In The End Of Saturday

16 Part16: Antes das despedidas


Notas iniciais
Yosu! Eu adquiri um tantinho de tempo e inspiração para escrever. Espero que gostem ;).
Ah, vou avisando: Essa fic irá no máximo até o capítulo 18, eu revisei meu roteiro XP.
Sinto muito por avisar isso agora, mas eu espero que os fantasmas continuem tomando sua poção do aparecimento e me deixando suas marcas de reviews! Assim que, eu acredito que para minha primeira D18 fui até bastante bem e com um ótimo resultado em comparação com minhas outras fics.
Enfim, deixado o recado, desejo-lhes uma boa leitura, minna!

...

Naquele dia a manhã estava rigorosa.

Tudo o que o rapaz conseguiu assimilar quando suas pálpebras levantaram-se foi que diferente do que esperava seus músculos estavam tão relaxados que, mesmo fora do padrão de seu sistema, ele poderia voltar a dormir, pois nada iria fazê-lo acordar.

Rara situação essa, mas era a única coisa que ele conseguia pensar, sentindo-se envolvido por colchas macias e um colchão fofo que o abrigou melhor que qualquer futon de seu país ou aquelas macas de hospital que ficava às vezes.

Sentia-se solto e confortável como jamais tinha se sentido antes. Num meio cochilo, Hibari tinha metade da face afundada totalmente no travesseiro grande de penas e seus braços passavam por baixo dele, numa posição que não era de seu costume. Estava de bruços.

Sua barriga tocava o tecido macio e cheiroso dos lençóis e suas pernas sentiam-se acariciadas pelos pêlos da coberta.

Mesmo que estivesse a temperatura bem baixa nesta madrugada, Hibari não se importou nenhum pouco em levantar para por alguns herbívoros para pastar. Afinal, ele não estava no Japão...

“Não estou no Japão.”

O pensamento calmo fez sua mente trabalhar um pouco mais, lutando contra a confortabilidade do local que não fazia ideia de onde ser. Onde estava? O que aconteceu ontem? Há quanto tempo estava dormindo?

O moreno sem perceber começou a se remexer mais, virando para o lado esquerdo e apertando o travesseiro fortemente. Da última vez que ele tinha dormido, se lembrava, foi acordar apenas três meses depois.

Ele encontrou um mundo diferente apenas naquele pequeno espaço de tempo, pessoas com costumes diferentes, de aparências diferentes e para ele foi como se o tivessem privado de boa parte de sua vida. Mas, pensava, aquilo que vivia, era uma vida? Talvez sim, mas não uma vida com sentido.

De todas as poucas perguntas que Hibari se fazia secretamente, uma delas era a razão de sua existência.

A resposta de sua parte lógica dizia que era “Para completar a cadeia alimentar e por os inferiores em seu lugar.”.

Engraçado, ele não acreditava tanto nisso após esse tempo desacordado e ao lado do italiano.

Como era possível que nesse tempo ele tinha conseguido ficar sem ter sua vida normal? Como suportava?

O Cavallone idiota diria que era uma “evolução” de sua parte. Algo que ele, em sua tenra idade, não entendia. Uma coisa que só por experiência ele poderia entender.

Bem. Não era como se Hibari desse muita atenção para esse tipo de questão, tão ocupado em tentar esmagar a cabeça de um Guardião da Névoa em especial e de um loiro que não sabia dos limites das coisas.

Com algo assim, naquele ínfimo instante, como um trovão repentino que dá entrada a uma tempestade de raios, Hibari abriu os olhos num instante, levantando da cama mais apressado do que o normal. Forçando-se a abrir os olhos e se acostumar com aquela claridade e a temperatura fria tocando sua pele aquecida, olhou para os lados.

“Que quarto é esse?”

O japonês coçou por debaixo da franja e visualizou a cama, sentindo seu coração acelerar num intervalo de dois segundos após relembrar da noite passada.

O pior de tudo não foi lembrar-se do que aconteceu — o que o deixava realmente envergonhado -, mas sim de que ele tinha perdido a consciência. Afinal, ele não se lembrava dos momentos finais. Apenas que ficou tudo escuro e que Dino falou algo.

Suspirando, irritado, o moreno olhou para si mesmo. A temperatura elevou-se em suas bochechas e o rapaz de 18 anos não sabia mais o que fazer para recuperar seu orgulho.

