In The End Of Saturday
12 Part12: Algumas conversas
-...
Os respingos molhados caíram sobre seu rosto com delicadeza, mas antes que pudesse levar os olhos até a projeção acima de si, que formava propositalmente uma sombra sobre seu rosto, uma mão quente em choque térmico tocou sua bochecha, afastando a água.
Ele piscou duas vezes antes de ver um par de lábios avermelhados se abaixando. O sono era pesado e não sentia piedade, ainda deixando-o desnorteado.
Parecia ser muito cedo, só que a temperatura ambiente estava elevada demais para estar tão de manhã assim. Os olhos índigo estavam semicerrados e ainda sem focar direito todo o acontecimento, eles desviaram-se para a porta de saída que estava meio aberta e lá fora...
-Está chovendo.
O sussurro alcançou seu ouvido de forma doce e o timbre grave mais o tom infantil o fez piscar mais duas vezes pelo menos antes de respirar mais fundo e concentrar sua mente distraída. Isso normalmente aconteceria, normalmente seria mais uma manhã em que ele levantaria automaticamente, se aprontaria para seu “trabalho”, andaria até a cozinha pelo corredor vazio e pela casa silenciosa e tomaria seu chá, seu café da manhã e, com suas companheiras tonfas, marcharia por Nanimori com altivez e seria apenas aquele tão conhecido e temido Hibari Kyouya, o Ex-Presidente do Comitê Disciplinar ainda ativo (muito ativo).
Sua mão se levantou, o cabelo loiro roçava seu rosto e a umidez foi notada, tocando seu nariz, mas ainda assim, havia um odor suave e hipnotizante descendo pelos fios desajeitados.
Hibari respirava pela boca, cada inspiro e expiro saindo com tanto alívio que naquele momento ele realmente acreditou que não era mais Hibari.
-Kyouya.
Seus olhos não se arregalaram, ele nem discutiu. Seu punho apenas se fechou e teve como alvo a cabeça do homem em cima de seu corpo. Ele não conseguia ainda conter toda a raiva contida pela falta de educação de Dino Cavallone.
-Apenas saia.
O loiro já estava sentado à frente esfregando a cabeça com uma dor imensa. Seus olhos com pequenas lágrimas. O rapaz abriu a boca para se defender, mas uma das tonfas quase o acertou no meio da testa se não desviasse.
-Você está perturbando a minha paz.
O resmungo do loiro saiu quase automaticamente antes de ganhar um calo na cabeça com a outra tonfa lançada.
-Como assim “Você não morreu, Kyouya.”? Não me insulte, Cavallone. Vá fazer meu café já que não serve pra outra coisa.
-K-Kyouya! Como você é cruel, não pode nem... Pedir por favoooor?
Uma aura negra tomou forma em Hibari rapidamente, acompanhado de duas tonfas empunhadas. Dino *gota*.
-Gosta de omelete e bacon? –sorria com extremo medo.
Hibari suspirou, deixando as armas e espreguiçando-se com jeito para não se machucar como o usual. Seu kimono estava posto no corpo sem faixa, mas sinceramente, ele não estava nem prestando atenção... Sua mente vagueava na noite passada e nos acontecimentos recentes.
Ele abandonou os braços na coberta olhando suas próprias mãos. Ele ainda tinha a marca dos pontos no ombro, a recuperação foi rápida e a marca era pequena, mas não foi o suficiente para desaparecer no total.
Seus dedos da mão direita entraram pela abertura do kimono e tocaram a pele com suavidade, analisando cada espacinho, relembrando-se.
Aqueles momentos vivos em sua mente mexiam com seu orgulho, seus sentidos estavam perturbados. Hibari mantinha consigo um enorme desejo de revanche, pois em si não havia perda na guerra, apenas na batalha.
