explicava.
-E o que o Hibari-san tem a ver? -Tsuna coçou a nuca, não entendendo nada, muito menos o resto dos presentes.
Como se notasse isso Yamamoto, que veio inclusive apenas pelo convite do Hitman, levantou a mão.
-Garoto, o Hibari meio que não estava se sentindo bem hoje. Talvez ele não venha. -disse o rapaz, lembrando-se daquele momento no corredor. -Ele ameaçou o Ryohei e de um segundo para o outro deu meia volta e sumiu.
Tsuna piscou, intrigado. Hibari não era assim, era?
-Talvez ele tenha tido problemas mentais com aquele coma. -Gokudera alfinetou quando se sentou novamente, levando uma cotovelada fraca de Tsuna.
-Gokudera-kun! Não diga isso... Ele poderia ter morrido por minha culpa. -o Vongola abaixou os olhos. Imagina: Se Hibari morresse... O que Dino iria dizer? Ele provavelmente perderia toda a confiança do seu “irmão mais velho”. Nem era por interesse, mas tinha notado que algo entre eles, desde aquele dia da primeira missão de Hibari, Dino havia gostado do Guardião da Nuvem. Realmente. Sua intuição apitava, algo importante entre eles.
-Certo. É aniversário do Dino, mas não é como se fossemos fazer alguma festa. -Reborn desceu do ombro de Tsuna, voltando a comer.
-R-Reborn! Diga logo o que tem de tão importante então e o que é para nós fazermos! -replicou Tsuna, sentindo que aquilo poderia livrá-lo de conversar com Dino nessa mesma noite.
-Esperto, Tsuna. Continue assim. Agora: vamos ter que trazer Hibari para cá.
-Por que o Hibari? -indagou Bianchi, sem sacar a intenção.
-Não importa. Os dois se conheceram na Itália e tudo o que sei é que Dino conseguiu se relacionar com Hibari de uma forma melhor que nós. Sendo bem sincero, huhuhu, eu acho que ver Hibari deixaria Dino tão feliz que ele nem se lembraria de nós. Por isso, nós vamos a um teste de coragem, mas antes vamos garantir que eles se encontrem.
Tsuna, Yamamoto e Gokudera se entreolharam, como se não entendessem absolutamente nada. Contudo, o Juudaime levantou-se.
-Certo. Algo me diz que só vai acontecer coisas boas depois disso, então, apoio. -Tsuna sorriu, dedicando-se a ajudar.
-Bem, talvez nem seja necessário. Hibari pode vir por conta própria.
Foi apenas mais tarde, entre seis e sete horas que Hibari olhou o relógio. Estava ansioso intimamente.
-Quando ele diz “à noite” que horas exatamente ele quer dizer? -falou para o nada, aborrecido.
Tinha saído do Colégio mais tarde e sentia-se um pedaço de carne fedida ambulante. Estava andando pelo corredor da casa até chegar ao banheiro, desfazendo das roupas e tomar um banho morno.
Suas mãos espalmadas na parede apoiavam seu corpo, deixando a água escorrer pelo topo de sua cabeça e correr pela nuca, lavando seus sentimentos ruins. Sentia-se cansado, muito tenso e altamente irritado. Além disso, havia aquela pergunta incômoda que não sumia. Que dia era esse? Não tinha realmente nada nos anos passados que esse dia fora tão importante.
Seu olhar percorreu seus braços e desceu diretamente para os pés, tornando a subi-los, pelos joelhos, coxas, entre elas. De novo.
“Isso não acaba!” Resmungou internamente, sentindo seu rosto esquentar fortemente. Quantas vezes faziam? Tinha repetido isso todos os dias... Todo o tempo quanto suportasse, em sua casa e no Colégio todas as vezes que sentia necessidade. Se o lugar e a hora fossem propícios, Hibari sabia que devia fazer. Se ele não o fizesse, seria pior depois.
Sua mão direita desceu com mais destreza do que nas primeiras vezes. Seu corpo se acostumou aos próprios carinhos, deixando-o sempre insatisfeito, por isso sempre tinha que ficar aumentando a intensidade, sempre mais rápido e mais forte. A quantidade de vezes ao dia aumentou também. Isso deixava seu orgulho estirado no chão, mas Hibari não conseguia mais parar.
Isso acontecia agora novamente. Assim que seus dedos alcançaram a base, envolvendo, Hibari ergueu o queixo, juntando todos os dentes e apertando a mão, movendo até que sua pele se acostumasse e encontrasse o jeito certo para não se machucar.
Era ótimo. Era completamente viciante.
Porém, ele queria sentir isso com o Cavallone. Sozinho era difícil. Sozinho estava incompleto. Sozinho... Ele não conseguia sentir amor.
-A-ahh.
“Nesse dia...”
-Hnn... Haa.
“... Tem algo importante que eu me esqueci.”
Os joelhos de Hibari dobravam-se ao chão, seu membro pulsava, mas não importava o quão rápido ou forte fosse, ultimamente, estava sendo impossível.
Sua mão parou o movimento de súbito e segurou a glande. Não queria mais fazer isso. Fazia mal para seu coração. Sentia-se muito mal.
-Isso não é normal. Certamente não é.