Definitivamente corrompido. Sem salvação.

Tinha uma cueca boxer negra em seu corpo e uma camisa de botões negra mal fechada também. De alguma forma, eles ficavam grandes e folgados, mas algo peculiar que se notava era o cheiro.

Hibari caminhou uns passos pelo espaçoso quarto e atou uma das cortinas que impedia a luz que iluminava a cama diretamente.

Vendo-se diretamente contra a luz pura e branca, Hibari inspirou o ar gélido. Seus pulmões encheram-se e relaxaram. Estava se sentindo melhor agora.

Saindo dali, pode ver o quarto em seu todo. Havia um espelho comprido em uma das paredes, o que o deixou paralisado de verdade. Sua imagem o deixou sem reação.

Ali estava um Hibari Kyouya que ele não conhecia.

“Faz quanto tempo que eu não me olho em um espelho?”

Mas também não era como se Hibari vivesse de aparências ou coisa assim. Ele odiava espelhos na verdade.

Seu cabelo todo revolto e repicado do último e recém corte. Seu pescoço estava com três enormes manchas arroxeadas, espalhadas uma abaixo da outra. Seu abdômen e peito estavam marcados com linhas vermelhas e de chupadas, marcas de mordida e beijos.

Novamente aquela sensação de submissão...

Hibari virou-se de costas, desabotoando a camisa que não lhe pertencia, de um fino tecido e com o cheiro hipnotizante de Dino... Olhou por cima do ombro, deixando a camisa deslizar até seus cotovelos e parando-a aí. Fixou seus olhos na imagem do espelho e viu suas próprias sobrancelhas franzirem, parando imediatamente com a reação.

Naqueles pontos em suas costas onde a pele ardia, havia vergões e outras marcas menos visíveis.

“No que aquele idiota estava pensando?”

O japonês não sabia se sentia ódio ou orgulho por causar essa reação em um homem como Dino. Dizendo de passagem o “homem”.

Hibari via realmente alguém desconhecido, como se sua imagem estivesse distorcida. Mordeu os lábios por dentro.

Devia ser tudo uma ilusão, não é?

Após esse tempo, foi algo diferente, que apenas Dino e ele sabiam (e Mukuro e Romário). Contudo, algo assim não teria futuro.

Será que Hibari tinha sido ingênuo em pensar que ele poderia criar uma relação com outra pessoa? Ainda mais um relacionamento à distância? Ele não era capaz. Ele não podia se dar ao luxo disso.

Hibari fechou os olhos, relaxando os braços. Não ouviu o som da porta sendo aberta, mas ouviu a voz rouca pronunciando as primeiras palavras encantadoras do dia.

-Bom dia, Kyouya.

O menor sentiu um arrepio incômodo correr todo seu corpo e numa reação violenta puxou a camisa para cima, cobrindo-se rapidamente. Mal começava a fechar os botões quando sentiu o olhar fixo em si se aproximando. Os sons dos passos audíveis aumentando bem devagar.

Hibari ouvia a própria respiração e se deu conta disso quando sentiu os braços fortes passando por baixo dos seus e alcançando os botões.

O moreno tremia um pouco. Sua tarefa foi completada pelo loiro, que se postou com um sorriso agradável e ao terminar, envolveu o rapaz pálido nos braços.

-Bom dia~ -cantarolou o mais alto, apertando as costas do japonês contra seu tórax.

-Bom... Dia. -respondeu indeciso e sussurrando. Hibari não se afastou do loiro visto o que tinham feito, mas sua vontade de mordê-lo até a morte era a mesma de sempre.

Isso sim, ele tinha certeza hoje.

“Uma luta.”

-O que você quer comer, Kyouya? Vamos tomar um café e então podemos passar uma pomada nessas marcas para amenizar a cor. -Dino comentou sorridente, passando o dedo pelo peito do japonês.

Ao fazê-lo, levou um tapa na mão. Hibari se afastou do Cavallone, olhando agressivamente para ele e imaginando o que deveria fazer daí em diante.

-Eu vou embora hoje mesmo para o Japão. -e esperava a reação de Dino com isso. Estaria ele interessado em continuar com Hibari, ou estaria disposto a deixar como encontros ocasionais? Ou ainda, descarta-lo?

