In My Veins
10 Melância e Nozes
No capítulo anterior:
Resolvo ligar para minha mãe para me acalmar ainda mais, preciso ouvir a voz de Theo e saber que tudo continua bem.
“Felicity? E aí minha filha? Se divertiu.”
“Claro... Claro, mãe, está tudo bem aí? Pode passar para o Theo?”
Ouvi minha mãe falando algumas coisas e logo passando o celular para o Theo.
“Mamãe, mamãe, a vovó é demais. Acredita que ela me deixou comer sorvete hoje, de chocolate e baunilha.”
“Ela fez o que?” -Elevei minha voz. “Depois eu falo com sua avó, agora eu quero saber de você, como foi o resto da sua noite, tirando a parte do sorvete.”
“Eu adorei, vovó Donna brincou muito comigo, me contou histórias. Foi muito divertido.”
“Que ótimo meu amor, daqui a pouco eu chego em casa pra te dar um beijo, um não, um milhão. Agora eu tenho que desligar porque meu telefone está quase sem bateria. Te amo.”
“Também te amo mamãe. ”
Desligo meu celular morrendo de saudades de meu filho. Sinto um aperto no peito, um medo de que ele possa se afastar de mim...
Onde o Ray e a Laurel se meteram?
Viro-me em busca de ver se eles estão chegando quando me deparo com uma conhecida figura me encarando com um olhar.... Triste?!
.......................
“O que é que você está fazendo aqui? ”
Pergunto irritada, eu tentei me manter civilizada a cerimônia da festa toda. Acontece que todo mundo tem sua cota de paciência que pode ser gasta e a minha já chegou a desaparecer.
“Eu... Eu precisava conversar com você Felicity. ”
Oliver me encarou, ele parecia meio desconcertado, nervoso. Eu não estou preparada para ver esse Oliver novamente.
Não o Oliver pelo qual me apaixonei, aquele sem barreiras, que fazia tudo para me fazer feliz. Uma versão desse homem que nunca existiu.
“Nós não temos nada que conversar Senhor Queen e eu não estou com tempo para isso agora. ”
“É, eu percebi...” -Falou com arrogância.
Quem ele pensa que é para falar assim comigo? A- Eu não lhe dei motivos. B- Mesmo que eu desse, minha vida não diz respeito a ele. C- Quem ele pensa que é para falar assim comigo?
“Como é? ” – Dirigi a ele meu melhor olhar de estou bem e te odeio, enquanto vi um sorriso irônico surgir em seu rosto. Assisti esse sorriso sumir em questão de segundos, dando lugar a mesma pose séria que encontrei quando me virei.
“Você foi embora sem me dar a chance de explicar...”
“Ah era só o que me faltava, eu não preciso de explicações depois do que eu vi. Eu não quero explicações! ”
Disse me afastando, quando o senti tocar meu braço com delicadeza. Eu não estava preparada para este toque porque no fundo eu sabia que tudo isso envolta de mim era uma muralha, mas que se existia uma pessoa que conseguia derrubá-la, era Oliver.
Senti seus dedos acariciando minha pele e nesse momento me afastei.
“Não você não entende, eu sei que você continua me odiando...”
“Deixa isso para lá. ” -Respirei fundo e olhei em seus olhos, pela primeira vez, verdadeiramente, nessa noite. “Isso foi há muito tempo atrás, ambos temos uma vida diferente agora. E eu estou cansada de brigar, ou de me irritar, vamos só voltar para a nossa vida. Você seguiu em frente e eu também, isso é a melhor coisa para nós dois. ”
“ Eu percebi que você seguiu, mas eu só quero te pedir perdão. ” -Eu ia me afastando quando ele me chamou novamente. “Por favor, só me dá dois minutos. Eu queria ter a chance de conversar com você sobre tudo o que aconteceu naquele dia e nós vamos conversar sobre isso eventualmente, mas agora não é o momento para isso. Eu só quero... Só quero pedir perdão, por não ter sido homem o suficiente para não te deixar ir, perdão por ir para Central City e decidir deixar você, porque eu sabia que você ficaria melhor sem mim. Sem o homem que tanto te machucou. ”
Por um momento quase esqueci como se respira, a vontade de chorar era imensa. Mas depois eu foquei nas últimas coisas que ele disse.