Suas pernas ganharam um pouco de força e Hibari se pôs de pé, concentrando-se em tomar um banho decente. Enquanto o fazia, tirando o sabão, lembrou-se da conversa com o Bebê.
“Aquele garoto sempre sabe de algo. Tenho certeza que se eu for a resposta estará lá.”
Valia a pena perder seu tempo de novo? O que ele esperava se encontrava num dia 5. Não teria nada de interessante com certeza.
O registro do chuveiro foi fechado e Hibari viu o vapor todo se juntar no espaço em volta. Sentia cada canto de sua pele arrepiar-se pelo choque térmico, mas estava tudo bem. Seu nervosismo estava acalmado o suficiente para suportar essa noite.
Sua saída foi marcada quando era oito e meia. Depois de um lanche rápido, uma fruta parada e uma bebida deixada pela metade na geladeira, Hibari colocou suas vestes comuns, deixando o casaco do Comitê de lado e optando por um casaco de frio, uma touca azul e um cachecol que combinava.
Era inverno no Japão.
Seus passos na rua estavam mais leves. Seu olhar estava realmente mais brando para quem olhasse, contudo, apenas Hibari poderia dizer o tremor que seu corpo sofria por dentro, em sua mente.
Sua chegada àquela rua foi marcada assim que ele pôde visualizar a lua perfeitamente em uma crescente brilhante e livre de nuvens noturnas. Hibari piscou demoradamente, avistando a casa dos Sawada, o qual só havia uma pessoa que era aceitável: Nana, a mãe do Guardião do Céu. A casa tinha apenas a luz da frente, da soleira, acesa e a rua estava silenciosa, com ruídos de prováveis bichanos nas latas.
Hibari respirou, espalhando a fumaça branca de seus lábios que passavam a ressecar com a temperatura negativa.
“Talvez em breve neve.” Pensou, trazendo o cachecol mais para cima do queixo, buscando sinal de vida na casa. “É melhor que não tenha ninguém.”
O moreno tocou o pé na soleira, olhando em volta novamente. Aquele lugar nunca era tão quieto, era estranho.
Percorrendo os olhos na porta, antes de tentar tocar a campainha, Hibari avistou um pequeno papel dobrado perto da maçaneta. Estendeu a mão, pegando-o e abrindo-o, com as mãos geladas.
-“Hibari, no segundo andar.” -o rapaz estreitou os olhos, reconhecendo ali a caligrafia de um arcobaleno muito atrevido. -Tch!
O Guardião da Nuvem resmungou, girando a maçaneta e foi entrando em seguida. A casa estava toda escura.
-“Onde estão os herbívoros? Ou ao menos a mãe do herbívoro?” -Hibari caminhou com passos leves, tomando as escadas com cuidado e alcançando o corredor do segundo andar. Olhou pelas frestas de debaixo das portas, descobrindo uma pequena luz num dos quartos.
Certo. Para Hibari era simplesmente imperdoável ir entrando na casa dos outros, mas lhe deram permissão, então não tinha problema, mesmo?
Com cautela, Hibari segurou a tonfa. Nunca sabia o que esperar de Reborn, então o melhor era sempre se manter preparado. A porta mal rangeu e Hibari apenas conseguiu assimilar uma pessoa virando-se assustada, sendo que ela estava sentada perto da janela e com um abajur aceso.
Hibari levemente arregalou os olhos. Seu rosto esquentou e sua garganta secou um pouco. Certo, isso deveria ter passado por sua cabeça.
-O que faz aqui? -foi a única coisa que atravessou sua boca para fora. Hibari guardou a tonfa, se aproximando com um olhar mais contemplativo do que acusador.
Agora, a reação do outro foi apenas sorrir feito idiota e se levantar de supetão, tão imprevisível que Hibari se afastou uns dois passos involuntariamente. Dino abriu seu melhor sorriso de felicidade e espanto, agarrando o corpo do japonês como se não soubesse de seu asco por intimidades. Hibari fechou os olhos.
Seria impossível depois desse tempo todo que ele ignorasse esse calor tão aconchegante, essa voz, esse sentimento que o afogava.
Tudo o que conseguiu ouvir daquele tom grave foi um baixo “Kyouya.”, vindo de sua boca rente ao seu ouvido, as mãos grandes tocando sua nuca com apreciação.
O som da respiração era bem audível ainda que Dino respirasse baixo. Estava descompassada, contudo.
-É tão bom te ver. -a segunda frase atingiu Hibari como um raio. Cada palavra dita passava a ficar mais pesada e o moreno não sabia como reagir. Queria dizer algo, mas demonstrar que estivera ansiando a muito esse momento não era da natureza de Hibari.
O menor então levantou a mão, afastando um pouco o cachecol que de um segundo para o outro deu a impressão de não cumprir mais seu papel. Apenas com a chegada do loiro o ar ficou aquecido e Hibari sentiu que o frio de seu peito desapareceu só com seu olhar.
Dino se separou um pouco, segurando as faces de Hibari, como se verificando que nada havia mudado nesse rosto. Os olhos brilhantes e afilados, o formato fino do rosto delicado, o contorno dos lábios pouco cheios e pálidos, o jeito que as sobrancelhas franziam naturalmente e com charme, a linha do nariz perfeito e balanceado, os fios negros curtos sobre a testa...