Sinceramente, Hibari não se importaria com a resposta. Mas a única que seu coração aceitaria seria, sem dúvidas, a primeira. O restante das opções iria doer e ele novamente teria sua vida de volta, porém, ele nunca se esqueceria de como foi conhecer aquele humano sorridente.

Pensar, por um segundo, que Dino mesmo o amando não o priorizaria... Algo tão inútil assim Hibari não queria. Não queria lutar sozinho numa batalha desconhecida. Ele não sabia o que era amor, afeto ou carinho.

Se ele fosse continuar, ele desejava que o loiro estivesse lá também.

E rindo, como se soubesse que estava sendo testado, Dino balançou levemente a cabeça, estendendo os braços e envolvendo o corpo de Hibari num abraço cheio de significados. A voz soou pelo cômodo assim como um vento mais forte que balançou as cortinas. O hálito quente tocou seu ouvido e Hibari não conseguiu não fechar os olhos e tocá-lo.

Apenas um dia... Se pudesse só um dia mais.

-Eu sempre vou estar com você, Kyouya. Você quer ser meu?... -sussurrou para o Guardião da Nuvem, encolhido em seu peito e tendo o corpo tão próximo que sentia-o esquentar novamente.

A resposta para aquela pergunta veio em forma de um aperto em sua camisa e o rosto do menor escondido em seu pescoço. Com isso, Dino já não conseguia suportar sua felicidade em poder continuar com o moreno, quando sentiu uma forte dor na boca do estômago e em sua canela.

O loiro só percebeu que estava estatelado no chão quando Hibari pisou em seu peito com uma expressão muito sádica e violenta.

-Herbívoro, você agora vai pagar por me obrigar a andar em grupos. Agora se prepare, pois eu vou mordê-lo até a morte. -estreitando os olhos firmemente, Hibari segurou as tonfas deixadas em cima da cômoda.

Dino soltou um chiado ao ver o metal quase rente ao seu nariz, e deu um salto para trás.

-Já vi que com você não tem conversa... Demorei para aprender isso não é? -o loiro riu de canto. -Acho que para uma despedida, uma luta justa vai ser o melhor. Tsuna vai ficar contente em saber que você amadureceu.

Hibari apertou os punhos em volta das armas impiedosas, mostrando um brilho mortal nos olhos índigo, analisando o Chefe dos Cavallone. Certo que, como ele ainda não havia aceitado sua posição oficialmente, Tsunayoshi sofreria lentamente dali algumas horas.

-É natural que um herbívoro de alto nível como você só percebeu agora. -e deu início a uma luta que destruiu praticamente todo o quarto, tornando as janelas algo de restos estilhaçados e a cama fofa toda em pedaços, assim como os guarda-roupas e a porta do closet arregaçada com fortes golpes.

Como se quisesse apagar seus ressentimentos, Hibari não se preocupou em exterminar aquele lugar. No fim das contas, sabia que Dino não se importaria; Eles fizeram amor na sala... Não no quarto dele.

Ali no beiral da janela aos pedaços Hibird piou algumas vezes, interessado naquela destruição que continuava até Dino sair do quarto e Hibari correr atrás dele.

xxx

Quando se fazia umas três da tarde, foi quando o moreno respirou fundo.

-Já não tenho muito tempo, Haneuma.

O loiro piscou por debaixo dos óculos de descanso. -Dino não fez uma expressão triste, nem contente. Estava conformado.

Pedir para Kyouya ficar era loucura. Mas para Dino se mudar para o Japão, a sede dos Cavallone teria que segui-lo também, mas sinceramente, a ilha do povo japonês não suportava duas Famiglias tão grandes.

-Acredito que eu posso deixar o serviço de lado para irmos num lugar especial. -Dino sorriu com as bochechas levemente vermelhas.

Hibari deu-lhe os olhos. Estava estampado que não desejava que Dino negligenciasse o trabalho.

-Isso você se preocupa depois. -Dino disse já afastando a poltrona negra e retirando os óculos com charme. Sob a vista do japonês invocado, o loiro sorriu pegando o paletó e dirigindo-se até o lado de Hibari. -Vamos indo. De lá vamos para o aeroporto.

