In My Veins

6 A água pode ser tão venenosa, quanto salvadora


Notas iniciais
E é com esse título incrível que eu trago um novo capitulo de In My Veins pra vocês. Eu sei que não postei na quinta, mas é que essa semana teve atividades e provas todos os dias =P Mas como prometido aqui estou eu. Cara, obrigada pelos comentários de todos, vocês são incríveis eu adorei cada um. - Boa leitura

" Não é que eu tenha medo de morrer. É que eu não quero estar lá na hora que isso acontecer."

– Woody Allen

| Capitulo 6 |

Era um número de telefone. Sério isso ?

Virei aquele maldito pedaço de papel não encontrando nada, mas que bosta era essa ? Fui para o meu quarto com o papelzinho ainda nas minhas mãos ,olhando as vezes incrédula para ele. O quarto branco que jazia uma cama grande no meio nunca esteve maior, estava vazio e frio como se houvesse um ventilador ligado no máximo, a cômoda ao lado da minha cama tinha um porta retrato com uma foto minha e de Chris na época em que ele tinha apenas alguns dias de vida.

Agora olhando novamente para o meu quarto dava pra notar uma presença estranha de fotos por todos os cantos, tanto em portas retratos quanto em quadros. Eu estava me sentindo sufocada, como se os milhares de olhos dos quadros só conseguissem focar em mim, eu nuca estive mais desconfortável no meu próprio quarto como hoje, reparando pela primeira vez em muito tempo nas fotos...ah as fotos, uma junção de falsidade deplorável, os sorrisos falsos em todas elas, mascarando uma agonia interna, isso era apenas os que elas são, elas não conseguem transmitir sentimentos,s apenas mostram nossa casca,a parte de nós que realmente queremos que os outros vem.

Virei os quadros, para deixá-los contra a parede. Eu precisava de um banho quente, então marchando até meu banheiro peguei um pijama bem fresco e uma calcinha larga. Você fala como se tivesse uma lingerie se quer, Caroline. E eu realmente não tinha. Liguei a luz do banheiro e fechei a porta, retirei as minhas roupas devagar encarando o meu reflexo diante do espelho, enquanto esperava a banheira encher.

Não demorou muita para mim entrar correndo na banheira quentinha, naquela noite o frio estava congelante, e me fundir a segunda coisa mais quente na casa era a melhor opção. Me afundei na banheira até minha cabeça estar imergida na água, e pela primeira vez naquela semana eu me permiti chorar.

Eu era forte o suficiente para criar meu filho sozinha, mas não era forte o suficiente para cuidar dele. E infelizmente as únicas coisas que me restaram foram rezar e chorar, eu precisava me acabar em lágrimas, para poder tentar ser menos quebrada. As ondas de soluços me invadiam,me fazendo tremer ainda em baixo d’água,porém eu não as deixava sair e eu muito menos levantava minha cabeça para fora d’água para deixar as lágrimas rolarem por meu rosto.

Era tão melhor desse jeito, tão menos torturante e quebradiço, eu não fazia barulho algum apesar de estar sendo quebrada, as lágrimas desciam mas não chegavam a tocar meu rosto, elas se misturavam com a água da banheira antes disso. Foi ai que senti aquela necessidade de ar que por quase um momento me fez levantar a cabeça, mas eu me mantive forte, me encolhendo dentro da água, forçando minha cabeça para baixa para permanecer mais tempo ali, testando meu fôlego.

Era um bom fim, em baixo d’água seria bem menos doloroso do que a sensação de acordar amanhã. Meu pulmão gritava por ar e minha garganta ardia em brasa, mas eu nem cogitava a idéia de me levantar dali. Se fosse para mim morrer, era melhor que fosse ali e agora. A escuridão foi tomando conta do meu campo de vista limitado pela água. Quando então a vontade de respirar foi demasiadamente forte, tentei respirar, fazendo certa quantidade de água ser aspiradas para minha veias aéreas e a tosse a seguir veio como em um reflexo.

Água... Eu só a via entrando, mas nunca saindo.

Faltava pouco para perder a consciência, mas um grito apavorado me chamando foi ouvido no silêncio da minha mente ou talvez da minha morte. Chris. Meu garoto estava chorando,mas eu não conseguia mas levantar, eu já era e acho que Chris já sabia disso.