-Eu estava esperando. -Hibari disse em seu tom mais indiferente, porém, seu timbre escapou do controle, tornando-se mais fino e baixo. Soou ao maior algo como uma melodia muito curta.
O maior deu um sorriso de canto, puxando-o em sua direção rápido, mas de forma que Hibari associou tudo como se fosse uma mensagem telepática e deslizou as mãos até os ombros do loiro com destreza bem quando os lábios avermelhados tocaram os seus.
Os braços do maior, cobertos pelo casaco verde, estenderam-se para enlaçar todo o corpo de Kyouya, eliminando qualquer espaço entre eles. Sua boca abriu-se, abrigando os pequenos lábios do companheiro, relembrando dos poucos toques que tiveram como deveriam.
-H-n, Kyouya... Eu estava tão impaciente. -sussurrou ao parar uns segundos, deixando seus dedos apertarem o quadril do amante, que se mostrava muito desesperado a seu modo.
Kyouya arfou, sentindo seu interior responder com um puxão de seus músculos dorsais, que o fizeram agarrar as costas do loiro, o rosto ao lado do pescoço longo onde se destacava o início da tatuagem.
Suas pernas se juntavam de forma insinuante. O próprio ex-Líder do Comitê Disciplinar tremia, sentindo algo em seu corpo se encher e derramar pelos poros em forma de suor e adrenalina. Estava feliz.
Desde quando se importava?
A verdade era que Hibari sabia exatamente quando foi.
-Kyouya... -Dino o chamou, a contragosto, com raiva de ter que segurar ainda mais depois do encontro. -Vamos. Estamos no quarto do Tsuna.
O moreno pareceu ter se realizado disso e apertou ainda mais o loiro. O pior era isso.
-Maldito Bebê. -reclamou em voz alta, sabendo que deveria ter escutas ou câmeras pelo lugar. -Vamos embora.
O Cavallone, que riu internamente com o nervosismo incalculável de Kyouya, segurou em sua mão, fazendo-o virar para fita-lo rapidamente e avermelhar um tanto.
-O que?
-Te amo.
O japonês se arrepiou inteiro, sentindo seu coração disparar e sua intimidade acordar.
“Não é a primeira vez que ouço isso. Não é diferente.” Kyouya apertou os olhos junto com a mão em posse do mais velho. Seus nervos trabalhavam rapidamente.
-Olhe pra mim, Kyouya. -pediu o loiro só um instante, segurando a cintura e o juntando a seu corpo de lado de um jeito que Hibari o achou... Sedutor.
Seus olhos atingiram a cor mel e foi impossível manter o contato visual. Dino riu zombeteiro, deixando Hibari com raiva.
-Vou te morder até a morte. -disse com os dentes rangendo e os olhos abaixados e as sobrancelhas muito juntas até formar uma ruga no meio da testa.
O loiro deixou um beijo suave e úmido em sua testa e começou a andar, puxando o rapaz consigo.
-Ei, herbívoro, para onde vamos? -Hibari indagou, sabendo muito bem que se Dino os guiasse eles se perderiam.
-Para... O Hotel. -Dino coçou a nuca, sentindo-se envergonhado.
O olhar estreito do mais novo o fez estremecer de medo.
-Vamos para a minha casa. -Hibari ditou, começando a caminhar na direção em que tinha vindo.
xxx
Hibari pov’s on
No caminho, Dino segurou minha mão. Algo que eu não saberia explicar ou lidar com meu eu do começo desse ano. Meu rosto se tornou quente.
Tampouco seria suficiente dizer que era vergonha. Raiva só tomava um pouco de espaço nessas emoções. Agora, como esperado, eu só conseguia sentir felicidade em tê-lo aqui.
Antes também eu não saberia como descrever, mas com certeza agora era um sentimento novo o qual eu desconhecia em outros tempos.
Quando a mão dele segurou a minha com tanta delicadeza e cuidado, fazendo uma pressão agradável, foi quase instintivo: eu tive que manter meus olhos à frente e morder os lábios. Somente assim esse sentimento estranho poderia ficar em silêncio.
Enquanto isso se passava em minha cabeça, era claro para mim que esse idiota estava animado. Dava pra sentir pela forma como ele parecia sorrir e olhar para o céu como um bobo apaixonado, pelos passos rápidos e sua respiração cheia. Parecia inflar o peito, e isso me indicava que estava orgulhoso.
Tirando tudo isso, mesmo que eu estivesse completamente incapaz de olhar pra ele diretamente, a dúvida me atingiu tão forte que foi impossível conter. Foi quando eu o olhei de canto, garantindo que nenhum choque repentino me deixaria indefeso.
-Por que você apareceu no Japão? Hoje? -perguntei, apenas fitando seus olhos se iluminarem e um sorriso gracioso surgir. Por que esse homem é tão adorável? Por que... Meus olhos não se despregam dele?
O Haneuma inspirou ar rapidamente, parecendo ficar ainda mais radiante, o que contrastava com a luz prateada da lua. O poste de luz também foi uma das poucas fontes de luz que nos permitiram parar de andar uns instantes, apenas para o Cavallone responder. Então o escuro encobria a área fora de alcance da lâmpada e nós ficamos visíveis embaixo dela.
-Hoje? Hm. -ele alargou o sorriso. -Não é nada de importante. A não ser o fato de eu ter vindo para buscar meu presente.
