In The End

1 It starts with one


Notas iniciais
Então né, há dois dias atrás postei uma história melosinha pra agora chegar com um angst do nada hahahah na verdade não é beeem do nada assim, mas vão entender depois. Como todos sabem hoje é aniversário do Sirius, e eu não quis deixar passar em branco. A diferença, dessa vez, é que não trago nada muito afetuoso, mas há tempos queria desenvolver algo nessa pegada e mesmo não sendo usual eu escrever coisas assim, aqui está um presente pra vocês. Por favor, não deixem de ver as notas finais e boa leitura!

I tried so hard and got so far

But in the end, it doesn't even matter

I had to fall to lose it all

But in the end, it doesn't even matter

Eu não sei dizer exatamente quanto tempo faz que eu estou aqui.

Essa coisa de perder completamente a noção do tempo nunca aconteceu antes, nem mesmo nas minhas incontáveis transformações pelos terrenos de Hogwarts.

Não sei como isso está acontecendo agora.

Continuo a andar inquietamente pelo perímetro da cela onde eu estou. Não é grande coisa, mas é o que me resta fazer pra passar o tempo.

Cada vez mais forte, os flashes dos últimos acontecimentos continuam jorrando como uma fonte em minha cabeça.

Deslizando pela terceira vez até o chão, afundando a cabeça nas mãos, fechando fortemente os olhos. Lágrimas ameaçam voltar a cair, mas eu resisto.

Obrigo-me então a respirar fundo. Uma, duas, dez vezes seguidas.

Preciso colocar os pensamentos em ordem para não enlouquecer.

Ansiedade. Medo. Tristeza.

Um turbilhão de sentimentos me ataca mais uma vez e sinto minha voz escalar as paredes da minha garganta para que os gritos possam sair com toda força. Nunca perdi o controle tão completamente como venho perdido nos últimos dias.

Nesse momento, tudo o que eu consigo compreender é o quanto o tempo é precioso, e, no entanto é tudo o que me falta. Vendo os dias nascendo e morrendo do lado de fora da cela é como ver a vida que havia em mim se esvair aos poucos. Fantasmas me tomam e me levam mais uma vez para o precipício que dá origem ao meu desespero.

Eu não sei mais o que é real. Falho em convencer-me de que não deveria estar aqui.

Respiro mais uma vez, agora encarando o céu cinzento carregado com mais uma tempestade lá fora. Não sei dizer quanto tempo mais se passou. A dor que jamais pensei voltar a sentir novamente me arrebata com a força de um furacão.

James e Lily estão mortos.

É surreal ter que pensar em um mundo em que eles não vivam. Isso não podia, não devia ter acontecido. Eu os entreguei para a morte. Se ao menos eu tivesse convencido James a me manter como fiel do segredo, eles estariam vivos. Eu estaria morto antes de entregar minha família nas mãos daquele bastardo. Eu estaria condenado de qualquer forma. Eu só precisava de mais tempo para estar junto a eles.

Mas eu falhei. Eu não estava lá. É culpa minha ter perdido as pessoas que eu amo em uma única noite.

Não consigo conter as lágrimas quando a próxima crise chega. Dessa vez, sucumbo à ela como peso morto entregue à areia movediça.

Mil pensamentos atravessam minha mente na velocidade da luz.

Harry está órfão. Meu afilhado, a quem fiz um voto de proteger na ausência de seus pais está sozinho, e sequer posso estar junto dele para lidar com tamanha perda. Meu pequeno Harry… Com tanta vida dentro de si mesmo sendo tão jovem, espirituoso como o pai e inteligente como a mãe, crescerá sem saber o quanto seus pais foram as melhores pessoas que já pisaram nesse mundo.

Merlim permita que Dumbledore encontre um lar para meu afilhado que lhe proporcione tanto amor e cuidado como teria se estivesse sob minha guarda.

Por mais de uma vez sinto algo quebrar dentro de mim. Que tipo de homem eu sou, incapaz de proteger uma vida tão pequena e frágil como a de Harry? Talvez seja melhor mesmo que ele não esteja comigo. Talvez seja melhor que ele não cresça junto a mim sabendo de tudo o que fui incapaz de fazer…

E ainda tinha Remus.

O gosto da bile sobre por minha garganta e despejo tudo para fora. Moony... meu braço esquerdo em absolutamente todos os momentos nos últimos dez anos. Como pude deixá-lo tendo que lidar com o funeral sozinho?

Mas eu tive que ir atrás… Tinha que fazer alguma coisa. Precisava tentar. Já me amaldiçoei vezes o bastante por tomar tal decisão de cabeça quente, mas já não importa mais.

Remus não sabia que eu não era o fiel do segredo, e vai com motivo lamentar até o fim dos tempos por um dia ter confiado em mim; não seria a primeira vez que trairia sua confiança.

