In My Veins
3 Apenas mais um dia difícil
Notas iniciais
"Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis"
– René Descartes
Quando eu era pequena tinha o maior pavor da hora de dormir, eu costumava a chorar e implorar para minha mãe não deixar a escuridão entrar no meu quarto, eu tinha medo que ela fosse vir me pegar e que me engolisse inteira, mas na verdade a escuridão vive dentro de você, só que há um momento em que você é obrigado a deixar ela te dominar, você simplesmente deixa, por que a outra opção provavelmente é bem mais dolorosa.
Eu imaginava que quando morresse Chris estaria ali com sua família já formada, me levando flores novas e de diferentes cores toda semana, contando histórias minhas para seus filhos e netos.
Mas eu havia perdido tudo isso, não seria assim, por que nas melhores das hipóteses ele ficaria comigo mais alguns anos, não tempo suficiente para não depender mais de mim ou de formar uma família.
Eu já tinha tomado o café, e agora Stefan estava visitando meu garoto. Eu tento mais uma vez ligar para Elena, até que finalmente ela atende.
— Alô — Ela sopra suavemente ao atender, posso escutar conversas vindo do outro lado da linha, inclusive o balbuciar de Ally chamando Damon. — Bebê, o papai está cozinhando.
— Oi Elena. — Digo observando o fluxo do transito.
— Car! — Ela se anima rapidamente. — Você não vai acreditar no que Ally fez hoje de manhã ?!
— Que tal você me contar ? — Eu precisava conversar sobre assuntos alegres com alguém, e Ally era um assunto ótimo.
– Ah. Certo. Claro , ela disse sua primeira palavra. — Elena parecia que estava se contendo pra não gritar de empolgação naquele momento, e eu acabei sorrindo. — Bom é claro que não foi mamãe, mas eu fico feliz por Damon.
— Quer dizer que Ally falou papai? Oh... Damon deve estar muito feliz mesmo, mas não fique triste amiga um dia ela ainda diz mamãe. — Animei Elena. Voltei para dentro do hospital e aproveitando que Stef ainda não tinha saído, para pegar um copo d’água.
— Você diz isso por que a primeira palavra do Chris foi mamãe. — Resmunga do outro lado da linha, ouço um barulho seguido de um gritinho de empolgação vindo de Ally. — Oh não Ally, você sujou todo o seu vestido. Damon vai buscar o vestidinho verde dela, enquanto tento limpar nossa bonequinha.
— É e eu acho que você se esqueceu que o Chris não conhece o pai. Mas tudo bem, me diga como anda o seu dia? — Suavizo minha voz enquanto ouço o som abafado de Elena tentando limpa a filha, eu precisava que ela me entretece para não me afogar em lágrimas de novo.
— Bom meus sogros vieram para o almoço, e como sempre os agregados vieram junto — Reclama, eu sabia muito bem quem eram os agregados, fora Stefan, Damon tinha uma irmã mais velha que a Elena e os próprios irmãos não iam com a cara. — Como se isso já não bastasse , o capeta do filho Eleanor assim que chegou já conseguiu destruir meu vaso de vidro das rosas que Damon me deu semana passada, e eu juro que se a lambisgóia da mãe dele não estivesse lá eu faria aquela merda de carinho descesse goela a baixo daquele moleque. — A voz suave de Elena deu lugar a uma cheia de rancor, as rosas eram importantes por que eram um presente de aniversário de casamento e eu me lembro muito bem por que Chris ajudou a mim, Stef e Dam a fazer biscoitos de chocolates para Elena , enquanto ela havia saído para ir as compras com Ally.
–— Que tenso — Paro quando vejo Stefan vindo em minha direção. — Elena tenho que desligar, Stefan acabou de sair da visita ao Chris.
— Tudo bem, mande um beijo para o Ken está bem ? Mais tarde nós passamos ai, se cuide Caroline. Beijos — Ouço Ally fazendo barulho de beijo e rimos nós duas, com Stefan parado ao meu lado com os olhos vermelhos.
— Beijos, e vê se não deixa o Damon tacar fogo na cozinha — Ela ri mas logo desliga.
— E ai como foi com ele ? — Pergunto fechando minha jaqueta.
— Foi bem. — Respondeu dando um sorriso fantasma que não chegava a seus grandes olhos verdes, colocando as mãos no bolso da calça.
— Tem certeza ? — Tento me aprofundar nos pensamentos dele, mas como sempre Stefan me afasta, impondo uma barreira entre nós dois.
— Claro, eu prometi a ele que iria alugar todos os filmes do Batman e que iríamos assistir juntos. — Me conta com a voz tremula, dava pra perceber que ele não estava bem e não era bom pressioná-lo agora. Então deixei passar.
— Que legal!E como você ta ? — Perguntei hesitante, Stef estava pálido com algumas olheiras de baixos dos olhos verdes opacos sem nenhum vestígio do brilho que sempre estava presente em seu olhar marcante . O casacão preto que ele usava escondia sua blusa e metade da calça.
— O que você acha ? — Perguntou grosso. Eu nunca havia visto Stefan tão detonado assim na minha vida.
— Certo. Vai embora quando? — Pergunto encarando as orbes verdes perdidas.
