In The Dark Beside You
2 Esperança para os que não tem
Notas iniciais
Olivia Pov
Entrei na escola e me encontrei com Allison no meio do caminho que me esperava.
– Bom dia Olive – ela tentou forçar um sorriso sincero. Olhei pra ela e sorri de volta.
– Está tudo bem? – ela perguntou me olhando mais de perto.
– Eu estou bem – minha voz saiu rouca.
– Ok – ela me respondeu desconfiada. Allison percebeu que as coisas não estavam bem, mas não insistiu, porque sabia que as coisas nunca estariam bem pra mim. – Vamos procurar nossas salas e dar algumas voltas.
Allison é um ano mais nova que eu, tem 16. O que dificultava algumas coisas por não estudarmos nas mesmas salas. Sempre é difícil aguentar as pessoas que você não gosta sem uma companhia amiga do seu lado para fazer você se sentir mais forte.
Assenti com a cabeça e antes de acompanhá-la lancei um olhar melancólico ao redor de toda a escola. Os alunos sendo deixados por Mercedes na porta, as bolsas Gucci espalhadas por toda lugar e toda a coleção de primavera de Valentino desfilando pelos corredores. Isso cada vez mais me faz perguntar o que diabos eu estou fazendo aqui? Malditas oportunidades para os menos favorecidos! Maldita bolsa escolar!
Allison parecia animada, provavelmente lutando contra ela mesma, fingindo que não sentia os olhares de toda a escola focados nela, por culpa do incidente do ano passado. Não consegui reparar em todos os alunos novos como ela fazia, eu ainda tentava esquecer a gritaria lá de casa.
Percebi que Allison tentava se concentrar em alguma coisa estúpida nem que fosse caçoar de alguém, ela precisava me distrair.
– Olive, Olive, Olive! Olha o tamanho da bunda daquela menina! – Allison falou de um jeito tão indignado que tive que rir.
– Eu me esqueci de perguntar. Como vocêestá? – olhei nos olhos dela.
Ela abaixou a cabeça evitando meu olhar.
– Eu estou ótima! Nada me incomoda. Eu nem lembro mais por que...
– Bom dia meninas. – o professor de Biologia passou por nós duas.
– Bom dia. – respondemos com o sorriso falso que todo aluno esboça quando cumprimenta um professor.
Allison começou a ficar nervosa quando viu um grupo de meninas se aproximando e me puxou direto para o banheiro.
– Nada te incomoda. Aham. – eu disse irônica.
– Cale a boca.
Suspirei.
Allison tinha uma mania irritante de ficar se auto criticando na frente do espelho, coisa que ela herdou daquelas malditas...
Enquanto ela se olhava, me sentei na pia, para esperar.
– Ah Olive, eu odeio meu cabelo. Ele nunca fica do jeito que eu quero – choramingou amaciando as ondas de seus cabelos cor de chocolate, que eram maravilhosos.
Revirei meus olhos.
– Seu cabelo está ótimo Al.
– Olhe isso! Eu não tenho peito nem bunda! Eu preciso fazer alguma coisa...
– É. E você tem uma perna mais curta que a outra também. — apontei para a perna dela.
– O que? – ela gritou.
Cai na gargalhada.
– Allison pare de frescura, você está ótima!
Ótima para a Allison era apelido. Ela sempre foi muito bonita, era um dos motivos pelo qual todas as garotas da escola dariam tudo pra ser igual a ela. Magra como uma modelo, com um corpo extremamente delicado, um rosto pequeno e infantil, que combinava perfeitamente com seus olhos verdes, bem claros. Seu cabelo passava um pouco do ombro, e sua franja cortava na diagonal, o que lhe deixava com um ar de inteligência. Sua pele clara dava contraste a todo resto, o que a fazia parecer com uma boneca de porcelana.
Saímos do banheiro e demos de cara com quem a Allison, tenho certeza, torcia para não encontrar.
Allison Pov
Sai do banheiro olhando minha perna, será que era uma delas era mais curta que a outra mesmo?
O meu dia estava bom demais e tinha que ter alguém pra estragar o pingo de alegria que existia em mim, lá estava ela! Sempre onde não devia estar, onde não era bem vinda.
– Allison! – ela falou falsamente surpresa.
– Amber! – falei com nojo.
Amber tinha o cabelo de um tom quase branco, era longo e fazia ondas maravilhosas até sua cintura, seus olhos eram muito azuis seu rosto chegava a ser angelical. Mas sua personalidade, era o demônio.
Ela olhou para Olivia dos pés a cabeça com um olhar de desprezo.
– Passou para a turma dos drogados agora Allison?
