In Love With My Guitar
12 Capítulo 12 – Fight! Fight! Fight!
Notas iniciais
Alguém aí quer fazer o mesmo?? hehe
Era um domingo à tarde e estava insuportavelmente quente. Leo, Yara, Richard e Samuel estavam esparramados na sala, se abanando e fazendo de tudo para receber um pouco das rajadas que vinham do ventilador.
– Camille ligou? – A loira perguntou.
– Porque quer saber?
– Calma, Leo. Eu não estou querendo roubar sua namorada. – Ela se defendeu.
– Ela não é minha namorada. – Retrucou o moreno de olhos azuis.
– Ainda não. – Dizia Samuel, abanando-se inutilmente com uma mecha dos dreads.
– Só estou perguntando, porque ela prometeu que nós iríamos sair essa semana. – Yara concluiu, ignorando a cara de confusão que o vocalista fazia.
– Sair? – Ele arqueou uma sobrancelha, descrente. – Para onde?
– Coisa de mulher!
– Sei...
– Está com ciúmes de mim, Leonardo? – A loira o fitou, achando graça da situação.
– Mas é claro que não! – Leonardo se revoltou. “Haha, até parece.” Ele pensava. – Se não se importam, eu vou descer no porão. To com saudade da Becky.
– Ahh não! Eu me importo! – Samuel encenava deitado no sofá. — Vem cá amor! Não me deixe! Eu te amo! – Ele gritava, fazendo todos rirem. – Não me deixe! Não suportarei a vida sem você! – Ele punha as mãos no coração, fazendo uma cena muito dramática, até pra ele.
– Senhoras e senhores, William Shakespeare! – Leo apontou para o baterista, que continuava deitado no sofá, tentando pegar a perna dele. Yara e Richard riam enlouquecidos no outro sofá. – Já venho, meu amor. – Disse Leo, ao enfiar uma almofada na cara de Samuel.
– Estou te esperando – O baterista agora piscava para o outro – Não demora muito, gostoso!!
Em resposta, Leo mandou um beijo para ele.
– Que gays. – Disse Yara, ainda se recuperando do ataque de risos.
– Algum problema com isso? – Samuel olhou para ela, provavelmente querendo parecer indignado. – Esse é um país livre! Eu tenho todo o direito e me expressar!
– É. E também tem o dever de ficar calado! – Dizendo isso, a loira jogou uma almofada na cara dele.
– Ah... O amor é lindo! – Suspirava Richard, ao lado de Yara.
– Você também! – Ela olhou feio para o baixista.
– Calei!
Enquanto começavam uma guerra de almofadas na sala. No andar de baixo, Leo passava um pano na guitarra, a fim de tentar tirar o pó.
– Que saudades. – Ele sorriu para Becky. – Mas você sabe, né? As coisas vão meio difíceis ultimamente. Faz bastante tempo que não tocamos em lugar nenhum... – Para uma pessoa que não entenda o amor do garoto pela sua guitarra, pode achar que ele tinha ficado louco ao conversar com ela. Mas era mais do que simplesmente falar. Era se expressar. Se expressar para a melhor amiga dele. – Bom, agora eu tenho uma novidade. Fiz uma música nova! – E colocando o pano em cima de umas caixas de papelão, levantou-se para tocar os primeiros acordes da nova canção.
[n/a: Tradução]
Andando pela rua, num mundo além de tudo,
Nada parece ser, nada é tão doce
Quanto aquilo que eu não posso ter,
Como você e o jeito que você mexe o cabelo em torno do seu dedo.
Hoje à noite eu não tenho medo de te falar
O que eu sinto por você.
Vou juntar cada pouco de confiança que tiver
E cair na água.
Vou juntar cada pouco de confiança que tiver
Por você, eu vou.
Por você, eu vou.
Me perdoe se eu ga-gaguejar
Por toda a confusão em minha cabeça
Porque eu poderia dormir nestes olhos
Como uma cama d'água.
Eu pareço familiar?
Cruzei com você em corredores milhares de vezes,
nada de camuflagem,
Quero estar exposto
E não ter medo de cair.
Vou juntar cada pouco de confiança que tiver
E cair na água.
Vou juntar cada pouco de confiança que tiver
Por você, eu vou.
Sempre queremos o que não podemos ter,
Mas tenho que tentar,
Vou juntar cada pouco de confiança que tiver
Por você, eu vou.