— Daqui dois dias. Caroline eu preciso ir mesmo, me avise se tiver novidades sobre o Chris. —Ele disse passando por mim e indo atravessar a rua. Acenei e ele entrou no carro prata.
Suspirei e subi para o quarto do meu bebê. Sentia-me como um fantasma andando com facilidade no meio das pessoas, o quarto era no final do corredor mais eu sentia como se fosse um longo caminho até lá , e olhando as pessoas ao meu redor cada uma com um problema diferente me deixava deprimida.
Mas tudo foi embora quando vi o médico do meu filho parado na porta procurando desesperado alguma coisa pelo corredor, quando me viu sua expressão suavizou , mas isso não o impediu de se lançar corredor a fora em minha direção.
– Senhorita Forbes...
– Caroline!- Corrigi.
– Tudo bem! Caroline eu só queria avisar que vou roubar o Chris um pouquinho pra mim, mas talvez antes do fim da tarde eu o trago de volta. – Ele diz sorrindo. E senhor me perdoe por estar pensando essas coisas enquanto meu filho está doente, mas eu nunca havia visto um sorriso tão bonito assim, eu queria morde-lo.
– Desde que você o devolva em um estado melhor, eu deixo.- Começo e Klaus acaba ficando sério. Oh merda! Eu estraguei a brincadeira.
– Bom senhorita Forbes, eu acho que a senhorita é uma mulher muito esperta e bem informada então eu creio que você deve saber dos efeitos do tratamento.- Ele sopra cada palavra delicadamente até quase suave para a seu normal sotaque britânico carregado.
– Eu sei, só quero que ele fique bem.- Respondo e ele assenti. Depois que dei um beijo em Chris o Dr.Klaus e a enfermeira o levaram para a sala.
Nesse meio tempo tive que ir até a universidade para entrar com pedido de trancar o curso, qualquer custo a mais enquanto Chris fazia o tratamento me apertaria de uma maneira que me faria dever para o banco, então eu tinha que eliminar a maioria dos gastos e aumentar minha horas de trabalho, para tentar pagar os remédios, tratamentos e exames. Depois que sai da universidade fiquei um tempo parada dentro do carro no estacionamento da faculdade, eu já chorava alto, curvando meus ombros para frente enquanto uma forte onda de soluços me invadia.
Não era justo. Quando finalmente as coisas começavam a dar certo, tudo ia para os ares de novo. Frustrada. Magoada. E quebrada. Tudo isso um seguida do outro, talvez se eu tivesse sido mais espertar quando jovem hoje na estaria numa situação parecida, se talvez eu não tivesse me deixado ser iludida por Tyler as coisas fossem bem mais fáceis. Mas eu fiz minhas burradas e isso construiu quem eu sou, Elena costuma a dizer que toda essa barra pesada que eu passei fora uma lição para mim aprender a ser forte, lutar por aquilo que quero e nunca desistir.
Depois de me recuperar de meu pequeno momento de fraqueza e egoísmo, em que eu me odiava e odiava tudo por não poder continuar a fazer o curso que eu tanto desejei e trabalhei para começar. Liguei o carro e fui em uma velocidade razoável até o hospital, parei duas quadras atrás e fui a pé até lá. Tive que esperar algum tempo até Dr. Mikaelson aparecer na porta.
– Dr. Faz idéia de quando ele vai poder voltar pra casa?- Perguntei tentando controlar minha voz para não falhar, e tentava deixar minhas pernas firmes para não cair.
– Eu acho que amanhã de tarde, ele já vai poder voltar pra casa. Mas fique tranqüila vou passar os horários da quimioterapia pra você assim que possível. Mas não é isso que vim perguntar.- Ele era preciso com seu sotaque britânico que deixava tudo mais adorável.
– Pode perguntar doutor, sou todo ouvidos.
– Eu poderia ir á sua casa, ter algumas sessões com o Chris para tentar ajudar ele nesse momento difícil e superar algumas coisas que a quimioterapia não ajuda ?- Perguntou, seu olhar brilhante o entregava, ele estava animado com isso e tudo que fosse ajudar meu filho a conseguir segurar a barra e passar por tudo isso eu faria.
– Se isso for ajudar,pra mim tudo bem. Mas eu não sei se consigo pagar todas sessões.- Soprei baixinho, eu nunca gostei de me mostrar impotente para alguma coisa.
– Oh, não se preocupe, eu não vou cobrar pelas sessões , eu já estive na mesma situação que você, sei como dói principalmente quando não se pode fazer nada.- Os olhos azuis murcharam e perderam o brilho, mas eu não havia entendido direito.
– O que? O que aconteceu com você ? – Eu puxei ele pelo braço quando tentou se afastar. Falta de ética? É eu sei, mas idaí? Eu precisava entender o que ele estava falando.
– Você não precisa saber, não é assunto seu.- Ele foi grosso, se soltando do meu aperto em seu braço, eu pude ouvir ele bufar enquanto ia pra sua sala.Oh Deus, o que eu fiz para merecer isso. Eu estava chateada, todo mundo resolveu ser mal educado comigo justo hoje, um dia que não estava sendo nem um pouco bom.
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