Arqueei uma sobrancelha, sem entender muito bem. Não era acaso que o Cavallone veio justo nesse dia. Se não fosse um dia especial, o Cavallone teria vindo um dia depois de eu ter saído da Itália.
“Idiota.”
-Não faça enigmas. Você sabe que eu odeio que desvie do assunto. Desembuche, Cavallone. -exigi, esquecendo que nossas mãos ainda estavam conectadas.
Ele me olhou intensamente, sério. Ou até mesmo com aquele ar sensual que abatia quando estava inspirado.
-Quer mesmo saber? -e quando o disse, senti o puxão na minha mão e ele me juntou ao sue corpo outra vez.
-Quantas vezes você vai fazer isso? Você é criança? -perguntei, sentindo-o muito aceso, o que era prejudicial para a segurança de um lugar público.
Ele riu alto, me apertando e encostando a boca na minha tão relaxado que mal percebi. Estou acostumando... Isso é muito ruim.
-Me deseje felicidades, eu estou completando 26 anos.
-É seu aniversário então. Você em breve terá 30. Já pensou nisso? -perguntei de um sorriso de canto, sentindo-me muito bem em me gabar da juventude que possuo.
Ele chorou uns segundos, decepcionado. Era óbvio que minha apatia com os assuntos desnecessários continuaria. Porém... Não era como se eu não estivesse surpreso.
-Continue andando, herbívoro. -falei calmamente, voltando a puxá-lo. Em minha visão isso soaria constrangedor, mas a opinião das criaturas alheias não mudarão nada. Por isso tanto faria se estávamos à vista ou não.
A escadaria ficou visível logo, uns poucos minutos de silêncio após o Cavallone recolher a mão livre no casaco e se contentar com nosso contato mais do que suficiente. Certo que esse pequeno gesto deve tê-lo deixado derretido.
-Você, Haneuma, se comporte. -avisei antes de adentrar o local e ir fazendo o percurso até onde seria meu local íntimo e que apenas a essa pessoa havia permitido conhecer. -Como você é muito responsável eu não tinha conhecimento da data, então não possuo nenhum presente ou algo parecido. Não é como se eu quisesse dar algo, mas estou em débito.
Ele riu mais uma vez, me deixando muito nervoso. Sei que pode soar como desculpa, mas eu não pedi nada a ele.
-Claro. Você está em débito só porque aceitou o crucifixo, não é? -ele se deixou sentar quando estávamos já no quarto. Abri a porta, deixando o ar gélido e saudável tomar conta do espaço. Quando ouvi suas palavras foi como levar um soco.
-Continua tão convencido como sempre. Você não cresceu nem um pouco, Cavallone. -disse com rispidez, vendo como a franja loira continuava com as ondas charmosas quase cobrindo o olho esquerdo. Os movimentos continuavam o mesmo, até mesmo o jeito de sentar com um joelho dobrado e o braço esquerdo apoiado nele enquanto a mão direita apoiava-se no chão.
-Em compensação, meu desejo por te ver só aumentou... -soltou pelo ar como um poema. Seu jeito de dizer certas coisas conseguia deixar o íntimo das pessoas envergonhado. -Eu, se pudesse escolher, pararia no tempo apenas para viver com você pela eternidade.
Ouvindo isso, só consegui reagir ridiculamente. Travei minha ação de pegar as tonfas, sentindo-me obrigado a ouvir essas coisas baixas. Fiquei parado olhando a paisagem lá fora. As sakuras vistas de noite tinham uma cor muito mais clara que quase chegava a branco e, reluzidas pelo luar, ficavam ainda mais propícias para casais desenfreados usá-las como público de seu “amor incondicional”.
Sinceramente, eu nunca imaginava que ouviria coisas românticas, e nem que eu iria suportá-las sem bater na pessoa. Principalmente se ela é o Cavallone.
Suspirei em seguida, vendo como ele tentava se segurar.
“Está escrito em você todo, Haneuma. Eu também...” Mordi os lábios novamente.
Quando tudo começou, eu achava o mundo sujo e infestado por criaturas desprezíveis.
Talvez eu tenha sido muito hipócrita.
XXX
Pov’s normal
O moreno fitou com os olhos frios tremulando na direção do italiano.
Dino teve que suspirar para tentar controlar todos seus instintos de possuir Hibari aquela noite sem o menor cuidado, sem mais explicações ou mais conversas. Tinha consciência de que o rapaz odiava esse tipo de demonstração amorosa.
Para sua surpresa, a porta que Hibari tinha acabado de abrir foi fechada novamente e sua figura esbelta se aproximou ligeiramente, com olhos fixos.
Queria continuar o que havia começado na casa de Tsuna. Aqueles lábios quentes ansiavam por ter os do mais novo contra si, o corpo e toda a alma entregue para o momento.
Aqui não era a primeira vez deles. Nesse mesmo quarto haviam tido relações. Mas agora, especialmente nesse segundo, ele pareceu muito mais seguro, familiar e confortante.
Quando o mais novo alcançou-o, se ajoelhando em frente, Dino sentiu seu corpo vibrar. Estava muito perto, e Hibari parecia que faria o primeiro passo, o pedido.