Pensando em coisas como quanto ele iria morder Mukuro até a morte, o moreno mal percebia o loiro sorrindo ao seu lado, o rosto atento em si e as mãos tocando seu cabelo arrepiado. Sim, ele não tinha notado a carícia tão desconhecida até a noite passada, mas ela estava presente agora, fazendo-o acordar daquelas lembranças ruins aos poucos.
Hibari levantou os olhos até alcançar os orbes castanhos. Ele agora somente via um homem estranhamente preocupado consigo, tentando passar algum aviso ou mensagem sem precisar dizer uma única palavra.
Bem, comunicações visuais não são criadas de um segundo para o outro, no que o Cavallone poderia estar pensando? Que ele poderia simplesmente impedi-lo de ir atrás de sua “vingança” ou como ele preferia chamar: de “Justiça”?
Hibari se viu com os olhos arregalados e a boca seca. Impossível. Mas a linha reta na boca de Dino não mentia, ele dizia claramente: “Não vá”.
O japonês afastou a mão do Cavallone meio que violentamente, não se importando com o que aconteceu entre eles, sua visão quase totalmente concentrada em Mukuro. A noite o fez relembrar porque queria matá-lo. A subestimação. A ousadia. A luta.
Hibari tinha seu espírito de guerreiro ativo como nunca, suas memórias embaralhadas por aquele longo tempo desacordado, foi tempo suficiente. Ele percebeu porque as pessoas deviam ser julgadas e punidas por si.
Antes seriam apenas os motivos de Ordem e Paz. Mas ele notara que desde aqueles dias, as coisas tinham um significado maior do que a superficialidade da cadeia alimentar. Ele poderia adicionar uma categoria à Pirâmide dos Carnívoros e Herbívoros, onde apenas um dos seres humanos que conhecia poderia ser classificado. Claro, seria somente aquele herbívoro perigoso chamado Onívoro, colocado bem no meio, entre o forte e o fraco, o superior e o inferior. Ali entrava Dino, pois com toda a certeza, aquele humano já não estava no mesmo patamar dos outros simples inferiores, ele era digamos, propriedade sua agora.
O loiro voltou a brincar com seus fios de cabelo, a expressão séria o deixou depois que Hibari fechou seus lábios, com consciência de que Dino provavelmente sabia de suas intenções, não que quisesse escondê-las.
-A Máfia, não é algo com que você possa brincar facilmente, Kyouya. Mesmo que você seja um dos mais fortes Guardiões.
-Tch.
O moreno desviou o olhar irritado com a situação, afastando aquela mão insistente que brincou tanto com seu corpo durante a noite, além de que ele mal conseguia se virar.
-Vou fazer seu café.
O loiro soltou seus fios, depositando um beijo demorado em sua bochecha. Só que... De algum jeito, ele pareceu ainda mais doce e acalentador. O cheiro do maior o chamava e seu braço quase se levantou para alcançar o pescoço, mas se deteve ao senti-lo se afastar demoradamente, abrindo os olhos e fitando em si.
A franja loira cobria o olho direito um pouco, deixando-o bastante diferente de três meses atrás. Hibari sentou-se reto novamente, colocando as mãos dentro das mangas do kimono.
-Coloque mais bacon do que ovos.
O loiro sentiu um calo nascer em sua testa.
-Você não tem jeito não é? Não sabe que carne demais também não é bom? Especialmente frita e ingerida de manhã? Kyo devia morar então nos Estados Unidos ao invés do Japão.
Saiu resmungando o loiro, salvo apenas por ter fechado a porta, mas ouviu o som de algo batendo contra a madeira, sorrindo.
-Não existem maneiras que me fariam morar em um lugar TÃO CHEIO como aquele país!
O italiano poderia dizer que poderia conviver com isso diariamente, rindo consigo mesmo e indo com a maior boa vontade fazer o café, não sem antes tropeçar em “alguma coisa” e destruir o papel que fazia decoração na casa ao se agarrar nele.
-O-Opa.
-Que barulho foi esse, Cavallone?!
