In My Veins
11 A consulta mais estranha da história
Notas iniciais
" Toda despedida é dor... tão doce todavia, que eu te diria boa noite até que amanhecesse o dia."
– William Shakespeare
Os lábios de Klaus eram doces como balinhas açucaradas, tinha um gosto indefinível. Mas era bom. Deus acho que eu tinha morrido e ido pro céu, pois não devia existir algo mais gostoso do que os lábios carnudos de Klaus, claro talvez outra partes dele, mas isso eu ainda não podia confirmar. Depois do choque inicial de ter seus lábios nos meus, Klaus agarrou minha cintura me puxando mais pra ele, era tão gostoso ter seus lábios sugando os meus enquanto sua língua curiosa tratava de explorar todos os cantos da minha boca. Eu tinha me esquecido do frio e parecia que Klaus também, mas eu tinha que me lembrar que ele usava uma camisa fina, devia estar congelando igual há Stefan mais cedo.Ficamos assim por alguns segundos, juntos, um colado no outro enquanto nossos lábios se encontravam novamente, mas estava ficando frio pra caramba, e os arrepios de Klaus só confirmavam isso, eu não queira parar, mas também não queria que ele morresse de frio.
Separei nosso beijo, dando um passo pra trás para manter o pouco de sanidade que ainda me restava, os lábios de Klaus estavam vermelhos, e sua respiração tinha ido pro espaço de tão rápida, ele parecia desesperado por ar. Mas estava tão lindo, e eu queria tanto voltar a beijá-lo,que eu estava quase fazendo isso, quando escutei Stefan me chamando aos berros.
– O que foi caramba ?- Eu perguntei já sentindo o sentimento de raiva dançando na boca do estomago junto com as borboletas, eu ainda estava sob o efeito dos lábios macios de Klaus, mas não podia negar que queria quebrar a cara do Stefan por ter me atrapalhado pela segunda vez. Porra ele sabia que fazia tempo que eu não ia há um encontro, e ainda achava que tinha direito de atrapalhar? Eu queria socar aquele imbecil egocêntrico.
– Eu to com fome e não tem nada de bom na sua geladeira.- Ele se queixou da porta de casa. – É difícil manter esse corpinho.- Disse apontando para a barriga
– E por que você não prepara alguma coisa ?- Pergunto virando indignada em sua direção.
– Eu to com preguiça, fora o fato de eu ser uma negação na cozinha.- Ele disse com os olhos pidões e com as mão unidas, isso era golpe baixo ele sabia que ficava uma fofura com aquela cara, não dava para negar nada pra ele quando ele te olha assim.
– Ta bem. Eu já vou em um instante, agora se me der licença faça o favor de sumir da minha vista.- Rosnei com o vento batendo bem em minha cara, Stefan foi resmungando, mas entrou deixando eu e Klaus sozinhos novamente. – Me desculpe por isso, o Stefan é um babaca igual ao irmão dele.- Eu disse.
– Não tudo bem, eu já estava de saída mesmo.- Ele disse sorrindo mais uma vez daquele jeito tímido adorável.
– É claro, mais uma vez obrigada.- Eu disse enfiando minha mão no zíper pronta para devolver a jaqueta para Klaus.
– O prazer foi meu. Care pode ficar com a jaqueta outro dia eu pego.- Ele disse tirando minhas mão da apertura de sua jaqueta e pousando a sua para subir o zíper até que ela estivesse fechada.
– Tem certeza que não vai precisar usar ?- Eu perguntei, apesar de estar adorando a idéia de poder dormir com a jaqueta e com o cheiro de Klaus se afundando em meu nariz, me fazendo me perder entre os milhares de sonhos com ele, eu não poderia ficar se ele fosse precisar usar em outro dia.
– Não, eu tenho outra.- Ele garantiu.- Então eu acho que agora sim é um boa noite.- Ele disse com os olhos brilhando enquanto sorria pra mim de um jeito acolhedor.