Me preparei para segurar a Olivia, ao invés disso ela respirou fundo e não respondeu. Alarme falso.
– O que você quer Amber? — perguntei impaciente.
– Nada! Só queria tentar me redimir com você.
–Depois do que você fez, acho bem difícil eu ser capaz de te perdoar.
Ela me ignorou.
– Nós vamos dar uma festa esse final de semana, para comemorar a volta às aulas. Não temos tudo pronto ainda, mas considere-se convidada. Oh! E você também Olivia.
– Agradeço sua preocupação Amber, mas não vou me incomodar em aparecer.
– Que triste – ela disse com falsidade. — Vou te dar um tempo pra pensar melhor. Hey! Olivia, você podia ajudar com a preparação da festa. Seu pai podia levar as bebidas... E quem sabe sua mãe podia dançar pra gente — ela fez uma insinuação das pesadas, e dessa vez...
Fiz questão de não segurar a Olivia.
Dean Pov
A escola era praticamente um clube de tão grande. Eu era obrigado a parar e olhar para todos os lados, tentando me localizar para achar o rumo certo, eu me sentia perdido. Era modernamente decorada com árvores e plantas, portas de vidro e dentro de uma sala cabia mais de 45 alunos, no mínimo. Tinha muitos labirintos, formas geométricas e abstratas por todos os lados; nas escadas, portas, maçanetas, e o próprio símbolo da escola era semelhante a estrela de Davi. Tinha cores neutras, geralmente ficavam a vista os tijolos. Apesar de eu não estar muito contente com a idéia de estudar aqui, era a escola mais linda que eu já tinha visto.
Os alunos pareciam familiarmente à vontade com o ambiente e com as pessoas, muitos eram escandalosos, outros quietos demais, e a escola toda era dividida por grupos de afinidade, seja por aparência, gostos, religião ou índole.
– Dean! – Sam me cutucou.
Segui seus olhos que apontavam para duas meninas uma com cabelos dourados e outra morena, sentadas, conversando tão discretamente que você poderia dizer que elas nem falavam. Uma delas tinha um charme peculiar, que me chamou atenção.
– Uni Duni Tê? – ele me perguntou.
– Sam, por favor! – eu ri.
– Ora, são duas. Que valem por quatro, porque PUTA QUE O PARIU o que é aquilo? – ele mordeu os lábios.
– Quanta sutilidade – revirei meus olhos.
Ele me deu um tapa.
– Pelas minhas contas não vamos precisar dividir.
– Se precisasse também, tenho certeza que pra você não iria fazer a menor diferença. – acusei.
– É – ele riu.
Não sei o que me deu, só sei que fiquei com vontade de olhar elas de novo. Fiquei observando-as por um bom tempo. Uma delas era tão delicada e tão sinistra ao mesmo tempo. Não consegui tirar meus olhos, algo nela me chamava, algo nela precisava de solução, algo nela não tinha solução! E eu sentia que podia resolver. Elas se levantaram, e Sam me tirou dos meus devaneios.
– Vamos lá, deixar o material na sala e dar mais umas voltas.
Apenas concordei com a cabeça. Andamos por menos de 5 minutos, demos a volta no pátio e quando íamos passar na frente do banheiro feminino, vimos três meninas que pareciam estar discutindo, reconhecemos duas, eram as que Sam e eu observamos a poucos minutos.
Foi tudo muito rápido, só vi uma delas fazer menção de bater na outra e foi automático, sai correndo para segurar ela, que tinha lágrimas nos olhos, de raiva eu suponho. Prendi os dois braços dela na suas costas, enquanto ela se debatia e gritava.
– ACHO QUE A ÚNICA QUE IA FICAR BEM DANÇANDO PRA TODO MUNDO ERA VOCÊ, JÁ TEM VOCAÇÃO PRA PUTA!
A outra menina olhava vitoriosa, com uma cara esnobe que até eu fiquei com vontade de meter uns tapas nela.
– Que foi Olivia? Tem problemas com a verdade?
Olivia... O nome da minha menina que não tinha solução.
Olivia estava com o coração muito acelerado. Lágrimas escorriam do seu rosto incontrolavelmente. A amiga da Olivia estava com uma feição muito assustada, de medo e repulsa ao mesmo tempo, estava sem reação. Olivia se rendeu e parou de se debater e não falou mais nem uma palavra, quando a menina percebeu o sinal de redenção deu uma risada alta, e saiu rebolando como se fosse grande merda. Soltei os braços dela delicadamente, ela sentou no chão, tentando controlar a respiração. A amiga foi correndo socorrer.
– Olive! Você está bem? – Ela olhou pra amiga preocupada.