-N-NADA NÃO KYOUYA! *gota*
Tudo estava bem. Por enquanto...
xxx
O escritório estava iluminado por uma singela luz amarelada. Típico do horário de duas horas, em que pela janela normalmente aberta e impecavelmente limpa, aparecia o sol em um dia ensolarado.
As peças de madeira antiga pareciam brilhar como se tivessem sido passadas a óleo.
A poltrona e a mesa de frente para a porta de estilo clássico e maçaneta de ferro quase inquebrável não estava vazia. O corpo ali mostrava-se um tanto trêmulo e incomodado com algo, os dedos entrelaçados uns nos outros abriam-se e fechavam-se juntamente ao ato de suspirar pelo menos duas vezes antes de fechar os olhos e encarar com firmeza, pelo menos uma única vez, aquela pessoa à sua frente.
Hibari Kyouya estava impassível.
-Hibari-sa-...
-Mukuro está livre não é?
O garoto na poltrona soltou o ar que se prendia em seus pulmões com força. Ele não imaginava que Hibari ia ficar tão sério assim ao ponto de se oferecer para um trabalho com aquele ferimento.
-Hibari-san, você não está nas melhores condições, você sabe da minha política que...-
-Se ele está solto quer dizer que posso mordê-lo até a morte. Você não tem como impedir, herbívoro.
Tsunayoshi desfez sua posição altiva e coçou a cabeça resmungando. Ele gostaria mesmo de impor respeito ao Guardião da Nuvem, só que Hibari era tão impenetrável e obstinado que nem o próprio Vongola conseguia domar aquela cotovia.
-Veja bem, Hibari-san-... –Tsunayoshi.
-Apenas diga se vai confirmar meus atos ou se eu mesmo terei que confirmar por você.
O garoto de cabelos espetados escorregou na poltrona quase sem vida. O que seria dele?! Seus Guardiões queriam se matar agora! Apesar de aquela rixa ter sua história. Tsuna pensou um pouco, se levantando e buscando algo dentro de um armário.
-No caso, você está disposto a voltar pra Itália? Não tem outra maneira. E se isso vai mesmo acontecer, você terá que investigar os contatos dele com a Famiglia Todd.
-Eles estavam envolvidos com o Mercado Negro. –uma nova voz se fez presente no local.
O Guardião da Nuvem e do Céu se viraram para ver Yamamoto entrando na sala. Ou melhor o rapaz já estava encostado na porta, em um terno e sua katana nas costas.
O rapaz parecia crescer cada vez mais, seu rosto brincalhão tomando formas mais sérias a cada ano. Yamamoto era um herbívoro que atraía atenções demais, mas por enquanto esse número tem diminuído, e acima de tudo no momento, Hibari devia a ele.
-Yo, Yamamoto.
-Yo, Tsuna! Hibari-san, o Dino está com você não é?
-Hã?
O mais velho arqueou uma sobrancelha sem entender a pergunta ambígua. Ele não tinha nenhuma obrigação de entender o vocabulário do herbívoro do beisebol, mas até tal ponto Hibari repensava se devia mesmo alguma coisa a ele.
-Dino está ficando na sua casa não é?
-Nem em pensamentos, herbívoro. –foi tudo o que disse enquanto dava as costas aos dois e se dirigia até a janela, mentalmente esperando a presença de mais herbívoros.
Naquele lugar era normal se aglomerarem diversos herbívoros mal vestidos e com ímpetos completamente irritantes e anormais. Hibari ia ali com muita pouca frequência, somente quando era realmente necessário. Ou seja, essa era a segunda vez que pisava ali, pois na primeira o Sawada estava mostrando o novo local, e sinceramente, fazia dois anos.
-Como eu disse, o Mercado Negro. Aquele dinheiro todo nem era a principal ambição e mesmo que não gostemos de falar sobre isso, ainda há Famiglias aliadas que estão envolvidas indiretamente.
O Sawada virou o rosto calmo, se tornando um repleto de decepção e inquietude. Aqueles olhos ingênuos tomaram sua forma mais séria, deixando até mesmo Hibari interessado.