Sem dúvidas, aquele tom de voz refletia um pesar muito bem escondido. “Certamente, você é um ótimo chefe, Cavallone.” Hibari se conformou também, seguindo o loiro, que com passos pesados saía do escritório.

Hibari deu à casa um último olhar, pelo menos naquela temporada, com a mala nas mãos, não havia trago muita coisa novamente. Mas sentia que se houvesse uma próxima vinda, seria para manter-se um largo espaço de tempo. Não seria nada mal.

No carro, apenas ele e Dino, Hibari observou aquele lugar se afastar. Era para sempre? Ele se despediu de todos. Não tinha ainda tirado Lira da cabeça. Não tinha deixado o crucifixo na cama de Dino como planejara, acabou mantendo-o no pescoço e o levado consigo.

Assim, a voz do loiro atrapalhou-o, mas ela veio bem mais em paz do que o tom tão normalmente alegre.

-Está se sentindo bem?

-Sim. -Hibari ofereceu-lhe uma resposta dessa vez, despejando comentários ácidos. Dino acabou nem falando para onde iriam e mesmo assim, Hibari não sentia como se precisasse saber antes do momento.

O Haneuma era uma pessoa que apesar de ser muito desligado e atrapalhado, tinha boas intenções. Tinha planos e tinha estratégias. Era um bom chefe. Para se convencer disso, Hibari percebeu que o aceitava como rival também.

Seus olhos captaram um prédio conhecido. Era uma rua escura e Dino desacelerou seu carro discreto assim que a adentrou.

Ali havia latas de lixo e a rua de paralelepípedos fazia o carro balançar um pouco. Dino estacionou-o de um lado e desligou, puxando a chave da ignição.

-Vamos lá? -perguntou docemente com um sorriso. Hibari bufou para o lado, abrindo a porta e seguindo-o para aquele lugar.

Óbvio. Só mesmo alguém tão sentimental como ele para fazê-lo retornar ali.

-Pra você nunca se esquecer de como nos conhecemos. -Dino sorriu malandro, segurando a mão de Hibari e empurrando a porta de madeira grande e pesada, mas adornada.

-Até parece que vou me esquecer disso, idiota. -Hibari virou o rosto, seu rosto quente ao dar os primeiros passos para dentro do bar.

Continuava praticamente igual. O piso frio e que lhe pregou uma peça na primeira vez, fazendo-o cair. Relembrando, para Dino aquela queda fora efeito do machucado, mas até parece que Hibari ia aceitar esse motivo (pra variar ¬¬).

Os dois foram adentrando devagar, os passos dos sapatos sociais e da bota de Hibari ecoando no local vazio. As cadeiras juntas às mesas arrumadas perfeitamente faziam um cenário bem organizado e agradável.

O balcão de mármore estava ali, a espera dos dois. O moreno caminhou silenciosamente, tirando o casaco e o colocando meio dobrado em uma banqueta ao lado. Se ajeitou, vendo o Cavallone passar pela portinhola e apoiou os braços na superfície gelada.

-Não beba muito. Não quero ser barrado com você antes de chegar no aeroporto... Sem contar que para uma pessoa como você, ficaria terrivelmente feio estar bêbado e seu carro ser levado.

Dino riu alto, estendendo a mão até uma garrafa que foi reservada apenas para esse momento. O loiro vestia um casaco verde escuro, em estilo militar de bolsos de abotoar. Usava uma regata branca e folgada por baixo, uma calça cinza de sarja e sapatos sociais pretos.

-Você está com medo de eu bater? -Dino sorriu de canto, tomando duas taças de cristal entre os dedos, habilmente, e pondo-as juntas no balcão, buscando o abridor.

Hibari apontou para onde o abridor se encontrava, perto dos talheres e negou.

-Você é abusado, Cavallone. Eu sou uma pessoa da lei. -Hibari apertou os olhos, observando como o som da rolha saindo seguia com o cheiro adocicado se espalhando no ar.

Dino deu a volta pela portinhola e sentou-se ao lado do Ex-Presidente do Comitê Disciplinar.

-O vinho é o mesmo. -Dino sorriu levemente, despejando o álcool sem muita cerimônia, até parar um pouco abaixo da metade.

Hibari deu de ombros, vendo-o encher sua própria taça. O japonês envolveu o cristal agora com três dedos e elevou, olhando para o conteúdo. “Daquela vez... Eu fiquei bêbado. Isso é o que mais me preocupa.”