Olivia só balançou a cabeça. Ela enxugou o rosto da amiga e a abraçou quase chorando junto.
– EU JURO! Juro Olive que isso não vai ficar assim, eu vou acabar com ela. Agora! – Ela tentou levantar, mas Olivia a puxou.
– Ela está longe já. – ela murmurou.
– Eu vou correndo então. — A amiga falou como se fosse óbvio.
– Como você vai correr atrás dela com uma perna mais curta que a outra? – ela deu um sorriso sarcástico.
A amiga riu aliviada, e eu percebi que o acesso de raiva tinha passado. E mesmo sem saber do que se tratava, tive que rir junto, sarcasmo foi feito pra ela.
Ela nos encarou.
– E vocês estão parados ai por quê?
Me irritei.
– Não foi nada Olivia! Foi um prazer te impedir que você pulasse em cima daquela louca e levasse uma advertência. Estou aqui sempre que precisar. – Sarcasmo pesado.
– Obrigada! – ela respondeu igualmente seca. — Agora eu acho melhor eu ir andando antes que tenham que me segurar pra não pular em você também.
Respirei fundo e contei até dez, como uma criaturinha daquele conseguiu me irritar tanto?
Sam Pov
Eu fiquei pasmo, primeiro dia de aula e já tem barraco. Olivia se levantou e foi embora, mas a amiga dela parecia meio indecisa. Ela parou um pouco e me olhou de lado, com um sorriso que me tirou o fôlego. Me ofereceu a mão.
– Prazer, Allison! – ela mordeu os lábios.
Eu não me contive, tive que sorrir também. Puxei-a pra perto de mim e sussurrei em seu ouvido.
– Prazer, Sam.
Olivia deu falta da amiga e gritou irritada do meio do caminho.
– ALLISON!
– Eu... Eu tenho que ir. – Me deu tchau com a mão e saiu de um jeito tão engraçadinho que fiquei olhando ela até que ela sumisse de vista.
Não tenho nada para reclamar dessa escola. Primeiro dia de aula correu perfeitamente bem, além do tempo ter corrido o suficiente para as aulas não serem cansativas, tive o prazer de sentir a irritação de meu irmão e poder cutucá-lo toda vez que Olivia passava por perto. Dean nunca havia se envolvido muito menos se importado com problemas alheios. Era impressionante. Essa menina realmente havia deixado uma primeira impressão. Depois tenho que me lembrar de dar os parabéns pra Olivia. O que essa menina fez para que ele não a conseguisse esquecer nem por um minuto?
Allison Pov
Fui correndo atrás da Olivia, não conseguia reprimir o sorriso ela percebeu.
– Allison? – ela me olhou sugestivamente.
– Hm? – disfarcei.
– Não tem nada que você queira me contar?
– An? Tenho?
– Pelo Amor de Deus Al! Parece que você dormiu com um cabide na boca. Alguma coisa tem que ter acontecido pra você estar assim.
– Não aconteceu nada – eu dei um sorriso amarelo. Eu tinha tanto medo que a Olive me criticasse.
– Você se drogou então – ela sugeriu.
– Não! Está louca? Promete que não vai me julgar?
– Prometo Allison.
– Achei o Sam tão fofo! – suspirei.
Olive revirou os olhos e riu.
– Aquele ali que ta conversando com a Amber agora? – ela perguntou.
Olhei pronta pra sair correndo e gritando e grudar em cada fio de cabelo daquela vaca! Ela tentava chamar sua atenção mexendo no cabelo, e na saia. Colocava a mão em seu ombro constantemente, a cada vez que ele falava alguma coisa. Fiz uma cara de inconformada e a Olive riu.
Finalmente o sinal tocou.
– Allison, respira! – ela tentou me acalmar. – Estou indo pra sala, a gente conversa depois.
– Ok – respondi cabisbaixa.
Eu não acredito nisso! Qualquer coisa que eu pensava em ter, Amber já fazia questão de pegar pra ela. Me irritei profundamente e resolvi passar o dia emburrada. Fui a caminho da minha sala. Ouvi alguém me chamar.
– Allison! – era Amber.
– Me deixa em paz! – murmurei.
La vinha ela falar merda, eu ia ter que me segurar para não arrancar cada fio de loiro falso que existia em sua cabeça.
Sam Pov
Eu estava me matando de rir por dentro. Agora ia ter um motivo e dos bons pra zoar o Dean pro resto da minha vida. Era tão legal ver ele irritado. Eu estava quase apanhando dele, quando uma menina chamou meu nome e salvou a pátria, impedindo que Dean me desse um cacete.
