In My Veins
21 Klaus é nome de cachorro
Notas iniciais
A única coisa que eu não gosto no meu trabalho, é quando só acontecem coisas ruins. E acho que se tivesse um premio de maior dia de merda, esse iria ganhar de lavada de todos os outros. Durante o meu turno tive os resultados do exame de Chris, e vamos dizer que não foi muito animador.
Depois o próximo dia começou bem mais cedo, muito mesmo. Já era umas dez, onze horas da noite, quando o hospital me ligou pedindo para ir pra lá imediatamente, uma emergência. Bingo!
Fui ensinado a sempre ir para uma emergência preparado para o pior, e quando cheguei lá com o hospital um caos, eu estava convencido que a pessoa estava quase morrendo, por isso quase tive um ataque quando vi uma criança abatida me esperando na minha sala.
Na verdade o hospital estava com poucos médicos de plantão, então chamou alguns de reforço, e eu estava na lista. Porque o hospital parecia uma matine, de tanta gente junta no mesmo espaço.
Mas mesmo assim eu estava aterrorizado olhando para o menininho um pouco mais alto que Chris , sentado no colo da mãe a minha espera. Perguntei o que ele tinha e a senhora me entregou uma pasta com alguns Raio X do garoto.
Respirei e decide empurrar o medo para o lado. O menino me olhava como se eu fosse abrir a cabeça dele a qualquer momento, estava branco feito um papel, mas eu não queria que ele ficasse assim por isso puxei assunto:
– Qual é o seu nome ?- Perguntei olhando com calma para ele, o garotinho olhou para mãe, mas percebeu depois que ela sorriu para ele ,que eu estava falando na verdade era com ele, por isso ainda gaguejando ele me responde.
– Christian.- Ele diz. Meu coração quase para quando ele diz o começo do seu nome, mas me recupero e o lanço um sorriso.
– Prazer Christian, meu nome é Klaus.- Eu digo e ele solta um risinho.
– Eu tive um cachorro com o nome Klaus uma vez, pensei que só cachorro se chamava assim.- Ele diz dando risada, não sei se deveria ficar bravo com ele, mas sua risada é muito engraçada, parece muito com a da Caroline, só...um pouco menos escandalosa.
– Certo, nunca me disseram essa, mas já falaram que meu nome parece de vampiro de filme de romance que faz a loucura das meninas.- Ele da mais risada ainda, e eu continuo avaliando seu raio x , tudo parece normal e ....oh merda!
– Nossa verdade, minha irmã Molly já foi fã desses filmes uma época.
– Deixa eu te contar uma coisa: todas já foram.- Eu digo fazendo Christian gargalhar, mas me viro para sua mãe.- Senhora avaliando o raio X dele achei alguma coisa meio fora dos padrões, não sou especialista nessa área por isso acho melhor que a senhora vá até a sala do doutor Marcelo na segunda sala a direita, só para ter certeza, mas quero ser direto com a senhora , seu filho tem por volta de sessenta há setenta por cento de chance de ter um tumor no corpo.
Deixo ela absorver a noticia, eu definitivamente não estava gostando disso, era o segundo tumor em criança que eu diagnosticava nesse ano, e eu realmente não gostava nem um pouco da sensação que eu sentia em relação aos Chris.
Observo enquanto o choque passa pelo corpo dela, os ombros tremendo, tentando parecer menor, e por fim as lágrimas caindo. Ela não perde tempo, enxuga as lágrimas e me agradece. Christian acena para mim antes de sair da sala e eu aceno de volta.
Vamos lá Klaus você agüenta!
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O próximo paciente é um adolescente , de no máximo dezenove anos. Quando ele entra a primeira coisa que eu penso, é em como esse moleque parece comigo quando mais novo, os mesmo cabelos loiros ondulados, o dele apenas um pouco mais loiro que o meu. A altura, tudo, nossa maior diferença é os olhos, enquanto os meus olhos são azuis esverdeados claros, os deles são marrons quase preto.
E é claro os machucados marcando todo sua pele rosada.
Ele senta na cadeira a minha frente, parece rígido, mas eu não estaria diferente se tivesse as mesma marcas que ele.
A primeira coisa que ele me diz é :
– Bom dia , doutor.
E eu o respondo, e ainda aproveito para perguntar o que ouve com ele. Sua bochechas ficam vermelhas, seus lábios ainda um pouco inchados respondem:
– Eu diria que eu apanhei.
– Isso eu percebi, mas porque ?-
– Eles eram só uns idiotas da minha faculdade. Não sei se entende, odeio esse caras.- Pelo jeito que ele cerra o punha eu acredito, nunca fui um santo e nem queridinho da minha turma, mas não cheguei a ter problemas com os caras da faculdade.
– Eles te bateram até não ter graça mais ?- Pergunto, porque estou curioso.
– Não, se fosse assim ainda estariam me batendo até agora. Duas.. garotas me ajudaram. Jess e a Molly, eles tremeram na base assim que viram as duas e saíram correndo.- Ele diz com os olhos brilhando de agradecimento.
– E como se sente por ser salvo por duas garotas ?
– Na verdade me sinto muito bem, não sou machista nem nada, e não acho que algum cara iria conseguir tira-los de cima de mim. Garotas são poderosas, talvez até mais que nós, por isso acho que a sociedade tem tanto medo delas. Porque elas são melhores. Mas doutor você tem algo que possa aliviar minha dor ? Pois está doendo pra caramba .- Ele no final pergunta, fazendo uma careta de dor, analiso todos os medicamentos bons para ele, receito o melhor para ele.