– Agora sim é um bom boa noite.- Eu respondi encantada com seus olhos azuis que brilhavam mais que as estrelas.
– É definitivamente um ótimo boa noite.- Ele soprou tremendo porém nunca deixando de sorrir pra mim, nem que fosse só com os olhos.
– Acho que está na hora de eu entrar, se não Stefan vai acabar dando um chilique.- Falei rindo apontando para a pequena casa atrás de nós.
– É, seu amigo me parece mesmo uma pessoa escandalosa.- Riu, provavelmente se lembrando do momento do celular.
– Você nem imagina.
– Bom agora eu realmente tenho que ir se quiser continuar vivo.- Soltou um riso nasalado.- Foi muito bom dividir o sorvete com você Caroline.- Ele soprou com a voz aveludada em tom manso, encanto piscava pra mim.Sorvete, acho que nunca mais vai ter o mesmo significado depois do nosso encontro.
– Sorvete virou a nossa definição de beijo agora ?- Eu perguntei enquanto acompanhava Klaus até seu carro que não ficava muito longe, mas andávamos devagar para conversar um pouco mais.
– Acho que sim. O nosso beijo foi tão delicioso quanto qualquer sorvete, então eu acho que não tem como chamar isso de outra coisa se não sorvete.- Ele disse me dando um beijo na bochecha. – Boa noite, Caroline.- E então ele se foi, montando no carro e sumiu entre as longas ruas de Oregon. No mesmo instante eu corri para dentro de casa, não agüentando aquele frio do inferno, fechei a porta e dei de cara com Chris e Stefan enrolados em cobertas assistindo a filmes. Stefan me chamou pra ir junto, mas eu apontei pra cozinha.
E enquanto eles assistiam a uma parte engraçada do filme, eu comecei a estourar pipoca, tinha horas que eu achava que Stefan ia acabar morrendo de tanto que ria. Coloquei a pipoca em um pote e me juntei a eles para assistir ao filme, eu poderia dizer que não era um filme tão legal assim,porém entre assistir A culpa é da estrelas e esse filme ridículo, eu ainda escolheria o segundo, a primeira opção me parecia muito deprimente, e acho que meu Ken e Stefan concordavam comigo a respeito disso, nada de filmes de câncer, pelo menos não agora.
Quando o filme acabou coloquei Chris pra dormir, dessa vez nem precisei ler livro nenhum, ele parecia um pudim de tão mole e cansado que estava. Arranjei algumas almofadas e um cobertor bem quentinho pra Stefan, que fez de meu sofá a melhor cama possível.
E então eu fui me arrastando até o meu quarto onde tirei com um pouco de dificuldade o meu vestido, que já estava me incomodando. Tirei os saltos de Bon bem rápido e pude contemplar as belas marcas vermelhas com o formado da sandália, peguei o pijama mais largo e me joguei na cama, me cobrindo até o pescoço.
Eu iria sonhar com beijo, e sobre isso eu não poderia fazer nada a respeito.
No outro dia a rotina foi a mesma, preparar o café, comer o café, jogar água na cara de Stefan pra ver se acordava, para depois ir acordar Chris, jogar o papo fora, e assistir TV até três horas da tarde, para depois trocar de roupa, e ir levar Chris até o hospital para fazer a quimio, ele tinha colocada uma blusa azul de um super herói, mas ela não iria aparecer graças ao casaco que eu tinha colocado por cima. Eu coloquei uma roupa normal, eu só iria ir ao uma consulta com psicólogo terror das velhinhas mesmo.
Stefan desceu do carro para levar Chris até a ala da cancêrlandia, e eu fiquei aqui esperando ele, perdendo todas as chances de uma boa vaga perto do consultório , mas eu não poderia ir embora, pois Stefan fazia questão de ir na consulta comigo hoje. E quando o bundão finalmente deu as caras e entrou na porra do carro, eu acelerei o máximo que pude e fomos quase voando até o consultório. Eu não consegui uma boa vaga, mas conseguimos chegar a tempo na minha consulta.