Hibari rangeu os dentes de forma irritada e fitou Dino, que levantou a sua também, inclinando-se devagar até estar cara-a-cara consigo.

-O que? -Hibari perguntou rispidamente.

Sua resposta foi o loiro ficar vermelho e propor uma coisa que ele nunca tinha visto antes.

-Entrelace nossos braços. -Dino pediu, segurando o braço de Hibari com a mão livre e passando sua mão com a taça por dentro do vão.

Os dois ficaram com os braços cruzados e a taça na altura de seus lábios. Hibari arqueou uma sobrancelha, antecipando algo muito ruim naquele ato.

-O que significa isso? -Hibari sibilou, começando a pensar que deveria soltar-se logo. Mas se o fizesse, a taça caía também.

-Um cumprimento entre casais. -foi só o que Dino disse, encostando os lábios na taça.

-C-Casais?!!

-Beba. -Dino sorriu, esperando Hibari se recuperar e pensar uns segundos antes de ver que não daria em nada. Assim que tocou os lábios ambos, simultaneamente, começaram a beber o conteúdo todo, o vinho acariciando suas gargantas.

-Kyouya... -Dino chamou, após afastar a taça e desentrelaçar os braços. Deixou a taça de lado e segurou as faces do Guardião, juntando suas bocas com um forte beijo.

Quase perdendo o controle em suas mãos, o moreno fechou seus olhos instantaneamente com o contato com aqueles lábios carnudos e macios. Seus braços subiram, sentindo como se já conhecesse esse corpo há muito tempo. Sua pele arrepiando-se de prazer apenas com o ínfimo contato, mesmo por cima das roupas. A língua de Dino abria caminho entre seus lábios, atiçando a sua a responder. A saliva misturando-se, quente e os lábios grudando-se deliciosamente.

Hibari arfou quando a mão do loiro segurou sua cintura, sem pena nenhuma de apertar. A outra deslizou em seu pescoço, fazendo todos seus sentidos entrarem em colapso. Dali ela baixou, tocando seus ombros e passando para baixo dos braços, puxando-o para grudar em seu corpo.

Com esse último movimento, Dino perdeu certo equilíbrio e praticamente sentou-se no balcão, com o japonês entre suas pernas, tão em cima que roçavam-se.

Hibari pareceu acordar para o que fazia, apertando os ombros, assim que sentiu aquele volume provocante entre as quatro pernas juntas. Era insuportável desde que tinha se acostumado. Sempre era horrível ter que pensar que tal realização teria que esperar e esperar, por não sabia quantos meses, anos, nada. Não fazia ideia. Podia ser até a última vez.

-Cavallone... -Hibari apertou as mãos em punhos sobre aqueles membros espaçosos. O cabelo fino encostou-se na pele de Dino assim que o menor enterrou seu rosto em seu pescoço.

-Sabe... -Dino sorriu, acariciando a cabeça do mais novo. -Eu vou te ver em breve. Não sei se vai me receber com beijos ou mordidas até a morte... Mas mesmo assim eu vou te ver. Eu tive que aprender a esperar também pelas coisas, Kyouya. E isso inclui eu ter esperado meu amor verdadeiro aparecer.

Hibari apertou ainda mais sua blusa.

-Não diga coisas sem sentido. -Hibari reclamou, seu rosto escondido queimava. -Idiota.

Dino apertou o corpo magro em seus braços, apreciando completamente aquele momento.

-Quando dia 5 chegar outra vez, eu vou te dar um presente melhor. Só me espere. -Dino piscou para o moreno, afastando-o de sue ombro para que o olhasse.

Hibari abaixou os olhos, sentindo seu corpo tremer e sua cabeça perder seu rumo.

-Haneuma, não se atreva a aparecer em Namimori! -o moreno se afastou completamente de Dino, olhando-o firmemente. Não podia enfraquecer. Se ele bobiasse, Dino iria se aproveitar de sua fraqueza.

-Claro, eu vou com certeza te levar um bom presente. Por isso eu estou deixando você ir sem nem ao menos te tocar.

Hibari teve os pelos arrepiados com essas palavras que saíram tão sarcásticas.