Aquele tipo de assunto não era bom realmente para jovens da idade de Tsuna e Yamamoto, só que se tornou algo necessário e eles não poderiam fugir uma vez que viessem a ter conhecimento de várias coisas ruins que ocorriam.
-Está ocorrendo ainda, a transição de dinheiro está servindo para despistar a polícia enquanto as famiglias estão empreendendo o transporte de escravos para a indústria sexual e novas drogas que estão chegando. Além dos produtos ilegais da área de medicina. Também há casos de assassinato e roubo de órgãos.
Cada palavra de Yamamoto se tornava um peso maior e aquilo tudo de repente pareceu desnecessário no momento atual. Foi a partir desse ponto que Hibari começou a desconfiar de sua própria força.
O que ele fazia com os Vongola? Sim, não era problema seu, mas aquilo era contra as leis. Suas leis e as regras do mundo. Uma violação aos direitos humanos.
Hibari aprendeu muito cedo a ser frio. Ele nasceu com a frieza em seu espírito duro e gelado.
Era horrível, mas com a chegada daqueles sentimentos confusos, Hibari percebeu que tinha deixado uma falha terrível em suas defesas pessoais, e ele se tornou uma pessoa que podia ser influenciada pelas emoções, ao menos um pouco.
Ao ouvir Yamamoto, Hibari repensou pela segunda vez. Qual era o motivo que o levava a estar ainda naquele lugar? Sua vontade carnívora era pisar fora daquele lugar e deixar que todos morressem, buscando somente sua vingança. Mas as brechas deixaram entrar um pouco de compaixão, o suficiente para que ele não movesse o corpo para fora daquela janela.
-E então, Hibari-san? Ainda... Está interessado?
O moreno fechou os olhos atravessando os dois presentes, parando na porta. De costas, sua voz soou tranquila.
-Estarei partindo daqui um dia.
Seus passos foram se estendo pelo grande corredor. Seu corpo tremia um pouco.
-Eu vou com certeza, morder todos até a morte.
Para os dois que ficaram ali na sala, Yamamoto viu seu pequeno chefe cair na poltrona, exausto.
-Ele é muito louco.
-Louco? Acho que ele é muito apaixonado... Só isso, Yamamoto.
O moreno mais alto riu, sentando-se no sofá ali presente abaixo de um quadro. Suas pernas esticaram e sua reflexão deu-se início.
-Apaixonado... Por alguma pessoa ou por bater nas outras pessoas?
Não foi possível não soltar uma risada extensa. Tsuna tomou uma caneta em mãos e tirou uma pilha de pastas grandes do armário, pousando-a sobre a mesa.
-Aqui está, Yamamoto.
-O que é isso?
-São todas as famílias existentes. De todos os países, quais são suas alianças, propriedades, membros importantes, fortes ameaças, suspeitas, confiáveis. Até mesmo há especulações de que famílias podem se aliar á outras e em que setor financeiro, econômico e político se situam.
-Incrível! Com isso podemos chegar mais rápido ao responsável pela quebra do contrato das Famiglias. Mas eles são muito espertos... Se mantendo todos nas sombras e escondendo-se da Vongola dessa forma, mas com Mukuro ajudando, só pode ser um golpe para nos destruir.
-Acredito que tenha algo mais obscuro por trás disso, mas tudo o que podemos fazer agora é esperar o Hibari-san investigar. E dessa vez, acredito que ele não subestimará nenhum inimigo.
Falando dessa forma, o rapaz sentou-se começando a trabalhar.
O mundo é muito grande, e pessoas ruins existem em todas as partes. Às vezes o mal se encontra caminhando ao seu lado e é impossível distingui-lo.
Muitas vezes os corações são corrompidos por aqueles que se dizem seus amigos e seu próprio coração se torna negro.
Porém, se seu espírito for tão apaixonado e obstinado, a Morte e a Escuridão nunca o alcançará.
É simples. Mas é uma regra imposta por esse mundo tão simples.
