In Memorian
1 Amém
Notas iniciais
Friend Of A Friend
Ele precisa de um quarto silencioso
Com um cadeado para trancá-lo
É apenas um quarto silencioso
E ele esta lá
Respeitar o medo.
Coisa que ela nunca fez, nem pensou que seria possível. Ela não o via como obstáculo, motivo ou inimigo, apenas não o via. Era — na maioria das vezes — ousada. Daquele tipo de pessoa que faz seus olhos se arregalarem de curiosidade.
O tipo de curiosidade que temos quando avistamos algo inusitado.
Bolha de sabão. Era e vivia numa, quando a encontrei — as diversas vezes — já não refletia muitas cores, mas havia ganhado um estranho aspecto opaco, envelopado, engavetado, empoeirado.
Se não havia para quem, por que brilhar?
Sua liberdade foi reduzida ao diminuto poder de uma mente dopada — que já era suficiente para um mundo inteirinho de fantasias. -Com direito a belas motos, florestas e ação.
Preferia dormir a ficar mais um minuto olhando para as paredes. Aquele acolchoado deve ter sido feito especialmente para perturbar ainda mais os pacientes... Dizem que o branco dá sensação de continuidade, imagino então, que colchões nas paredes passam uma ideia de sufocamento.
Mal cuidada. Unhas e pele desgastadas sem o menor rastro do que se prometia no contrato. Mas... Quem lê o contrato? Páginas e páginas de vantagens e excessões ainda mais mirabolantes jogadas na gaveta.
Nunca disseram a seus irmãos que ela estaria em contato com pacientes ainda mais perturbados, médicos aproveitadores, comida fria, sabonete sem cheiro.
Eu simplesmente não poderia deixar de escrever por ela. Não a conhecia, não como gostaria. Mas faço uma ideia do que tinha em sua cabeça.
Se realmente há alguém olhando por nós de algum lugar, esse alguém se esqueceu da pobre. Fico me perguntando quem merece apodrecer dentro de um quarto anos a fio e a resposta que me vem é sempre a mesma: no mínimo alguém que tenha matado, mentido, roubado, destruído.
Escrevo pela morte e pela situação. Só queria que tivesse tempo dela ver o dia amanhecendo pela janela, que ela pudesse ver as folhas caindo e o outono enchendo as ruas de sonho.
Pobre, pobre Helen...a
(In Memorian)
Notas finais
Mas ele sabe exatamente o que o é o amor
Ele diz "deixa para lá"
E ninguém fala nada
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