Durante anos eu me deixei acreditar que aquela fatídica conversa que ele teve com sua mãe não era sobre mim. Que Moira estava sendo a mesma bruxa de sempre, planejando a minha saída permanente de suas vidas, mas só agora parei de acreditar. Eu podia ver seu arrependimento, eu sentia sua tristeza, o problema era que eu não via nele a vontade de lidar com seu filho, que ele sempre soube da existência.
Eu sempre repetia a mim mesma que Theo e eu estávamos melhor sem ele, que seu dinheiro e seu falso amor não eram importantes. Que eu conseguia amar meu filho por nós dois e que meu amor era o bastante.
Mas um filho precisa do pai e eu não podia ignorar que ver o Oliver tentando seria maravilhoso, vê-lo se esforçando para ser um bom pai seria incrível
Acontece que Oliver nunca quis isso, ele nunca quis uma família e muito menos comigo.
Agora que meu filho está bem-criado, mais velho, agora eu estou melhor sem ele.
“Ok agora você só tem que respirar bem fundo, que eu vou chamar a Caitlin, enquanto isso não se mexa.”
Minha mãe disse enquanto corria para o apartamento ao lado.
Eu andava tendo muitas dores na minha barriga, o doutor havia dito que era devido ao estresse do dia a dia e que eu deveria tomar cuidado e eu tomava.
Acontece que descobri aos quatro meses de gravidez que as coisas haviam se complicado, eu agora possuía uma gravidez de risco. Era mais fácil o fato que eu tinha uma doutora e amiga na porta ao lado, mas continuava sendo complicado viver desse jeito.
Eu faria de tudo pelo meu bebê, de tudo mesmo.
Cait chegou e me examinou, segundo ela depois de tomar alguns remédios e tirar uma soneca tudo ficaria bem. Acordei na manhã seguinte realmente melhor, porém cansada de interromper a vida daqueles que amo porque não tenho a mais ninguém para recorrer.
...
Era uma noite fria e eu me via rolando pela cama, sem sono e morrendo de fome.
De fome não, de desejo.
Depois do meu momento com a Caitlin no sofá da minha sala as coisas tinham melhorado bastante, meu médico havia dito que estava tudo certo e que as coisas já poderiam voltar ao normal aos poucos. Ele recomendou que eu voltasse ao trabalho, como um primeiro passo; porém Ray, meu chefe, negou meu pedido. Ele conseguia ser mais assustado que eu.
Por conta da minha melhora, minha mãe voltou a trabalhar de garçonete a noite, outra que não me deixava sair de casa.
Eu sei que ela me ama e que mães fazem tudo aos seus filhos, mas me doía ver o quanto ela trabalha para nos sustentar e ainda mimar meu filhão.
Depois de descer até a cozinha, revirei o local todo em busca de uma melancia e de nozes. Eu estava salivando por ambos, porém não tinha nenhum dos dois em casa, pensei em ir no mercado a noite, mas logo desisti. Do jeito que Central estava esses dias...
Acredito que Caitlin ouviu o barulho que fiz derrubando latas em busca da minha comida, que logo a vi entrando no apartamento.
Ela havia pedido por uma chave em casa de emergência e minha mãe mais que depressa mandou fazer.
“Não me diga que quer pizza de miojo de novo Felicity. ” – Ela sorriu para mim enquanto juntava as latas do chão.
“Na verdade, é melancia e nozes...”
Ela riu enquanto saia até sua casa buscar melancia e nozes.
Eu era grata por meus amigos, mas me sentia mal por fazê-los me ajudar com qualquer situação.
Acontece que perdão era só uma palavra, eu poderia encontra Hitler e dizer que o perdoava por tudo que fez, mesmo não sentindo nem um pouco de perdão em meu coração.
Eu queria gritar com Oliver, estapeá-lo até me cansar, mas eu estava farta desse sentimento. Eu estava cansada de me sentir mal enquanto os outros se sentiam bem.
Eu tinha que começar a viver a minha vida de verdade, sem rancor, sem ódio.
Então apenas assenti fracamente com a cabeça, vendo Ray e Laurel descendo ao meu encontro. Assim fui com eles até o carro.
Poderia ser minha imaginação, mas ouvi um sussurro baixo, repleto de dor.
“Eu nunca seguirei em frente sem você...”
Senti uma fisgada no meu peito e a vontade de chorar só aumentou, já dentro do carro me permiti olhar para trás.
Oliver encarava o carro que partia enquanto passava a mão em seus olhos, o observei pelo vidro escuro do carro até virar a esquina.
E ele continuava lá, parado.
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