Por você, eu vou.
Por você...
Se eu pudesse escurecer as luzes no shopping.
E criar um clima, sim, eu faria
E gritaria seu nome para que ecoasse em todos os quartos. Eu faria
É isso que eu faria,
É isso que eu faria,
É isso que eu faria,
para chegar a você
Vou juntar cada pouco de confiança que tiver
E cair na água.
Vou juntar cada pouco de confiança que tiver
Por você, eu vou.
Sempre queremos o que não podemos ter,
Mas tenho que tentar,
Vou juntar cada pouco de confiança que tiver
Por você, eu vou.
Por você, eu vou...
– Você está mesmo gostando dela, né? – Perguntou, lá da escada, uma voz que ele conhecia muito bem.
– Será? – Ele disse, dando seu típico sorrisinho metido.
– Dá pra ver no seu olhar. – Ela respondeu.
– Eu não sei. Mas de uma coisa eu tenho certeza.
– Certeza de que?
– Que eu não me sinto assim, desde que... – Ele fitou profundamente os olhos verdes da morena. – Desde que uma certa garota me beijou atrás das arquibancadas da escola e depois foi viajar por três meses, sem dar satisfação nenhuma. Deixando-me como um bobo.
– Eu sinto muito por aquilo. – Ela falou. Abaixando a cabeça. Lembrava muito bem daquele dia;
“– Você tem certeza? – Leo perguntou. Ele estava todo suado, tinha acabado de voltar da educação física. Seus cabelos castanhos estavam desgrenhados e seus lindos olhos azuis brilhavam como nunca.
– Tenho. – Hanna respondeu. Ela tinha treze anos na época, Leo tinha quatorze. Não era típico da morena, fazer isso, mas logo iria viajar para Bahamas e nunca se perdoaria se por acaso fosse embora sem uma lembrança feliz.
– Temos que ser rápidos. Daqui a pouco o sinal bate e todo mundo sai das salas. – Ele olhava para todos os lados, certamente com medo de ser pego.
Sem mais palavras, ela se inclinou na direção do garoto, encostando os lábios nos dele. Ficaram assim por vários segundos. “Finalmente” Os dois pensavam.
Nem se deram conta quando o sinal bateu e os alunos saíram para o intervalo.
– Olha o casal de pombinhos! Que bonitinho! – Gritava um garoto mal encarado, com os cabelos alaranjados, sardas no rosto e dentes tortos. – Espera até o monitor ficar sabendo!
Na mesma hora Leo se pôs na frente de Hanna, confrontando o tal garoto ruivo.
O moreno era mais alto que o outro, mas o que Leo tinha de altura, Yan (Era esse o nome dele? Devia ser.) tinha de gordura.
– Ofendi sua namoradinha? – Yan provocava. Leonardo já estava farto de tantas irritações. Desde o maternal os dois brigavam.
– É melhor você sair daqui. Para o seu bem. – Ele parecia ameaçador. Mas o ruivo não se mexeu.
– Vai fazer o que? Me dar um beijo? – O garoto ria escandalosamente, fazendo outros quatro se juntarem a ele.
A essa altura, Yan e Leo já tinham atraído muitos outros alunos, que agora faziam uma rodinha, esperando por briga. Lá no fundo, Richard e Samuel (Que tinha os cabelos curtos na época) ouviram a voz do amigo. Correram até a roda de pessoas, tentando abrir caminho, até que estavam posicionados ao lado do moreno. Na defensiva.
– Ah, os dois pamonhas chegaram? Que bom. Agora podemos fazer os três de saco de pancada.
– Haha, como você é engraçado. – Samuel fingia rir. – Cala essa sua boca suja e vem pra cima, se você é homem!
– É, Yan. Está com medo? – Completou Richard, do lado oposto. – Porque não vem logo? Não importa se você tem mais do seu lado. Nós acabamos com vocês em três minutos.
Sem se abalar, o ruivo deu um passo para frente, virou o rosto e deu dois tapinhas na bochecha, provocando.
Foi o bastante para deixar Leo no limite. O moreno de olhos azuis avançou e deu um soco certeiro no nariz do garoto, que cambaleou para trás, sendo segurado por dois amigos.
– Ah... Agora você pediu! – Disse Yan, apertando o nariz que sangrava sem parar.