– Isso vai ajudar.- Passo a receita até ele.- Mas primeiro precisamos ver os seus ferimentos, você podia deitar ali fazendo o favor ?- Eu aponto para a maca e ele vai até lá, tiro da caixa um par de luvas de borracha e as visto.
O garoto sobe na cama e senta:
– Doutor se você quer me ver pelado é só falar.- Ele ri.
– Se eu quisesse ver alguém pelado, eu iria para casa da minha namorada. Agora anda logo e levanta a blusa.- Ele fez o que eu pedi, sua pele branca estava cheia de hematomas que iam de roxo escura até um tom de verde.
Resmungo e acho que ele escuta.
– Está horrível não é ?
– Sem ser mal educado, mas está sim.
– Tudo bem, ainda bem que eu não tenho namorada, né ?- Ele da risada da própria piada.
– Não esquenta, vamos dar um jeito!
Essa é uma frase que Care me ensinou a usar quando as coisas estão bem ruins.
Vamos dar um jeito. Nós sempre damos.
–*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
Estacionei o carro na frente da casa dela. Seu carro está na garagem e por isso sei que ela está ali, fora as luzes da sala que estão acesas me mostrando que Care ainda não dormiu.
Só pude olhar meu celular assim que fui dispensado do turno extra, e assim que botei meus olhos nele apareceu uma lista de chamadas perdidas todas no nome de Caroline, e uma mensagem na caixa postal.
Me dizendo o seguinte, com uma voz chorosa:
“ Klaus, aqui é a Care! Preciso que você venha aqui, é muito urgente! Beijos “
Por isso me apresso até a sua casa, onde bato na porta e uma Caroline com os cabelos loiros bagunçados, o corpo tremendo e o rosto molhado cheio de lágrimas me atende.
Seu corpo pequeno está enrolado em um cobertor, o tornando menor ainda.
– Ei, Care o que foi ?- Eu pergunto, minha voz sua carinhosa, mas meu olhar é mais preocupado do que caloroso.
– Por que você não atendeu minha ligações ?! Eu precisei de você, e você não atendia, achei que alguma coisa tinha acontecido com você, seu idiota. Mas agora eu vejo que fiquei preocupada a toa.- Ela fala comigo explodindo de raiva.
– Fui chamado pelo o hospital com urgência, aquilo está uma loucura.
– Mas porque não me atendeu nenhuma vez ?- Ela insiste.
– É proibido mexer no celular dentro da sala.
– A fala sério.- Ela franze a testa, e volta parecendo um pingüim, um pingüim muito bravo para o sofá.
– Mas eu estou falando sério, agora em vez de ficar brava comigo que tal me contar o que ouve ?- Pergunto empurrando a porta, e jogando meu casaco em cima da poltrona da sala. Caroline está encolhida no sofá, por isso me sento ao seu lado, puxando-a para cima de mim e envolvendo o seu torso com meus braços.- Onde está o Chris ?
– Lá em cima dormindo, ficou abraçado comigo até meia-noite, mas não agüentou e acabou dormindo.- Ela diz sorrindo em meio as lágrimas. Sei o quanto ela se esforça por ele, e isso já é um bom começo para ela.
– Isso é bom, ele precisa mesmo descansar. Mas o que ouve com você ?
– Klaus eu...- Ela começa, mas eu a interrompo.
– Pode me contar,amor.- Usei pela primeira vez essa palavra, Caroline fica tensa e me observa com os grandes olhos azuis, mas não reclama, na verdade não diz nada.
– Meus pais vieram aqui.
– E ?- Quero saber mais, não posso ficar apenas nas pequenas porções da verdade.
– Não foi nada legal. Odeio eles, não sei porque eles decidiram voltar a me ver do nada, mas na verdade nem quero saber, não suporto nem olhar para cara dos dois.- Ela diz com remorso, o rosto de contorcendo em ódio ou raiva. Talvez nos dois. Eu a abraço mais forte apoiando meu cheio em cima de sua cabeça.
– Você não precisa olhar.- Digo.
– Eu sei, mas as vezes eu sinto como se não tivesse família nenhum, e disso eu sinto falta.- Ela me conta se afundando mais nos meus braços, fungando tentando controlar o choro.
– Você tem uma família, Care. Pode não ser de sangue igual aos dois, mas você tem seus amigos e eu, e acho que somos a melhor família que você poderia ter, porque apesar de não termos o mesmo sangue, amamos você e o Chris mais do que os dois te amaram a vida inteira. Sou sua família agora, olha que maneiro!- Eu digo arrancando uma risada dela.
Caroline me aperta em seus braços, e me dá um beijo no rosto. Posso ainda não dizer para ela, mas eu sei muito bem o que sinto, não dá para esconder.
– E eu sou sua família também! Você deveria comemorar porque essa é a melhor coisa que já te aconteceu.- Ela diz se gabando e eu riu junto com ela.
– Vou sempre comemorar, Sweet!
– Você deveria começar agora.- Ela diz toda cheia de doçura.
– Acho que eu preferia começar pelo eu te amo.- Digo e vejo os olhos de Caroline se arregalarem.
Mas não me importo, porque eu amo mesmo.
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