Seus olhos mel cerraram instantaneamente e suas mãos subiram pela cintura fina que ficou ao alcance. Hibari tocou o rosto do loiro, desejando-o, seus lábios úmidos tocando os do maior com suavidade.
Foi relando apenas, a única coisa necessária para Dino reagir violentamente.
Hibari conseguia ser provocativo de uma forma irritante. Ele não podia segurar mais, o tremor que lhe causava esse orgulho, reclusão, apertos não muito fortes.
Por que quando era para isso, esse garoto se tornava tão gentil?
Quando o pensamento chegou a mente foi tarde demais, pois os dedos delgados haviam deslizado deliciosamente por seu pescoço até tocar a nuca, agarrando os fios loiros e os puxando com agressividade. Isso caracterizava a violência de Kyouya até mesmo no sexo.
O puxão doído fez o loiro abrir a boca categoricamente e alçar a língua para dentro da boca do moreno, sendo atropelado por um tsunami de prazer e dor.
-A-aw... hnn...
As mãos grandes e morenas do Cavallone escorregaram pela cintura de cima a baixo, apertando-a. Kyouya se contorceu, gemendo baixo em meio ao beijo molhado e desajeitado.
Aquele dia seria um marco. Dino se convenceu ao puxar ar uns instantes e encarar seu amante tão excitado quanto ele mesmo. Seus lábios tomaram os do rapaz novamente, dominando a situação e deitando-se ao passo que deixava o corpo do moreno encaixar no seu por cima.
Beijavam-se calorosamente em meio a luz e foi como relembrar da última vez como um flash. Hibari apertou seu quadril sobre Dino, sentindo uma onda de tesão carregar suas coxas e sue membro que despertou, roçando na virilha do mais velho.
-K-Kyouya. -Dino sussurrou durante o beijo, passando o braço por trás do corpo e descendo a mão esquerda até os glúteos do japonês sobre a calça. -Tira a roupa...
O pedido fez cada ponto nervoso de Hibari receber um choque elétrico e sua excitação sobrepor seu raciocínio lógico.
-Não diga coisas desse tipo. -rugiu em voz baixa, apertando a colcha sobre a qual estavam deitados no futon.
-Então eu não vou pedir. Faça então. -o loiro sorriu luxuriosamente, como se estivesse exigindo.
Os olhos azuis estreitaram perigosamente.
-Isso não é presente nenhum. Estou fazendo por que quero, Haneuma. -resmungou, sentando-se sobre o quadril do mais velho que só preparava seus olhos e sua intimidade para o que viria a seguir.
Hibari afastou os cabelos um pouco, descendo a mão depois para seu cachecol, puxando-o lentamente até cair no chão. As mãos puxaram o casaco e o lançaram para outro lado. E uma das mãos que pousaram sobre as pernas de Dino subiu até o peito desfazendo os botões da camisa um a um, tão devagar e preciso que o loiro sentiu o volume entre as pernas tocar o corpo de Kyouya.
Hibari percebeu o efeito que esse tipo de ação causava no Cavallone. Algo que parecia ser normal, quando era feito por Hibari, não tinha jeito de não achar encantador e excessivamente sexy. A natureza selvagem do moreno era por si só excitante.
Continuando com a brincadeira, o moreno sorriu, vendo que Dino ficou com a guarda baixa. Manteve os três botões do meio da camisa presos e desceu o tecido pelos ombros, mantendo a camisa de mangas compridas caída. Dino só faltou ter uma hemorragia nasal ao observá-lo se aproximar engatinhando, roçando as pernas, e se apoiar em um só cotovelo.
A face de Hibari estava frente a frente com Dino, a milímetros de tocá-lo nos lábios, os olhos afilados e mais escuros.
-Você gosta dessas coisas, não é Haneuma...? -perguntou roucamente, descendo os dedos pelo peito de Dino e mantendo distância dos corpos, torturando-o com o hálito fresco e com o timbre.
-Hm... V-Você...
O moreno sorriu lascivamente, sentindo-se ferver pelo corpo todo. Sua mão sobre o peito do maior se afastou e desceu entre seus corpos, tocando o meio das próprias pernas. Dino dobrou as coxas um pouco ao ver essa cena. Hibari tocou a fivela do cinto e tirando-o, desfazendo o botão e abrindo o zíper. A boca do mais novo tocou a de Dino, mordiscando a pele, provocante, e inspirando o cheiro amadeirado do loiro.
-Tire agora. -Kyouya sussurrou ao seu ouvido, movendo os joelhos mais para cima e se apoiando pelos dois cotovelos.
-Você está mais solto... Andou se tocando sem mim? -sibilou Dino enquanto sorria de igual para igual, vendo o volume na calça negra.
O moreno apertou as sobrancelhas, o que confirmou suas suspeitas, mas Dino não o deixou fugir, segurando a barra da calça.
-Você disse para eu tirar. Fique quietinho. -o loiro segurou firmemente e puxou o tecido junto com o que vinha embaixo, ouvindo um xingamento do japonês. -Algum problema?
Com a negação, Dino continuou até poder contemplar o corpo desnudo e completamente perfeito. Como nunca antes.
-Você parece ter se recuperado muito bem. -sorriu Dino, pondo-se a sentar, colocando Hibari em seu colo, bem em cima de seu membro.
-H-Huh! -soltou o moreno ao sentir o membro rígido de Dino tocando-o.