Os humanos é que são difíceis.
Por isso, fechar os olhos e fingir que não ouviu, apenas será mais um humano egoísta. Foi isso que aquela pessoa percebeu.
“Se eu fizer com que minha vida valha mais a pena salvando a vida de outras... Se eu puder ganhar cada vez mais tempo para viver com aquela pessoa, eu devo tentar. Isso quer dizer que até mesmo alguém como eu, que não devia pertencer a esse mundo, tem chances de encontrar o amor, mesmo que com um herbívoro tão irritante como ‘ele’ sendo o par.”
Querendo ou não, a morte nunca deve ser aceita com facilidade. A vida merece sempre uma chance a mais, repetindo-se infinitamente.
As escolhas são muitas, mas apenas temos uma vida para desfrutar.
Por isso...
“Não vou morrer tão facilmente, herbívoro. Apenas tente, eu vou mordê-lo até a morte.”
O casaco em suas costas balançou forte com a ventania fazendo com que o sol de Agosto ganhasse suas costas.
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O vento passou gelado por seu corpo ainda debilitado, fazendo com que os pêlos arrepiassem e um leve espirro fosse dado, tal som que ecoou pelo depósito vazio. Sinceramente. Ela não poderia ter arranjado um lugar melhor?
Naquele local abandonado no meio do nada, em algum lugar da Itália, o sol batia muito fraco, e assim como aquela luz escassa e pálida, doentia, também assim se encontrava o rapaz de olhos heterocromáticos.
Ele estava a um canto, envolvido, ou melhor, estando agarrado a uma coberta de cor marrom, tentando afastar o extremo frio. Talvez estivesse com hipotermia.
“Numa hora como essas.” Reclamava mentalmente enquanto esfregava os braços e esperava silenciosamente.
Até alguém como ele tinha esses momentos difíceis de superar. Ele também devia cumprir horas sozinho, tinha momentos que o mundo estava totalmente contra ele e que seu corpo o traia.
Era o caso.
Naqueles meses, tudo o que Mukuro conseguiu sentir foi decepção por sua falha. Mas também, ele imaginava, tinha uma pequena especulação de que algo não iria dar certo, e como pensou, apareceu-lhe aquele Hibari.
Seus dentes rangeram. Para esse grande assassino, Hibari era um daqueles que ele deveria ter aproveitado a chance e matado de uma vez, ainda que fosse uma bela peça de xadrez com que ele pudesse brincar. Só que as coisas tinham passado dos limites.
Mukuro esfregou sua testa pensando se estava com febre, pensando porque raios naquele momento ele teve que pegar uma doença. Por algum motivo, Mukuro estava assim há bons meses e não fazia ideia de quem teria pego, sendo que esteve sozinho a maior parte de seu tempo.
Bem. Era estranho para ele estar doente. Ele não ficava assim há um bom tempo.
De qualquer forma, poderia ter sido a Chrome.
-Tch.
E sem pensar demais sobre mais nada, o rapaz se convenceu de que deveria sair dali logo, estavam chegando para busca-lo. Sim, fora uma fuga e tanto, mas agora o plano principal poderia ocorrer.
“Bem, já tenho na palma da mão a isca. Agora vamos ver como o Cavallone vai reagir.”
O olho vermelho se abriu, o símbolo piscando e seu sorriso sádico tomando seu rosto suado. Mesmo que seu semblante estivesse miserável, Rokudo Mukuro mal conteria a satisfação do que seria aquele grande empreendimento.
Tudo ocorreria de forma perfeita e no fim...
-Kufufu... Fufufufufu...
O sol fraco logo se escondia por detrás das nuvens magras, a cor do céu estava perturbada por trás das íris de seus olhos intensos, vendo por aquele pedaço do teto destruído, os canos quebrados e tortos faziam sons irritantes de enferrujados quando o vento os balançava e gotas d’agua caíam de forma constante e ritmada, formando grandes poças.