-Não diga esse tipo de coisas nesse tom, Haneuma. Eu vou te morder até a morte! E pare de beber, vamos logo!

Os dois saíram, Hibari puxando as tonfas várias vezes e ameaçando bater mortalmente no homem de 25 anos de idade. As taças ficaram vazias ali no balcão e Hibari sequer lembrou de perguntar outra vez o que aquilo significava.

Bem, não importava mais.

O som das turbinas fez-se presente mais rápido do que esperava e o máximo que Hibari permitiu ao loiro foi outro intenso beijo e inúmeros sussurros de que logo se veriam.

“Diga ao Tsuna, que em breve estaremos cara a cara para conversarmos sobre... Uns assuntos em particular.” Dino sorriu ao dizer aquilo para Hibari.

O moreno, agora olhando pela janela onde estava o loiro, que só esperava o avião para Tokyo decolar, suspirou. “Essa temporada acabou enfim...” O tédio parecia voltar aos poucos em sua alma, mas nela ainda tinha restos de emoções que ele nunca iria revelar a ninguém e nunca iria esquecer.

Hibari repensava, tentando associar as palavras de Dino para Tsuna. Sim, mesmo que ele não se importasse com aqueles herbívoros, sentiu que Sawada Tsunayoshi não iria levar só umas mordidas até a morte suas... Sentiu que com aquele sorriso disfarçado, Dino estava fumegando com o “irmãozinho” e Reborn.

Isso era inédito mesmo.

Dentro do avião foi o mesmo de antes, não estava sendo perturbado até então. Até a chegada dos outros dois passageiros.

-Yo, Hibari! -o jogador de beisebol sorriu largamente, sentando-se ao lado do moreno, que praticamente o fuzilou.

-Espero que tenha se recuperado bem, kora! Dino contou que você se feriu um pouco. -Colonello levantou a mãozinha, cumprimentando.

Hibari rosnou em seu interior. “Grupos... Grupos...” quase paranoico com isso, já estava indo para pegar as tonfas quando se controlou.

-Não é da conta de vocês. -Hibari fechou os olhos, encostando-se. Na verdade, ele apenas tinha machucado um pouco o tornozelo quando desceu naquele andaime, nada de mais.

Yamamoto riu.

-Tsuna está marcado pelo Dino-san, não é? -perguntou o japonês, captando a situação facilmente.

-O Herbívoro está construindo um cérebro. Sim, Tsunayoshi tem muito ainda para aprender e antes disso ele vai sofrer as consequências. -disse cruzando os braços.

Vendo o Guardião da Nuvem tão acessível dessa forma, Yamamoto sorriu largamente, seguido de um sorriso satisfeito do arcobaleno.

-Hibari cresceu.

-Tsuna vai ficar muito feliz! -Yamamoto riu alto, já levando um cacete na cabeça. -OUCH!

-Silêncio. -Hibari exigiu novamente. Era isso o que sempre acontecia com esses herbívoros... Você se deixa levar e eles abusam.

A viagem foi feita toda com o japonês acordado, sentindo a distância e o contato do loiro sumindo aos poucos. Mas em sua mente a sensação ainda estava bem viva.

“Realmente, esquecer é algo que eu não posso.” Hibari não prestou atenção, seu reflexo estava bem nítido na janela, mas seu olhar estava muito além daquelas nuvens grossas... Estavam fixos no brilho do sol que ia se extinguindo para se tornar noite.

Em seus lábios havia um sorriso atípico, doce e relaxado.

Continua

Notas finais

Yosu! E eu estou aí novamente. Pensei que não ia conseguir postar nada essa semana, mas eu acabei ficando muito inspirada.
Sim, capítulo 18 acaba. Finito. E daí... VOU COMEÇAR UMA FIC 1827!!! Ai, não me matem tá?
Eu internamente adoro D18, mas 1827 eu queria fazer desde que comecei a corrigir Blackbird.
Eu não vou abandonar KHR! Fiquei tão feliz em abrir o word e escrever o nome da fic nova, pensar no novo enredo, personagens, vilões, dramas e todo o resto! Será uma fic pesada, UA também. Fiquem ligados minna-san!
Enfim, reviews aí? Tá dramático né? Owww, Hibari agora vai matar o Tsuna o.o, to com dó dele...
KKK até o próximo. Bjos, jaa na!