Os mamilos rosados enrijeceram, ficando tão sugestivos que foi impossível não olhá-los um tempo. Dino lambeu os lábios rapidamente, vendo desde o rosto perfeito, passando o pescoço até o pênis ereto e as coxas contorcidas tentando escondê-lo.
-Kyouya. Te amo.
O rapaz pareceu ter paralisado de novo.
-Pare.
Dino sorriu de canto, segurando as mãos de Hibari e colocando-as em seus ombros. Sem dizer mais nada, o loiro empurrou o corpo do mais novo para baixo, deitando-o bruscamente.
-H-Haneuma!
Hibari não pode ver muito bem, mas viu a rapidez de Dino em tirar o casaco verde, a camisa e as calças para se por sobre si. Seu rosto fervilhou ao notar que já estavam os dois nus e com ereções prestes a entrar em ebulição.
Dino abaixou-se o suficiente para deixar um beijo rápido e bem molhado, começando a desenhar uma trilha de saliva pelo corpo do rapaz. As marcas que desapareceram nos primeiros dias, e que moveram Hibari em direção ao caminho da perversão, voltaram a ser deixadas. Ele não se importava, ele precisava se lembrar depois que Dino estivera com ele, as marcas eram uma prova e meios de se lembrar mais facilmente.
-Hn!
-Te amo.
-C-Cale a boca...
Nada poderia deixa-lo mais perdido do que isso. Hibari não conseguia suportar as palavras. Elas eram a chave para o fim. O fim de suas rédeas. O fim para seu ideal profundo. Se algum resto de juízo ainda existisse, alertando-o para não se envolver com outra pessoa, ele com certeza estava se despedaçando agora. E Hibari queria isso. Pessoas como Hibari querem isso. Querem enfrentar o perigo sem nada para impedir. Emoções fortes; adrenalina; prazer; dor.
Essas coisas Hibari ansiava, contudo, a pessoa certa para oferece-las era incerto para se encontrar.
“Mas eu encontrei...”
-Ahh... Haa! AH!
Dino deslizou a mão pelo membro intensificando a força e baixando a pele esbranquiçada. Sua boca salivou ao ver a expressão contorcida de prazer de seu companheiro. O membro teso latejava e o corpo exalava um cheiro adocicado que era como uma essência atrativa. Dino sentiu-se hipnotizado por ela e não pode conter muito mais de sua própria excitação. Seu limite se aproximava muito rápido dessa vez.
-Eu estava esperando também. -confessou o loiro, acariciando um dos mamilos com a língua e apertando o outro, ao tempo que sua mão esquerda trabalhava no ritmo, fazendo Hibari soltar a voz aos poucos.
As pernas do rapaz dobraram, as mãos prenderam-se nos fios dourados instigando Dino a masturba-lo mais forte. Hibari arqueou as costas, sentindo-se totalmente nas mãos do loiro. A boca percorria seu peito e mordiscava a pele sensível, correndo a língua na linha central, descendo pelo abdômen e se aproximando cada vez mais da área da virilha.
-Hm, Dino...
O chamado o fez apertar a glande e levantar o corpo do membro em direção à boca avermelhada, que se entreabriu, estirando a língua úmida, tocando-o com a ponta.
Hibari não se permitiu abrir os olhos no começo, quando sentiu a lambida na parte nervosa, circulando a saída do esperma e pressionando. Ah, aquilo era uma das coisas que conseguia fazê-lo enlouquecer.
-AHH! N-ão...
Dino sorriu dali debaixo, esfregando os dedos pelo corpo tenso e tocando os lábios na glande, abrindo-os devagar e deixando que Hibari sentisse cada parte adentrando sua boca, confrontando as paredes das bochechas e a língua que o arrepiava. Com a outra mão que beliscava o mamilo já ardente, Dino tocou abaixo do corpo, segurando-o com as duas mãos.
-Huh! Dino... S-Se você... -Hibari iniciou, mas não pôde continuar, pois sentiu o choque correr todo o corpo ao sentir seu membro inteiro dentro daquela boca, até a base. -D-Dino!
A voz de Hibari afinou um tanto, desesperado pela falta de movimento, e com a sensação pulsando dentro sem parar. Precisava se mexer logo, estava dependente.
O loiro chupou a pele, passando os dedos pela coxa e pelas entrepernas, incitando Hibari em direção até o último instante.
-AHH!
Dino sugou mais um pouco naquela área e foi tirando o membro até a metade e espalhando a saliva com a língua, voltando a adentrá-lo com mais força do que antes.
-Hnn...
O movimento lento se repetiu mais umas três vezes até que o mais velho voltasse a segurá-lo e se concentrar em masturbar da metade para cima, acariciando os testículos com a outra mão.
As mãos de Hibari ficaram sem rumo e não tiveram escolha a não ser enrolar na colcha.
-F-Faz logo... Dino, eu não p-osso... Mais...
Seus olhos apertaram-se e seus pés pressionaram no chão, sentindo a sensação de orgasmo crescer repentinamente. Quando estava quase no topo, Dino deu uma última chupada e soltou.
-Haa... Você... Seu herbívoro desprezível... -reclamou o moreno, achando o loiro muito cruel nesse dia. -É por que é seu aniversário?... Já te avisei que não sou seu presente.