Stefan ficou sentado na recepção sendo comido pelos olhos das velhinhas que estavam ali. E eu fui desesperada para dentro da sala onde Enzo já esperava totalmente alheio a minha presença, eu devo ter demorado muito, porque acreditem se quiser, Enzo estava com as pernas esticadas em cima da mesa, enquanto dançava com o tronco no ritmo da música que ouvia em seu Mp3. E eu como estava odiando ver aquela cena, pigarrei:
– Desculpe o atraso dout...Enzo.- Eu disse por fim, e pelo modo que Enzo saltou eu pude perceber que quase tinha o matado de susto.- Me desculpe..de novo.
– Caroline, sente-se. – Seus sotaque britânico saiu tremulando ainda sob o efeito do susto, mas ele logo tratou de se levantar. – como passou os dias ?- Ele perguntou puxando a poltrona perto do sofá onde eu estava deitada.
– Muito bem na verdade, eu tive até um encontro se posso dizer.- Ele pareceu decepcionado, mas poxa ele não podia gostar de mim, eu já estava errada de mais em me envolver com o médico do meu filho, imagina se decido pegar o meu psicólogo, isso não me parece muito correto.
– Nossa isso parece ser um avanço, e as coisas com a sua amiga ? Vocês se acertaram ?- Ele me pareceu interessado, e bem alegre. Talvez ele sofra de bipolaridade? Provavelmente.
– Aham, nossa amizade anda as mil maravilhas.- Eu disse bem confiante, enquanto respirava profundamente encarando o teto sala. Engraçado, o teto era branco, mas também não era, eu não sei como definir bem a cor, mas me lembrava a cor do jaleco de Klaus.
– Cada vez isso me parece melhor, mas porque parece que você está cansada ?- Ele soprou bem perto de mim, mesmo não o vendo eu podia imaginar que ele estava anotando tudo.
– É bem cansativo ter um filho com câncer, e ter que lidar com um talvez, sabe eu preciso saber se esse relacionamento vai pra frente, porque eu não posso investir o meu tempo em algo que ainda não passa de uma possibilidade. – Eu parecia amargurada, mas era esse pensamente que tinha se ocupado de toda a minha mente desde que assisti aquele filme ontem a noite, eu tinha problemas de mais, e não queria que Klaus se tornasse mais um.
– E a Caroline problemática está de volta.- Enzo rio sem humor nenhum.
– Não, eu só quero dizer que eu tenho problemas suficientes pra resolver, e que não posso gastar o tempo que não tenho com algo que não vá pra frente, só que tudo é um completo talvez, quando a única coisa que precisava é de uma confirmação.- Desabafar era ótimo, principalmente com Enzo, ele não falava nada, mas não precisava, eu já sabia o que ele estava pensando.
– Você precisa relaxar.- Ele concluiu. Meio obvio não ?
– Não me diga. – Dei um sorriso de desdém, e Enzo revirou os olhos pra mim.
– Eu estou falando sério Caroline, você precisa relaxar se não vamos perder todo o progresso que até agora conseguimos, você quer isso ?- Ele perguntou e eu neguei.- Então trate de relaxar.
– Então trate de me dizer como que eu faço isso ?- Eu pedi me virando naquele sofá e encarando diretamente os olhos de Enzo.
– Pra isso você tem que me deixar te ajudar.- Ele disse me fitando com intensidade.
– Tá. Você pode me ajudar.- Eu deixei, não era nada de mais afinal, mesmo que com o olhar de Enzo parecesse muito mais intenso.- O que você sugere ?
– Uma visita ao SPA?
– Não parece tão interessante assim.
– Uma viagem com amigos? Eu poderia te acompanhar.
– Talvez, quem sabe, seria interessante, mas essa ainda é sua melhor opção ?
–Não claro que não, que tal um encontro ?
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