Há não muito tempo atrás ele me acusou de estar fora de mim, instável, quase incontrolável por tanta oscilação de humor… Mas quem poderia me culpar? O luto mexe com a mente das pessoas.

Perder Marlene foi, até então, o pior golpe que eu poderia ter sofrido, e de forma tão inesperada. Nunca vou me recompor de sua ausência; um homem não pode viver inteiramente depois de ter seu coração morto.

Se ao menos Moony e eu tivéssemos conversado mais… Se ao menos eu tivesse tido a chance de contar à ele que o plano foi mudado no último momento…

Mas agora ele também não sabe, nunca vai saber que não fui eu quem traiu James e Lily. E tampouco acredito que tenha forças para querer ficar com a criança, já que ainda tinha a licantropia para lidar.

Como tudo pôde ruir tão rápido?

Como perdemos o controle absoluto de nossas vidas, devastando tudo o que há dentro de você num piscar de olhos?

As lágrimas cessaram. Agora, só a raiva emerge para a superfície e a deixo sair com quantos gritos meu corpo consegue dar.

Movido ao ódio, soco a parede de pedra à minha frente.

Uma, duas, cinco, dez vezes. Perco as contas depois de sentir a carne viva vertendo sangue por toda parte da cela.

E enfim o nome dele me vem à boca.

Pettigrew.

O rato bastardo traidor que foi capaz de vender a vida dos próprios amigos por tão pouco.

Se ao menos eu o tivesse matado, se ao menos o tivesse capturado e torturado o bastante, talvez minha estadia aqui valesse a pena cada segundo.

Mas mesmo nisso eu falhei. Não consegui vingar a memória de meus amigos devidamente. Só posso desejar que esse inseto encontre um fim pior que morte, afinal.

A dor nas mãos se torna latente. Quase desesperadora agora.

Quanto tempo vai levar para curar, eu não sei. Mas também não faz diferença.

Me apoio sobre as grades, e olho para fora. A escuridão parece gritar em minha face de volta, me lembrando que aquilo é tudo o que terei pelo o resto dos meus dias.

Talvez eu devesse acelerar o processo. Talvez esse fosse o fim merecido do famoso Sirius Black. Traidor do sangue, de sua família e agora de seus amigos.

Um riso escapa de meus lábios quando sinto a dor tomar conta de mim e enfraquecer minhas pernas, fazendo-me sentar. A tentativa falha de estancar o sangue nas vestes sujas e puídas que me foram dadas em vão.

A ironia de que em algum momento depois da minha prisão seria meu aniversário de vinte e dois anos passa por minha mente. Como se agora fizesse qualquer diferença.

O presente especial que me espera pela frente é somente lamentar a morte de quem mais amei até que a morte se compadeça de mim, e me leve para junto deles.

Fecho os olhos na esperança de que a dor alivie, mas nada. Até mesmo a respiração parece fazer meus ossos doerem com os esforços.

Nunca pude me despedir de James ou Lily. Nunca pude carregar Harry novamente. Nunca pude pedir à Remus que acreditasse em mim. Assim como também nunca pude dizer à Lene o quanto a amava pela última vez.

Talvez eu merecesse isso.

Talvez esse fosse o destino de homem amaldiçoado pelos próprios pais; estragar tudo aquilo que toca.

E enfim os únicos pensamentos que me vem antes do cansaço vencer e me levar para longe, são os mesmos, repetidamente, sem parar.

James e Lily estão mortos.

Eu sou inocente.

Não traí meus amigos.

Mas no fim…

Nada disso realmente importa.

Notas finais
Eu comecei a escrever "In the End" em algum momento no começo de 2017, mas a ideia foi arquivada depois do falecimento do Chester (vocalista do Linkin Park) que mexeu muito comigo. A vontade de terminá-la, no entanto, continuou dentro de mim e esse ano tive coragem de terminá-la. E confesso que foi um desafio gigantesco e emocional, não só pela música como pelo personagem e o contexto em questão. o Sirius pra mim é a definição de toda resiliência do mundo; passar pelo que ele passou e da forma que ele passou é uma grande lição de vida. Eu queria muito mesmo poder abraçar ele e dizer que ele não está sozinho, porque com o coração que ele tinha, era a última coisa que merecia. Mas enfim... Apesar da dor e do sofrimento, sempre vou me lembrar do Six com toda a vitalidade que emanava dele. E que as pessoas se lembrem dele dessa forma também, com um sorriso de lado no rosto, uma piada pronta pra ser contada, e toda lealdade que ele teve pra dar e vender. Feliz aniversário para o meu Padfoot! Primeiro e legítimo amor da minha vida, a quem eu amo mais que todos & com todo meu coração! ♥ Espero que não tenham chorado como chorei escrevendo, rs. Reviews e reclamações são bem vindas! Até a próxima, bye bye! xx
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!