Dino arregalou os olhos, pondo-se na altura do moreno e rindo, depositando alguns beijos nos lábios secos e cansados.
-Não foi isso que você falou antes. Mas se quer tanto saber o que quero... -Dino deslizou os dedos espertos até os pulsos pálidos e agarrou-os de súbito, assustando Kyouya. -... Eu te quero de quatro.
O rosto do rapaz avermelhou com tudo, em um tiro. Deu pra ver a reprovação nos olhos e na reação corporal que se fechou, mas Dino sabia que hoje ele conseguiria uma nova experiência com o amante.
-Só pode estar louco. Você é idiota, não é? -Hibari apertou os olhos e remexeu-se, tentando se libertar.
-Não. -Dino colocou o rosto na curva daquele pescoço longo e branco, aspirando o cheiro viciante e dando-lhe uma mordida gostosa e demorada. Enquanto fazia isso, seus corpos roçavam, misturando os cheiros e esquentando os músculos ainda mais. -Vire-se, Kyouya.
-Não vou simplesme- AH! -Hibari chiou ao sentir algo tocando o ânus e adentrando com brutalidade. A ardência o fez bater os dentes e grunhir baixo. -Vou te m-morder... Dino.
O corpo de Dino teve um espasmo ao ouvir algo assim, especialmente nesse tom e com aquele rosto tão entregue.
-Pode morder... Depois. -com destreza, Dino conseguiu fazer o corpo de Hibari virar de costas para si, ficando com as pernas dobradas e os braços presos atrás.
-Você não vai... -Hibari avisou, tentando acreditar que não estava à mercê do italiano.
Dino sorriu de lado, sussurrando somente para confortá-lo. -Não a seco.
-H-HN! -Hibari afundou o rosto na colcha, sentindo o amante tocar com a língua onde seu dedo havia aberto um centímetro. A saliva não era suficiente, mas era quente e Dino não era um amante nojento. O italiano sabia fazer aquilo com cuidado e carinho, deixando a coisa mais romântica do que sensual e incrivelmente limpa. Isso só fugia do controle quando ele gozava dentro.
Dino apertava os pulsos de Hibari. Não que isso fosse pra garantir que ele escapasse... Era só um fetiche. Um desejo. E Kyouya parecia gostar, pela forma que os quadris balançavam contra sua boca.
Da forma que o loiro chupava a pele em volta e descia pela cavidade, chegando no saco e chupando os testículos, Hibari só conseguia gemer e se contorcer, tentando manter suas mãos nas costas, aproveitando ao máximo aquela sensação única.
-Relaxe. -com o pedido Hibari soube que Dino ia fazer logo. O Guardião da Nuvem sabia. Dino era tão descontrolado como ele. Quando estavam juntos o prazer era muito grande para suportar.
Foi assim que no segundo em que sentiu algo atando seus braços, Hibari soube que realmente não se levantaria. Ele ia mesmo fazer de costas...
“Pelo menos assim meu rosto não ficará à mostra.” Pensou erroneamente, sentindo as mãos firmes na cintura e a carne se abrindo nem tão devagar e nem tão rápido. A seu ritmo de acostume.
Só perfeito.
Hibari voltou à consciência quando a primeira investida veio forte e certeira. Seu rosto aqueceu, esfregando-se na colcha e suas pernas abrindo mais, o quadril erguendo-se contra o corpo de Dino.
-AH!
-Kyouya...
O corpo que expandia o canal era grande, e teso era ainda mais violento. Apesar disso, Hibari adorava sentir a sensação do contrário, da parte mais apertada sendo forçada a abrir, sugando o corpo ainda mais para dentro tão intenso que seu baixo ventre queimava. Seus olhos soltavam pequenas lágrimas inevitáveis e sua boca entreaberta saíam sons desconectados que Dino só podia acompanhar com outros gemidos.
O loiro arfava pelo esforço, seu pênis esmagado naquele interior fervente e juvenil só o provocava a ir mais forte. Tinha medo de machucar, mas nessa posição era difícil... Na terceira havia acertado de novo e Hibari contraiu-se tão forte que o orgasmo quase veio.
Isso sim era bom.
-Ow... Kyouya, não contrai agora.
O moreno suava por todos os lados, os fios da testa grudavam.
-R-Rápido... -Hibari soltou, desistindo de fazer seu papel durão. Não conseguia mais. -Forte, Dino.
E inclinou seu quadril para cima, fazendo o membro adentrar quase até a base, pondo os braços como apoio e afastando as coxas para o companheiro se posicionar bem. Hibari virou o rosto de forma que o Cavallone pudesse contemplar cada segundo.
-Não se arrependa. -Dino sentiu vontade de beber vinho. Sentia uma adrenalina incomparável, e esse desejo sumiu assim que se movimentou de quatro a cinco estocadas uma seguida das outras.
O quarto foi tomado por extensos e longos gemidos até quando a lua atravessasse mais da metade do céu e as sakuras escurecessem. Mesmo que esse cenário tenha se passado, os dois estavam muito concentrados, até que Dino parou, soltando os braços já dormentes do mais novo e virou-o para cima tão rápido como o pôs de costas.
Envolveu o membro do amante e penetrou-o de uma só vez, tirando um gemido chiado que mais pareceu com um grito.