– Sam? – era a louca que tinha provocado a Olivia. Como ela sabia meu nome?
– Eu – respondi meio alienado.
– Oi eu sou a Amber – quanto mais perto ela chegava mais Dean se afastava, segurei o riso. Ele ficou mesmo com raiva das duas.
– Sam, estou indo pra sala. – ele murmurou, e foi para a sala de aula sem olhar para trás. Com certeza estava se segurando pra ele mesmo não ter que bater nela. Procurei prestar atenção na menina.
– Eu queria vir me desculpar pelo meu comportamento de hoje.
E o que eu tenho a ver com isso?, pensei.
– Está desculpada? – eu disse confuso.
– Eu sei que pareceu exagerado, e como uma boa colega eu vim te avisar que nada é exagerado quando se trata daquelas duas. Eu se fosse você tomava cuidado, tudo aquilo que eu fiz, foi porque eu não agüentava mais ouvir elas me humilharem. Eu precisava fazer alguma coisa.
– Certeza que eram elas que te humilhavam? Pelo jeito que Olivia reagiu, não pareceu que foi por pouca coisa.
Ela riu e colocou a mão em meu ombro.
– A Olivia tem problemas com o temperamento. Drogas e coisas assim. – ela disse como se não fosse novidade.
Ela começou a falar banalidades e eu fingia que ouvia. Enquanto ela falava, eu queria arrancar a mão dela fora, ela não parava de enrolar o cabelo. Tique nojento. Senti que ela estava fazendo de tudo pra chamar minha atenção. Apesar de soar falso cada palavra que saia da sua boca, eu não podia negar que ela era incrivelmente atraente, do tipo que qualquer homem mataria para ter.
O sinal tocou e graças à Deus meus momentos de tortura com ela haviam terminado. Ela me deu um beijo no rosto e quando viu a Allison, foi correndo pra falar com ela. Percebi que não era coisa boa.
– Allison! – chamou ela.
– Me deixa em paz. – Me assustei com o tom cansado e desanimado de Allison.
– Honestamente, você não sabe se vestir não? E eu só falo isso porque sou sua amiga – ela dizia um pouco mais alto do que o necessário.
Allison ignorou.
– Essa sua bota é um horror – como se aquilo importasse. — E depois você ainda se pergunta por que não pode andar com a gente, você não consegue acompanhar o nosso nível.
As meninas que acompanhavam Amber riram alto. Senti que Amber fazia questão de humilhá-la na minha frente, isso me irritou. Então resolvi fazer ela se sentir melhor.
Ela estava apoiada na carteira, se segurando pra não falar nada. Cheguei por trás dela e falei em seu ombro.
– Eu gosto das botas, e das pernas... – ela riu e corou.
– Faz parte do pacote. – ela me provocou com um sorriso malicioso.
– Então eu compro o pacote inteiro. – sorri e tive o prazer de ouvir uma risada deliciosa que ela não pode controlar.
Infelizmente não tinha lugar perto de Allison para eu me sentar, tive que ir para o fim da fila, mas fui satisfeito de ter conseguido tirar a cara emburrada dela e ver aquele sorriso que me deixava louco.
Dean Pov
Sai andando com Sam, ele me olhava de um jeito estranho, aproveitei para desabafar.
– É muita infantilidade! Eu a impeço de fazer uma besteira e ela ainda me trata assim. Da próxima vez eu vou simplesmente assistir e deixar elas se matarem. Era o que eu devia ter feito a princípio.
– É. Vocêodeiaela – ele disse num tom que eu não entendi.
– Odeio! – respondi.
Sam riu, ele estava começando a me irritar.
De repente surge aquela menina do nada, e vem falar com Sam. Sorte que não foi comigo, me desviei, tentei não ficar pra conversa e resolvi ir pra sala. Só tive tempo de ouvir a apresentação dela, nada amistosa e com um tom falso. Sam é tão desligado que acredito que só eu notei. Eu sei que eu odeio a Olivia, mas posso odiar a Amber ao mesmo tempo. Afinal, por mais que Olivia tenha me irritado, tenho certeza que para ela reagir desesperada daquele jeito não foi só por uma simples implicância ou briguinha invejosa.
Fui para minha sala, estava quase lotada. Sentei no fundo, não estava a fim de fazer social. Logo após a entrada do professor entra a última pessoa que eu queria ver em minha vida e ela teve que sentar a um metro de mim, era a única carteira que havia sobrado. Infantil, louca, gostosa! Comecei a reparar melhor nela, seus olhos eram de um azul escuro fantástico, seu rosto quadrado combinava perfeitamente com ela, era alta e tinha um corpo maduro. O cabelo castanho claro, não muito comprido e liso completava o conjunto, sinistramente linda. A maquiagem escura, o All Star, a calça rasgada, o coturno, as pulseiras e anéis explicavam porque a olhavam de maneira diferente.