Leo se posicionou, enquanto os outros alunos gritavam “BRIGA! BRIGA! BRIGA!”. Felizmente, estavam longe dos olhos e ouvidos dos monitores e funcionários.
Yan foi para cima de Leo, com os outros quatro garotos indo na direção de Richard e Samuel. Leo conseguiu se esquivar do ruivo gordo, mas os outros dois não tiveram tanta sorte. Foram pegos, cada um sendo levantado do chão por um garoto de cada lado, segurando-os pelo braço.
– Agora somos eu e você? – Leo disse, encarando Yan, com raiva.
– Pode vir magrelo. – O ruivo respondeu.
– Medo?
– Nem um pouco. – Dizendo isso, o garoto foi para cima do moreno. Leo estava pronto, sabia exatamente como se esquivar e fazê-lo cair no chão. Via muita luta na TV. Mas de longe, ouviu alguém o chamando.
– LEO! – Era uma voz fina, dando contraste nas outras. O moreno se desligou da luta por um segundo, tentando achar a voz. Ele não se lembrava de quem era.
O segundo perdido foi o bastante para Yan o acertar com um soco no olho, fazendo-o inchar instantaneamente. “Ele pediu”. Leo nem se abalou, foi direto com o pé no estômago do ruivo, fazendo-o se curvar. Logo em seguida, deu um murro no queixo. Yan caiu. Ele nem se importava com nada, apenas com um pensamento: “Esse Yan tem que aprender a não mexer mais comigo. Muito menos com Hanna.”
Vendo o ruivo no chão, gemendo de dor. Leo se aproximou, dizendo:
– Agora, antes que eu chute o seu saco, me escute. Nuncamais mexa com a minha namorada novamente. Está me entendendo? – O ruivo no chão, ainda gemendo, fez que sim com a cabeça. Leo virou para ir embora, mas parou, Yan estava falando:
– Vai para o inferno, você, seus dois cachorrinhos e essa nerd que você tanto gosta, seu filho da puta! – Leo não mediu esforço, virou-se e chutou as partes baixas do ruivo com força, fazendo-o gritar de agonia.
O moreno chegou perto dos quatro garotos que seguravam Samuel e Richard. Na mesma hora, soltaram os amigos do menino.
Os três saíram de lá, antes que a coisa ficasse feia.
– Nossa! Tá inchando mesmo. – Dizia Richard, vidrado no olho do amigo.
– Depois eu cuido disso. Cadê sua irmã? – Leo procurava-a por sobre as cabeças curiosas naquela roda.
– Saiu no meio da briga. Ela vai viajar por três meses. Hanna não te contou? – Ele perguntou meio confuso.
– Não. Não me contou.
– Hey. É verdade que vocês estão namorando? – Perguntou Samuel, olhando maliciosamente para Leo.
– Pelo menos eu achei que era... – Ele respondeu.”
*
– Hanna?
– Oi? Desculpa, estava... Lembrando daquele dia.
– Eu também... – Leo fitava Becky – Você sabe quem me chamou aquele dia? Afinal, eu levei um soco no olho por causa da bendita pessoa. – Ele sorriu, lembrando-se.
Hanna agora se sentia desconfortável.
– Lembro. Foi... A Linda. – Ela respondeu.
– A Linda? – Ele se surpreendeu. – Sério? Acho que ela já gostava de mim naquela época... – Olha o sorrisinho metido de novo na cara dele!
– Leo. Eu sinto mui... – A morena ia começar a se lamentar, mas lá da sala, uma voz chamou.
– LEONARDO! TELEFOONE!
– JÁ VOU! – Ele gritou de volta. Depois virou para Hanna: — Tudo bem. Agora já passou. Tanto eu quanto você já seguimos em frente, não é? – Ele sorriu, pôs Becky no chão e subiu correndo para a sala, deixando a morena totalmente sozinha ali, no porão.
– Quem é? – Ele perguntou, com o telefone na mão.
– Camille. – Respondeu Yara. Fazendo-o sorrir.
– Alô?
– Leo! Você não vai acreditar! – A voz macia do outro lado da linha fez o estômago do rapaz ficar com borboletas. – Eu consegui um show para sua banda!
“E vai ficando cada vez melhor!” Ele pensou. Enquanto sorria bobamente para o aparelho.
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