Eu sentia suas mãozinhas me puxando para cima, mas mesmo que eu subisse talvez a respiração nunca voltasse. Porque eu só conseguia sentir a água em todos os lugares, em meu nariz me impedindo de respirar, em meus ouvidos me deixando cada vez mais surda, em meus olhos me mostrando o azul cegante , e principalmente em minha boca me fazendo engolir minha própria morte.

Mas eu senti o ar, ou pelo menos o soprar dele em meu rosto. Porém não sentia Chris perto de mim agora, ou tentando me puxar mais para cima, eu só o ouvia berrando por Bonnie em desespero. Os minutos se passaram bom na verdade eu nem estava contando, pois estava muito ocupada tossindo meu pulmão para fora,mas isso era só mas uma reação ao afogamento, já espuma saindo do meu nariz e boca isso já era novidade .

– Mamãe ! – Chris veio chorando com a voz manhosa.- Você está me ouvindo, mamãe ?.- Ele perguntava assustado, mas o senti se afastar novamente na hora que um estrondo vindo da sala se foi ouvido. Era Jeremy eu tinha certeza, e ele me devia uma porta agora.

– Chris! – Bon gritou e eu pude ouvir meu filho ir correndo em direção da voz apavorada.- O que foi Ken? Ei calma, calma. Me conte o que ouve.- A voz doce de Bonnie soprava frases acalentadoras para o meu moleque, e eu deveria me lembrar de agradecê-la por isso depois. Jer estava exaltado dava para ouvir sua respiração pesada daqui, e não era de se surpreender, pelo jeito que ele arrombou minha porta provavelmente esperava que um serial killer estivesse aqui dentro.

– Mamãe. – Ele tentava dizer com a voz falhada e tremula, eu não poderia culpá-lo .- Ela está dormindo na banheiro, mas ela não quer acordar mais tia Bon.- E logo em seguida ele desatou a chorar novamente, pude ouvir o desespero tomando conta de Bonnie, mas meus sentidos estavam sumindo, me deixando um rastro de nada,ou nem isso, nada chegaria há ser bom pra mim, mas a sensação angustiante que veio em seguida junto com a escuridão total fazia o nada virar algo totalmente aconchegante e desejado.

A sensação era bem parecida com dormir, porém mais brutal, apesar do sono absurdo, dormir seria a última coisa que eu deveria fazer nesse momento, não vou negar que pegar no sono seria uma delicia, mas bem...Por mais que a uns minutos atrás eu tinha quase me matado, eu tinha medo da morte, porque ela era a única certeza que nós realmente temos na vida,e isso não diminuía meu temor por ela, pelo contrario só aumentava, porque não há nada para se fazer contra isso apenas morrer.

E eu odiava saber que eu iria morrer, e não era só pelo fato de você simplesmente MORRER, e claro também não era uma questão de fé, eu só não suportaria morrer e não encontrar nada, somente um vazio ainda mais sombrio do que quando dormimos, porque ai não temos mais esperança de acordar.

A mente de criança de Chris se enrolava cada vez que ele tentava entender o que tinha acontecido. Bonnie entrou no quarto em alerta como se esperasse um monstro lá dentro, mas no lugar uma imagem muito pior ocupava o lugar, eu esticada na banheira. A primeira coisa que Bonnie deveria fazer era verificar a pulsação, e ela realmente o fez, mas porra! Não é uma coisa muito prazerosa verificar a pulsação de uma das suas melhores amigas, era na melhor das hipóteses estranho. Nada contra os meus pulsos e nem os de ninguém, mas deveria existir uma lei que proibia as melhores amigas de averiguarem a pulsação da outra.

Mas graças aos céus, a minha pulsação mesmo lenta batia,o pulmão provavelmente cansado de tanto fazer o trabalho que pulmões fazem, tentar se matar por falta de oxigênio era uma desgraça, mas uma desgraçada pior era morrer de desoxigenação .

Bonnie pegou a minha toalha e puxou o meu corpo languido para fora da banheira, me enrolando na mesma. A páscoa estava fodida! E Bonnie sabia muito bem que eu uma hora ou outra me odiaria por estragar o feriado, mas não havia outra forma de passar a páscoa se não no hospital ou no cemitério, e a segunda opção segundo a mim não era de se cogitar.