O rapaz sorriu para si mesmo imaginando “Que desgraça!”, mas para seu próprio bem, aquilo deveria ser superado e seu mais novo desejo seria realizado enfim.
Nada era comparado àquela maldita prisão. Toda sua dor, seus desejos mais fúteis. Suas ambições tão sem objetivo se tornaram mais claras e apagaram de uma forma surreal. Mukuro viu algo incrível durante aquele curto caminho, mas nele viu as coisas mais importantes. Por isso pacientemente esperava, pois nem seu orgulho poderia fazê-lo levantar.
“Na última batalha contra os Vongola terei como adversário o Guardião da Nuvem, então todas as nossas contas serão acertadas. Só que antes... Ele também precisará cumprir com seu papel.”
O canto escuro foi ficando mais escuro com o passar dos minutos, podendo-se ver a tarde e depois a noite chegando. Os olhos pesaram e, apesar de tentar se manter acordado o máximo possível, Mukuro se rendeu ao sono com mais tranquilidade do que o normal.
Seria então um novo começo. Para ele e Chrome, assim como todos os outros, juntamente com a prova de que Sawada Tsunayoshi merecia ser o Décimo Vongola.
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A gravata caiu no chão.
-Uhm... –resmungou o garoto abaixando-se para pegá-la.
-JUUDAIME!
Com uma velocidade anormal, graças ao enorme susto, o rapaz de cabelos arrepiados se pôs de pé com o rosto corado e exasperado com a maneira com que o Braço Direito chegou.
-G-Gokudera-kun! O que houve?
-Juudaime, eu queria conversar sobre a viagem.
O menor arregalou os olhos. Gokudera cruzou os braços com sua cara embirrada, mas claro, tinha muito menos intensidade de quando estava por volta dos 14 anos.
O albino mantinha o cabelo na mesma altura, apenas com as pontas mais divididas, e em seus 18 anos, Gokudera ficou muito alto (para o Tsuna, óbvio) e muito elegante, diferente de seu eu antigo e cheio de selvageria.
-O que tem a viagem Gokudera-kun? -o chefe ajeitou a gravata e a deixou na mesa enquanto olhava-se no espelho para arrumar a gola da camisa do terno.
O albino suspirou, chegando mais perto.
-Juudaime, o Idiota do Beisebol disse que vai novamente. Não estou de acordo. Ele mal conhece a Itália.
Tsuna o olhava pegar a gravata e tocar seu ombro, virando-o. O chefe fez uma cara entediada.
“Gokudera-kun, você sempre está incomodado com o Yamamoto...” Tsuna *gota*.
-Nada contra. Admito que aquele inútil é mais competente que aquela Vaca Estúpida, mas mesmo assim, eu não acredito que vai deixa-lo ir numa missão como essa.
O menor sentiu o tecido preto envolver seu pescoço e Gokudera ir ajeitando aos poucos, até que ele pudesse dar o nó. O albino arrumou a gola e depois bateu o casaco, ajudando o menor a se vestir. Em sua opinião pessoal, deveria ser estranho demais um chefe daquele idade e tão baixo assim.
-Gokudera-kun, quantas vezes vou ter que dizer que não precisa agir assim?
O rapaz colocou a mão no peito.
-Eu devo proteger o Juudaime, mas ainda assim, não posso deixar um de seus guardiões cometer uma besteira e acabar o prejudicando. É meu dever manter também o seu nome em segurança, Juudaime.
O menor respirou fundo. Cada um deles era único e com certeza difíceis de se lidar, mas dessa vez ele deveria ir contra, pois exatamente Hibari pediu para que Yamamoto fosse.
-De acordo com o Hibari-san, o Yamamoto deveria ir por ter mais informações. Acho que você me ajudará mais aqui com as comunicações, Gokudera-kun. –sorriu o moreno confiante.
Não demorou muito tempo, eles estavam andando lado a lado no corredor, só esperando alguma assombração aparecer, mas apenas deram-se com Kusakabe, que viera entregar uma mensagem.