-Te amo. -a voz de Dino estava falhando notavelmente, os cabelos tão desarrumados quanto os do moreno.
Os olhos de Hibari brilharam fortemente naquela luz rala e então estendeu os braços marcados do esforço para puxar com violência o loiro para junto de si, prendendo sua nuca e impulsionando seu quadril junto, piscando o ânus e sugando-o até que Dino perdesse qualquer senso de cuidado.
Aquela investida doeu muito mais do que esperava, mas cada uma das que se seguiram foi como se fosse a mais gostosa e completa. Literalmente se afundando em seu ser. Hibari podia sentir nos lábios o gosto dessa satisfação que tanto buscava. Queria dar prazer tanto quanto receber.
E isso era um ótimo sinal.
-Kyouya, te amo. -Dino sussurrou tão rouco e grave que parecia que sua voz sumiria.
Hibari gemeu logo após, pelas palavras repetitivas e pelo modo como tinha sua inocência (já que pode ser considerado iniciante) tirada de si completamente.
-Idiota. Eu ainda não lhe dei meu presente. -foi o que conseguiu dizer antes de receber um beijo esgotador e o último daquela noite.
-Grazie. -Dino escondeu o rosto em seu pescoço, deixando o corpo suado e aromático do sexo descansar de lado sobre o rapaz de 18 anos.
Hibari fechou os olhos, nem dando importância para a luz acesa. Em seu estado atual, não importava de que jeito fosse, se estivesse com Dino, dormiria não importava se fosse sobre pedras nem espinhos. Apenas relaxaria. Ali estava seguro.
-Ei.
O loiro sorriu com o chamado rouco e sussurrado de Kyouya, olhando-o debaixo e puxando a colcha que fugiu o futon para cima dos corpos. A madrugada passava a esfriar ainda mais com a neblina de todas as manhãs.
-Não tive oportunidade de dizer. Mas foi um prazer te conhecer.
Epílogo
Após dois dias, o japonês descobriu que estivera dormindo o tempo todo. Tsuna estava bem preocupado quando soube pensando que era sua culpa, pois o médico havia dito que era apenas fadiga. Isso sendo que Dino havia pedido para esconder o real motivo.
-Cavalo idiota. -resmungou Hibari ao ver o loiro com o rosto vermelho e coçando a nuca. Ele realmente se sentia culpado?
-Gomen, Kyouya.
-Vou te morder até a morte. -e após isso o japonês ficou sério. -Quanto tempo ficará no Japão?
O italiano sorriu.
-Não sei. Quanto tempo você quer que eu fique?
-Você sabe que... -Hibari cruzou os braços, diminuindo o tom da voz e sentindo-se incapaz de virar-se sequer, mas não demonstraria sua fraqueza. Ele mesmo havia caçado isso para si. -... Não tenho direito de pedir algo assim.
Dino estendeu a mão, acariciando sua bochecha bem rapidamente.
-Tudo bem. Vai ser como sempre? Eu estarei esperando. Virei para cá quando for necessário e quando você sentir minha falta. Mas você sabe... Se estiver disposto a me visitar, eu sempre estarei à sua espera. Nos falaremos por telefone também, eu mando mensagens se quiser.
-Não.
-Que cruel.
-Só me deixe ouvir sua voz um pouco. Não é necessário mais nada. -sentenciou o ex-Líder do Comitê Disciplinar, desviando os olhos.
-Hm. -Dino assentiu sorridente. -Te amo.
-Cale-se. E volte logo pra Itália. Você tem muitos herbívoros para lidar e muito trabalho negligenciado.
-Então só me diga... Posso te ligar quando? Para sempre saber como você está? Você vai me atender?
Hibari pareceu pensar uns instantes. Olhou para fora, onde tudo estava branco.
“A neve já está caindo afinal.” Hibari sorriu de lado, achando que a vida começava a se tornar mais divertida do que esperava.
O código para essa mudança foi num dia que não era muito diferente dos outros. Nem era muito calor. Nem era feriado ou dia de festival. Era só um dia que Hibari não apreciava tanto como deveria.
O Cavallone o fitou atento, sabendo que as coisas melhorariam dali pra frente. Para o que der e vier.
E Hibari fitou o amante como um olhar brando, um sorriso leve e transparente.
-Estarei esperando no final de sábado... Dino.
Fim
Notas finais
Acabou. Finito. End. Finalle. Owari.
Agradeço a todos que: Leram, comentaram, acompanharam, favoritaram, recomendaram e um monte de coisas mais.
Agradeço muito todos os elogios (felizmente só recebi elogios), o apoio, a espera.
Espero de coração que tenham apreciado do início ao fim, que o fim tenha ficado bom e aceitável.
A todos que ficaram tristes por alguma coisa não ter acontecido, minhas desculpas, mas eu infelizmente não sou uma escritora que usa roteiros e me esqueço de várias coisas, não tenho inspiração, etc.
Obrigada a todos que me apoiaram pelo fato de ser minha primeira de KHR e apostar em D18, que é um casal muito amado.
Apreciei todos os reviews e me diverti com todos eles, conquistei amizades preciosas e aprendi com vocês. Espero que eu possa ajuda-los de alguma forma depois.
Então até algum dia e me despeço aqui o/.
Reviews serão bem vindos sempre, obviamente. Abraços a todos.
Ciao.
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