BonBon havia feito um cursinho de primeiros socorros enquanto estava grávida, então com extrema maestria ela me colocou em posição lateral, e aplicou o procedimento para o grau de afogamento, na verdade em minha parte esse caso nem deveria ser considerado um afogamento, porque vejamos eu estava em uma banheira que não era funda. Ela abriu minhas vias aéreas, colocando dois dedos da mão direita no queixo e a mão esquerda em minha testa, e estendeu meu pescoço. Enquanto ela “cuidava de mim”, dava para ouvir claramente Jeremy ligando para uma ambulância.

Depois de ir direto ao hospital, eu fui diagnosticada com grau dois de afogamento, que consiste em eu ficar em observação médica durante um período de 6 a 24 horas, repousar enquanto mantenho meu corpo aquecido. Fora a cânula que ficava no meu nariz, enviando me 5 litros de oxigênio nasal por minuto.

– E aí maníaca suicida. – Klaus apareceu no meu quarto checando o meu prontuário. – Hum..nã,nã, que feio em loirinha, eu esperava mais de você.- Ele disse com o sotaque adorável, mas muito convencido britânico.

– Sinto muito...- Tossi.- Por não atender suas expectativas. – Ele parou de escrever na prancheta, e deu um sorrisinho torto, repuxando o canto de seus lábios e formando uma linda covinha.

– Ah não, tudo bem, ninguém consegue atender as expectativas de todos, só se pode superar as suas próprias expectativas, e vejo que no momento a sua expectativa é conseguir se manter viva. – Ele zombou, eu odiava a maneira que seu sotaque britânico soava quando ele me dava um conselho, ele até parecia meu pai.

– Na verdade a minha expectativa do momento é te fazer calar a boca.- Rosno, mas acabo tossindo, porque meu pulmão não está lá essas coisas, graças as minhas atividades de hoje mais cedo.

– Muito engraçado Caroline.- Ele disse com desdém.- Se posso te perguntar, você ligou para o número que eu te dei ?- Perguntou.

– Não, afinal porque eu tinha que ligar ?- Usei o meso tom de desdém, e Klaus moveu os lábios formando uma pequena careta.

– Tudo bem, você não precisa mais ligar, seu médico já fez isso por você.- E ai ele sorri. Eu não havia entendido, pra que era aquele maldito número mesmo ? Ou melhor de quem era o número ?

– Como assim ?

– Caroline, o número era de um psicólogo.- Ele explica.- E você acabou de provar para qualquer médico que precisa ter seções com um psicólogo, ou pra você um suicídio é algo perfeitamente normal ?- Eu não achava perfeitamente normal, mas também não queria concordar com a história do psicólogo. E todo o sentimento de repulsa que eu sentia por mim, pois eu não tinha pensado no Chris e em como ele ficaria se caso eu morre-se, só se misturava com a tortura que era ter feito os meus amigos e o meu filho passarem todo o feriado da páscoa no hospital.

– Agora se me der licença, seu filho e seus amigos quere vê-la.- E foi com isso que ele saiu do quarto, me deixando sozinha há espera de Chris, meu garotinho apareceu correndo em minha direção com dois ovos de chocolate na mão.

– Feliz páscoa mamãe!- Desejou me entregando o ovo que não estava aberto, ele sorria, mas o sorriso não chegava a seus olhos azuis.

– Feliz páscoa, bebê.- Beijei sua testa, e ele me abraçou, finalmente chorando em meus braços. Elena entrou no quarto vestindo roupas de frio, seus olhos estavam vermelhos, e Chris automaticamente saiu para fora do quarto deixando somente eu e Elena.

– Nós temos que conversar Caroline.- Ela disse, a voz ainda contendo vestígios de choro.

– Sim nós temos.

Notas finais
Hey! Como vocês gostaram do esquema, vamos continuar com o negocio do spoiler, ok ? Como pedido de uma leitora no próximo teremos a continuação da conversa da Elena e da Car. E provavelmente logo conheceremos o psicologo que eu vou já dizer ele é uma outra delicia britânica aushaushaush ( alguém ai sabe quem é ? ) Bem obrigada por ler, e fantasminhas podem aparecer eu não tenho medo de assombração ;) Beijos com muito chocolate e | Alguém aqui assiste outlander ? Se sim venha conversar comigo |