-É bom te ver novamente, Kusakabe-san.
O homem alto riu polidamente e comentou.
-Hibari-san me manda geralmente em todas as reuniões e eventos em seu lugar... Acho que vai se impressionar pelo motivo de eu estar aqui agora.
Tsuna se demonstrou interessado e curioso. Então aquilo significava que Hibari não o tinha enviado. Isso sim era interessante, ou preocupante.
-Ele já saiu do templo há algumas horas, parece que foi tomar partida junto com o Cavallone. No entanto, mal ele saiu, acabou chegando uma carta... Mas o remetente é desconhecido. –falava com um rosto sério.
Tsuna continuava se mantendo calmo esperando mais detalhes. Assim que a carta ainda não aberta tocou seus dedos, ele sentiu algo ruim se aproximando lentamente, sua intuição dizia claramente que tinha algo MUITO errado, e que Hibari poderia estar em grande perigo.
“Mas ele ficará bem...”
-Tsunayoshi-san.
-H-Hm?
O homem o olhou fortemente, transparecendo sua profunda preocupação. Ele estendeu a mão tocando as do Sawada.
-Hibari-san talvez não posse se defender direito, ele ainda está muito ferido. E agora sua imunidade está baixa, além de que terá pessoas para se preocupar. Ele será um ótimo alvo e tem pensado muito em vingança. É perigoso, e, mesmo eu não sabendo de tudo o que está acontecendo, sei que algo em Hibari-san está mudado. Isso pode reverter a situação de forma brutal, então eu peço, que mesmo ele sendo a pessoa mais forte, tome conta dele.
Bem. Não poderia ser algo tão ruim... Mas Hibari nunca permitiria que alguém “tomasse conta dele”.
-E-eu... Vou fazer o que estiver ao meu alcance Kusakabe-san. –Tsuna expirou o ar com dificuldade tentando não decepcionar aquela pessoa.
O moreno assentiu agradecendo e se levantou, declarando sua ida. Assim que ele se foi, Tsuna coçou os cabelos.
-Talvez você tenha razão, Gokudera-kun.
-Juudaime...?
-Mesmo que o Hibari-san seja o Guardião mais forte de todos... Ele ainda é uma pessoa e não é invencível. Só que ainda não deixarei de enviar Yamamoto. Eu mandarei outra pessoa. –olhou o menor para o albino com força na cor castanha.
Gokudera piscou, buscando compreender. Quem de confiança no Japão poderia ajuda-los numa situação assim?
-Não fique chateado, Gokudera-kun. É uma pessoa ótima e que tem ótimos contatos, fique tranquilo.
-Se o Juudaime está dizendo. Mas mande aquele Idiota do Beisebol não arruinar sua imagem, Juudaime! –continuva o maior reclamando.
“Acho que as coisas vão piorar, dessa vez teremos muito mais do que braços e pernas mutilados.” –fechava os olhos enquanto seus passos ecoavam no corredor, em direção à saída e em breve sua casa.
Hoje eles teriam um breve banquete. Então Tsuna poderia conversar melhor com Reborn.
Continua no próximo capítulo
Notas finais
>Resumo dos acontecimentos futuros em [In The End Of Saturday]>
Teremos um breve momento de Dino e Hibari trabalhando juntos (e também se amando, claro), um pouco da ação de Mukuro e Chrome, assim como a treta com os opositores à Vongola.
Uma revolução vai começar! E nossos amados guardiões vão tentar abafar o caso da melhor maneira possível antes que venha a público os podres e os nomes dos líderes da Máfia.
Algo no Mercado Negro está causando movimentação dos chefes fracos e dos fortes também, qual será a causa? E então, porque logo Hibari está sendo o alvo no momento?
E por fim, saberemos quem vai auxiliar Dino, Kyouya e Yamamoto. Quem será?
Alguma dúvida? Reviews? Beijos, até o próximo, pessoal! Obrigada por lerem.
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