Tentei me concentrar na aula, mas tudo estava tão tedioso e o professor falava de um jeito tão monótono que eu tinha que arranjar um jeito de me divertir.
Abri meu fichário, arranquei uma folha, amassei e mirei na nuca de Olivia. Eu ia poder descontar minha raiva e sair do tédio. Joguei!
Apertei os olhos esperando que ela tacasse de volta, ou esperando uma reação agressiva dela. Ela pegou a bolinha de papel e me olhou com uma cara tão irritada que me arrependi de ter mexido com ela. Como eu tenho uma falta de sorte imensa, o professor me viu jogando o papel e chamou minha atenção.
– Senhor Dean Winchester isso é algo que queira compartilhar com a classe? – perguntou o professor sínico. Abaixei a cabeça.
– Não professor – falei baixinho. A classe ria.
– Então sente direito e preste atenção na minha aula! – ralhou ele.
– Sim professor – falei baixinho. Quando ele virou de costas mostrei a língua, eu sei que foi um ato infantil, mas se eu não fizesse isso ia acabar xingando ele de verdade. Voltei a prestar atenção na Olivia. E pela minha visão periférica podia jurar que ela estava sorrindo. Ela abriu o caderno e arrancou uma folha. Era a vingança.
Olivia Pov
Fui pra minha sala, já entediada. Sentei-me na única carteira que havia sobrado, e que merda, era na diagonal da carteira daquele menino.
Tentei me concentrar e esquecer o quanto eu odiava aquele desgraçado.
Todo primeiro dia de aula eu tenho um trauma e todo primeiro dia de aula alguém faz questão de me tirar do sério. Esse ano foi meu recorde, porque foram dois que me tiraram a paciência.
Enquanto viajava nos meus próprios pensamentos senti alguma coisa bater na minha nuca e cair ao meu pé. Era uma bolinha de papel amassada. Olhei pra trás irritada para me certificar de quem havia jogado. Olhei automaticamente para frente de novo, quando o professor chamou atenção dele.
– Senhor Dean Winchester isso é algo que queira compartilhar com a classe?
– Não professor – a voz grossa dele aos sussurros me arrepiou.
– Então sente direito e preste atenção na minha aula!
Olhei para ele assim que tive a certeza de que o professor estava focado em outra coisa, não sei se ele tinha consciência do que estava fazendo, mas mostrou a língua. Não pude evitar e acabei rindo alto.
Não, eu não ia entrar no jogo dele, a única coisa que ele queria era me irritar, mas porque eu não podia revidar do mesmo jeito? Arranquei uma folha do meu caderno e peguei uma caneta.
‘’Você sabe que se continuar me irritando corre um sério risco de levar uma surra, Winchester.’’
Amassei o papel e joguei de volta. Fitei-o para ver sua reação ao ler o papel. Percebi que ele sorriu involuntariamente. Escreveu e jogou o papel em mim, ele fazia questão de me acertar.
‘’E você corre o risco de ser indiciada por abuso. ’’
Eu precisava de um manual para entender as sentenças desse menino.
‘’Abuso?’’
''É. Ninguém pode ser tão gostosa assim. ''
Percebi que era irônico.
‘’ Vai-te à merda, Winchester. ’’
Ele riu.
‘'Mas acho que se for comparar com a Amber, você fica em segundo lugar. ’’
Sim. Ele realmente estava sendo irônico, realmente queria me tirar do sério erealmente estava conseguindo!
‘'Quenga! ‘' _|_
‘' Se eu perguntasse por que chorou, me contaria?’’
‘' Lógico, adoro desabafar! Ela falou que o meu gato latia. Fiquei chateada. ’’
Ele segurou o riso.
‘’Ta bom, eu já entendi, você não vai falar. ’’
‘’Você acha?’’
‘’ Ainda tiro isso de você. ’’
‘’Você pode tentar, se quiser. ’’
Não percebi como o tempo passou tão rápido, o sinal bateu. Ele escreveu rápido, se levantou e jogou o papel pra mim enquanto saia da sala — para trocarmos de sala na segunda aula -, segurei e abri.
'‘ Obrigada por tirar meu tédio, queridaOlive. ’’
OLIVE? Querida Olive? Quem ele pensa que é? Amassei o papel com força e joguei dentro da mochila. Como alguém tão insignificante conseguia me irritar tanto?
Notas finais
PER FAVORE
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